Terça-feira, 28 de Março de 2006

Acto

Quantas vezes a nossa vida não parece fazer parte de uma peça de "teatro", em que nós somos os protagonistas... O texto é do Marco. 

 

     

      

 

É neste delírio nocturno que me excita uma doçura de inferno. Sempre que passo por ti sinto o teu cheiro. És fêmea, carne de mulher, explosão de sentir. No teu toque apaixono-me, sabendo que no teu calor me queimo. Olha-me nos olhos e beija-me numa passagem intensa por este túnel de luz.

 

 Descia eu por entre nuvens e sonhos, amarrei longas asas nestas costas que carregam todo este meu mundo. É interessante saber que a luz e o palco são meus. Bate palmas, sozinha, para mim.

 

                   

 

Fecho-me no camarim. Suspiro. Perco-me no reflexo do espelho, permito-me a ser um pouco narcisista. Envelheço. Vaidade que me conforta, sou belo aqui na minha solidão. As luzes quentes aquecem-me o rosto. Falo de mim, para mim, sem ser eu que oiço… qualquer coisa assim. Paro, suspiro novamente.

 

Assaltas-me a memória constantemente, violas o melhor do meu íntimo. Os teus lábios cercam-me em pensamentos. Sinto tamanho desejo, tomo medo e reconstruo muralhas antigas. De tanto desejo torno-me frio, metódico e manipulador do sentir. Sou propriedade e proprietário desta longa, pesada e complexa máquina de fazer viver.

 

Abraço-te em pensamento, entrego-me e escondo-me. Desapareço por entre brumas neste respirar de antepassados.
Continuo a afundar-me frente ao espelho, bem dentro de mim. O suor que me escorre pelo rosto, os teus dedos que me apertam, asfixiam-me de prazer.

 

Este gozo entre a verde e virgem folhagem, cheiras a terra. Afago os teus cabelos, raízes de fogo, provando, trocando venenos.

 

Quero-te deixar para poder voltar novamente. Quero-te matar para que em futuras danças renasças mais uma vez em mim.

 

Visto-me, apago as luzes e saio pela porta principal. Apetece-me consumir coisas triviais. Troco um olhar com uma desconhecida, sorri. Acendo um cigarro e caminho pelo passeio. Tento pisar todas as poças de água, é giro.

 

Sinto-me bem.

  
Marco Neves
28/03/06 – 02h24m

 

  

 

"Well, we could let it slip away
we could forget about
that foolish summer night
but if you still betray
my trust another day
I swear that you won´t live
to feel the winter's chill

 

next time you won't obey
I cannot let it slip away
my blood will start to boil
and yours bled to the soil

 

I stand forever locked in a cage
and i can't lose my rage
til you come crawling back to me

 

and we'd stray through the night
I can wait until the sun comes up
and still retrieve
and we'd stray through the night
I don't believe a word you say
I have to ask myself
how could it end this way?"



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24 comentários:
De Selvagem Anónimo a 4 de Abril de 2006 às 17:43
:)


De jogador a 4 de Abril de 2006 às 00:11
Nesta vida, que é uma peça de teatro,( como é dito na introdução ), todos temos uma papel a desempenhar! As paixões têm o valor que têm. Tão depressa são o centro do universo, como no dia seguinte são descartaveis! Neste "acto", o autor mostra como é possivel manipular algo (paixão) que escapa ao controlo da maioria das pessoas: "De tanto desejo torno-me frio, metódico e manipulador do sentir" - Tudo parece metódicamente planeado, e nada deixado ao acaso. Depois de tanto desejo bastar desligar o botão: "Visto-me, apago as luzes e saio pela porta principal... Sinto-me bem."
Parabens Marco Neves. Está muito bem escrito.


De vanessa a 31 de Março de 2006 às 23:16
Quero mais para ir saboreando aos poucos


De _SecretSmile_ a 31 de Março de 2006 às 16:54
"I stand forever locked in a cage
and i can't lose my rage
til you come crawling back to me"

=)



De Selvagem Anónimo a 31 de Março de 2006 às 22:34
LOLL andas a sonhar alto secretsmile?


De _SecretSmile_ a 31 de Março de 2006 às 22:58
Se te identificasses se calhar já tinhas mais alguma coisa a ver com isso...assim não me parece =)
Mas já agora...O sonho comanda a vida, portanto...sim até ando a sonhar alto!


De P-U-D-I-M a 31 de Março de 2006 às 02:31
Sim senhor senhor Mega, grande texto parabéns, tá muito bom.. A nossa alma é do caraças... É é..


De flyman a 30 de Março de 2006 às 18:42
Podia até dizer que está muito bom e tal... Não digo! Está aqui um pot-pourri de sentidos e sentimentos. Podia até dizer que está muito bom e tal... Não digo... só para contrariar. :p


De Rui a 30 de Março de 2006 às 17:59
Fui actor principal em muitas peças com esta. Na minha vida deixei queimar-me por paixoes assim, mas apenas uma ficou para sempre. o acto nunca teve nem terá um fim...


De Suicidal_kota a 30 de Março de 2006 às 16:01
É curioso ver e saber que neste palco, apesar de slidão interior, nunca estamos sós. Este palco é palco e bancada ao mesmo tempo.
Somos actores e assistência tudo funde-se e confunde-se.
Não se pode chamar de "Saida Principal" aquilo que é "mais uma entrada para outro palco", para representar outra peça, outra personagem.


De Carlos a 30 de Março de 2006 às 14:54
http://vagueandoporti.blogspot.com/
Que me venha esse mulher
depois de alguma chuva
que me prenda de tarde
em sua teia de veludo
que me fira com os olhos
e me penetre em tudo.

Que me venha essa mulher
com um desejo agreste
com um cheiro de mato
que me prenda de noite
em sua rede de braços
que me perca em seus fios
de algas e sargaços.

Que me venha com força
com gosto de desbravar
que me faça de mata
pra percorrer devagar
que me faça de rio
pra se deixar naufragar.

Que me salve essa mulher
com sua febre de fogo
que me prenda no espaço
de seu passo mais louco


De marta a 30 de Março de 2006 às 11:39
Não importa como começa,nem como ou se acaba...Vale por isto!!Pelo que fica.Pedaços de nós,que são feitos de pedaços de outros..Fantástico Marco.Um beijo.


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