Sexta-feira, 5 de Maio de 2006

Os escorpiões (Dueto)

When she embraces
And your heart turns to stone
She comes at night when you're all alone
And when she whispers
Your blood shall run cold
You better hide before she finds you

Whenever she is raging
She takes all life away
Haven't you seen?
Haven't you seen?
The ruins of our world.

Este poema foi-me mostrado por amigo, e de imediato pensei pô-lo aqui no Urban Jungle. Não só porque sou escorpião, mas também pela beleza do escrito.
Adorava escrever assim, mas conheço as minhas limitações. Mas o mais fascinante neste trabalho é o facto de ser escrito a dois: Uma mulher e um homem.
É fascinante ver como duas pessoas tão parecidas (ambas escorpiões) conseguem escrever uma para a outra completando-se.Eu cá já me contentava que escrevessem algo só para mim!
           
O mês de outubro os excitava.
O período favorecia a dança do acasalamento.
Não cessariam os movimentos até que copulassem.
Mas ciente da instintiva acção depois do acto,
ele adiaria ao máximo o orgasmo de ambos.
Em movimentos circulares,
girando ao redor do fogo que os incendiava,
exibiam-se vorazes um ao outro.
A nudez constrangida pelo sol escaldante
foi um convite irrecusável...
( Nina )
.
Apesar do medo, ela era irresistível.
Ali mesmo, aos olhos do sol, fervilharam os hormônios.
Quentes, rápidos e intensos copularam os dois animais.
Precoces como o instinto manda,
mas próximos demais...
.
A satisfação lhes reduziu a tolerância
e a natureza assassina tomou lugar.
O círculo da condescendência se dissolveu.
Feromônios já não perfumavam.
Súbito e preciso
o instinto gritou: defenda-se escorpião!
Antes que ela o decepasse, no peito dela cravou seu ferrão...
.
O sangue que escorreu não lhe apeteceu
então ao genoma ordenou: "meia volta!"
Volveu um soldado
para no efêmero buscar aquilo que perdura.
Novamente à procura de sexo e morte ele partiu.
( Marte )
.
Curvada pela dor do ataque surpresa,
mas imune ao veneno inoculado, não se deu por satisfeita.
Lambeu na fenda aberta o sangue frio que esvaía.
Escorria-lhe por dentro o ódio e,
por entre as pernas, o desejo de tê-lo.
Ela agora o queria inteiro dentro dela,
molhando-lhe o sexo e manchando a terra...
.
A excitação crescia fomentada pela traição.
Esgueirou-se por lugares apertados.
Jejuou por dias seguidos evitando movimentos bruscos.
Com o arsenal sensitivo ela o encontraria.
A maturidade sexual lhe rompia.
Acima das quelíceras, a boca húmida o ansiava.
Seguiu determinada a lambuzar-se nele...
( Nina)
.
Escorpião distraído!
Seu par não se mata com veneno,
toxina lenta e corrosiva,
apunhala-se no peito,
num só ato certeiro e decisivo...
.
Ai...
Agora o fantasma desta que me persegue,
insubstancial verdade que me assombra à beça.
Fantasma que recusa o jazigo,
nem notou que já cheira a sangue,
não dos predadores quentes, mas dos necrófagos vermes...
.
A intensidade com que vivera o sexo
prometia sono tranquilo.
Ao negar a clareza, da obsessão se fez presa.
Condenou-se a busca vã, eterna,
incessante, solitária, distante e pagã...
.
Arrastando seu telson, antes soberbo,
agarrou-se pela podrida pinça restante,
sujando seu ventre aberto e querendo vingança.
O soldado segue em marcha,
certo da morte e certo do fim.
Certo da paz e de que a amada de si aparta...
( Marte )
.
A boca de fogo líquido se encheu
tornando-a susceptível à fúria cega.
Seus instintos famintos já o cheiravam.
Desta vez ela seria definitiva...
.
O abscesso, borrado com sangue coagulado,
a mantinha prisioneira da crueldade nata.
Aquela ferroada sexual inesperada e seca
seria com maestria vingada.
Tudo estava planejado.
No seu sexo ela o prenderia
e durante o gozo sibilante dele,
com uma das pinças,
deceparia-lhe o telson...
.
A sensação libidinosa antecipada a assanhava.
O prazer do ritual prometia ser macabro.
Seus opéculos genitais sedentos ardiam febris.
E mesmo sob efeito do veneno
inoculado covardemente em seu peito
ela já quase gozava com o premeditado...
.
. A imaginação, naquele momento,
se sobrepunha à carapaça que,
ostensivamente, ele lhe exibira.
A frieza dele a mantinha
cada vez mais quente e molhada ...
( Nina )
.
Dera-lhe as costas havia muito.
Andava sem rumo.
Digeria no estomago o medo que o acompanhava.
Um fantasma o espreitava.
Maya era o veneno dele e dela.
A fúria detenta, o sorriso infantil.
Sexo promíscuo e a castidade servil.
Tudo neles era Maya, "aquilo que não é" ...
.
De repente ouviu a música do embate.
O soldado se sentiu guerreiro sem vitória.
Fumou um cigarro como tantos antes.
Olhou por sobre os ombros
e lá estava encarnada Maya,
"aquilo que não é" a persegui-lo em sangue e cólera.
Em desejo de vingança e em prazer e dor...
( Marte )
.
O momento decisivo havia chegado.
A vingança deveria chocá-lo.
A paixão intensa dissolvera-se no veneno.
A trajetória exaustiva até ele haviam-na transformado.
Voltou-se calma e em seu amor cheio de ódio,
aproximou-se determinada.
De joelhos, rasgou o próprio peito
e a única cura lhe ofereceu, sua vida...
.
A tirania dele, diante do ato, permaneceu muda.
Envolto numa aura dramática imprevista,
onde a morte se fez vulto,
chorou pelo instante por ela oferecido...
.
Incapaz de suportar o acurado instinto de sobrevivência,
ressentiu-se.
Agora seria sua vingança chocá-la.
Num ímpeto de ódio tomou-a em seus braços
e com um golpe único e certeiro, decepou-lhe a cabeça
sorvendo-lhe a intensa paixão prometida
e toda sua natureza instintiva inflexível.
A morte dela era vida.
( Nina )
.
Perplexo e chocado culpou-se o escorpião.
Desculpou-se por si, pela vida e por todas as coisas
cujo controle não mais detinha.
Ao corpo mutilado cantou-lhe as canções,
todas que ambos aprenderam a chamar de "nossas"
e da vingança se redimiu...
.
No momento cego, livrou-se das ilusões.
Do sangue intenso que do amor jorrava,
viu brotar pétalas rubras.
Em lágimas, a elas levou seus lábios
e seu último e desnecessário juramento proferiu:
"Deixo-te em paz meu amor!"
( Marte )

música: Ice Queen

Impressão Digital Cereza às 20:00
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8 comentários:
De # Hikari. a 14 de Outubro de 2010 às 19:49
Hey! :3

Well, sou escorpiana, e me identifiquei muito com o "coração sofredor" que é a alma, ou essência, deste poema. :3

Meus parabéns aos autores. :3


De cereza a 7 de Maio de 2006 às 18:43
eu quero um poema assim só pra mimmmmmmmmm!!!!


De Corto Maltese a 7 de Maio de 2006 às 19:32
@Cereza
Hum, como escorpiona, não serias tu a escreve-lo?
;)
beijos


De Majoca/Saloia/Loira a 7 de Maio de 2006 às 13:24
Que grande novidade...também sou escorpiona.....e..... ai o que sofremos:P ( depende ).
Para quem acha isto uma treta, olhem que está lá umas coisinhas muito próprias do escorpião, mas acreditem....o homem escorpião é muito pior que a mulher, esta é mais discreta a mostrar o que tem dentro de si.
Isto é o que penso:PPPPPPPP


De http://shakermaker.blogs.sapo.pt a 5 de Maio de 2006 às 23:20
Ora viva Cara Cereza...

Bom, eu não gostei, mas também é o digo sempre quando não compreendo nada do que acabei de ler. Se bem que a minha falta de inteligência seria o melhor argumento a utilizar, porém prefiro dizer que não gostei para não evidenciar toda a minha estupidez.

Eu também sou escorpião, todavia nunca fiz muito caso de horóscopos e afins, nem faço a minima ideia do que significa ser escorpião ou doutro signo qualquer. Essa coisa da astrologia é muito complicado para a minha parca inteligência ou total aus~encia desta.

Li, um pouco mais abiaxo, que estava destacado para a continuação de um certo conto, pelo que agradeço o amável convite.

Porém, tenho algumas dúvidas...
é necessário ler o conto e ficar a par do fio da meada?
Como saber se alguém já se chegou à frente para dar continuidade ao conto?
Qual o prazo para o término desse mesmo conto?

Cara Cereza, desculpe todas estas minhas questões, mas é que eu ainda estou na idade dos porquês e ávido por informação pois gostava de ser um tipo mais culto ou devras instruído.

Um abraço...
SHAKERMAKER


De Cereza a 6 de Maio de 2006 às 01:06
Caro SHAKERMAKER (é assim que tenho de o tratar, certo? lol ) Bem eu acho este poema escrito a "duas mãos" simplesmente fantastico. Quanto ao facto de ser escorpião, também não sou pessoa de ler muito sobre o assunto, mas conheço algumas caracteristicas! E este poema mostra bem como somos.. basta ler com atenção.

Quanto ao conto, não tem nada que saber... convem ler, para conhecer as personagens... mas não custa nada, pq os textos dos capitulos são pequenos... depois é pegar no ultimo capitulo, ou numa personagem e dar continuidade (á sua maneira) Pode dar as voltas que quiser. Para eu saber se quer continuar... basta deixar nos comentarios do ultimo capitulo escrito, e dizer que faz o seguinte. e voilá... depois é editado!
Espero que alinhe! bejos


De Justin a 6 de Maio de 2006 às 13:03
Apaixão deve ser consumida até á ultima gota. está muito interessante.
parabens


De RPM a 5 de Maio de 2006 às 23:09
boa noite!

recebi no meu blogue uma corrente de solidariedade para com a ACNUR/UNHCR.

lembrei-me deste blogue como possível continuar deste exemplo.

abraço

RPM


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