Terça-feira, 10 de Outubro de 2006

Quem descobre?

Da: LuaDourada:

Ao encontrar um texto antigo, muito interessante, achei por bem divulgá-lo no Urban Jungle para que todos os paineleiros possam opinar e também sensibilizá-los para a diversidade de situações que, sem participarmos directamente somos sempre responsáveis morais.

Uma Mulher Assassinada

Num número de Março de 1965 a revista francesa ELLE publicou uma pequena história que provocou as mais acesas discussões e opiniões. Eis a história:

"Uma senhora casada e ainda muito jovem um pouco abandonada pelo marido demasiado ocupado pela sua profissão, deixa-se seduzir e vai passar a noite a casa do amante situada na outra margem do rio. No dia seguinte, de manhã cedo, para chegar a casa antes do marido que regressa de uma viagem, ela tem que atravessar uma ponte. Mas um louco ameaçador impede-lhe a passagem. Ela corre então à procura de um barqueiro que lhe exige uma certa quantia pelo transporte.

Não trazendo consigo nenhum dinheiro, ela explica a situação; suplica uma ajuda, mas o barqueiro recusa-se a transportá-la sem o pagamento adiantado.

Ela vai ao encontro do amante e pede-lhe o dinheiro, que ele recusa sem qualquer explicação.

Dirige-se então a casa de um amigo celibatário, que mora na mesma margem e que lhe dedica desde sempre um amor ideal ao qual ela nunca cedeu. Ele recusa a conduta reprovável da jovem que desiludira o seu amor.

Ela decide por fim, após mais uma tentativa vã junto do barqueiro, atravessar a ponte e o louco mata-a."

Se hipoteticamente tivéssemos que julgar os personagens (que são por ordem de entrada na história: mulher, marido, amante, louco, barqueiro e o amigo) pela responsabilidade moral, como considerávamos cada um deles numa ordem decrescente?

Ermelinda, 23/9/2006

* Obrigada lua chuackkkk

mas agora não cotes nada. depois de falarmos, publicas os resultados!


Impressão Digital Cereza às 23:24
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43 comentários:
De lua_de_Avalon a 15 de Outubro de 2006 às 17:22
A solução que eu dava a este caso só pode ser à minha maneira, que por acaso não é a mesma que tecnicamente foi preparada para o caso. Tal como a vossa opinião, a minha é também polemicamente discutível.
O especialista que me proporcionou este texto, psicólogo de profissão e professor de uma Universidade da nossa praça, também forneceu a solução para as respectivas responsabilidades.
1 - A mulher é a primeira responsável porque os seus compromissos para com a família devem estar acima da sua vontade e necessidade e também porque a questão do amor pode ser resolvida de outra forma: “de jure” ou “de facto”. Separação e partir para outra forma de vida.
2 – O marido porque devia dar alguma atenção à esposa e perceber a necessidade de carinho que as pessoas à sua volta necessitam. O texto nada acrescenta sobre a sua vida mundana e por isso entende-se apatia muito irresponsável.
3 – O louco. Embora louco é ele que origina temor, a situação e o caso. Pode até, juridicamente, vir a ter perdão mas é agressor e, perante a sociedade, deve ser julgado como o terceiro responsável.
Num nível mais abaixo vêm os outros três intervenientes.
4 – O barqueiro que recusa o transporte encaminhando a senhora para um beco sem saída. Deve ter percebido o pânico, próprio destas situações, mas não facilitou à falta de umas meras moedinhas nem ao lamento da senhora. Embora o texto nada fale sobre a sua experiência e profissionalismo não é passível de inocência. É responsável moral pela ganância ou ignorância (analogamente, não podemos desconhecer a lei tal como não perceber o pânico dos outros). E é também responsável porque a questão não se punha.
5 - O amante, porque o caso que teve com a vítima não deve ter passado de um mero “flirt” sem qualquer compromisso futuro, que ela devia ter percebido, ou não quis ver. Caso contrário o amante não teria um comportamento tão desprezível.
6 – O celibatário figura em último lugar porque o casamento dela gorou as suas expectativas e, como tal, a situação passou à história. O ciúme não é bom conselheiro mas por vezes carrega ódio e afastamento… A senhora, em tempo próprio, devia ter prestado mais atenção a este amor, agora também vítima da atenção do seu marido.


De Gota-de-água a 15 de Outubro de 2006 às 23:13
Bah!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Careta demais!!!Que desilusão...

Lol


De lua_de_Avalon a 16 de Outubro de 2006 às 10:54
:PPPPPP


De Cereza a 14 de Outubro de 2006 às 23:04
ai que confusãoooooooooooooooo

OH LUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

A RESPOSTAAAAAAA


De Majoca a 13 de Outubro de 2006 às 18:52
Ai que trabalheira ler isto tudo...e não vou comentar nada já disseram tudo....MAS FARTEI-ME DE RIR !!!!!!
AGORA vou ler o outro ...ai ai


De xinxa a 12 de Outubro de 2006 às 20:08
A culpa dos provérbios

O amante:
O amante sabe o que deseja, mas não vê o que lhe cumpre.
Os amantes, como as moscas, desaparecem no mau tempo.

O amigo:
Amigo verdadeiro vale mais do que dinheiro.
Aquele que me tira do perigo, é meu amigo.
No aperto do perigo, conhece-se o amigo.
O amigo certo se revela na hora incerta.
Na adversidade é que se prova a amizade.

O marido:
Entre marido e mulher não metas a colher.
Ao homem de esforço a fortuna lhe põe ombro.

O barqueiro:
Quem sabe do barco é o barqueiro.
Manda quem pode, obedece quem deve.

O louco (inimputável):
De médico e de louco, todos temos um pouco.
A lei é dura, mas é para se cumprir.

A mulher:
Quem mal anda, mal acaba.
Mulher honrada não tem ouvidos.
O abandono é quase sempre a sorte dos infelizes.


A culpa?

A culpa morreu solteira.
E este mundo é uma bola; quem anda nela é que se amola. E quem bem nada não se afoga.


De Safira a 12 de Outubro de 2006 às 14:12
Então, na minha opinião é assim:
1º Culpado - O amigo. No fundo era o único que tinha obrigação moral de ajudar a mulher.
2º Culpado - A mulher. É a sua conduta para com todas as personagens que determina o desenrolar da história. Tenho pena, não devia morrer, mas hierarquicamente falando, acho que vem em segundo lugar.
3º Culpado - O amante. Provou aquilo que todos nós já concluímos.
4º Culpado - O barqueiro. Na realidade não fez nada de mal, apenas exigiu antecipadamente o pagamento pelo seu trabalho. Poderia, talvez, ter sido mais condescendente...
5º Culpado - O marido. Esta história do corno ser culpado é sempre um bocado ingrata... O desgraçado andava a trabalhar, possivelmente por uma vida melhor e pimba, toma lá um par de cornos. Enfim, poderá ter culpa no sentido de não passar mais tempo com a mulher.
6º Culpado - O louco. Foi quem realmente a matou mas, sendo louco é inimputável.

No fundo só vejo dois reais culpados, o amigo e a mulher.


De Safira a 12 de Outubro de 2006 às 14:12
Então, na minha opinião é assim:
1º Culpado - O amigo. No fundo era o único que tinha obrigação moral de ajudar a mulher.
2º Culpado - A mulher. É a sua conduta para com todas as personagens que determina o desenrolar da história. Tenho pena, não devia morrer, mas hierarquicamente falando, acho que vem em segundo lugar.
3º Culpado - O amante. Provou aquilo que todos nós já concluímos.
4º Culpado - O barqueiro. Na realidade não fez nada de mal, apenas exigiu antecipadamente o pagamento pelo seu trabalho. Poderia, talvez, ter sido mais condescendente...
5º Culpado - O marido. Esta história do corno ser culpado é sempre um bocado ingrata... O desgraçado andava a trabalhar, possivelmente por uma vida melhor e pimba, toma lá um par de cornos. Enfim, poderá ter culpa no sentido de não passar mais tempo com a mulher.
6º Culpado - O louco. Foi quem realmente a matou mas, sendo louco é inimputável.

No fundo só vejo dois reais culpados, o amigo e a mulher.


De Tex a 12 de Outubro de 2006 às 11:24
Se ela tivesse um RIVA nada disto acontecia!hihihi


De marta a 12 de Outubro de 2006 às 11:46
Qual Riva!!
Não há nada como um bom par de barbatanas...
ihihihihi

Demora muito a resposta???
Mau!!!
lollllll


De marta a 12 de Outubro de 2006 às 10:32
Ainda não há resposta?
Ontem fiquei com esta ideia, e hoje continua,para mim só há um “culpado”- O Amigo, que não o foi,todos os outros personagens fizeram o seu papel....
Lolllll

Ps: desconfio de que o louco seja o marido!
ehehehh


De lua_de_Avalon a 12 de Outubro de 2006 às 10:44
Pois é Martita ehehehhe
Resposta??? Já todos deram e esta heim!!!
/me brinca
jocas miuda


De abel a 12 de Outubro de 2006 às 08:58
Ontem e hoje tudo sai trocado...
O meu comentário ou sai em posição trocada ou com nome trocado. à Gota de Água e ao Sevagem anónimo as minhas desculpas.


De flyman a 11 de Outubro de 2006 às 19:16
Este texto faz parte dos testes psicotécnicos para os candidatos à minha profissão, na empresa onde trabalho. Os candidatos são separados em grupos e o psicólogo fica a observar as reacções e a influência de opinião demonstrada por cada elemento em cada grupo.

Pela minha parte, e depois de ter lido tudo, texto e comentários, com muita atenção, resta-me dizer que os dados são escassos para se poder julgar em consciência. Falta saber as circunstâncias em que se deu tudo. AS MOTIVAÇÕES!!!

E depois... Não julgues para não seres julgado.

E para terminar, barqueiro por barqueiro, prefiro o do nosso actualíssimo Gil Vicente - o do "Auto da Barca do Inferno", esse sim! Sabia-a toda!... :)))


De lua_de_Avalon a 11 de Outubro de 2006 às 21:48
Já que estás com a mão na massa, aproveita a embalagem e escreve. Ficamos à espera do texto sobre o Auto da Barca de Gil Vicente, considerando que é uma tua promessa. Fico ansiosa por comentar e discutir... :))**
:PP


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