Sexta-feira, 19 de Novembro de 2004

Ircindentes

O mundo á nossa frente.... Já se tornou um clichê dizer esta frase quando se fala da Internet....Ela abre uma janela para uma coisa há muito esquecida no mundo real: a conversa, a troca de idéias, o prazer de se comunicar... O IRC e as salas de chat servem não só para se conversar com o outro lado do mundo, mas também para se conversar com o outro lado da esquina. Além das distâncias físicas, o IRC ajuda-nos a superar barreiras como a timidez, a vergonha, e o medo. Por isso, cada vez mais ouvimos histórias que aconteceram por causa deste programa, histórias de amor, de amizade, de decepções,e de sacanices.




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Neste mundo virtual podemos dar voz ás nossas partes mais sombrias, aos nossos complexos e “personas” criadas durante a vida... É um espaço de experimentação, de fantasia e que pode muitas vezes levar à instabilidade emocional.
Ali as Fantasias rolam soltas... isentas de sentimento de culpa. Podemos visualizar a pessoa como gostariamos que fosse, e passar uma imagem nossa que não decepcione... por vezes até tentamos aguçar o interesse.


O Irc e as salas de Chat, tornam-se atraentes pela possibilidade de se viver, em palavras, o que se deseja naquele momento e naquele instante, sem censuras e/ou limites morais, que normalmente permeiam a vida de cada um... o pior é quando ultrapassa essa barreira, não é?
Costumo dizer que o Irc é demasiado perigoso, para quem não sabe gerir as suas emoções....As pessoas por vezes envolvem-se com um nick, e nem entendem bem porquê? Ele ou Ela entra no canal, e o coração começa a bater mais forte....O mundo real deixa de existir... O resto, bem vocês sabem!


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Claro que o Irc já juntou muita gente... mas também já fez sofrer pessoas sem conta.
Aos mais novos nestas lides...cuidado...atrás de cada comando há sempre uma intenção. Cada /join, /who, /whois, /quit, /query, /dcc chat, pode trazer consigo uma pequena surpresa, alguém que pode mudar o teu dia, ou (quem sabe?) a tua vida...




O Maslow (#30-50) explica isto com outras palavras... palavras bonitas, que emocionam.... que tornam afinal o Irc uma espécie de conto de fadas: com os respectivos herois e bandidos.

Cereza


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Um beija flor, continuamente buscando realizar todos os sonhos que surgiam em cada batimento de asas, pairava curioso por cima dum jardim estonteante.
Como louco, todas as cores o estimulavam a voar em volta, procurando em cada cor, de cada uma das flores desse jardim, a remissão de todas as suas duvidas, de todas as suas buscas.
Tirando de cada flor apenas uns momentos de suave esquecimento foi deixando escorrer a vida , esvoaçando e apenas aspirando aromas e deixando-se emocionar a cada pingo de cor mais fascinante.
Um beija flor comove-se com imensa facilidade, mas entrega-se muito raramente. A natureza foi generosa com o beija flor. Não precisa invejar nenhuma das outras aves. Os seus voos são magia, a sua plumagem divertida, os seus hábitos seguros. Não precisa de concorrer com as outras aves e o mundo de insectos que tentam, densamente, alterar o seu mundo, geralmente afastam-se perante a sua presença.
A sua personalidade é, por isso, vincada e orgulhosamente, dominadora. Eleva-se, o beija flor, à posição de pequeno rei dos seus domínios, naturalmente.
Habitualmente deixa-se amar e é discreto e secreto na forma como ama. Cada amor que vive perdura e, quando ferido pela ânsia de amar, é impaciente e tenaz.
Num dia de alegre indecisão, o beija flor, entretido, deslocou-se prazeroso e entusiasmado, como tem por costume fazer sempre que se lhe deparam oportunidades para esvoaçar rumo ao desconhecido, até um jardim onde permanecia uma flor discreta que irradia a bonomia de quem sabe de si ser uma flor das mais inquestionáveis do jardim. Sentindo a inutilidade de tal encontro, não foi por isso que deixou de se alegrar pela viagem nem pela suave espuma que escorreu desse encontro.
Não podia prever, o beija flor, é que iria também encontrar uma flor cujas cores, jovens e quentes, duma intensidade que nunca tinha antes visto em nenhuma outra flor, não mais abandonariam os seus sentidos. As suas cores, dessa flor nunca antes imaginada, preencheram-lhe, desde esse dia, todas as suas premências de sonhos, todas as questões pelas quais interrogava continuamente a sua vida, todos os momentos em que se sentia perdido no ócio de quem, pouco antes ainda, sentia ter realizado a lenda para a qual apontava desde o dia da sua concepção.
Desmoronou-se o seu mundo. Não teria nem mais um dia em que não pensasse continuamente em voltar aquela flor, de tons tão esfuziante e delicadamente necessários, de tão rara e inatingível beleza.
Mas as flores são tão incompreensíveis. Enquanto o beija flor se distrai, esvoaçando entre um passado e um futuro, sem compromisso nem afirmação, todas as flores lhe estendem as suas pétalas, enviando sinais e seduzindo-o a deter-se, entretido, no esquecimento das suas muitas cores. Desde que se deteve, curvado perante a grandiosidade deste esmagar dos seus sentidos, perante a urgência do frémito ininterrupto de se oferecer ou vender a alma, a flor mais linda, profana do seu sentir, inunda-lhe todas as noites o mundo de sons, de sorrisos; inunda-lhe o mundo de tons de prata e de equívocos... diz que não sabe!
Não são mais os dias os mesmos, nem as canções as mesmas, nem as noites tão apertadas. Não são mais a respiração e o olhar os mesmos, os gestos os mesmos, a inteligência a mesma.
Agora habita em si uma permanente agitação de não saber, o pânico de estar a perder ou de estar a deixar passar um fragmento de vida que se estende, impávida, à distância dum cabelo.



Ficção



O beija flor decide que sem a sua flor a vida não vai, nunca mais, ter sentido nenhum. Ao menos tem que saber se, em qualquer lugar ou em qualquer tempo do mundo, a sua flor o deseja e o aceita.



Se, ao menos, a sua flor pensa nisso.

Deixa-me conhecer-te.

Maslow (#30-50)



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(Para o Guldan)



Impressão Digital Cereza às 23:49
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17 comentários:
De Selvagem Anónimo a 20 de Novembro de 2004 às 00:37
Eu costumo dizer que o Irc é um pouco como a vida real, ao inicio tudo parece mágico.Vibramos com cada pvt com cada canal...Tal e qual uma criança,á medida que vamos compreendendo melhor o Irc vamos-nos apercebendo do jogo sujo que também existe e somos tentados a entrar no mesmo jogo, não queremos continuar a prepétuar com o conto de fadas queremos "sangue", um pouco como a adolescencia, depois quando percebemos que toda a nossa adolescência foi apenas um passo no trajecto da maturidade, pensamos em abandona-lo...Mas alguns de nós regressam mais refinados mais maduros e secretamente a desejar acreditar em contos de fada.Já amei, odeiei, magoei, consolei,já fui pupilo e tutor no irc.Agora limito-me a ser verdadeiramente Livre.Arcanjo
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(mailto:Angelo_brito@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 20 de Novembro de 2004 às 00:51
Bravo Arcanjo..parece que estamos na mesma onda:)*
Obrigada Maslow! Fiquei com a sensação que aquele texto foi escrito a pensar em mim, eu sei que não, mas encaixa na perfeição. Faz-me pensar e quem sabe...agir!
Deusita
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(mailto:deusita@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 20 de Novembro de 2004 às 01:39
Oh Maslow!!!!!
Que maravilha de texto... qd for grd quero ser como tu!!!!
Continua a escrever...
*sAdiv
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(mailto:inventado@naoha.pt)


De Selvagem Anónimo a 20 de Novembro de 2004 às 02:42
Obrigada Maslow,por seres como és!!!Obrigada por teres mostrado sem medo uma parte de ti.Que a vida te sorria sempre,sãos os meus sinceros desejos. Um beijo para ti.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------marta
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(mailto:martax_30@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 20 de Novembro de 2004 às 09:20
mais uma vez....cereza tenho que te dar os parabens.....pois este blog...e um prazer para o o olhar (pelas suas belas fotos) e um prazer ainda maior para a mente,pois os seus temas.....fazem nos reflectir e muito...agora falar sobre irc....não e facil para ninguem.....pois cada um o vive a sua maneira...e cada um te dara uma justificação para tal! e como gostos não se discutem.....teriamos assunto para nunca mais acabar...... na minha hulmilde perspectiva....vejo como um belo meio de comunicação....e sou de acordo no ponto em que para muitos....este seja um meio onde eles possam perder os medos,a vergonha,e se tornarem mais vivos......mas afinal o que e o irc se não um mundo cheio de vida.....onde todos somos alguem por tras de um simples nick!!!
e no irc como na vida diaria......a qualidades e defeitos ...e cabe a cada um de nos tentar procurar um equilibrio...e dar lhe a merecida harmonia....! se todos dermos um pouco do melhor que ha em nos proprios...certeza que o irc....sera sempre um belo lugar de comunicação.....!
quanto a tua historia maslow...adorei....um belo abraço para quem assim pensa e escreve!!heaven-hell
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(mailto:heavenhell72@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 20 de Novembro de 2004 às 11:14
Agora não sejam javalis e não leiam isto como uma declaração a um "gaijo" do irc mas sim como uma homenagem a um Homem, uma pessoa muito "pessoa" o qual considero um amigo de verdade (não posso dizer o nome porque o cavalheiro é casado) com quem tenho o prazer de trocar algumas (poucas) palavras.
Amizade, amigos verdadeiros! Sou das que valorizo uma amizade sincera, e não me canso de ensinar isso, infelizmente nem todos aprendem...
Estou estupefacta!
É isso...Completamente espantada. E não pelo efeito de um qualquer estupefaciente.
Ora deixe-me cá ver...Hummm...
Será que as suas frases, os seus pensamentos, as suas ideias, têm em mim o efeito de uma droga?
Aiaaa!!! Essa sua forma de sentir a vida e de me la dizer nas entrelinhas...
Mon Dieu...Comment dire? Avec de fleurs?!
Des fleurs pour vous mon cher ami, car la meilleur façon de retribuer un moment plaisant, consiste à le jouir! Le moment bien entendu:)
Faz-me sentir uma tradutora de sentimentos...
A sorte bafejou-me quando o colocou neste carreiro do irc, assim tão "perto" de mim.
E confesso, sem qualquer pontinha de hipocrisia, a sua escrita atinge o ponto de sublimação.
Penso que encontrei o verdadeiro significado da palavra:)
Depois deste seu "escrito" (chamo-lhe assim para não lhe entregar a taça logo á primeira, é uma defesa para as minhas divagações literárias) fico a pensar, quem será este cavalheiro? Que valho eu para merecer a simpatia tão sincera deste Homem? (Logo eu que sou uma estúpida! Não fui feita para estudar, gosto mais da teoria, gosto de desafiar cérebros inteligentes e aprender com eles, é um jogo muito interessante e o meu cérebro não foi feito para aplicar a inteligência ao estudo, há algo no lado teórico dos estudos que não me agrada, sou mais física, preciso fazer as coisas, mas sou uma frustrada, uma ressabiada sem vida que ali ando...Mas também, onde ir para conhecer a minha personalidade analisada por especialistas tão competentes sem pagar?)
Não procuro êxitos e no entanto sou o êxito de alguns cérebros. (<---Esta é a parte arrogante, não poderia deixar de ser obviamente!)
É maravilhosamente misterioso sabia? É como fazer amor. Podem dizer-nos, deves fazer assim e assim. Ou funciona ou não. Quando funciona é óptimo, quando não funciona, paciência. Simplesmente não funciona...Pfffttttt!
A seguir, surge-me na memória a tal lição da causa e do efeito, e assim sossego o meu espírito e deito de novo o meu olhar repousadamente sobre a sua fecunda escrita.
Por entre outras, assalta-me a ideia de ser mesmo um mago! O futuro o dirá, ou permanecerei no limbo destas eminentes suposições. Sou uma pessoa pragmática e sei distingir o que é ficção e o que é construção intelectual da realidade. Não sou calculista, não escondo sentimentos. Sou uma liberal, não sou conservadora:)
O que mudou em mim foi o julgamento que passei a fazer sobre as pessoas, porque a vida ensinou-me a mudar com o conhecimento de outras experiências.
Ou...Bem...Permanecer alerta, ler as palavras e entender as ideias. Foi com esses conhecimentos dos resultados, das opções, que fui evoluindo, que verifiquei a total falta de limites no comportamento de certas pessoas que criam uma sensação de desconforto, essas mesmas criaturas que não têm referências e não apenas por falta de educação. Não há valores éticos nem de carácter. Deveria existir uma legislação que punisse severamente quem nos fere o coração, quem zomba com a sensibilidade das pessoas, quem atenta a inteligência, quem oprime de forma tão vulgar os sentimentos dos outros. A nossa amizade, penso que já lho disse, é como se fosse uma coisa escrita nas estrelas do céu, nas algas do mar, nas areias do deserto, nas páginas dos alfarrábios perdidos do Eufrates:)
Beijo-o de olhos fechados enquanto lhe segredo ao ouvido: Você é um ser humano fantástico!
E agora o momento para a publicidade...
Para as meçoilas...Very Irresistible de Givenchy!
Para os meçoilos...Allure de Chanel!
E se estais com tosse, recomendo xarope...
Sirop de corp d'homme para elas!
Sirop de corp de femme para eles!
Pilhas Duracel. Duram...Duram...Duram:)
E diversos químicos com descontos de 70% para frequentadores de irc que sofrem de blenorreia cerebral.
Viva o irc e a alegria...! Essa chama intensa que alegremente nos consome, essa determinada razão de caminhar, de sorrir com todos os dentes e também com os dentes dos outros, essa euforia medonha que nos aproxima de todos por não precisarmos de nenhum.
Que cesse o canto triste dos pacatos. Queremos mais, desejamos tudo e, aparentemente, conseguimos dar passos maiores que a distância entre inimigos. Acreditemos que basta um pássaro, uma sombra, um riso vão, e todas as almas se iluminam porque a beleza é efémera como nós e somos feitos à sua imagem.
Cantemos...! Que o canto apaga os sulcos das tristezas corrosivas das almas.
Parabéns e um brinde (Dom Perignon) ao Homem especial...Você!
E agora não vou cantar porque é algo que de todo não sei fazer:)
Considere-se beijado...Num beijo encantado*
Emmanuelle
</a>
(mailto:longinkua@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 20 de Novembro de 2004 às 12:43
"...é como se fosse uma coisa escrita nas estrelas do céu" - mas digam-me lá quem é que lhes concedeu permissão para escreverem nas "stars" da "night" de que eu "Starry-Night" sou a única e só detentora? Starry-Night
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(mailto:martiniquex@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 20 de Novembro de 2004 às 13:54
Tudo começa com um simples olá ou um oi. Se a resposta nos for favoravel, já embarcamos num mundo imaginário, sem sabermos se iremos atracar em porto seguro. Iludimo-nos com a viagem que do outro lado nos oferecem, pensando nós que estamos no paraiso. É tudo muito belo, as palavras que o/a outro/a viajante nos diz são de uma beleza tão grande que a viagem parece que irá acabar bem. Tiramos as amarras e partimos em direcção á terra onde pensamos que vamos encontrar a pessoa da nossa vida. Há quem chegue e consiga atravessar um mar em tumulto para encontrar a mulher ou homem que sempre sonhara. Há quem chegue e fica desiludido por não ter dado com a realidade que outrora foram proferidas ou escritas. O iRC é uma caixa de surpresas embrulhada num papel enganador. Quem será o próximo a abrir o embrulho? mulato25_
</a>
(mailto:valterlucena79@mail.pt)


De Selvagem Anónimo a 20 de Novembro de 2004 às 13:57
Tudo começa com um simples olá ou um oi. Se a resposta nos for favoravel, já embarcamos num mundo imaginário, sem sabermos se iremos atracar em porto seguro. Iludimo-nos com a viagem que do outro lado nos oferecem, pensando nós que estamos no paraiso. É tudo muito belo, as palavras que o/a outro/a viajante nos diz são de uma beleza tão grande que a viagem parece que irá acabar bem. Tiramos as amarras e partimos em direcção á terra onde pensamos que vamos encontrar a pessoa da nossa vida. Há quem chegue e consiga atravessar um mar em tumulto para encontrar a mulher ou homem que sempre sonhara. Há quem chegue e fica desiludido por não ter dado com a realidade que outrora foram proferidas ou escritas. O iRC é uma caixa de surpresas embrulhada num papel enganador. Quem será o próximo a abrir o embrulho?
Maslow, tiveste em grande. Um abraço...mulato25_
</a>
(mailto:valterlucena79@mail.pt)


De Selvagem Anónimo a 20 de Novembro de 2004 às 14:51
Beija-flor
Passarinho vivo e brilhante, os meus parabéns.

bia_41
</a>
(mailto:fernandadevesa@netcabo.pt)


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