Sábado, 1 de Abril de 2006

Ajudem-me a morrer...

    

Não poderia nunca deixar esta resposta do Abel ao texto da Morgaine sobre a eutanásia, passasse despercebido. Basta ler e irão entender porque? Parabéns e Obrigada Abel.

 

        

 

Querida “morgaine”. Parabéns pelo teu sentido de antecipação. Andava eu paulatinamente a estudar e a preparar este assusto, há já algum temo, quando de repente, “et voilá”. Eis que surge um assunto polémico e que tem gerado inúmeros debates na opinião pública com inegáveis posições bem escoradas em consciências nobres e sem que possamos, honestamente, criticar o fundamento em que se apoiam, embora a opinião de cada um de nós, individualmente, possa não concordar com hipotética opinião, simplesmente porque não é a nossa. Pela pertinência de teres trazido o tema à liça, pelo teu carácter decisivo e firme, opinando abertamente e tendencialmente para uma das partes, os meus parabéns. Quem não se interessa pelas coisas, quem não se interroga, não pensa. Mais uma vez estás de parabéns também por isto.


Pedes para te explicar caso alguém seja a favor. Mas não há nada para explicar sobre o que já sabes. Embora haja muitas outras razões, a principal já a disseste, não a entendes e repeles porque não a queres. É isso mesmo! A dignidade humana.

 

     

 

Lembro-me daquele espanhol (Ramón Sampedro) que decididamente acabou por ficar lembrado eternamente por isso. Estava cansado de vegetar. Estava cansado de se manter em estado de indignidade pela simples razão de não lhe permitirem extravasar a sua força de vontade e determinação. Há dias ouvi esta frase muito a propósito: “Tenho a minha opinião, temos também a tua e depois temos a verdade”. Pois a minha verdade é a seguinte: Se algum dia me bater à porta tal situação desesperante, não pretendo nem quero sofrer, não pretendo que as pessoas que me amam sofram com a minha agonia. Deixem-me partir porque sei que mais uns dias em sofrimento nada resolvem (são pesados e longos) e sei também que vou passar milhões e milhões e milhões de anos do lado de lá. Para quê mais um infinitésimo do insignificante tempo do mundo, em agonia e sofrimento que para mim pode ser longo e doloroso?


Sou da opinião de um tio, quando há cerca de um ano atrás, na sua derradeira caminhada, me impressionou com os gemidos próprios da sua fase terminal. “Deixem-me partir! Quero ir embora! Aaaai… aaai…..”. Com a voz profundamente arrastada e deformada, dobrado sobre si próprio, chorava de dores, chorava porque a cortisona já não produzia efeito, chorava mas não saía uma única lágrima, chorava porque ninguém, nem o seu Deus lhe dava clemência. Esse tio durou mais duas longas e penosas semanas. Penso que percebi o sofrimento, impotente para lhe poder fazer a vontade.


Tinha eu vinte e poucos aninhos quando, no cumprimento do serviço militar, um camarada de armas caiu do camião, em viagem de serviço, e o duplo rodado traseiro passou-lhe sobre a bacia. Todos os órgãos interiores e exterior (testículos), dessa zona do corpo, ficaram literalmente passados (escroto rebentou o saco protector), impossíveis de recuperação ou regeneração. Até eu, que nada entendia de medicina, percebi imediatamente que era caso perdido, como mais tarde o alferes médico confirmou. O amigo “setenta” (70) mesmo assim ía penar mais cerca de duas longas horas. Coube a mim a missão de o carregar, a meio da viagem, metê-lo, com ajuda dos outros, em cima de um “Unimog” (viatura militar), sem qualquer condição de transporte para o efeito, e levá-lo a vinte quilómetros do acidente, picada fora, cheia de buracos e covas, para a povoação mais próxima (Quitexe) onde havia um médico do Batalhão que de imediato chamou o helicóptero e este, antes de colocar o trem de aterragem no chão do “Negage” (pequena cidade) o jovem coração do amigo “70” proporcionou-lhe a paz desejada. Esses vinte quilómetros traduziram-se em cerca de noventa (1h 30m) minutos, aos solavancos consoante o piso da picada, que pareceram, até para mim, uma eternidade, cuja voz moribunda e dilacerada ainda a oiço. Também não lhe vi uma lágrima, embora chorasse aos gritos. Abel, quero uma arma, dá-me uma arma! Na altura não me passou pela cabeça dar-lhe a arma mas hoje teria vontade de o fazer para dignificar a sua desesperada determinação.


A vida humana, como é tua e minha opinião, e muito bem, deve ser valorizada enquanto tal. Para mim, em casos extremos, uma forma de a valorizar é interrompendo, sem dor, no curso final, pelo processo dito de tecnicamente assistido, quando ela já não tem sentido, é nulo o seu significado e zero a probabilidade de recuperação, isto é, ela perde todo valor prolongar a vida porque, nestes casos, é uma maldade. “Somos pó e do pó viemos” diz a Bíbia.


Se este tipo de assistência na saúde vier um dia a ser aprovada, é óbvio que as instituições devem criar mecanismos de salvaguarda para evitar abusos. A procura de órgãos pode originar tais abusos porque já se vai ouvindo aqui e ali. Mas o abuso não pode ser razão suficiente para impedir a legalização de dignos actos médicos, tal como em alguns países é legal o aborto.


Se é digno ao médico roubar à morte uma vida (interrompendo o ciclo normal da natureza quando a salva) também deve ser digno interromper essa vida quando ela perdeu todo o valor para a pessoa que a tem (interrompendo o ciclo da natureza pela mesma razão). Se o médico não quer interferir ou a esmagadora maioria da população a rejeita, então é porque a ética, os princípios e os valores prevalecem. Sobre isto poderíamos ter neste blog muita conversa interessante


O termo Eutanásia foi proposto por Francis Bacon em 1623 (em “Historia Vitae et Mortis”). Significa “boa morte”, do grego “eu” (bem) e “thanátos” (morte). Sobre este assunto, que infelizmente muito fica por apresentar, importa constatar que existem muitos conceitos ou palavras que interessa lembrar e que rondam esta vizinhança. Distanásia, ortanásia, ortotanásia, mistanásia, eutanásia activa, eutanásia passiva, eutanásia eugénica, aborto, suicídio e suicídio assistido, qualquer negligência médica pode ser eutanásia, desligar a máquina é eutanásia, deixar morrer de fome os povos em África é eutanásia, o condenado à morte por quem proíbe a eutanásia é eutanásia, infanticida, etc.

 

Historicamente, a eutanásia acompanha a humanidade desde há milhões de anos. A história regista esta situação na Índia, na Grécia, a Bíblia relata que o Rei Saul, gravemente ferido por soldados inimigos, implorou ao seu pajem que lhe pusesse termo à vida, Platão, Sócrates, Epicuro, Aristóteles, Pitágoras e Hipócrates escreveram sobre essas questões, Cleópatra VII (69aC – 30aC) criou no Egipto uma escola cujo objectivo consistia em estudar formas de morte menos dolorosas, Thomas More (Em Utopia, escrito em 1516) descrevia a cidade perfeita com o suicídio assistido. Na Inglaterra (em tempos), no Uruguai (através de documento Constitucional), actualmente na Holanda e na Bélgica a prática é conhecida e, curiosamente, a nossa vizinha Espanha também se pratica o aborto. Quer queiramos quer não, um dia isto é inevitável no mundo porque este está a abarrotar de gente. Quando abatemos todos os outros animais porque o espaço é pequeno, tomaremos um dia consciência de que estamos também a mais num mundo superlotado. A eutanásia será um dia legalizada pelas autoridades ou instituições, não porque estejam preocupados com a dignidade humana ou com as dores dos pacientes mas porque pode ajudar eventualmente a diminuir a população.

 

A China já o faz descaradamente ao manter a pena de morte maciçamente e proibir mais do que um filho em cada casal.
A natureza está dotada de mecanismos que regulam o seu funcionamento mas o Homem subverteu e desequilibrou completamente todo o processo. Ele começa a perceber o seu acto e, como tal, tem tentado pôr termo a isso. No entanto, a teoria de Malthus sobre o crescimento da população em exponencial continua vigente. Talvez só a intervenção das forças divinas poderão abrandar tal crescimento dado que, contrariamente, a medicina tem sido uma alavanca de aceleração ao desequilíbrio.


Verificamos hoje o aparecimento de bactérias e vírus ou a sua resistência (seres minúsculos e invisíveis que nos destroem ou extinguem) que implicam doenças aos humanos que a medicina se vê a braços para as combater. Talvez seja o prenúncio dum reequilíbrio da natureza porque estou em crer que esta se encarregará naturalmente do equilíbrio do Universo.


Estamos em 2006 mas se a teoria de Malthus estiver certa imaginemo-nos daqui a 2000, 5000, 10000 ou 100000 anos. Façamos por comparação uma retrospectiva do que nos disseram alguns cérebros lúcidos, adiantados no tempo, que viram o que agora os nossos olhos constatam: Neste nosso tempo passamos em revista o que nos mostram os filmes actuais sobre a ficção científica (um manancial de coisas que ainda não existem mas que sabemos ser possível no futuro existir); O Big Brother de Orsom Welles é uma projecção destas coisas incómodas; As profecias de Nostradamos; A viagem à lua de Júlio Verne; O que escreveu Alvin Toffler no seu livro a “Terceira Vaga” relativamente à criação de bactérias e possível comercialização, a aquisição de bombas de destruição maciça por grupos ou países nada escrupulosos; etc.


Concluo que tudo isto pode tender para uma necessidade de controlo da humanidade e neste controlo estará inevitavelmente a eutanásia.
Já agora, e para desanuviar um pouco a minha pesada dissertação, julgo que o senhor Luís Boamorte (jogador de futebol) devia chamar-se Luís Eutanásia.


 

Abel
1/4/2006

Impressão Digital Cereza às 20:28
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10 comentários:
De Lydia a 31 de Maio de 2007 às 13:54
Estou fazendo um trabalho e gostaria muito de saber sobre os aspectos psicológicos da eutanásia.


De flyman a 4 de Abril de 2006 às 19:55
Respeito por quem sofre. Respeito por quem vive na pele a dificuldade. Quem sou eu, cheio de saúde, a fazer a minha vida o melhor que posso e sei, sem entraves físicos ou psicológicos, livre de escolher os meus desígnios, sãozinho da Silva, quem sou eu, para me achar no direito de recusar respeitar(enquanto pessoa e membro da sociedade) a vontade de quem sofre. A vontade de quem sofre! Só quem está na situação é que sabe da coragem que é preciso para enfrentar a situação. Quer viver? Quer morrer? Quem sou eu para dizer se deve morrer ou viver? Respeite-se a escolha de quem sofre! Qualquer que seja a escolha, é uma escolha de coragem. Respeite-se a escolha e não tenhamos a leviandade de escolher por quem sofre. Respeito por quem sofre!


De Abel a 3 de Abril de 2006 às 20:18
Meu (minha) caro(a) bloguista “encantosepaixões”: Fica aqui registado o meu encantamento pela ousadia simpática de participares neste convívio. És sempre bem-vindo(a) pela exposição das ideias e também pela alegria que nos dás por isso. Aparece mais vezes sem receios!
Sobre o assunto em causa, alegra-me saber que queres viver desesperadamente. Também todos nós, mesmo aqueles que são a favor da eutanásia (embora impondo ou exigindo adequadas restrições) querem desesperadamente continuar por cá. Ou seja, querem continuar por cá enquanto o prazer justificar. Uma agonia terminal com dor insuportável não é prazer e, nestes casos, a vida perde todo o sentido e valor.
Mas vamos ao que me trouxe aqui e fundamentalmente ao que interessa. Se bem entendi do teu texto e se estiver firme a minha literacia, percebi que és contra a eutanásia mas acreditas na encarnação da alma. Todos sabemos que esta filosofia de vida assenta em várias vivências nesta terra (ou noutras) dentro de corpos diversos (humanos, outros animais, plantas, etc.). Se esta teoria estiver certa é caso para admitir que quando o corpo já não responde às solicitações da alma, então mais vale a alma abandoná-lo ou forçarmos a que esta o abandone (casos há em que o próprio tem a última palavra). A estrutura humana não sofre mais, deixa de sentir a dor e os átomos reúnem-se noutra estrutura. Contrariamente, a alma, segundo parece, não tem dor… e há-de voltar mais vezes. Se ela há-de regressar e voltar a ter prazer nos espaços terrenos, não deve fazer sofrer a frágil estrutura em que se apoiou nem mais uns minutos, horas, dias, semanas ou anos… Ou seja, a eutanásia deve, em minha opinião, ser uma solução para aliviar um corpo que sofre extremamente sem hipótese de continuar entre nós com entusiasmo. Curiosamente, há povos que fazem festa e cantam quando alguém morre pelo simples facto de que esse ser deixou de sofrer. O sofrer, neste caso, significa carregar a cruz da vida desde que nasce. Não tem bem a ver com a dor dolorosa de pacientes em fase terminal ou outras situações que todos nós, de uma forma ou de outra, bem conhecemos. A eutanásia abafa uma dor bem terrível de suportar. Assim sendo, parece que a tua posição é antagónica com os princípios. As minhas desculpas se elas não são antagónicas mas gostaria de saber como enfrentas este contraste (Não à eutanásia e sim à encarnação da alma).


De encantos_e_paixoes a 2 de Abril de 2006 às 22:07
O que escrevi não é uma história, é uma estória, uma parte das minhas muitas vidas e das de todos. Só o escrevi de um modo muito reduzido até porque numa versão mais alargada poderia explicar que momentos houve em que também estive acordada, alerta, completamente disperta com um grito mais alto que o clamor de um trovão preso na garganta, mas que não se ouvia.
Não tinha voz, estava inconsciente. Não sei se tive uma experiência de quase morte. Sei que estive morta para muitos.
Não sei se consegui transmitir o que de facto queria, e que é aquilo que me prende com tanta força hoje à vida, mais força ainda que naqueles dias, e que é a questão de apesar de não ser capaz de mexer um dedo, de estar completamente imóvel, de não falar, de nada, pensava e continuava a ter sentimentos, e queria mais que tudo viver. Não era capaz de o dizer a ninguém, mas era o que queria, queria que não me deixassem morrer, que fizessem tudo por mim, que suassem as estopinhas mas me mantivessem cá, me deixassem viver, me deixassem por cá, me pozessem bem outra vez. E isto é totalmente inexplicável. Não tenho nenhuma palavra para descrever esta sensação de abandono, esta luta, esta vontade maior que o céu a terra, este pedido, este estar assim.
Ficou a memória e o tempo ainda não conseguiu passados muitos anos disfarçar a sensação, ainda a sinto na ponta dos dedos, nos cabelos, no arrepio e nas pernas bambas e na lágrima que me aparece nos olhos quando falo ou escrevo sobre o assunto.
Tantas vidas, tantos caminhos, tantos encantos_e_paixões. Este é o nó da garganta que não se desata nesta vida nem na outra.

Depois e ainda, sobre o mesmo tema a eutanásia, suponho e não sou capaz de mais que isso, apenas supor, que o sofrimento consciente e com algumas capacidades vitais intactas que permitam a comunicação, pode indiciar e demonstrar a terceiros com toda a propriedade, um desejo real de não continuar neste mundo.


De Me a 2 de Abril de 2006 às 16:47
bem o comentario anterior mostra uma situaçao de coragem que é sempre presivel de saudar e de felecitar. No entanto é necessario tomar em consideraçao todos os casos em que a vontade e a generosidade nao é igual. posso por um lado continuar a descrever ficticiamente a historia transcrita anteriormente ou por outro lado contar uma totalmente nova. deste modo, é so pensar que aidna á pouco tempo nos EUA persenciamos um caso de uma senhora que estava em coma á anos, (nao sei precisar quantos mas ja eram bastantes), e que nao comia nao falava nao mexia, nao chorava, nao tinha uma unica sensaçao que fizessem dizer que poderia estar ali alguem. os proprios familiares diziam que ela apenas tava ali, em condiçoes miseraveis, e alguem teria que tratar dela porque o seu marido e familiares nao tinham nem condiçoes, nem dinheiro nem tempo pa tar sempre ali ao lado dela. os seus familiares perderam a sua vida privada para assistir a senhora, ate um ponto de a deixarem quase ao abandono. afinal d contas ela nao dizia "nao m deixem morrer que eu tenho filhos"; que os tinha nao se pode negar mas ja nem ela o saberia pois ela nao era mais que aquela maquina que fazia o coraçao bater e a outra que lh dava de comer. eram anos e o cansasso e a esperança acabaram de toda uma familia e de os medicos e apenas a lei e o tribunal a mantinham viva. viva como quem diz, semi viva, maquinificada e comandada por algo extra, fora da proprio ser humano. a natureza faz com que os animais quando nao podem viver mais por nao terem condiçoes que eles abandonem a vida e deem lugar aos outros mais saudaveis. tar a avivar e a segurar essa senhora nao era nada mais nada menos que contrariar a natureza e estar a prolongar a actividade das pequenas celulas de uma senhora que ja o tinha deixado de ser. ela nao vivia, apenas as suas poucas celulas o faziam e o coraçao que era comandado pela maquina. nao havia esperanças e tds pediam para que a familia fosse libertada desse "fardo" que os prendia, que os tirava horas e acima de tdo que os consumiam e tiravam a alegria de viver, pois todos os dias olhavam para aquele ser prostrado na cama imovel e sem respirar. a vida dessas pessoas era atromentada e era a sensaçao mais terrivel do mundo ver a sua mulher e a sua mae ali imovel, morta para uma vida que apartir de fatidico dia deixou de existir. o marido de tal senhora nao conseguia falar, costava olhar pa mulher e recordar momentos passados felizes e naqueles momentos que pareciam agora nunca acabar de a ver ali imovel, acabada e sem reaçoes. sim nao sorria mais, sim ja nao dizia que o amava, sim ja nao dizia amor quero ser feliz e viver ctg para sempre. ja nao levava os filhos á escola. agora apenas estava ali deitada sem respirar, agora apenas era uma maquina sem uso. apenas era horas de sofrimento no silencio. os amigos dos filhos perguntavam diariamente komo estava sua mae... e a resposta era sempre uma lagrima. o nao desligar da maquina era nada mais nada menos que o prolongar de um sofrimento. era nada mais nada menos que o avivar de um tormento que nao teria mais fim. a mae nao ia buscar a escola.. a mae nao ia correr jamais pela praia. a mae nao pegava mais neles ao colo.. a mae apenas estava ali morta para uma vida que deixou de ter... a mae apenas adormeceu e esperava ser libertada para a felecidade.. apenas esperava que a libertassem para a vida e libertassem, a vida dos filhos para que esses fossem finalmente felizes, e nao tivessem que ir ver a mae tds os fins de semanas naquelas condiçoes. que nao tivessem mais que ir aquela clinica e dizerem.. mae fala para mim.. e a resposta como sempre era o silencio...
ta ai la faye a resposta que t diss que ia dar


De encantos-e_paixoes a 2 de Abril de 2006 às 15:48
Quando vi o texto da Morgaine achei simplesmente que já não ia a tempo de comentar, porque já tinham passados alguns dias e ninguém iria ler o comentário. Depois com este quadradinho minusculo e a preto para escrever os comentários tornam-se dificies, sobretudo para pitosgas como eu, mas agora que vejo que o tema não arrefeceu, antes pelo contrário, e apesar de tudo vou atrever-me a contar uma pequena estória.

Ela tinha 25 anos de idade e perto já de muitos mil anos de 'vidas'. Ainda hoje uma amiga costuma dizer-lhe que a sua, dela, alma é muito antiga e de facto assim é, há almas que transportam consigo muitos mistérios antigos, muitas outras idades e vidas.
Não tenho aqui tempo nem espaço para falar dela, nem do seu optimismo e alegria contangiante, da sua vontade de estar com as pessoas. Não vou falar da sua vontade de Viver. Viver tudo a toda a hora. Viver para ela para os outros, para o mundo, Viver.
Era o dia 2 de Janeiro, a passagem do ano e o 1º dia do ano tinham sido passados em casa, como sempre até áquela data, a descansar, a ver filmes que ela achava próprios para uma passagem de ano, a estar com a mãe e com o filho dela que tinha nessa latura 5 anos.
A verdade também é que não esteve muito bem de saúde nessa passagem de ano. Uma má disposição, um cansaço fora do comum, mas que ela achou perfeitamente normal, porque a actividade profissiona que tinha era desgastante. Esteve de cama, muito tempo, não comeu os doces, nem a comida que tinha comprado de propósito para a entrada no novo ano, nem bebeu champanhe. Fez dieta, dormiu e vomitou algumas vezes. No dia 2 foi trabalhar como sempre. Tinha de apanhar vários transportes para chegar ao trabalho e quase não tinha forças para estar de pé, não era capaz de segurar na mal, pousava-a no chão enquanto aguardava o autocarro. No serviço estava cada vez mais mal disposta,
Oh chefe não estou bem!
Oh menina claro, então essa festa deve ter sido de arromba, mas não tá agora bem, tá mesmo com boa cara.
Já não ouviu mais nada. Caiu em frente desmaiada e assim ficou deitada no chão da loja, durante o tempo que levou até chegar uma ambulancia, uma cliente que lá estava tapou-a com um casaco para não ter frio, coitada estava tão pálida.
Acordou no hospital. Perguntas sem fim, -Quando é que saio? quando é que vou para casa?- e como é que se sentiu ontem? mas diga lá....Perguntas e mais perguntas, no fim começam a suspeitar de um problema no estomago, enfiam-lhe uma sonda, doeu tanto credo! Tinha uma hemorragia interna, estava mal, transfusões de sangue, estado de choque. Muito medo, muito sangue, muito encarnado, começou a vomitar, a chorar, a pedir para falar com o filho, poruq tinha de o avisar, não não digam nada à minha mãe isto já passa, depois ela fica muito ralada e tá a tomar conta do menino e quero falar com ele, e gosto dele, e por favor não quero morrer, deixem-me ir para casa, quero o meu filho, ele é pequeno, eu sou a mãe dele, não quero morrer, não quero morrer, não quero morrer.
esteve em estado de choque. Levou 4 transfusões de sangue, quando estava consciente, só pensava, não quero morrer, não me deixem morrer, tinha tanto medo.
Tanto sangue, os lençóis brancos ficaram encarnados, não foi capaz de chamar as enfermeiras nem pedir auxilio. O robe azul que estava em cima da cama ficou ficou empapado de sangue e gritos e suor dela, dos médicos e dos enfermeiros. Não quero morrer, dizia ela, não falava, mas era o único pensamento dentro da sua cabeça, todos os minutos, sempre.
encantos_e_paixões


De Me a 2 de Abril de 2006 às 12:22
è simples... eu vou dar a minha opiniao... eu sou contra a utilizaçao da eutanasia e a morte assistida de pessoas. e a justificaçao vai pelo mais basico e simples. primeiro nao podemos obrigar a ninguem a matar outra pessoa mt menos um medico que tem como dever defender a vida. de pois outra justificaçao é que tamos numa democracia devem concordar. por isso se podessem acabar com a vida de uma pessoa poderiamos acabar com a vida de qualquer outra pessoa desde que esta estivesse de acordo. poderiamos entrar numa situaçao de alguem que nós nao conhecemos e ate tava a passar um mau bocado na vida tipo dividas, penhoras sei la esses problemas economicos que levam ao suicidio nao raras vezes de pessoas. essas teriam legitimidade de pedir para as matarem tal como qualquer outra que tivesse mal. será que estes problemas psicologicos e financeiros nao sao tao ou mais traumatizantes do que os que provenhem d doenças? eu axo k sao tds graves e sendo assim estes poderiam pedir para que os matassem tbm porque nao veriam mais forma de sair dos problemas financeiros. por estes e outros motivos que nao vale a pena enunciar porque sao menores que este é que nao concordo com a pratica da eutanasia. tamos numa democracia e abrir excepçao para uns seria abrir um direito para todos. por isso tenho dito


De lua_de_avalon a 1 de Abril de 2006 às 23:24
Ajudem-me a morrer...
SIM (ou) NÃO ? Demasiado delicado para tomar uma posição assim generalizada...


De Morgaine a 1 de Abril de 2006 às 21:16
Sem mais comentários Abel. :))
Simplesmente adorei!!


De Morgaine a 1 de Abril de 2006 às 21:20
Afinal sempre comento.. No fundo Abel, o que eu queria com a minha pergunta era mesmo ver as reacções a um tema que no fundo nem tem explicação possivel precisamente por se tratar de uma coisa só nossa. Esperava alguma reacção do género: "mas que sabe ela disto?", ou "se visse.. mudava de ideias num instante". Creio que independentemente de ter passado por uma situação como a do teu tio a minha opinião foi sempre a que descrevi no post. Mas mais afirmo que a mantenho firme, e era preciso saber.. era preciso saber como é que 3 curtos meses se podem transformar no mais longo inferno e manter na mesma a minha convicção de que voltaria a fazer o mesmo...


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