Domingo, 21 de Maio de 2006

A Festa das Fitas

A azáfama académica, norteada para a “Festa da Queima das Fitas”, leva os estudantes a atrair condiscípulos, amigos, professores e familiares em busca de pequenas lembranças pelo momento marcante nas suas vidas.
Tem sido para mim reconfortante colaborar nesses pedidos simpáticos, empenhando-me sempre com algo mais, para além de uma simples assinatura (que enriquece a recordação a perpetuar).
Desta vez lembrei-me de apresentar ao blog um desses meus manifestos, cujo enriquecimento é feito da seguinte maneira: Na fita, escrevo normalmente uma máxima ou um poema com uma ou duas quadras. Numa folha de papel (A4) escrevo esse poema separando-o de um breve comentário explicativo de alguma ideia ou palavra, que o presidiu, e algum eventual conselho que tenha em mente, no momento, ou ache a propósito.
Julgo que uma licenciatura (ou qualquer outro curso) deve ser encarada como um motivo de orgulho por se ter conseguido um objectivo que outros não conseguiram (por justificada razão), não puderam (dificuldades económicas ou outras) ou não quiseram (ausência de força de vontade) e ainda deve ser motivo de agradecimento a toda a comunidade por esta facultar o sistema que lhes proporciona o enriquecimento pessoal (quer por via do ensino público ou privado – quase gratuito ou não). Assim, a conclusão de uma licenciatura é um bem enquanto tal e enquanto for útil para os outros ou para a comunidade. Encher a cabeça de vaidades e arrogância, por possui-lo, significa perder todo o sentido quanto ao seu valor, significa rechear a mente de inutilidades e adquirir o diploma de “pobre de espírito”.
Para a Andreia Silva, Curso de Psicologia, 15/5/2006
Formatura, cultura assimétrica
Que os teus se orgulham assim.
Teve papoilas na paramétrica
Riqueza que te pareceu sem fim
Coragem da Carneira encantadora
Dourará a Psicóloga e seu trabalhão.
Que tropeces pela vida fora
Com os sonhos do teu coração
Abel Marques
Num país com elevado nível de analfabetismo, forte abandono e insucesso escolar (o pior da Europa), uma licenciatura é, certamente, cultura que marca a diferença e se posiciona desconcentrada desse meio, e os teus pais se orgulham dessa assimetria (“temos doutora…”).
Papoilas e cravos são as flores do teu signo e os testes de hipóteses (paramétricos ou não) são ferramentas que a Ciência Estatística não pode prescindir. Ora, as papoilas são riquezas da Natureza tal como os testes são para a Estatística e, consequentemente, importantíssimos para a Psicologia. No entanto, sei que para alguns de vocês (pelas fracas bases na área da matemática), é doloroso apreender esta matéria por terem dificuldade em perceber imediatamente a sua importância. Por isso, para ti, deve ter sido penoso assistir a essas aulas, ao ponto de te parecer nunca mais ter fim.
A “coragem” e ser “encantadora” são características do signo do “Carneiro” que enriquecem orgulhosamente o trabalhão que deu o curso e a postura da futura profissional de psicologia, por não ser fácil lidar com a complexidade da matéria e da mente humana. Por isso, «não me digam que um problema é difícil. Se não fosse difícil, não era problema.» <General F. Foch>.
A vivência do pós-curso requer humildade porque, ser licenciado, deve ser latentemente encarado como apenas um nível de instrução que se localiza acima de alguns poucos e muito muito abaixo de muitos outros.
A minha memória constantemente apela a uma máxima que adoro e transmito: “Nunca devemos olhar para os outros de cima para baixo, a menos que seja para ajudar alguém a levantar-se após uma queda”.
Abel
Comentário em Destaque:
De Andreia Silva a 22 de Maio de 2006 às 00:09:
Olá professor Abel! Foi com grande alegria que vi aqui publicada a mensagem que me escreveu na fita...Foi realmente para mim uma honra ter tido nestes 4 anos de Universidade professores tão bons e tão queridos como o professor. Muito obrigado por ter contribuído para a minha aprendizagem não só como aluna, mas essencialmente como pessoa.

Beijinhos Andreia Silva

Impressão Digital Cereza às 13:56
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21 comentários:
De WG a 23 de Maio de 2006 às 16:30
Como sempre, uma perspectiva pessoal.
Gostei muito dos meus tempos de estudante, até mais de estudante de "escola", leia-se até ao 12º ano, do que de universidade. Isto apesar de ter gostado imenso do curso e do que aprendi, bem como dos amigos que fiz, mas a verdade é que na universidade em que andei não havia grande espírito académico. Mas mesmo que houvesse, nunca fui de grandes coisas como Associação de Estudantes, Tunas, etc.
Sei que generalizar algumas coisas é uma grande injustiça para alguns, mas a ideia que me dava é que esse tipo de associações era uma cambada de "baldas", ou seja, de pessoal que passava o dia a jogar às cartas ou matrecos ou a qualquer outra coisa, e fosse qual fosse a actividade de eleição era sempre acompanhada de muita, muita cerveja. Talvez por considerar que não é a minha forma de estar na vida, essa de andar a fazer turismo na vida à conta dos meus pais, esses meios nunca me atraíram muito.

Em relação à Educação, se é um facto que nalgumas áreas se tem dado passos em frente, também é um facto que noutras se têm dado passos atrás. Desde que toda a gente passa de ano de forma quase automática, e que para um professor justificar a retenção de ano de um aluno se tornou o cabo dos trabalhos que tem sido uma queda contínua e acentuada da qualidade do Ensino. Os alunos saem cada vez pior da escola, pois a exigência é cada vez menor. E pior, isso fomenta ainda mais algo que já é demasiado saliente na nossa cultura: o facilistismo, o laissez-faire.

Para terminar, acho que Portugal tem neste momento, dois grandes problemas que condicionam e de que maneira o nosso desenvolvimento: a Justiça e a Educação. A estas 2 áreas específicas podemos juntar a elevada burocracia e a grande âncora que é a dimensão da Administração Pública.
A Justiça emperra o funcionamento de tudo e fomenta a fraude, fugas às responsabilidades, economia informal, o facilitismo generalizado etc.
A Educação restringe muito as capacidades da população em termos de actualização e inovação, hipoteca por completo o nosso futuro num mundo cada vez mais global e cada vez mais competitivo e eficiente.

E pronto, EFE-ERRE-Á!


De RS a 23 de Maio de 2006 às 12:42
Sísifo, Obrigada pelo link que mandaste, apesar de não ser da Universidade que tirei o meu curso.Quanto ao post Abel adorei.


De Sísifo a 23 de Maio de 2006 às 11:46
Na qualidade de fitada de psicologia gostaria de dizer que é um orgulho muito grande usar o traje. Não quero com isto dizer que sou mais ou melhor do que aqueles que nunca tiveram a oportunidade de o usar, apenas que todo o seu significado está entranhado em mim. Penso que desde sempre me atraiu no mundo académico o uso do traje e tudo que o envolve, e as tunas. é um arrepio enorme sempre que as escuto!!
Qunto ao lutar durante a vida académica, também eu vim da área das humanidades e custou um pouco ter duas cadeiras de Estatistica, mas como tudo na vida, se nos dedicarmos e esforarmos, tudo se consegue. Só não concordo com o Bolonha, penso que deveriamos estudar ainda mais e isto é mais uma coisa a contribuir para a mal-forma ao das pessoas...


De Majoca/Saloia a 22 de Maio de 2006 às 23:18
EIIIIIIIII tenho aqui uma fitinha para o sotor Abelito assinar....e não só....todos!!
Para compensar as que não tive...e bem mereço...ainda vou meter meus alunos a escreverem nas minhas fitas...viria coisa fina.
Bejos e desejos de bom começo de vida a quem inicia uma outra ....


De Abel a 22 de Maio de 2006 às 21:20
Para o aluno: Pois. A tua linguagem, meu caro, é igual à minha quando eu me sentava nos bancos onde hoje te sentas e por isso não tens que pedir desculpa. Para além disso, como estás quase a terminar, cá te espero do lado de cá para falarmos essa linguagem (assinando o ilustre papiro) porque já tenho saudades, tal como quando me encontro com os inesquecíveis camaradas da tropa numa mesa cheia de vinho e abraços. No estrado em que me encontro tenho que ter super cuidado com a linguagem e com os erros como deves compreender, de contrário é super vergonhoso, mesmo quando não se é formado em letras.

A exigência é salutar para valorização do vosso curso, por variadíssimas razões. Se fosse frouxo, até os arrumadores de carros inscreviam-se, vegetavam, copiavam perante a nossa passividade e davam as boas graças aos condiscípulos e, ao fim de cinco anos, vinham buscar o troço (ou canudo), davam urras e concorriam convosco no mercado de trabalho, conseguindo os lugares perante o vosso espanto e situação de desempregado continuadamente.

Vou aproveitar para pedir à gentil “Cereza” que nos conceda no painel música de uma Tuna, de preferência da UAL. Até pode lá deixar a rapariga com a venda nos olhos (para não nos ver porque somos feios) mas coloque, se puder, uma música cantada pelos estudantes porque é disso que se trata, estudantes portugueses.


De Cereza a 22 de Maio de 2006 às 21:42
Meu caro Abel, eu até metia lá a musica se a tivesse... não tenho mesmo nada ligado ás tunas, queima das fitas, estudantes.... Peço imensa desculpa.



De Sísifo a 23 de Maio de 2006 às 11:37
http://www.youtube.com/watch?v=2EA-cN7QXOo


De anassu a 22 de Maio de 2006 às 19:05
Amo Coimbra. Amo a Queima das Fitas. Foram sem dúvida momentos inesquecíveis, carregados de tradição. Penso que só compreende quem por lá passa, a alegria de ser caloira, o orgulho de construir um carro, o assinar das Fitas, usar a Cartola! O arrepio que dá ao sentir o Espírito Académico, o verdadeiro Espírito Académico! Um ano equivale a mil. A quem pensa e a quem sente a Queima como sinónimo de bebedeiras os meus pêsames. Orgulho-me de ter estudado em Coimbra, Orgulho-me por poder dar o meu contributo nesta nossa sociedade com tudo o que aprendi, não só os saberes escolares, mas principalmente os saberes Humanos. Amo-te Coimbra, Amo-te Universidade!
“Coimbra… Dedilhadas estão as cordas com lágrimas; lançados foram, pedaços de Vida ao vento…”


De xinxa a 22 de Maio de 2006 às 16:41
... a "queima das fitas" tem tradição de ser useira e vezeira na admissão e promoção de «barbaridades» e atrocidades psicológicas/ físicas, que são entendidas como um dado vulgar no comportamento humano durante este período de tempo (e não só...). Tata-se sobretudo de promover e incrementar a competição. Não é assim no reino da Natureza??? Como somos adultos, cada um que se aguente...


De encantos_e_paixões a 22 de Maio de 2006 às 15:58
Ai tanta saudade da como nós diziamos por lá "dificuldade", é pró complicadote ser trabalhador estudante que foi como fiz a licenciatura. Mas são esses momentos em que nos apercebemos o quanto se pode esticar o espirito e a força de vontade.
E prós estudantes , todos nós, que o pior dia da nossa vida seja aquele em que não aprendemos nada, VAI TUDO TUDO, TUDO, TUDO.


De Marco Neves a 22 de Maio de 2006 às 14:23
Tábem.. vá, agora vão trabalhar! :)


De __ines a 23 de Maio de 2006 às 17:05
arquinhe precisa duma ajuda tua para me pendurar umas prateleiras....pode ser ???
Quinta feira as 22.30 eheheh
beijo meu maganeeeeeee


De Carlos Gomes a 22 de Maio de 2006 às 13:18
Passei este ano pela minha última Queima das Fitas como estudante...Tenho a dizer apenas que nunca fizeram tanto sentido os versos do refrão da Balada da Despedida:

"Adeus, adeus
Eu vou-me embora
Parto tão triste
Minh'alma chora

Adeus, adeus
Quanta saudade
Levo o adeus
Da mocidade..."

Quanto ao futuro..."Alea jacta est..."


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