Segunda-feira, 23 de Outubro de 2006

" Portugal vale a pena" de Nicolau Santos

Enviado pela Tex :) 

Eu conheço um país que tem uma das mais baixas taxas de mortalidade de recém-nascidos do mundo, melhor que a média da União Europeia.
Eu conheço um país onde tem sede uma empresa que é líder mundial de tecnologia de transformadores.


Mas onde outra é líder mundial na produção de feltros para chapéus. Eu conheço um país que tem uma empresa que inventa jogos para telemóveis e os vende para mais de meia centena de mercados.
E que tem também outra empresa que concebeu um sistema através do qual você pode escolher, pelo seu telemóvel, a sala de cinema onde quer ir, o filme que quer ver e a cadeira onde se quer sentar.


Eu conheço um país que inventou um sistema biométrico de pagamentos nas bombas de gasolina e uma bilha de gás muito leve que já ganhou vários prémios internacionais.
E que tem um dos melhores sistemas de Multibanco a nível mundial, onde se fazem operações que não é possível fazer na Alemanha, Inglaterra ou Estados Unidos. Que fez mesmo uma revolução no sistema financeiro e tem as melhores agências bancárias da Europa (três bancos nos cinco primeiros).

 

 

Eu conheço um país que está avançadíssimo na investigação da produção de energia através das ondas do mar. E que tem uma empresa que analisa o ADN de plantas e animais e envia os resultados para os clientes de toda a Europa por via informática.
Eu conheço um país que tem um conjunto de empresas que desenvolveram sistemas de gestão inovadores de clientes e de stocks, dirigidos a pequenas e  médias empresas.
Eu conheço um país que conta com várias empresas a trabalhar para a NASA ou para outros clientes internacionais com o mesmo grau de exigência. Ou que desenvolveu um sistema muito cómodo de passar nas portagens das auto-estradas. Ou que vai lançar um medicamento anti-epiléptico no mercado.


mundial. Ou que é líder mundial na produção de rolhas de cortiça. Ou que produz um vinho que "bateu" em duas provas vários dos melhores vinhos espanhóis.
E que conta já com um núcleo de várias empresas a trabalhar para a Agência Espacial Europeia. Ou que inventou e desenvolveu o melhor sistema mundial de pagamentos de cartões pré-pagos para telemóveis. E que está a construir ou já construiu um conjunto de projectos hoteleiros de excelente qualidade um
pouco por todo o mundo.


O leitor, possivelmente, não reconhece neste País aquele em que vive - Portugal.
Mas é verdade. Tudo o que leu acima foi feito por empresas fundadas por portugueses, desenvolvidas por portugueses, dirigidas por portugueses, com sede em Portugal, que funcionam com técnicos e trabalhadores portugueses.


Chamam-se, por ordem, Efacec, Fepsa, Ydreams, Mobycomp, GALP, SIBS, BPI, BCP, Totta, BES, CGD, Stab Vida, Altitude Software, Primavera Software, Critical Software, Out Systems, WeDo, Brisa, Bial, Grupo Amorim, Quinta do Monte d'Oiro, Activespace Technologies, Deimos Engenharia, Lusospace,
Skysoft, Space Services. E, obviamente, Portugal Telecom Inovação. Mas também dos grupos Pestana, Vila Galé, Porto Bay, BES Turismo e Amorim Turismo.
E depois há ainda grandes empresas multinacionais instaladas no País, mas dirigidas por portugueses, trabalhando com técnicos portugueses, que há anos e anos obtêm  grande sucesso junto das casas mãe, como a Siemens Portugal, Bosch, Vulcano, Alcatel, BP Portugal, McDonalds (que desenvolveu em Portugal um sistema em tempo real que permite saber quantas refeições e de que tipo são vendidas em cada estabelecimento da cadeia norte-americana).

 


É este o País em que também vivemos.
É este o País de sucesso que convive com o País estatisticamente sempre na cauda da Europa, sempre com péssimos índices na educação, e com problemas na saúde, no ambiente, etc.
Mas nós só falamos do País que está mal. Daquele que não acompanhou o progresso. Do que se atrasou em relação à média europeia.


Está na altura de olharmos para o que de muito bom temos feito. De nos orgulharmos disso. De mostrarmos ao mundo os nossos sucessos - e não invariavelmente o que não corre bem, acompanhado por uma fotografia de uma velhinha vestida de preto, puxando pela arreata um burro que, por sua vez, puxa uma carroça cheia de palha. E ao mostrarmos ao mundo os nossos sucessos, não só futebolísticos, colocamo-nos também na situação de levar muitos outros portugueses a tentarem replicar o que de bom se tem feito.
Porque, na verdade, se os maus exemplos são imitados, porque não hão-de os bons serem também seguidos?

Nicolau Santos, Director - adjunto do Jornal Expresso In Revista Exportar


Impressão Digital Cereza às 01:30
link do post | Rugir | Adicionar aos Favoritos
|
24 comentários:
De Isabel a 26 de Outubro de 2006 às 15:19

O meu país sabe as amoras bravas

no verão.

Ninguém ignora que não é grande,

nem inteligente, nem elegante o meu país,

mas tem esta voz doce

de quem acorda cedo para cantar nas silvas.

Raramente falei do meu país, talvez

nem goste dele, mas quando um amigo

me traz amoras bravas

os seus muros parecem-me brancos,

reparo que também no meu país o céu é azul.


Sophia de Mello Breyner


De Abel a 26 de Outubro de 2006 às 11:28
Dou os parabéns às pessoas que ainda mantêm inabalável a fé e o orgulho neste Portugal. Eu também alinho mas não apaixonadamente, porque a justiça e equidade para todos e entre todos fica aquém do desejado, e se as discrepâncias entre nós e os povos onde nos integramos, em convénio, não se acentuassem. Mas também, quem deve, não nos inspiram grande confiança ou esperança. Talvez, muitos de nós, sejamos como o velho do Restelo que só identificou a face negativa da grande cruzada. As especiarias da Índia, o ouro do Brasil, os diamantes, o ferro, produtos tropicais trazidos de África, apenas serviram para a construção, na nossa terra, de mosteiros (Jerónimos, Mafra, etc.), igrejas e basílicas inúteis e encheram os cofres de outras. Tudo se esvaiu, tal como agora se passa com estes esporádicos sucessos que um dia deixarão de ser nossos. É uma característica que nos persegue.

Encontrei nos comentários riqueza de ideias e de críticas, com muita graça, a que alguns dos bloguistas já nos habituaram. O Flyman acaba por dizer muito nas palavras que profere: “Quando nos soubermos organizar ou tivermos quem nos organize, aí sim, vai ser sempre a abrir!...”. O desordenamento do dito ordenamento do território é um exemplo da nossa desorganização e a descoordenação ou desarticulação dos nossos ministérios, outro. Ao longo da nossa história, os pequenos e escassos períodos de boa organização estão esporadicamente desgarrados. O Marquês foi uma rara evidência. Ainda ontem (25/10/2006) o actual Presidente da República alertou para o “nosso fraco espírito de cooperação em fazer obra comum”.

Assim, a falta de organização não permite uma estratégia concertada para que os nossos produtos se imponham com força no mundo, tal como os produtos de outros países (França, Grã-Bretanha, Espanha, Alemanha, etc.), mesmo sem a força das armas. Basta dizer que qualquer pequena multinacional “borra” em nós.

O texto do post fala das pedras brilhantes quase invisíveis na nossa economia que se vão soltando aos olhos da sociedade apática e ofuscada pelo permanente empolgamento com a divulgação interna da vida dos Zés Marias ou dos pontapés na bola dos quase… analfabetos. E a comunicação social, televisiva ou escrita, contribui fortemente para a invisibilidade destes sucessos, ao atirar esses brilhantes para horas mortas, ou para páginas escondidas. Como a maioria do povo pouco lê, e quando lê é “A Bola ou a OLA…, é por isso pouco receptivo a estas boas notícias. Também por isso, isto tem nula importância nas preocupações do nosso dia-a-dia, o que faz enriquecer a nossa autoflagelação.

O sucesso revelado pelo texto, em minha opinião, sensibiliza-nos para a falta de organização porque a actuação subjacente não se enquadra numa estratégia de conjunto nacional. As nossas estratégias são de “tudo ao molho e fé em Deus…”. Citando César das Neves, ilustre economista, “tudo é feito para dar errado mas às vezes dá certo”.

“Se Deus quiser” (Flyman) e os outros deixarem… “este ainda será um grande Portugal…”


De flyman a 26 de Outubro de 2006 às 11:51
Meu caro Abel, muito acertada a observação de "...qualquer pequena multinacional borra em nós..."...

Aqui há uns anos a Clarks, fabricante de calçado a nível mundial, deixou um elevado índice de desemprego na área de Castelo de Paiva. Mais recentemente temos o casa da Opel na Azambuja. Quantos portugueses terão o cuidado de não comprar qualquer artigo, seja calçado, sejam carros, destas multinacionais que borram em nós? Uma acção cívica concertada faria não que o tempo voltasse para trás, mas da próxima vez que pensassem em tais actos, já pesariam melhor se a balança do dinheiro, faria valer a pena a saída em busca de uma mão-de-obra mais barata ou de vantagens económicas de outra espécie. E se em Portugal não se vendesse mais qualquer veículo da General Motors?...

Pode não parecer, mas eu sou mesmo um optimista e gosto mesmo de ser português e de Portugal!... Por isso é que me afronto com tudo o que de errado se por cá vai passando.

Mas atenção!... Eu posso falar assim! Um estrangeiro que se livre de o fazer!...


De Safira a 25 de Outubro de 2006 às 22:03
Epa, depois de ler o texto fiquei a pensar "porra, esse Portugal deve ser um país agradabilíssimo para se viver"... entretanto o nome "Portugal" soou-me a algo conhecido e rapidamente me lembrei de uma pequena região que faz fronteira com Espanha, como que de um apêndice geográfico se tratasse. Enquanto vasculhava a memória em busca de mais alguma informação sobre esse "Portugal", uma dúvida formando, "será que se trata de um país independente ou de mais uma província espanhola?" Embora razões historicas me fizessem pensar que Portugal é, de facto uma nação, aspectos económicos políticos, entre outros, contribuíram para alimentar a minha dúvida. Tentei, então, procurar informação de qualquer coisa que caracterizasse e dissesse respeito a Portugal. Foi então que tomei contacto com alguns portugueses célebres. São casos como Vasco da Gama (ihihih), António Damásio, o prémio nóbel da literatura José Saramago (ihihih) ou até o emblemático Santo António (de Pádua??). Fiquei a pensar "bolas, Portugal até deve ser um país importante".
Estava tão embrenhada na minha pesquisa que só me apercebi realmente que conhecia bem o objecto em análise quando comecei a tomar contacto com o número de casos de violência doméstica, o índice de analfabetismo, os números da pobreza extrema, o desemprego, as fugas ao fisco, as afrontosas reformas dos senhores da Banca e do governo, a poluição, a arrogância, a dificuldade em conduzir dentro dos limites de velocidade e de alcoolemia, and so on, and so on...
No fim, cheguei a uma única conclusão, a única coisa que (quase) todos nós realmente temos é orgulho, e mesmo isso não sei porquê... mas ainda bem que o temos. Temos orgulho em ser portugueses e disparamos coiçes em todas as direcções quando alguém de fora tenta mexer em valores que afectam o nosso hino ou a nossa bandeira. No entanto, sou obrigada a afirmar que somos uns tristes, um povo que se alimenta de história, de uma história tão antiga que corre o risco de se perder no tempo. E agora pergunto, será que (ainda) somos tão portugueses assim?


De hapito a 17 de Setembro de 2007 às 16:47
... e o que fizeste para mudar


De Tex a 25 de Outubro de 2006 às 11:43
OH gente de pouca fé!


De marta a 25 de Outubro de 2006 às 12:24
Mas eu em ti tenho fé,ora!!!
;)
Sai um tapé para as bandas do Porto...
:p


De Tex a 25 de Outubro de 2006 às 17:19
Martinha, agradeço emocionada o tapé nas costas!lol


De flyman a 25 de Outubro de 2006 às 15:38
Mas ò Texazinha!... Queres povo de maior fé, do que aquele que tem no seu país um dos maiores centros de romagem de peregrinos?!...

Eu cá por mim, fico-me com a nossa história cíclica e repetitiva: Desde que Portugal é Portugal, que existem uns períodos breves de prosperidade, seguidos por longos períodos de austeridade. Claro que como país com uma longa faixa costeira, quando o mar está bravo e bate na rocha, quem se lixa é o mexilhão. Os peixões de águas profundas nem sentem o embalo das ondas. Não é preciso ler muitos livros, nem fazer grandes pesquisas. No ano passado a minha filha estava no 6º ano e eu gosto de a ajudar nos estudos... Dá-me para aí!... A matéria do livro de história do 6º ano abarcava toda a história de Portugal. Um elemento de pesquisa barato, conciso e bastante elucidativo daquilo que molda a nossa mentalidade colectiva.

Sempre que as coisas começavam a correr melhor neste país, apareceu sempre alguém que estragava tudo. Ou porque era um despesista ostensivo, ou porque fazia acordos económicos absolutamente desastrosos, ou até porque tinha um bocadinho de medo do futuro (falta daquilo com que se faz salada encarnada).

Por outro lado, quase sempre que ousamos enfrentar o desconhecido, nos demos bem. Digo quase sempre, porque com a história da batalha de Alcácer-Quibir, as coisas não correram nada bem. Apesar do conselho sábio de D. Fernando de Noronha, para que El-Rei D. Sebastião desistisse da ideia de investir contra os mouros, na terra deles, para mais sabendo que 110 mil deles estavam à espera, não lhe foram dados ouvidos. Ficou Portugal assim sem rei e sem a alta nobreza. D. Sebastião não deixou herdeiro, já que para ele "...nenhuma mulher é melhor do que o amor à pátria!" Devia gostar de filmes de cobóis, sua alteza... O lucro foi só um: de 1580 a 1640 Portugal e Espanha eram governados pelos mesmos, o Tratado de Tordesilhas não tinha razão de ser, e o Brasil ficou com a dimensão que tem hoje...

O que é certo, é que mais uma vez Portugal ganhou mais uma valente cicatriz, da qual nunca mais nos livramos, bem como aquela que 177 anos mais tarde destruiu Lisboa e grande parte do território.

São estes factos da história que vão moldando aquilo que somos hoje, e o que me aflige, é que não há meio de aprendermos com o passado. Nem com os sucessos, nem com os erros. Ainda há pouco tempo vi uma reportagem na SIC sobre os cérebros geniais portugueses subaproveitados. Gente com mestrados nas mais importantes universidades americanas e inglesas, que acabam por decidir ficar cá pelo amor ás raizes e à família. Resultado?... Uns dão aulas, outros fazem investigação em condições ridículas. Têm ordenados absolutamente comuns. Não são reconhecidos.

Eu graças a Deus, não me posso queixar da vida que levo em Portugal, e até me considero para além de privilegiado quando olho à minha volta, um optimista! Mas se as coisas para mim não fossem assim, já me tinha pirado daqui para fora.

Enoja-me por exemplo, que hajam uns parasitas na EPUL que são ADMINISTRADORES VITALÍCIOS e que haja quem lhe baste uns poucos anos como gestor de uma qualquer empresa pública para ter uma choruda reforma. E não se confunda isto com inveja. Acho isto absolutamente imoral, quando pedem ao povão para trabalhar mais anos e receber menos quando tiver direito à sua reforma.

Quando se pedem sacrifícios a quem trabalha, o exemplo tem de vir de cima. Sempre de cima para baixo e isso nunca aconteceu, não acontece e infelizmente nunca acontecerá. Pelo menos. enquanto a consciência política do comum cidadão não mudar. Parece que anda tudo anestesiado com morangos e floribelas!

Pacientemente aguardando por esse país apregoado, mando-te daqui mais um pontapé no fundo das costas.


De Tex a 25 de Outubro de 2006 às 17:21
Flycoiso, tb te agradeço das profundezas lolols


De hapito a 17 de Setembro de 2007 às 16:53
e viva a cidadania, meu. Afinal Don Sebastião existe!


De marta a 25 de Outubro de 2006 às 11:34
Eu conheço um país em que a maior parte dos empresários de sucesso, são Portugueses que vivem no estrangeiro, são homens e mulheres que partiram um dia,e vingaram fora dele.
É este país em que, as empresas de sucesso cá instaladas aplicam os lucros no estrangeiro, e é este país também que em 3 anos deixou fugir multinacionais em número que os meus dedos não chegam para contar.
Conheço um país em que os senhorios (alguns a viver na miséria) é que estão a abrigar grande parte da população, enquanto os bancos somam lucros com os empréstimos à habitação.
Conheço um país que sobe os impostos aos deficientes, e quer ter um TGV, talvez para “inglês ver”, ou quem sabe para engordar mais alguns bolsos...
Conheço também um país em que os grandes “crânios” estão a trabalhar noutros países porque cá não havia lugar para eles, é o mesmo país que ocupa o 12º lugar na lista de mortalidade de recém-nascidos dos países industrializados, que tem o 1º lugar na lista de crianças que sofrem de maus tratos, e chega!!!...Que a lista não acabava...
Apesar de todo o respeito por este analista, parece-me que os exemplos que ele refere são mesmo de “caca”.
Tal como diz o Flyman, com todos os exemplos que deu, poderíamos ser um país com uma economia de fazer inveja, mas os brandos costumes imperam.
E fico por aqui, que só de pensar me dá náuseas!!



De Majoca a 24 de Outubro de 2006 às 22:30
E mais uma lição que tenho aqui eheehhe...ai que este blog anda tão culto . Fly caramba estavas inspirado home. Cerezinha kida continua que eu estou muito aplicadinha, isto de não ir à escola ( grrrrrrrrrrr) bejocassssssss


De lua_de_Avalon a 24 de Outubro de 2006 às 23:03
"Eu conheço um país que tem uma das mais baixas taxas de mortalidade de recém-nascidos do mundo, melhor que a média da União Europeia. Eu conheço um país onde tem sede uma empresa que é líder mundial de tecnologia de transformadores. Mas onde outra é líder mundial na produção de feltros para chapéus. Eu conheço um país que tem uma empresa que inventa jogos para telemóveis e os vende para mais de meia centena de mercados. E que tem também outra empresa que concebeu um sistema através do qual você pode escolher, pelo seu telemóvel, a sala de cinema onde quer ir, o filme que quer ver e a cadeira onde se quer sentar. "



De flyman a 24 de Outubro de 2006 às 17:22
Mas este post da Tex, não trata do nosso fadinho, triste destino, e sim de observar que no fim de contas nem tudo é assim tão mau - exercício difícil afinal, para qualquer português dos sete costados. Nós somos mesmo bons, mesmo bons é nos lamentos.

Portugal é em si, como espaço geográfico, único. A sua localização, fazendo uma ponte entre a Europa, África e América. No seu território continental, apesar de relativamente pequeno, quando comparado com outros países, uma diversidade de paisagens ímpar. Qual é o país no mundo, com a dimensão de Portugal, que consiga ter o verde do Minho, as varandas do Douro, a agressividade de Trás-os-Montes, montanhas lindas como a Serra da Estrela, Caramulo, Buçaco, Sintra, S. Mamede, Monchique, as Beiras, elas próprias diferentes entre e dentro de si, a suavidade das colinas alentejanas, a nossa belíssima costa, tão variada de Norte a Sul, a riqueza e tradições culturais (...em vias de extinção?...)... O clima!!! O clima!!!!

Acabei de ler há poucos dias, um livro escrito por uma jornalista brasileira, Ângela Dutra de Menezes, chamado "O Português que nos Pariu". Trata-se de um exercício de resumo da história de Portugal, que visa explicar porque são os portugueses e os brasileiros como são... Por ter comprado o livro no Brasil - não sei se tem edição portuguesa - deparei-me com uma escrita algo deficiente, carente do bom português, para além de algumas pequenas imprecisões históricas. No entanto, a perspectiva politicamente incorrecta e a análise de como os portugueses foram resolvendo os conflitos de interesses com e entre outros países ao longo dos tempos, só podia dar neste povo de desenrascados desorientados.

Já quando a Península Ibérica estava a ser romanizada, um general romano escreveu uma carta para o imperador a dar conta de um povo, que habitava a Hispânia que não se governava nem queria ser governado... quem mais poderia ser?...

Entretanto - depois de um caldeirão onde se foram misturando em lume brando, lusitanos, celtas, romanos, bárbaros onde se incluem alanos caucasianos, vândalos germânicos e escandinavos, suevos e visigodos germânicos (estes últimos dissolvidos na civilização romana), mouros de Marrocos e da Mauritânia, árabes e judeus - aparece uma filha bastarda a Afonso VI, D. Teresa, essa mesmo que acabou por levar pancada do filho. Ora, como muita gente diz, "...um país que começa com o filho a dar porrada na mãe podia dar alguma coisa de geito?!..." Pois a nossa história tem dado como resposta: NIM!

D. Afonso Henriques foi um verdadeiro génio. Teria mesmo comentado D. Afonso VI, que seria uma pena que tamanho talento fosse morar em Portugal.

Para quem não sabe, aos 13 anos, na cerimónia em que seria sagrado cavaleiro na catedral de Zamora, o pequeno grande Afonso Henriques, mandou o bispo ás urtigas e ele mesmo se sagrou. Recusou a mediação divina, enchendo o avozinho de orgulho por tamanha desfaçatez... e só séculos mais tarde surgiria outro capaz de repetir tal acto... Napoleão...

O que é certo é que o rapaz não gostou de algumas atitudes políticas da mãe, nomeadamente a anexação do reino de Portugal à Galiza e a coisa azedou. Deu-se a Batalha de S. Mamede, o filho bateu na mãe e ficou a tomar conta da quinta. Depois foi a reconquista das terras aos mouros, sempre com o intuito de alargar fronteiras a agradar ao Vaticano, enviando-lhe as riquezas conquistadas como forma de vir a obter o reconhecimento de reino independente de Leão e Castela. A resposta tardou 36 anos a chegar, desde que a pretensão tinha sido formalizada.

A partir daí a nossa história é feita de altos e baixos, com altos muito altos e baixos muito baixos. Que exemplo melhor do que a época dos descobrimentos onde após termos dado novos mundos ao mundo, muito mais destemidos do que qualquer astronauta, por não sabermos ao que íamos, as riquezas apenas passavam por Lisboa indo acabar nos cofres dos holandeses, franceses e acima de tudo dos ingleses, essas frieiras históricas. Realmente há tratados económicos e alianças políticas seculares que perduram até aos nossos dias, que vendo bem, está na cara quem tem andado a comer o bolo e quem tem ficado com as migalhas... mas lá estou eu outra vez a lamentar-me... que é que se há-de fazer?... Não tenho culpa de ser português...


De flyman a 24 de Outubro de 2006 às 18:20
Desculpem lá, mas só lê quem quiser, tenho de continuar, agora que estou ligado à corrente!...

Ora depois de D. Afonso Henriques, passamos praticamente sempre a ser um povo de brandos costumes... vejamos:

Depois de chutarmos os mouros daqui para fora à bordoada, os que aqui quiseram ficar, ficaram. Em guetos é certo, Mouraria, mas aos poucos foram-se cristianizando e nós absorvendo também alguma coisa do Alcorão... ou não sabiam que a expressão "se Deus quiser" é um ensinamento dos versículos 23 e 24, capítulo 18, do livro sagrado do Islão? Isso, e o facto de enganar o fisco, que remonta à invenção dos moçárabes. Se cristão pagava impostos e árabe não pagava, nada melhor do que o cristão travestir-se de árabe e não os pagar. Resultado? Moçárabes com fartura!... Já com os judeus, as coisas foram diferentes...

É da história da Idade Média que trabalhar é indigno. A ociosidade, essa sim, um poço de virtudes. A palavra fidalgo quer dizer "filho de algo", e bem entendido, quando se é filho de algo, é-se diferente da gentalha do povão que suja as mãos e se esfalfa a trabalhar para proporcionar uma vida digna a quem nada faz, por ser esse o seu desígnio divino. Elegante mesmo é passar o dia de papo para o ar, cuspir para o lado e coçar onde houver comichão. É histórico? Se calhar é muito actual... vejam-se as revistas de maior tiragem em Portugal, e os reality shows que teimam em zunzir por aí... para além claro de toda a fauna subjacente...

Desde D. Afonso Henriques que as Inquirições estavam instituídas. Funcionários do reino percorriam o território para confirmar que tudo estava conforme os preceitos. Ou seja, a nobreza zelava pelos seus feudos, o clero rezava, e o povão sujava a mão... na terra, claro... Ora, no início do século XIV, os inquiridores esbarraram com um espectáculo absolutamente degradante: nobres a trabalhar! A correr ao palácio, deram conta a D. Dinis do sucedido. Cortes reunidas à pressa, decidiu-se que os titulos de nobreza seriam cassados. Perderiam o estatuto de nobres, portanto. Assim: "...não hajam honra de filhos de algo enquanto não fizerem vida de filhos de algo". Estamos assim, nós portugueses perfeitamente desculpados da nossa tradicional e bem enraizada preguiça, a não ser, claro, que vamos para outros países e aí sim, como ninguém conhecido nos vê, nos esfalfemos a trabalhar como realmente gostamos, com afinco e vigor, como aliás acabamos todos por saber... emigrante português é trabalhador exemplar e destacado! Haja quem organize a nossa força de trabalho em Portugal, e aí sim... ninguém nos agarra... que tal contratar uns finlandeses para o governo?!... Organizados, bons exemplos para a comunidade e, acima de tudo incorruptíveis!!!

Muito mais haveria ainda para dizer: Infante D. Henrique, os Descobrimentos, os cristãos-novos e os outros cristãos (a desconfiança entre eles e os bufos que os denunciavam...) a Inquisição, a riqueza trazida pelas naus e caravelas, esbanjada em ostentação (actual, não?...). O agacharmo-nos ante um pacto com os ingleses que a troco de protegerem os comboios de barcos com riquezas do Oriente e do Brasil, ficavam com a maior parte para eles, para além os acordos comerciais anedóticos (...anedóticos para os ingleses, que se ficavam a rir para além do proveito...). A fuga dos judeus para a Holanda quando apesar de uma Inquisição branda em Portugal, se sentiram ameaçados. A fuga da corte para o Brasil, quando Napoleão se chegou mais cá a este lado.

Enfim... nem passa pela cabeça da maior parte dos portugueses que as Maldivas foram nossas, como muitas outras paragens orientais, repletas de fortes construidos para proteger efémeramente um império à escala mundial.

Quando nos soubermos organizar ou tivermos quem nos organize, aí sim, vai ser sempre a abrir!...


De hapito a 17 de Setembro de 2007 às 17:01
... uma ponte entre a Europa, África e América.
A ponte de que precisamos é a educação, cultura para sabermos pensar em como nos lançar ao mar do futuro.


De flyman a 24 de Outubro de 2006 às 14:20
Depois de saber que a banca portuguesa continua com benefícios fiscais que eu gostaria de ter para mim, apesar dos "pequenos" lucros que vai tendo anualmente, é muito difícil para já dizer algo de positivo acerca deste jardinzinho feito selva.

O preço dos combustíveis apesar do preço do barril de petróleo continuar a baixar... A Petrogal nunca teve uns lucros tão elevados desde que começou este "novo choque petrolífero".

A purga de inteligência portuguesa para o estrangeiro e o mau aproveitamento/tratamento dos que por cá vão querendo ficar.

As reformas dos políticos e dos gestores públicos em contraste com as do comum cidadão, por exemplo é outro tema que me indispõe...

Volto se calhar mais tarde quando me encontrar menos raivoso acerca destas belezas do nosso país...

:|


De http://shakermaker.blogs.sapo.pt a 23 de Outubro de 2006 às 20:28
Ora viva Cara Cereza...

Sabe, achei piada ao seu último comentário no HTW e desde já agradeço a visita. Porém, penso que me tirou mal as medidas, até porque faço uso da minha suposta inteligência com coisas muito mais importantes e que me trazem mais benefícios para além dos que mencionou.
Mas andou lá perto, foi por pouco.

Quanto a esta opinião do Xôr Nicolau Santos, subscrevo quase por inteiro. Reconheço que digo mais mal do meu país do que propriamente digo bem mas este mesmo país que adoro também me prejudica.
De facto é um país muito complicado com gente muito complicada que gosta de complicar o que não deve ser complicado. Costumo dizer que viver em Portugal é um luxo, daquele tipo de despesismo que não se explica mas que se paga caro na factura.

É claro que é um país soberbo, encantador, de Norte a Sul. Mas isso só consigo contemplar aos fins-de-semana pois durante a semana é um país cinzento e sem graça nenhuma. Valha-nos as mulheres portuguesas que nos distraiem do nosso fado.

Um abraço...
SHAKERMAKER


De marta a 23 de Outubro de 2006 às 18:05
Na verdade, o problema é mesmo a falta de líricos neste País.
Já cá havia poucos...
lol
:|


De cereza a 23 de Outubro de 2006 às 19:49
martaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa que aconteceu ao teu blog????? não há posts?????????

não vejo nada, só as tuas maozinhas lolllll


De marta a 24 de Outubro de 2006 às 18:07
Qual blog?
lollll
Tu não me fales no mãozinhas,que me lembro do Pinóquio e do Gepeto dourado pah!!
:P


De Majoca a 24 de Outubro de 2006 às 22:26
Oh Marta tu tb tens um blog? mais um que tenho de ler né?


Ah... Comenta-me

av_fever01.gif

.Urbanidades Recentes

. Aberto: Rui Pedro e Anoré...

. FIM

. Porque eu? porque isto? p...

. Mulher

. Hannibal - Rising

. ...

. Voltaste meu amor...

. Falling

. ...

. Uma brincadeira...

. SuGeStÕeS:

. Pedofilia ou Amor

. coragem!

. Feliz Natal

. Ainda Tango...

. Destaque no sapo: poema d...

. Sonho § Realidade

. Do Flyman

. (...)

. Parabens Lua

av_jml12.gif myarms-yourhearse.gif

.Selvas já Visitadas

. Maio 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

. Junho 2005

. Maio 2005

. Abril 2005

. Março 2005

. Fevereiro 2005

. Janeiro 2005

. Dezembro 2004

. Novembro 2004

. Outubro 2004

10MM.gif

.Procura no UJ

 

.Posts Favoritos

. Falling

. Destak

. UJ no DN

. Putas, Prostitutas (os) e...

. Casos Reais: Putas, Prost...

. Maria Madalena: Prostitut...

. "Schindler português"?

. Dedicado ao meu Pai!

. Caso de Vida

. Os BrancosNegros ou Negro...