Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2005

XMAS - Um milagre

Tenho deliberadamente tentado adiar o tema Natal, mas como é obvio não é possivel fugir mais. É uma época que me deixa extremamente deprimida, e muito triste! Para mim a o Natal deixou de fazer sentido há cerca de 13 anos. Mas sobre isso falarei na vespera de natal. Talvez seja o meu caso de vida!


Christmas copy.jpg


Depois aquela sensação angustiante que temos de estar felizes nesse dia, e comprarmos “obrigatóriamente” prendas para toda a gente... sinceramente, só me apetecia adormecer nesta altura, e acordar depois da passagem de ano... mas como não é possivel, vou pensando nos “amores” da minha vida... os meus sobrinhos... que estão na fase de pedir os “Sherks”, as “fionas”, os “spiderman´s”, e essa gentinha toda... J Para eles sim, compro este mundo e o outro se fôr necessário... e se quiserem o Shrek em carne e osso, eu vou á procura dele, e não descanso até o encontrar... Alias o Manuel, (o do meio, que tem 3 anos) até pensa que o Shrek mora aqui ao pé da minha casa, e o Rei Fakua (será assim que se escreve?)mora no castelo dos mouros, e o principe Charming no palácio da Pena... Até já lá fomos... escusado será dizer que quando cheguei ao castelo tivemos que fugir porque o Rei viu-nos e queria-nos apanhar... Lá fomos nós assustadissimos e a correr para o carro! O meu sobrinho, claro que não viu nada... mas sentiu, ai isso sentiu...

Bem chega de falar neles, que me perco...

Vou começar a publicar os textos de natal que muita gente me tem mandado nos últimos dias... (apenas quarta-feira será um excepção, já que vai haver um aniversariante muito especial) .Depois da data tenho uma série de textos fantásticos para publicar (desde já peço desculpa a quem ainda não viu os trabalhos postados aqui no Urban Jungle... mas descansem... eles vão aparecer!

O meu pedido de desculpas também pelo video... aos mais susceptiveis peço que não vejam... basta clicar no stop. Não são imagens inéditas... mas chocam sempre... a mim partem-me o coração, e sinto-me impotente para fazer seja o que fôr... e se há coisa que me deixa desorientada é sentir-me impotente para ajudar, nem que seja apenas com um carinho ou uma palavra amiga... Por isso por favor, aproveitem esta altura, para fazer bem á alma, e menos á carteira (mais que não seja) e vão ao site da organização, “Make Poverty History” e juntemse a milhões de pessoas em todo o mundo que com apenas um click e o nome tentam pressionar os mais ricos lideres mundiais a acabar com a pobreza extrema. ( www.makepovertyhistory.org )

Enfim a introdução já vai longa, e não vos quero deixar também deprimidos nesta quadra. Apenas quero que reflitam no verdadeiro sentido do Natal. A Constancinha mandou-me este lindissimo texto.


natal.jpg


Milagre de Natal

Desde que sou gente, que me lembro de no dia 1 de Dezembro, os meus pais colocarem numa mesa, ladeada com uns panos dourados , as figuras do Presépio, menos o Menino Jesus, que seria colocado à meia–noite de 24 para 25 de Dezembro e um pinheiro que traziam de Tomar. Cresci e comecei a ajudar. Uns anos depois, já éramos dois que em vez de ajudarmos, “desajudavámos”. A tradição manteve-se, tendo sido quase quebrada em 1979 mas sobreviveu até 2001. Em 1980 “ganhei” o meu espaço e com humildade conseguia ter um presépio e um pinheiro artificial, ambos minúsculos, em cima de uma mesinha de apoio, num canto da salinha para não incomodar os menos crentes.

Fui Mãe. Os Natais começaram a ter outro sabor e com eles a tradição de casa dos meus Pais estendeu-se até à nossa. Durante quase quatro anos, manteve-se o ritual. Nesse ano, 1987, eu queria que o meu Filho tivesse a alegria de colocar as figurinhas, uma a uma e enfeitasse o pinheiro mas não sabia como o iria fazer porque não conseguia comprar um pinheiro por mais pequenino que fosse.

Saímos os dois naquela sexta-feira e caminhámos pela rua. “Encasacados” até aos ossos fomos vendo as iluminações, as montras e até dois beijinhos ele recebeu do Pai Natal, que badalava um sino dourado. Mas e o pinheiro? A tristeza que me roía os ossos fazia-me esquecer o frio que estava. Como iria eu conseguir arranjar um pinheiro com 500$00?

Demoramo-nos por lá e já a noite tinha chegado encontrámos uma barraquinha, daquelas que a Câmara Municipal distribuía pela cidade, repleta de pinheiros.
– Ó Mãe, Mãe olha tantos pinheiros.
Encolhida e a muito custo consegui balbuciar.:
- Tantos sim e tão lindos , Filho.

A vendê-los estava uma Senhora preta, gorducha como as “amas” que apareciam nos filmes da Shirlley Temple. À sua volta, três crianças brincavam numa alegre algazarra.

- Boa-noite, não se importa de me dizer quanto custam os pinheiros?
Num sorriso doce e rasgado respondeu-me.
- 300 escudos.
Ganhei vida ao ouvir o preço.
- Mãe, podemos levar um, podemos?
Olhei para aquela carinha e os olhos saltavam de felicidade.
- Podemos sim, Filho. Vamos lá escolher um.

A Senhora ajudou-nos e dei-lhe, não os trezentos mas os quinhentos escudos pelo pequeno milagre, o do ter encontrado um pinheiro tão barato. Mas se eu pensava que tinha sido milagre mal sabia eu o que ia acontecer.

No mesmo passeio ficava, nessa altura a praça de táxis e como ainda tinha algumas moedas no bolso pedi a um motorista, se nos levava a casa mais a nossa compra.
Coloquei o pinheiro na mala do carro e quando me voltei para desejar-lhes um Bom Natal, não encontrei vestígios nem dela, nem das crianças e muito menos dos pinheiros. Fiquei ali, parada, com o meu Filho pela mão tentando entender o que se passava.
- Mãe onde está a Senhora?
Não sabia o que responder e não encontrava as palavras certas. As lágrimas que se soltaram embargaram-me a voz e balbuciei:
- Não sei Filho, não sei.

Os anos passaram e entretanto, por uma questão de príncipios, abolimos de vez o pinheiro natural e optámos por um artificial, maior, “muito mais maior” do que aquele que eu tive, no meu espaço e no dia 1 de Dezembro, todos os anos nos lembramos daquela sexta-feira, da Senhora rodeada dos três filhos e do pequeno grande milagre que aconteceu e, sem dar por isso os meus olhos continuam a encherem-se lágrimas.



Constancinha



Impressão Digital Cereza às 21:10
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25 comentários:
De Selvagem Anónimo a 19 de Dezembro de 2005 às 21:42
Vamos lá a tirar teimas sobre o " Pai Natal "!
É mesmo inacreditável.
O " Pai Natal " ou tem uma ilimitada crença na estupidez alheia ou apresenta uma irresistível pulsão suicidária - Dar a volta ao Mundo na noite de Natal acompanhado de 1 manada de 8 renas, sem aurir???!!! Bem sabemos que Phileas Fogg (sim esse k tem o nome com "phi" o número de ouro, k nos levava a outras considerações), recorrendo a meios + rápidos que as desveladas renas, conseguiu à tangente transpor tal empreendimento... portanto tu não existes " Pai Natal".
Basta entrever o firmamento na noite, anteriores e seguintes, de Natal, para avaliar e comprovar a estultícia de quem inventou tal personagem!
Não existe caros amigos!
Num tempo de analfabetos funcionais, acho interessante quando alguém é suficientemente inteligente e se destaca positivamente do Australopitechus Pithecantropus, porque passa (moi) somente algum tempo a analizar a inefável personagem e a escalpelizá-la...!
Recuso-me a ser inepta e a transigir com alguns milhões de crentes de tal personagem!
Basta... Vou matar o Pai Natal! Weeeeeeeeeeeeeeeeexinxa
</a>
(mailto:xinxa_maria@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 20 de Dezembro de 2005 às 08:12
Também eu, nunca gostei do natal, por diversas razões....desde criança que esperava pela casa cheia de gente e quando chegava a altura n via ninguem, vivia com o meu pai e com a minha avó paterna e a unica coisa a que assistia era a gritos, revolta e muita dor, a cocaina reinava sempre nessa noite. fui crescendo, comecei a partilhar o meu natal com a minha avó materna, quando o meu pai o permitia. Era diferente, a casa cheia de gente, pessoas que riam felizes, alegres por estarem todos juntos e unidos, eu recebia uma unica prenda da minha avó e sentia-me a criança mais feliz do mundo. Com o tempo, a familia foi ficando mais pequena, aqueles que enchiam a minha casa haviam partido. E hoje fiquei eu e a minha avó. Vivo essa noite como outra qualquer, talvez com mais tristeza ainda. jantamos, vemos tv e quando o cansaço toma conta de nós recolhemo-nos e dormimos. Este ano, vou ter a minha tia com as suas três meninas, vai ser diferente, sem duvida, mas a melancolia que sinto não vai deixar de exitir por isso. por isso digo que o natal para mim jamais teve o espirito que normalmente tem para muita gente. um bom dia para todosdevil_girl
(http://..)
(mailto:joana.patrici@sapo.pt)


De Selvagem Anónimo a 20 de Dezembro de 2005 às 08:20
"Para isso fomos feitos:/
Para lembrar e ser lembrados/
Para chorar e fazer chorar/
Para enterrar os nossos mortos —/
Por isso temos braços longos para os adeuses/
Mãos para colher o que foi dado/
Dedos para cavar a terra./
Assim será nossa vida:/
Uma tarde sempre a esquecer/
Uma estrela a se apagar na treva/
Um caminho entre dois túmulos —/
Por isso precisamos velar/
Falar baixo, pisar leve, ver/
A noite dormir em silêncio./
Não há muito o que dizer:/
Uma canção sobre um berço/
Um verso, talvez de amor/
Uma prece por quem se vai —/
Mas que essa hora não esqueça/
E por ela os nossos corações/
Se deixem, graves e simples./
Pois para isso fomos feitos:/
Para a esperança no milagre/
Para a participação da poesia/
Para ver a face da morte —/
De repente nunca mais/ esperaremos.../
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas/
Nascemos, imensamente."


(Vinicius de Moraes - Poema de Natal)
devil_girl
(http://..)
(mailto:joana.patrici@sapo.pt)


De Selvagem Anónimo a 20 de Dezembro de 2005 às 08:38
Mas a maior felicidade é a da gente pequena.



Naquela véspera santa



a sua comoção é tanta, tanta, tanta,



que nem dorme serena.



Cada menino



abre um olhinho



na noite incerta



para ver se a aurora



já está dsperta.



De manhãzinha



salta da cama,



corre á cozinha



mesmo em pijama.



Ah!!!!!!!!!!!!!!



Na branda macieza



da matutina luz



aguarda-o a surpresa



do Menino Jesus.



SANTO NATAL



FELIZ ANO NOVO

Carlos
(http://vagueando.blogs.sapo.pt/)
(mailto:c_m_a_n_u_e_l@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 20 de Dezembro de 2005 às 09:42
e pronto..la vou ter que comentar... Nunca fui muito de certas hipocrisias relacionadas com o Natal. É um facto que a época tem uma atmosfera diferente. Não deixa de ser uma noite, ou uma manhã mais, conforme os habitos. Para além do consumismo desenfreado que proporciona, não vejo que diferença faz das demais noites e manhãs. Eu vou fazendo o meu natal ao longo do ano, vou dando prendas, vou-me dando prendas e assim vou fazendo passar uma a pós outra, noites e manhãs. Não vejo tb porque carga de agua não se escreve ou envia postais e nessa data particular muita gente, de forma que não vou qualificar, apõe letrinhas a um pedaço de papel..cá para mim tenho como valido que com quem gosto de falar faço-o ao longo do ano e, mesmo aqueles que estão longe, vão recebendo as "prestações" todas aquelas letrinhas que normalmente só se lembram no natal.. já no fim do ano.. o meu neuroneo rustico e primário só me diz que de diferente so tem mesmo a data do calendario..tudo permanece igual..não é por mudar uma data imaginaria/virtual seja la o que fôr que muda tudo o que de bom ou de mau estja feito..bah.. um bom natal e um bom ano é todos os dias. Não vou de forma alguma criticar quem se deixa contagiar com um ambiente mais fraterno e de esperança..mas.. no fim das corridas.. fica tudo na mesminha.. contudo sou optimista! ha-de mudar para melhor! Pela léria atras, não vou desejar um bom natal e um prospero ano novo.. vou sim desejar que um dia a pós outro estejamos cá de saude e bem dispostos prontos para a cânsera do dia a dia.. que ano novo ou Natal...é mais um..IdeiasAvulso
(http://2)
(mailto:IdeiasAvulso@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 20 de Dezembro de 2005 às 10:31
Posso não dizer nada,posso??!!E é claro que VOS DESEJO TUDO DE BOMMMMMMMM!!!!beijinho pa ti Mariamarta
</a>
(mailto:martax_30@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 20 de Dezembro de 2005 às 10:55
Cereja, como eu te entendo quando dizes que tens adiado o tema Natal!

Tex
</a>
(mailto:texazinha@iol.pt)


De Selvagem Anónimo a 20 de Dezembro de 2005 às 11:01
CONSTANCINHA QUEM SABE SE NÃO HÁ UM MILAGRE COMO O TEU? a tua historia é inspiradora... e faz-nos pensar que um dia vamos acordar... e a guerra, a fome, os maus tratos, a violencia em geral... terão desaparecido. constancinha beijo grande kerida.cereza
(http://bbb.blogs.sapo.pt/)
(mailto:lis_tv@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 20 de Dezembro de 2005 às 12:53
Desejo aos bloguistas do UJ… UM BOM NATAL e que os dias de sol e noites de lua iluminem as vossas vidas.. .
Não sei como desejar-vos um Feliz Natal sem cair no ridículo de repetir frases e "slogans" que, nesta quadra, invadem as nossas ruas. “Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparate,
Com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
Cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
As belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.”
“António Gedeão” Constancinha volto já para comentar o teu texto maravilhoso mas deixo-te beijinhos para ti :)))

luadourada--
</a>
(mailto:ermelinda_1955@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 20 de Dezembro de 2005 às 14:23
Cereza, obrigada por estares disponivel para me ensinar. Se não pode ser por email, pode ser como te parecer melhor e cá estou à espera da tua sugestão. Nada me daria mais gosto, estou sempre disponivel para aprender.

Carissima(os)
Não me apetece falar de Natal. Nem de hipocriasia, nem de distancias e de espaços ou saudades ou miséria. Mas o que é certo é que ele, o Natal, está aí, invade-nos de repente as casas, as ruas os olhos, as vidas, de um modo quase impossivel de controlar e afastar. Este ano ainda não fui a nenhum almoço nem jantar, daqueles para que somos convidados apenas nesta altura. Quando acaba o Natal, não há tempo para almoços, para delizadezas, para demonstrações de interesse e preocupação entre quase ninguém. Que pena que assim é. Este ano preciso de sossegar no Natal. Preciso de abrir um livro e ler, preciso de ver filmes de desenhos animados e histórias de extraterrestres, preciso de alguém que me venha buscar e leve a passear, não porque é Natal e se lembrou de mim porque é Natal, mas porque lhe deu na gana, porque se lembrou de mim e teve necesidade de estar comigo, de me confortar e sossegar.
O meu Pai morreu o ano passado no dia de Natal. Sózinho. Eu estava a festejar o dia de NAtal.medusa
</a>
(mailto:de.medeia@hotmail.com)


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