Domingo, 14 de Janeiro de 2007

Pedofilia ou Amor

"Lolita, luz da minha vida, fogo da minha virilidade. Meu pecado, minha alma. Lo-li-ta: a ponta da lingua faz uma viagem de três passos pelo céu da boca abaixo e, no terceiro, bate nos dentes. Lo. Li. Ta. Pela manhã, um metro e trinta e dois a espichar dos soquetes; era Lo, apenas Lo. De calças práticas era Lola. Na escola era Dolly. Era Dolores na linha pontilhada onde assinava o nome. Mas nos meus braços era sempre Lolita." -Lolita, Vladimir Nabokov-

É assim que começa o romance escrito por Vladimir Nabokov, lançado em 1955. Muito arrojado para a moral vigente na época, o romance de Nabokov (1899-1977) foi inicialmente recusado por várias editoras. Ao ser finalmente lançado, por uma editora parisiense, gerou opiniões antagônicas: houve quem definisse o livro como um dos melhores do ano; houve quem o considerasse pornografia pura. Hoje pretendo deixar aqui um desafio a todos... para quem não leu esta obra, ou não teve a oportunidade de ver os filmes: lolita - de Stanley Kubrick (1962) com James Mason, Shelley Winters Sue Lyon e Peter Sellers.

Lolita - 1962 A segunda versão surgiu em 1997, relizado por : Adrian Lyne com: Jeremy Irons, Melanie Griffith e Dominique Swain. Vi ambos, e sinceramente gostei muito mais da versão de Kubrick.

 

Lolita - 1997 Deixo aqui um resumo... e no fim farei uma pergunta, que nem eu sei bem o que responder. O professor Humbert acaba de chegar à cidade e decide alugar um quarto para passar alguns meses. Após visitar muitos locais, opta pela casa da viúva Charlotte Hazen que fica entusiasmada em ter um hóspede tão charmoso e belo.

Porém o objecto de desejo do professor é a jovem e bela ninfeta Dolores filha da Sra. Harzen. Lolita, como é chamada, é um demônio com cara de anjo que atormenta as noites de sono de Humbert. A cada dia que passa, Humbert encontra-se numa situação cada vez mais embaraçosa: a mãe está apaixonada por ele e tem certeza de que este sentimento é recíproco; Humbert, entretanto, não consegue desligar-se dos encantos de Lolita. Chega ao ponto de não conseguir trabalhar, e o interesse vira obsessão. A rapatiga apercebe-se das intenções de Humbert e o provoca-o constantemente. A relação entre mãe e filha torna-se insustentável,pois Lolita aproveita a situação para desafiá-la descaradamente. Charlotte, acaba por cansar-se das afrontas da filha e manda-a para um acampamento de férias; está mesmo disposta a enviá-la para um colégio interno, assim que ela regressar. Enquanto estão apenas os dois na casa, a Sr. Harzen declara-se a Humbert que, caso o amor não seja recíproco pede-lhe que se vá embora e nunca mais volte. Ele, com medo de nunca mais rever a sua ninfeta, aceita casar-se com ela. Num certo dia, a então Sra. Humbert lê o diário do marido e descobre a paixão dele pela filha Lolita. Para ela, nada mais vale a pena na vida e resolve acabar com o sofrimento matando-se. Humbert fica extremamente feliz, afinal livrou-se do "empecilho" que o impedia de declarar o seu amor à jovem. Quando vai buscá-la no acampamento, opta por não dizer nada de imediato. Os dois começam a relacionar-se antes mesmo da menina saber que a mãe está morta. Com medo de ser acusado de pedofilia, o casal viaja para diferentes locais, ficando apenas uma ou duas noites em cada hotel e sempre como pai e filha.

Num desses hotéis encontram o roteirista de televisão Clare Quilty, pelo qual Charlotte tem grande admiração; este faz-se passar por policial e intriga Humbert com perguntas para a qual ele não tem respostas. Finalmente estabelecem-se numa cidade. Lolita, a cada dia que passa, explora mais Humbert. Ele faz tudo o que a amada lhe pede. Porém, tudo o que recebe não é suficiente para Lolita que acaba por fugir com um professor. Anos mais tarde, Humbert recebe uma carta da "filha" e vai visitá-la. Ele está prestes a ouvir grandes revelações sobre sua ingênua Lolita, vindas da boca da própria.... e o resto não conto... leiam o livro... hihihih

Este livro já valeu várias discussões... alguns dizem que é uma bela história de amor, outros dizem que é pura pedofilia! Eu, sinceramente não consigo tomar uma decisão! E vocês?

 

 


Impressão Digital Cereza às 23:58
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8 comentários:
De Cristina a 3 de Abril de 2011 às 21:18
E nao acho que seja pedofilia, talvez aos olhos da sociedade sim.
Para mim, trata-se dum amor intenso e incontrolável, mesmo que no inicio ele passe por um homem preverso e repulsivo, quando se chega a meio da história há que sentir pelo menos uma pontinha de pena pelo pobre coitado, ele estava loucamente apaixonado, até no inicio ele tentou conservar a inocencia de Lolita, mas ela provocou-o até demais e já era corrupta antes de o ter conhecido, eu como rapariga de 15 anos senti mais repulsa por ela do que por ele, que miúda mais irritante!


De Cristina a 3 de Abril de 2011 às 21:05
A história está mal contada, a Mrs.Haze nao se mata, ela descobre o diário de Humbert e é atropelada acidentalmente depois de uma forte discussão com ele. E falta contar a parte inicial da história: como tudo aconteceu e a origem do gosto de Humbert por ninfitas.


De Peidofilo a 9 de Setembro de 2007 às 13:07
como se chama esse filme, deve ser fiche o prefessor a comer a aluna, ainda menor, fiche é carne fresca.


De Just a point of view a 16 de Janeiro de 2007 às 23:57
Quem leu o livro e pode ver o filme há-de chegar à conclusão que é amor . Só nao o será aos olhos dos prconceituosos que pensam que apenas por serem mais velhos nunca se poderão apaixonar por alguém muito mais novo. Quanto a mim existe uma linha bem marcada entre o Amor e a pedófilia que é pretendida extrair da obra por alguns "sábios". Há muitos anos vi um filme que não me recordo dos protogonistas mas retive o título "Ensina-me a viver". Uma mulher bastante velha e pela qual um jovem se apaixonava . Numa sociedade em que tudo e todos são criticados , em que existe um enorme número de pessoas sempre prontas para atirar a primeira pedra é natural que pensem que a Lolita não passava de uma criança ingénua, que não tinha consciência do que provocava e que o Professor era um depravado, sem escrúpulos, um pedófilo porque recusam a idéia que o mesmo lhes poderá acontecer.
=)


De marta a 16 de Janeiro de 2007 às 13:08
Cada caso é um caso....
E tem tudo a ver com a forma com que somos “moldados”
Não houvesse maldade no mundo e tudo seria mais belo....
Agora pondo os pés em terra, se há culpa, essa será dos adultos...
Não creio que as “crianças” em idade mas não em mentalidade, não saibam o que estão a fazer, talvez brinquem ok!!
Aí a sensatez de que os adultos são já dotados tem de prevalecer!
E os adultos que se recusam a crescer, e aqueles que amam sem condições?
O perigo mesmo está nos que jogam, mas será esse jogo consciente?
Não consigo julgar, no filme tudo é diferente....transpondo para uma/um filho meu...uiiiiii nem quero pensar!
Mas lá está, tem tudo a ver com culturas, e aqui lembrei-ma da raça cigana,e tantas outras...
Tudo é relativo....


De PatanisKa a 15 de Janeiro de 2007 às 17:48
Olá, Boa tarde, Feliz 2007 para todos.
A pedofilia, ou o amor por "lolitas" não é de hoje... ou será q n nos lembramos de antigamente haverem casamentos com meninas até de 13 anos??!! Agora é q há mediatismo do caso, até digo mais... agora até deve haver menos casos desses....talvez mesmo pelo mediatismo...
Beijos asteriscados :)))


De Isabel a 16 de Janeiro de 2007 às 14:44
1 d(l)ó li ta, quem está livre...livre está!
1 pedófilo, 1 “jogo” sexual, 1 perverso mundo... Nabokov, o escritor lepidopterologista, deixa-nos a reflectir nas nuances de quanto os extremos, como o amor, a crueldade e a perversidade se cruzam.
Omne animal post coitum triste est.


De WG a 15 de Janeiro de 2007 às 11:50
Nunca li o livro, mas já vi um dos filmes, apesar de não me recordar muito bem nem da história nem de qual das versões seria (penso que seria a mais recentes).

Começo por responder à tua pergunta com uma pergunta:
E não pode ser ambas as coisas?

Pedofilia: Sim, é factual e como tal não oferece dúvidas.

Amor: É mais subjectivo, até porque do pouco que me lembro o aproveitamento da situação por parte da Lolita coloca a relação mais numa de interesses do que propriamente de amor. No entanto, apenas com base no resumo quase que se poderia estar tentado também a dizer que sim.


Pergunta final: Nos dias que correm, em que a informação e a própria visualização de sexo está cada vez mais disponível para as crianças desde muito jovens, e em que elas cada vez mais cedo se iniciam na actividade sexual, qual será daqui a não muito tempo o limite no qual se considera pedofilia?


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