Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2006

Memórias

O texto é do Marco Neves, a musica também foi escolhida por ele. Como não posso ainda alojar a musica no meu servidor, procurei durante "algum" tempo o video, e lá consegui... A qualidade (video amador ) não será a melhor... mas foi o que se arranjou. Tentei torna-lo diferente e mais intimista... misturando a letra da música com o texto. Espero que gostem!





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Pain of Salvation - Undertow
"...I'm alive and I am true to my heart now - I am I,
but why must truth alwas make me die?
Let me break!
Let me bleed!
Let me tear myself apart I need to breathe!
Let me lose my way!
Let me walk astray!
Maybe to proceed...
Just let me bleed!
Let me drain!
Let me die!
Let me break the things I love I need to cry!
Let me burn it all!
Let me take my fall!
Through the cleansing fire!
Now let me die!
Let me die...
Let me out
Let me fade into that pitch-black velvet night."





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São sensivelmente 7 da manhã, mais uma noite de afortunada miséria. Digo afortunada porque dentro da miséria subsiste algo de intocável, o sorriso. Malicioso e lambido pelo álcool. É apenas mais uma crónica dengosa e quase banal. Uma entre as últimas noites de inegável soberba.

"...Let me seek the answers that I need to know..."

Munido de viciosos trunfos, peco pelos sabores dos inúmeros batons que provei. Estes vergões demoram a desaparecer. Éramos tantos, perdi a conta desde o início. Que marotos, ora bolas! Este rapazinho que tanto se alimenta, esta voraz fome que me continua a comer por dentro.

"...Let me rise against that blood-red velvet sky..."

Amanhã era dia de me levantar cedo. Sei lá, fazer algo de normal, ir mudar a pilha do relógio, beber um café arejando ao ar livre. Empanturrei-me de corpos nus, reguei-me por dentro e por fora. Foi vinho, vodka e outras tantas coisas que nem me lembro. Foi suor, sangue, fluidos. Necessito de um banho, tenho a pele colada à alma.

"...I'm alive and I am true to my heart now..."

A cabeça parece que estoira, o calor do Verão mostra as suas presas ao findar da madrugada. Reparo que no bolso trago o que resta de um colar. Atiro-o fora, não me interessa uma prova de qualquer tipo. Basta-me a miséria. Enchi demasiado a cabeça e o estômago. Sinto-me esgotado, o pouco que me corre nas veias nem sangue é. Apenas tesão e adrenalina… sinto-me tão cansado.

"...Let me tear myself apart I need to breathe!..."


O sol já despontou no horizonte, a luz cega-me lentamente, viola-me a retina. Em passo custoso chego à minha rua. Passo-a lentamente como por cada corpo que se deitou ao meu lado. Acendo um cigarro amassado, tal como eu estou… e ambas as coisas me sabem tão bem…

"...Let me lose my way!..."

É um último tiro, uma última linha. As narinas estoiraram, vomitaram no espelho este guloso capricho. Paguei o seu preço, por uma última vez entre todas as outras. Foram outras, mais outras e ainda aquelas ali. Meu Deus, fartei-me.

"...Let me burn it all..."

Deito-me vestido, desobedeço à rotina. Dancei entre todos, despido e virado do avesso. Deito-me numa manhã de Verão completamente vestido, como acusando uma vergonha. Não são mais que meras memórias, fica-me mais uma. Desejo agora mudar o rumo. Experimentalismo esgotado, uma nova fase então. Tornar-me-ei mais igual a mim próprio. Vou adormecer por fim, vestido, extasiado.



"...I'm alive and I am true to my heart now..."

Marco Neves
02-02-06



"...Let me seek the answers that I need to now..."



Impressão Digital Cereza às 21:03
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O Homem, A Cosmética, A Moda e o Sexo Oposto

Homens, "Can´t live with them, can´t live without them!" Damn! Texto escrito por "a man, himself" Suicidal Kota*




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O mundo actual vive à volta do “in-voga”, da moda sempre actualizada, com as passerelles e lançamentos a invocarem os mais diversos estilos. Não menos importante, a cosmética tornou-se num ramo altamente lucrativo e aliado ao vestuário.



Quero aqui trazer à luz uma questão que parece ser sempre invocada mas nunca discutida, deixando a sua essência agarrada às trevas sombrias da incógnita, do Tabu e da dúvida ou indiferença. Já se escreveu aqui neste espaço sobre o “ser”, o “devir” metro-sexual mas a abordagem que quero fazer é bem diferente.



O homem desde que se lembra de ser homem, e de agir como tal, nunca pôde por de parte uma essência natural: Chamar a atenção do sexo oposto CUSTE O QUE CUSTAR para a sua reprodução.



Infelizmente o “sex-appeal” do homem nunca foi bem distribuido entre os individuos então, o homem menos deslumbrante teve de “inventar” uma estratégia para chamar a atenção do sexo oposto e seduzi-la! Hoje ainda perduram algumas técnicas ancestrais.



O poder argumentativo deve ser um dos mais antigos modos de conquista entre sexos, ao que hoje se chama habilmente de “dar-lhe a volta”. Isto faz-me lembrar algumas aves que utilizam este método.



Muitos dos desportos antigos realizados tinham como objectivo mostrar a “masculinidade” ou superioridade... mostrando ao sexo oposto que era o mais “poderoso” de entre eles. Na mais antiga competição, os Jogos Olimpicos, isso estava bem presente. O presuposto campeão era coroado com com ramos e folhas de oliveira. Ainda hoje isso acontece...



Entre outras formas de conquista, mais ou menos antigas está a moda e a cosmética! E é aqui que está o cerne da questão!!! Existem poucos (ou mesmo nenhum) animais que utilizem o sentido olfativo como aliado à conquista... sem ser a própria fêmea! Quando isto acontece no mundo animal, é um aviso da fêmea, algo do tipo “Olha querido, estou pronta para outra! Estou pronta para o coito! Alinhas ou não?”. Os animais apenas utilizam o “cheiro” para delinear o seu território.



Ao que eu pergunto: “Mas porque raio existem perfumes para o homem? O duche diário acompanhado de champoo não chega?”



Bem, a cosmética para homem existe por alguma razão... nem que seja para ganhar pó nas estantes! Mas não é bem assim... salvo raras excepções , já lá vai o tempo em que um homem conquistava a mulher com o inconfundivel ”cheiro a cavalo” ( que tempos deviam ser aqueles!, além de sexo nos celeiros para guardar palha, pouco faltava para o praticarem numa estrumeira!).



O que é certo é que desde a implementação do banho de rosas do Egipto que não se via ( ou não se reparava, ou se calhar eu é que ainda não tinha reparado!) uma corrida por parte da indústria cosmética para chamar a atenção do sexo masculino. Um homem bonito e com umas formas de um deus grego contam, mas não contam tanto assim se não se mostrar vestido como a moda manda, com um perfume masculino suave, isto sem contar com penteado e a barba.



É caso para dizer que o instinto mais primordial do homem, tornou-se deveras lucrativo!



Qual é o homem que ainda não comprou aquele perfume de “derruba” mulheres enquanto ele passa na rua, na esperança de uma cair nos seus braços a gritar ”Possui-me já aqui!” ou aquele casaco ou camisola que parece que foi feito por medida, que o torna um pouco mais seguro, ou aquele par de óculos que parece que têm um letreiro “ Elas vão olhar para ti, assim, às resmas!”.



Qual é a mulher que não gosta de um homem perfumado, com a face suave, cabelo curto, por vezes arrojado, e com um certa classe a vertir-se? Até pode ser ordinário e vesgo!!! Meio caminho está feito... basta não abrir a boca e não tirar os óculos!
Ainda virá o tempo em que o homem terá de rapar o peito e as costas para agradar à mulher!



Depois disto pergunto-vos qual deles é o melhor:



O eu, homem que trabalha de sol-a-sol, másculo, “homem” por assim dizer, quer de corpo, quer de odor versão “ cheiras a cavalo”, que veste umas jardineiras todas “cagadas”.



O eu, homem que, apesar de não ser um metrosexual, longe disso, mas não me privo da cosmética usual para o homem, da moda e do bem-estar comigo próprio.



Não é difícil...afinal é raro o homem que goste de uma mulher que não trate de si! Certo?



Suicidal Kota


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Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2006

Apenas...

...que dor é essa maldita paixão?
até ontem fostes doce emoção,
por que agora...triste desilusão?


Silvia Rôse

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Sábado, 25 de Fevereiro de 2006

Os sete pecados capitais II

Este comentario do Abel ao artigo anterior (Os sete pecados mortais) é tão lindo que tive que publicar!




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Se ao menos eu pudesse dominar tudo isso? Ai se eu fosse capaz… Todas essas ferramentas interferem com o nosso interior e depende da forma como as agarramos. Na maior parte das vezes magoamo-nos. Por isso, estou a falar do bem-estar de cada um, ou seja, da felicidade, que é a palavra que a maioria adopta.

Os chavões do texto emanam potencial que ofusca o brilho do nosso interior e a alegria de viver (acrescentaria a ética e o sentido de justiça). Assim, precisamos de “libertar o espírito de todas as toxinas que nos envenenam” (Ricard Matthieu) e abrir espaço ao estado de realização interior, relegando para último plano a satisfação dos desejos (ilimitados) materiais, isto é, resolvendo primeiro os conflitos íntimos (“fazendo as pazes com o próprio”), sabendo que “a maior parte das perturbações interiores nascem de emoções perturbadoras e podemos morrer. Por vezes a manifestação descontrolada (sob pressão) pode provocar doenças mortais. “Pode-se morrer de apoplexia num acesso de cólera ou consumirmo-nos literalmente de desejo obsessivo” (Ricard M.), certamente por não se estabelecer o diálogo interior.

O diálogo e identificação de alguns dos sete pecados que contribuem para o bem-estar: O “prazer é apenas a sombra da felicidade” (Provérbio hindu). Dois processos mentais diametralmente opostos não podem surgir em simultâneo (Budismo). O amor e o ódio – “Inverno do coração”, segundo Victor Hugo, podem estar presentes mas não o desejo de prejudicar alguém e, em simultâneo, fazer-lhe bem (talvez a eutanásia… talvez…).

O desejo e seu aliado, o prazer, são muito sedutores. A inveja e o ciúme (os piores) traduzem a impotência de impedir a felicidade ou o sucesso dos outros. O ciúme por vezes é violento e destrutivo.

O orgulho e a humildade, o ciúme e a confiança, a generosidade e a avareza, a tranquilidade e o nervosismo são estados incompatíveis como as faces da moeda. Uma delas é dor e sofrimento, a outra emoção de felicidade.

A preguiça entorpece os órgãos e paralisa o corpo. Exercício físico e actividades culturais são bons antídotos.

Avareza possessiva não faz amizades porque trabalhamos sem gozar, gastamos a vida obcecadamente sem pensar, criando riqueza para gastá-la no fim da vida com a doença ou morremos sem arranjarmos tempo para a agastar.

A boa gula, companheira dos sabores, ao vivermos para comer afasta a saúde porque não se come para sobreviver. Em jeito de conclusão, um poema delicioso: “As chamas ardentes da cólera enrugaram a onda do meu ser.

A densa obscuridade da ilusão cegou a minha inteligência.

A minha consciência afoga-se nas torrentes do desejo.

A montanha do orgulho precipitou-me nos mundos inferiores.

O vento áspero da inveja arrastou-me ao Samsara.

O demónio da crença no ego amarrou-me com firmeza.” (Rinpoché). Ricard, Matthieu (2005), Em defesa da Felicidade, Editora Pergaminho, Lda, Cascais.


Abel


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Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2006

Os sete pecados capitais

Encontrei este texto fantástico na net, sobre os 7 pecados capitais. Quem nunca pecou? Ao ler este texto, não há hipoteses, peco todos os dias.





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Preguiça



Já há muito o sol clareara a manhã quando ela abriu os olhos, espreguiçou por quinze minutos, rolou na cama e decidiu que aquele dia seria o dia de fazer nada. Que a poeira dormisse sobre todos os móveis e que a louça da antevéspera esperasse na pia pelo dia seguinte.




Luxúria




Deitada sobre o desencontro sentia ainda o cheiro do vinho azedo nos lençóis, os farelos que lhe beliscavam a carne e as marcas de todos os humores que deixavam em sua boca o gosto travado da última noite. Os beijos que tatuaram em seu corpo ásperas cicatrizes e as marcas das mordidas que ficariam para sempre em sua alma.




Ira




Um calor vermelho lhe subia das entranhas e a vontade era arreganhar as janelas e fazer o mundo todo ouvir aquele sentimento que ontem fora o eco de todos os uivos e hoje, pela manhã, despertava apenas a possibilidade do silêncio. Que ele se perdesse em outros abraços, que morresse em outros orgasmos. Que se fodesse pelas esquinas de outros desencontros.




Inveja




Foi a luz do sol que mostrou a ele suas carnes flácidas, a raiz branca de seus cabelos, os rictos que a maquiagem desfeita revelava. E ele vira claro o que a noite tornara opaco. Quisera ser a mulher da capa da revista com as carnes duras e o coração protegido por músculos comprados em academias e consultórios.




Orgulho




E ele saberia o que perdera quando se perdesse em outros abraços. Diria não, se ele voltasse e lhe pedisse um sim. Jamais o telefone, a campanhia da porta, o encontro de fim de noite.




Avareza




Trancafiar os sentimentos no fundo da alma. Economizar sorrisos. Capitalizar afagos. Atar no meio das pernas qualquer possibilidade de dádiva. Fechar as mãos a todas as posses que não a de si mesma. Dona de seus quereres os guardaria no cofre da alma atemporal e a ninguém seria permitida a chave. Ou o segredo.




Gula



Enlouquecida e nua devorou a dor.




Autora:
Ro Druhens



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Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2006

Tempo para Meditar...

Há algum tempo que dou por mim a dizer a algumas pessoas como me sinto cansada de blogar incessantemente aqui no UJ. Pode ser uma daquelas fases (vocês lembram-se, né) mas não é. Este blog sempre viveu dos comentários, e sem eles... deixa de ter o seu encanto.



Muita gente diz que anda desinspirada, acredito... mas... não entendo. Como é possivel termos chegado aos 8 mil visitantes/mês, e continuarem a ser os mesmos resistentes a comentarem.



Mas dou por mim a vê-lo crescer, e o entusiasmo de todos a decrescer (eu e vocês)...



Muitas vezes publico quase automáticamente, tão habituada e rotinada que estou. Não quer que pensem que vou acabar... não vou, além disso espera-nos um novo alojamento, apenas sinto que hoje preciso de desabafar sobre o assunto. Sinto-me cansada, doentita e desmotivada. Não só com o UJ, mas com outros aspectos da minha vida. Alias acho que isso se tem notado um pouco. Eu sinto muitissimo o que se vai passando por aqui... partilho as vossas alegrias, tristezas, euforias, gargalhadas e lágrimas, e acreditem que essas emoções muitas vezes mexem comigo. Torna-se dificil por vezes manter um certo equilibrio.



Para já nunca darei o prazer a algumas pessoas de acabar com o UJ... Nem sequer aos cretinos que por aqui passam para ofender... esses tratam-se bem... ip, logs, datas e toca a andar.



Não vou parar, mas "acho" que vou publicar os últimos textos que aqui tenho guardados, e partir para algo novo. Até porque ideias há... vamos ver se há mais alguma coisa.



Quanto ao almoço não será para já no dia 5 de Março... mas irá ser marcada uma nova data.



Hoje resolvi passar os olhos pelo blog todo... Tirei alguns textos ao acaso, que a mim me marcaram particular-me (isto sem falar dos nossos conhecidos "Casos de Vida". Estão neste post, e no abaixo. Hoje há muito para ler e meditar.





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Os sinais que por nós passam...


E que na ânsia de percorrer o que nós pensamos que é o nosso caminho, o correcto, acabamos por vezes por nos perder em pequenos detalhes. Já nem sequer ousamos levantar os olhos do chão, na esperança vã de que nada nem ninguém nos faça tropeçar, o que iria dificultar o nosso percurso.



Tentamos seguir em frente contra tudo e todos, uma direcção tantas vezes errada, que nos curva o corpo, mais parecendo que carregamos o Mundo.
Mas teimamos em continuar. Lutamos contra moinhos de vento, cavaleiros fantasmas e demónios fervilhando em fúrias de raiva, no entanto, e apesar de confrontados com sinais tão minúsculos , continuamos.



Sim, continuamos numa teimosia obstinada. Pensamos inconscientemente ao vê-los. Recusamo-nos a admitir que algo acontece porque é um sinal. Afinal, nada na vida acontece por um acaso...alguém surge no nosso caminho e ali fica, por tempo indeterminado, ao nosso lado, vive em nós (mas nunca fisicamente para sempre). Pequenos gestos, uma palavra aqui...outra ali, um sorriso, um sonho...
Tropeçamos...



Caímos... e uma vez de pé retomamos o nosso rumo , mas sem deixar de praguejar: Raios! Está tudo contra mim! Ninguém me entende! Mas que coisa ....começo a cansar-me! Depois, sem dúvida as interrogações: Mas porquê ? Sim porquê a mim? Que mal fiz eu? Será karma? Devo estar a pagar por algo que fiz no passado...



Como nos vamos tornando tão insensíveis ? Como somos capazes de ignorar quem e o que nos rodeia?
E os sinais, esses que nos passam à frente durante o dia, que surgem do nada, mais parecendo estrelas cadentes ... mas teimamos em continuar um caminho que nos magoa, que nos torna infelizes e no qual tentamos sobreviver.



Há que parar.
Porque havemos de persistir nesta estrada se o que, no fundo, andamos a fazer é percorrer atalhos tentando a todo o custo voltar à estrada principal que é a nossa Vida?
Onde temos o direito de ser felizes?



Constancinha





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"Como se mede uma pessoa"

Os tamanhos variam conforme o grau de envolvimento.



Ela é enorme para si, quando fala do que leu e viveu, quando a trata com carinho e respeito, quando olha nos olhos e sorri destravado.



É pequena para você quando só pensa em si mesma, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas:
A amizade, o respeito, o carinho,o zelo e até mesmo o amor.



Uma pessoa é gigante para si quando se interessa pela sua vida, quando busca alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto com conosco.



É pequena quando desvia do assunto.



Uma pessoa é grande quando perdoa,quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma.



Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos clichês.



Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas.



Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande.
Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.



É difícil conviver com esta elasticidade, as pessoas agigantam-se e encolhem-se aos nossos olhos.
Nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, mas de Ações e Reações, de expectativas e frustrações.



Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente, torna-se apenas mais uma.
O egoísmo unifica os insignificantes.



Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande...
É a sua sensibilidade sem tamanho..."



Já se arrependeu de,
em determinadas circunstâncias,
não ter tomado atitudes que viessem,
de alguma forma, melhorar a sua vida?



(William Shakespeare)






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Este poema foi-me "oferecido"em tempos, gosto muito dele...pelas cerejas!

Cerejas, meu amor,

mas no teu corpo.

Que elas te percorram

por redondas.

E rolem para onde

possa eu buscá-las

lá onde a vida começa</br>
e onde acaba</br>
e onde todas as fomes</br>
se concentram</br>
no vermelho da carne</br>
das cerejas...

(autor desconhecido)




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Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2006

Tu!

Bem acho que este poema da Tex, fala por si. (e mais não digo :X Lol )Ah preferia a música, na versão Bryan Ferry, mas infelizmente... não se encontra!





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Tu, que me despes a alma e o corpo,
és a minha segunda pele.
Tu, que me enches de azul infinito,
és a minha outra parte.
Tu, que me fazes morrer e nascer de novo
és a minha vontade.
Tu, que danças dentro de mim,
és a minha madrugada e o meu amanhecer.
Tu, que me tens por inteiro,
és o meu sorriso.
Tu, que embalas os meus sonhos,
és tudo o que invento.
Tu, que me sussurras carícias
és a minha inquietação mais deliciosa.
Tu, que me fazes tão feliz,
és o meu amor!



Tex
(20.02.06)




These Foolish Things:

"A cigarette that bears a lipstick's traces
An airline ticket to romantic places
And still my heart has wings
These foolish things remind me of you

How strange, how sweet, to find you still
These things are dear to me
They seem to bring you so near to me

The sigh of midnight trains in empty stations
Silk stockings thrown aside dance invitations
Oh how the ghost of you clings
These foolish things
Remind me of you..."





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Domingo, 19 de Fevereiro de 2006

Amadeus Mozart: 250 anos

Também aqui comemoramos os 250 anos, da data do nascimento de Mozart. O texto é do Abel*





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Nada vou inventar, limitar-me-ei a descrever a biografia e um pouquinho da obra do grande génio de música clássica que tem deliciado os amantes do género musical ao longo de mais de 200 anos.
Passados que são 250 anos da data do seu nascimento, os órgãos da Comunicação Social não se cansam de divulgar, quer o génio, quer a sua obra e nós, cujo poste é generalista, não podemos deixar passar o evento em claro. Vamos também fazê-lo com o nosso empenho e à medida da nossa dimensão. Por já ser tardio, assinalaremos apenas o ano da efeméride e não o dia.

Penso que, para a maioria de nós, falar de Mozart significa falar de música clássica, ou de um emaranhado de nomes… de ritmo pachorrento. Algumas das suas composições já as conhecemos. Quem já não ouviu falar em “Bodas de Fígaro”, “Flauta Mágica”, “O Requien”, embora por vezes não consigamos as associar ao mestre. O jovem Mozart nutria grande fascínio por Hydn e Bach, pelo que a sua música recebeu influências.




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Biografia
Dos sete filhos nascidos de um casal de Salzburgo”, apenas dois sobreviveram: Maria Anna (1751-1829), chamada de Nannerl (exímia pianista) e Wolfgang Amadeus Mozart (Bptizado na Catedral de Salzburdo com o nome de Joannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus), nascido em Salzburg (Burgo do Sal), no norte da Áustria, em 27 de Janeiro de 1756, último filho do casal.

Descendente de artesãos, era filho de um professor de música (violinista e compositor talentoso), Leopold Mozart, de Augsburgo (Sul da Alemanha) e de Anna Maria Walburga Pertl de St. Gilgen. Seu pai Leopoldo foi compositor de câmara da corte do arcebispo Sigismund, em 1757, segundo violinista em 1758, e vice-kappelmeister em 1761, local onde o pequeno Amadeus Mozart frequentemente a todos surpreendeu.
Em 24 de Janeiro de 1761 aprende a tocar a sua primeira peça ao cravo (c/ 5 anos de idade) e em Fevereiro desse mesmo ano compõe a sua primeira peça, o Andante em Dó Maior K.1a.

Em 1762 a família deixa Salzburgo e parte numa espécie de digressão onde Mozart dá o seu primeiro concerto público. Viena, Linz, Paris, Londres, Wasserburg, Munique, Augsburgo, Versailles, Lille, Haia, Amsterdão, Utrecht, Antuérpia, Bruxelas, Valenciennes, Dijon, Lyon, Genebra, Lausanne, Berna, Zurique são os locais onde os Mozart tocam nos salões “chiquérrimos” (chiquíssimos) dos palácios e castelos da nobreza, para a aristocracia, incluindo a Realeza e suas cortes. Em 1766 os Mozart retornam a Salzburgo.
Em 1770 a família Mozart faz a sua primeira viagem à Itália, visitam várias cidades, e tocam para o Papa Clemente XIV. Mozart é agraciado pelo Papa com a Ordem da Espora Dourada.

No final do ano de 1777 Mozart conhece a família Fridolin Weber. Apaixona-se por uma das suas filhas, Aloisia (que o enjeita), soprano, e casaria mais tarde com outra filha, Constanze, em 4 de Agosto de 1782. Dos seis filhos que teve este casal, sobreviveram dois, Carl Thomas e Franz Chaver, dado que quatro faleceram no primeiro ano de vida.
Mozart falece a 5 de Dezembro de 1791, aos trinta e cinco anos de idade (por causas ainda hoje desconhecidas), tal como muitos grandes nomes, na pobreza.



A Obra
Mozart deixou um rico e extenso património cujas composições eram orientadas para música vocal secular, sacra e maçónica, instrumental e de câmara. Das mais de quinhentas obras, cujos nomes nada nos dizem…, ouvidas, apelam à delícia do sossego e imaginação… Apenas citamos as mais importantes:
As óperas - As Bodas de Fígaro, Don Giovanni, Cosi Fan Tutte e a Flauta Mágica;
Missa Solene em dó menor, o Requien;
Concerto e Quinteto para clarinete;
Cinco sonatas para piano;
Reorquestração da Oratória O Messias (De Haendel).





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A Vida
Nem sempre foi um mar de rosas. Entre 1772 e 1778 foi uma época penosa e dura para o músico, à qual se acrescenta a morte da mãe em 1778 e os desenganos amorosos. Em 1783 rompe a sua relação difícil com o arcebispo para quem trabalhava e parte para Viena. Por ser fã dos ideais de liberdade (sopram os ventos da Revolução Francesa) aproxima-se da maçonaria que lhe trás alguns problemas.

Vê sucessivos falecimentos de seus filhos à medida que nascem. Em 1783, 1786, 1788 e 1789. Sua filha Teresa morre com apenas seis meses de vida (1788) e supõe-se por falta de cuidados e de alimentação necessária dado o estado de penúria em que Mozart vivia na parte final da sua vida.
Conta-se que “quando menino, um dia brincando no palácio imperial, caiu e foi Maria Antonieta (mais tarde a desafortunada rainha de França) que o ajudou a levantar-se e a limpar o fato. Enxugando as lágrimas e dando-lhe um beijo expressou-lhe a sua gratidão, dizendo: “Obrigado. Quando for grande caso-me contigo”.






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A Música
Não nasci no meio da música clássica e sei perfeitamente que não é fácil gostar dela, tal como gostamos dos Michels, dos Elvis, das Madonas, dos Velosos, das Marisas ou Nízias e tantos mais. A necessidade de estridente silêncio ao longo da vida ensinou-me a apreciá-la, por vezes com muita paixão. Sou, como tantos de vós, leigo na matéria.

Se me perguntarem de quem é e qual é o nome da composição, orquestra, quinteto ou as vozes, certamente que direi disparate em 99% dos casos... Se entretanto as ouvir, a memória delicia-se com os afagos dos sons maravilhosos expelidos pelos violinos, trompas, fagotes, harpas, flautas e tantos outros instrumentos. Se tais gemidos sinfónicos sincronizados forem suavemente libertados por uma excelente aparelhagem estereofónica, tanto melhor.
Se a audição for ao vivo, não é maravilhoso, é simplesmente espectacular música dos Deuses. Sinto como que se todos aqueles instrumentistas estivessem a tocar só para mim, mesmo com o auditório repleto. Por isso, para mim, esses momentos são de infinita abstracção.

São estas as razões pelas quais norteio os meus sentidos para a estação televisiva MEZZO e a Rádio Difusão Portuguesa, Canal 2 (Clássica) para ver e ouvir a espectacularidade musical.
Mas parece haver muito mais gente que, embora nada percebendo do assunto, também se delicia com isso. Estudos efectuados com crianças pré e pós natura, sossegam quando ouvem música clássica, contrariamente ao que se passa com outros tipos de música. Segundo parece, dito por um avicultor português, as galinhas põem muito mais ovos desde que o aviário esteja dotado de música clássica porque, segundo ele, as suas galinhas soltam o stress. Também experimentou com outro tipo de música (tipo Zé Cabra) mas os resultados não foram satisfatórios. Será por isso (sossegar as massas) que anualmente o Centro Cultural de Belém promove a Festa da Música ou será uma tentativa inglória de aculturar os fute(is)bóis?



Sugestão
As sensações abstractas, tal como a música, podem despertar emoções através de imagens como é o caso desta música serena que se associa a uma realidade azul. Se violenta a associação será vermelha. O nosso cérebro consegue criar tais imagens capazes de influenciar o nosso humor. Assim, as imagens agradáveis podem relaxar e modificar a respiração, a tensão muscular, o ritmo cardíaco, pelo que a doçura destas melodias podem ser um relaxante quando nos encontramos sob tensão.

Convido-vos (se pagarem o vosso ingresso) para o CCB. Nunca falto ao evento (2006 – Música Barroca).
Bibliografia: Rincón Eduardo, Mozart, Edição - Mediasat Group, S.A., Editora – Magdalena Saiz, Público Comunicação Social S. A., Porto, 2005// Argolo, Camila (1997), Mozart Vida e Obra, actualização em 2005, http://mozart.infonet.com.br/Index.htm



8//02/2006
Abel Marques



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Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2006

Que me interessa?

Da nossa Narag






morte4.jpg



Andei já eu de mão dada com a morte
Uns dizem que é fado,
Outros dizem que foi sorte.
Mas que me interesso eu com a morte?
Se já me colocam adágios
No alpendre da frente da casa,
Como que bons presságios,
Para o meu eterno descanso.

Mas que me interessa isso a mim?
Se mais certo não há
Que termos todos um fim,
Porquê querer tanto ver a manhã?
E logo algo que, enfim,
Vem todo o dia!
E que tanta vez passamos sem ver,
Dormindo até o meio-dia
Por desconhecer
Que no seguinte amanhã
Podiamos morrer.

Não me interessa isso mesmo nada!
Eu que acordava toda a madrugada,
E ao pôr do sol estava deitada,
Não quero saber se verei amanhã!
Não dei o corpo ao trabalho
Não estudei, nem sou educada,
Tudo o que sei é quase nada,
Mas no que aprendi nunca falho!
Não tirei até agora grande lição
Excepto que a razão dá trabalho
E o coração é um cobarde reles
Que nem anjo e demónio,
E preciso de nenhum deles.

Ainda assim eu choro,
E não! não temo a morte.
Não temo a morte porque não vivi
E tudo o que corri,
Tudo o que senti,
Não foi mais que um falanço da minha parte
Talvez porque fui ingénua,
Ou faltou-me a arte.
Para viver é preciso arte.

E com braços frouxos
Embraço de uma triste mentira
De que ainda um dia tiraria
Algo de sabedor
Desta vida minha.

Doença.
Doença é o que me assola diariamente,
Como um tumor dilacerante,
Permanente.
Vivo sentada e dormente.
Como uma doente,
Para tudo preciso de um ajudante,
E nada me espera,
Nem pensamento, nem realidade,
Tudo o que me resta é a minha enfermidade
E uma cadeirinha
Onde me encosto, dolente.



by Bárbara Sousa aka Narag
30 de Janeiro de 2006




Impressão Digital Cereza às 09:05
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Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2006

Número 12: Kill Bill (Megabife)

Bem o texto está demais... mas não sei se entendem a minha interpretacção "gráfica"! Confesso, estou exausta! Lol! Puxei, puxei pela cabeça, e foi nisto que deu o texto do Marco. Divirtam-se!






killmega1.copy.jpg



Passa pouco das 10 da manhã. Encontro-me entre idosos, estropiados, suspiros, queixumes e pesares. O tempo arrasta-se como se fosse a caminho da cadeira eléctrica. Alguém pergunta “É aqui que se apanham as injecções?”, eu acho que aqui apanha-se uma dose industrial de tempo perdido. Observam-me e eu observo-os como se não fosse nada comigo.




São 10h12m, continua tudo na mesma. O número um entrou… sendo eu o doze… minha nossa, ainda tenho tanto tempo à frente. Mostrar análises, “Ai o menino tem de ter mais cuidado”, passa-me papéis novos, um trocar de olhar, tensão arterial aceitável, o menino mais qualquer coisa e quando sair por aquela porta já passará do meio dia certamente.

Faz-se silêncio, que morte! Alguém resolve falar, senhoras de idade trocam entre si experiências de doenças e maleitas. Tossem, falam de febre, adoecem no físico e na mente. Isto influencia involuntariamente o meu estado de espírito. Tenho os lábios colados de tão cerrados que estão.

A porta abre-se, aquela voz que já me é familliar, soando desde o fundo do gabinete cá para fora “Número dois!”. Bem, só faltam 10 pacientes… e pacientemente aqui fico, de perna cruzada, quase dormente. Não olho em meu redor, não me apetece.

Comichões, os comprimidos que se acabam, a vista que turvou há tempos, oiço pelo ar. Uma criança que brinca, estatela-se no chão mas não chora. Passos ao fundo, um “Bom dia..” comedido e envergonhado de quem chega. Enfermeiras novas, pinturas antigas nas paredes, feitas por crianças que hoje são adultos. Este irritante chão de vinil.. vermelho. Overdose de luz fria, o típico cheiro asséptico destes lugares. O pior… o pior mesmo é esta morte lenta. Tudo o que converge para este local. Sinto no ar toda uma força negativa. Isto faz mal a qualquer um!

Continuam as conversas das “malazengas”, o “ouvi dizer”, “diz que viu”, “diz que disse”. Epah, aquela enfermeira é simpática. Pois… continuo colado ao caderno, nada mais tenho para fazer. O número dois que continua lá dentro. Debitará todos os seus males? Tantos são, adicionados e empilhados ao longo dos anos. Talvez até o desgosto de ver o Simão a jogar que nem um nabo pago a peso de ouro.

O ambiente varia entre o silêncio de velório e um frenesim de escassos segundos, são ondas, variantes. Ai, como gosto daquela voz “Número três!”. Abre-se a porta da caverna e o número dois sai de alma liberta, como se estivesse livre de todos os seus pecados. Sai sorrindo, de passo leve lá vai… trálálá. Será que um dia sairei dali assim? Serei tão problemático com esta realidade que já nem me consigo abstrair desta teia de sentimentos? Poderei eu ser um pouco mais simples neste capitulo? Chegar ali ao gabinete e livrar-me de todos os meus males, “Oh Doutora, eu existo… e agora?”. Manda-me tirar umas radiografias, ser bombardeado com substâncias atómicas, daquelas que fazem bem à tosse. Tomar uns comprimidos placebo, tornar-me feliz da vida e assentar todo este pó que me serve de névoa mental.





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Desde há bocado que oiço estas duas personagens que se encontram ao meu lado esquerdo. Dois professores que se queixam do que sempre se queixaram. E os espanhóis isto, os ucranianos aquilo, sistema, dinheiro, docentes, planificação, discriminação, etc. Eu que detestava apanhar com recrutas porque a conversa era sempre a mesma, hoje constato que estes dois conseguem fazer pior. Bolas, não há mais nada vida para além disto? Todos temos mais qualquer coisa para dizer, está um belo dia!

A porta que se abre, “Número quatro!”, a caneta que por vezes falha, novamente sinto que estou na mira dos olhares, sinto! As enfermeiras do gabinete ao lado tiram a bata, desaparecem. Continuo a ser observado… um dos professores é mulher, saberá ela que não aprendi a tabuada? Estará estampado na minha cara que em tempos fiz frente à minha tutora da primária? Levei reguadas à barda, de nada serviu, apenas para fincar ainda mais a minha revolta em não acatar as ordens. Ainda hoje demonstro um orgulho estúpido e cego por não ter aprendido a tabuada e a razão inerente para o feito. Há caprichos de que não abdicarei mesmo, sorrio maliciosamente. Encosto a cabeça para trás, necessito de descansar por um momento. Sinto o sangue na cabeça, tudo continua na mesma.

A criança volta a cair no chão, os professores naquele problema existencial e limitativo. Eu por aqui também estou limitado. Novamente a ser observado, uma senhora de rosa e preto, baton vermelho garrido nos finos lábios. Estarei a fazer algo tão fora do comum? Saltam-me letras da cabeça e nunca dei por isso? Será fumo? Não me apetece ler revistas de propaganda médica. Não me apetece estar num local que já por si me deixa doente e enganar o tempo a ler algo sobre a lepra, não quero!

São 11h05m e ainda vai no número cinco. Entra o número seis, óptimo! Falta metade. As caras destas enfermeiras que chegam são-me familiares, dá-me a impressão que já andaram comigo ao colo. Ai! Tenho um acesso qualquer, sinto-me tarado, só mesmo a febre me tiraria a gana de qualquer-coisa-que-não-sei-explicar, a minha voz da consciência diz-me “Não te trates não…”.






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O encadeamento da conversa começa a alterar-se com demasiada rapidez. Não sei porque disse que me sentia tarado, eu sou! Tarado correcto, pacientemente tarado, o taradão que espera pela sua vez. Observo umas ancas por dentro de umas calças brancas de bombazina. O tarado que escreve, esperando por um orgasmo no final de cada página. Sei lá, estou por quase tudo. Vou mascar uma pastilha como se fosse um adolescente malcriado. Faço barulho ao mascar, mostro os dentes, as senhoras calaram-se. Oh, dei nas vistas, olha que bom! Apetecia-me perguntar-lhes se era aqui que dão as doses de metadona mas já me basta a fama por esta terra. Como é bom ter fama e algum proveito…

Eis a maldita porta verde que se abre, entra o número sete. Ora bem, sendo agora 11h20m, numa hora foram atendidos sete pessoas, espero que daqui a outra seja eu. Sala de espera, lista de espera, marcação para o dia, marcação no dia que já tinha sido marcado num outro dia. Espero pela minha vez com papéis para mostrar. Selos, carimbos, recibos de computador, 2 euros de taxa e o chão de vinil irritantemente vermelho.

Em que número vai? Já nem sei… sinto-me aborrecido, apetece-me libertar um “Foda-se!”. Não o faço porque não quero associar a minha fama à ordinarice. Só o sou uma vez por outra, bem longe… pois, está bem.

Não tenho mais nenhuma cadeira livre, os professores já me estão a irritar. Será que não podem falar de outra merda qualquer? Será que os tipos da recolha do lixo só falam de contentores e nas madrugadas que levam agarrados à traseira de um Mercedes? Não posso! Não quero! Não me apetece!

Um rapazito vestido de homem aranha surge do nada. Olha que giro! A mim obrigaram-me a ir vestido de... João Ratão, aquele do caldeirão e tal, como eu detestei esse dia! Lembro-me de um cromo vestido de palhaço que ia atrás de mim, não fez mais que levar o tempo inteiro a puxar-me a cauda. Lembro-me tão bem dessa manhã horrorosa. Vestido a rigor, de cartola na cabeça com um elástico que me assou as orelhas. Calças cinzentas e com casaco de aba de grilo. Bigode e cauda de roedor, com cara de enterro no dia do casamento, um fofo! Ao meu lado, obrigado a dar o braço à carochinha. E lá fui pelas ruas da vila, à cabeça do pelotão da malta da creche, uma sentença! Personificando um fulano de uma história que acaba em tragédia.

Entra o número nove, eu sou o doze, está quase, está quase! Fiz uma pausa de alguns minutos, tirei umas fotos dos locais que mais me irritam. Quando as pessoas se calam, o barulho das lâmpadas invade-me. Ai! Número dez! São os professores, que bom! Falta pouco para mim e o melhor é que deixei de os ouvir. Restamos apenas cinco aqui na sala de espera. Falam alto, eu continuo calado. Corte e costura, mordaz, a ferro quente. Suspiro, olho pela janela, cerro levemente os olhos devido à luz exterior. Não entendo porque a janela tem este formato. Talvez da mesma forma que o responsável pela sua concepção não me entende, será?

Ainda não me passou a vontade de dizer “Foda-se!”, mas está mais calma. Falta pouco para a minha vez. Os ponteiros roçam já as 12 no relógio. Eu bem disse como iria ser, eu bem disse! Ao tirar o caderno para escrever um pouco, perguntei-me como iria preencher esta morte lenta. Pensei eu que nem chegaria a metade. Ora bolas, aí enganei-me. Isto está-me a saber tão bem! Ainda por cima a folha está quase no fim, mais um orgasmo ao virar da página. Hoje acordei particularmente tarado, apetece-me! Tenho fome, sede e nem digo mais nada!

Acabo de saber que uma das senhoras comprou um colchão novo, tem uma filha de 26 anos. A outra senhora fala da sua temperatura, de manhã tem 36,5º , ao almoço 37,25º (esta achei curiosa!) e à noite 38,5º. Calaram-se, ouvem a outra que se queixa da vida. Martelam na mesma bigorna a vida inteira, voltam, revolvem, repetem a mesma história do marido, a filha, a neta. E volta a contar de inicio para que toda a gente saiba. Estão entretidas entre as quatro. O número dez teima em não sair. Oh não! Os professores! Assassinam-me o resto do tempo! Deixem um pouco para mim por favor! Será que isto tem serviço de confessionário social e eu não sabia? Será que fiquei parvo de todo? Será que não há retorno? Porque raios escolheram o chão desta cor? Porque não páro com as perguntas? Porquê isto e não aquilo? Tenho fome, continuo tarado e com vontade de dizer “Foda-se!”. Gosto de ver a palavra escrita… foda-se! Foda-se! Foda-se!

Agora neste silêncio típico de velório nas horas da madrugada, as quatro senhoras observam-me. Nem uma enfermeira novata que passa, pouco mais tenho para dizer… ou então minto. Começa a hora de aparecerem os “não consulta”, os oportunistas que não se dão ao trabalho. Não passo a minha vez a ninguém, que se fodam! Esperem sentados, peguem numa caneta, roam-na, façam rabiscos, tirem cerume dos ouvidos, qualquer coisa! Não me interessa, não me importa e nem quero que se importem.

Masco a pastilha vagarosamente, segundo a segundo. Merda! Já lá estão há mais de 15 minutos, não chega já? Umas aspirinas e ficam porreiros, reforma antecipada, um lugar bem remunerado no Ministério… vá! Só quero que chegue a minha vez. Agora tinha que emperrar no dez? Faço uma pausa. Resultou! Após 30 minutos dentro do gabinete. Pronto, 15 minutos para cada um. Pergunto-me quando chegará o dia em que estarei lá mais de 15 minutos.





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E para variar, estou a ser observado por alguém. É mulher, sou o único do sexo oposto aqui. Murmura qualquer coisa. Porquê? Não me preocupo com a resposta. Apeteceu-me simplesmente perguntar porquê. Olhei para ela, fintei-a nos olhos, apanhei-a a olhar para mim, morde o lábio. Desvio o olhar, continuo a escrever esboçando um leve sorriso. Sou o número doze e falta pouco para deixar de ser número. Espero ansioso por aquela voz do fundo do gabinete “Número doze!”. Entrar, fechar a porta, cumprimentar e ouvir “Então menino Marco, como está?”.

Finto-a novamente, apanho-a a olhar para mim mais uma vez. Sei que quando entrar por aquela porta, as quatro senhoras irão comentar. Número doze, di-lo caramba! Quero ouvir! Di-lo! O número onze sai do gabinete, procura por uma enfermeira para qualquer coisa, volta a entrar.. vou guardar o caderno para não ser apanhado desprevenido. Que se lixe, não paro até ouvir “Número dozeeeee!”. Estou a ficar obcecado com isto. Não me preocupo muito, mais cedo ou mais tarde sei que deixarei este momento. Isto é bom saber que é finito, custoso mas finito.

Não tenho boleia para casa, irei fumando um cigarro pelas ruas. É o habitual, caminhando ao sol, rumo a casa. Ai, a número onze volta a sair e volta para dentro… só pode estar a gozar comigo!
Deixo de ouvir ruídos, já são 12h40m, os funcionários já abandonaram o barco. Restam os maiores de doze, é uma questão de esperar só mais um pouquinho. Aguenta, não chora, diga “Foda-se!” para si, diga “Foda-se!” pelos outros. Mande-os foder mas não seja tarado. Masque pastilha de boquinha fechada. Não ligue se o observam, não ligue a nada mais. Enfim, limite-se à sua existência. Distancie-se mais um pouco. Seja abstracto e faça cara de parvitico. Tenha ainda mais fome, coma mais um pouco de si. Seja um número doze orgulhoso. Rebole no chão de vinil. Não queira saber do arquitecto, da propaganda médica do ano passado. Não ligue ao que segredam ali ao canto. Diga novamente “Foda-se!”. Esqueça as calças brancas de bombazina, de si, qualquer coisa!

(A porta abriu-se e larguei a escrita, demoro 8 minutos da minha vida no gabinete... a vida é bela!)





Marco Neves – 10-02-06 – Número Doze



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Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2006

A organizadora

Antes de mais, quero avisar que ontem tivemos um numero invulgar de visitas do Irão (isto é mesmo verdade ). Portanto Suicidal e Tex, se o blog apanhar com uma bomba... pensem já em passar para cá as vossas economias! Lol

Agora o post. Eu nunca soube lidar muito bem com elogios... claro que como qualquer pessoa gosto deles, mas a verdade é que me deixam sempre um bocadinho embaraçada... e foi isso que senti quando li este texto. Pensei, "ai como vou eu pôr isto no blog?"... mas tem de ser, até porque o Abel, chama a atenção para duas coisas importantes, os intrusos que aparecem aqui para ofender as pessoas (escondidos por nicks falsos - mas esse assunto já está legalmente encaminhado) e para o esforço que todos temos de fazer para manter este espaço vivo. Abel, obrigada pelos elogios (já disse isto mais que uma vez, mas não há nada que me deixe mais "mimada" do que me dedicarem seja o que fôr Lol) mas também acho que exageraste! :p

Agora o video... ultimamente tenho tido alguns problemas com o servidor da netcabo (pois esses!) ou seja nao consigo fazer o upload das musicas e videos que pretendo colocar em cada um dos textos). Bem, mas vamos ao que interessa agora... Como o Abel me babou tanto com este post loll... resolvi pôr uma música que gosto bastante. Acho-a muito "cool", não sei se me entendem? Tori Amos ( é que além da voz, a senhora tem uma cor de cabelo "fantástica", por isso xô loiras e morenas :p) a música chama-se Sweet the Sting! (sting de ferroada, e não sting cantor - isto é para aqueles que me andaram a fazer esta pergunta vezes sem conta :| )





Swirl.gif


"With a strut into the room
With his hat cocked sure defiantly
He said "I, I have heard
That you can play the way I like it to be played."
I said, "I can play, anyway that you want.
But first I want, I want to know
.
Baby is it sweet sweet
Sweet the sting
Is it real this infusion
Can it heal where others before have failed?
If so could somebody
Shake shake shake me sane
'cause I am inching ever closer to the tip of this scorpion's tail..."





tamos-1.jpg



Vou tecer algumas considerações acerca da tarefa desenvolvida pela nossa amiga Cereza (há muito o assunto me apoquenta) e tentar dizer às másculas e azedas Vivis deste mundo que nada entendem de relações humanas ou sociais.

Dar corpo às nossas ideias, expor os nossos sentimentos, partilhar o nosso quotidiano, nada tem de parasitismo nem de geriatria (de velhice já lá chegaram e continuam com direito à vida). O que a Cereza encetou não se baseia nisso mas sim numa verdadeira e incansável luta que são suas louváveis características.

Norteada para uma mesa redonda, agrupando um conjunto de amigos, ela pensou, planeou, e assim nasceu a Selva Urbana. Ela organizou, definiu regras, atraiu participações, moderou os debates, eliminou ácaros (intrusos animais microscópicos) e parasitas (animais que não descolam) resumidamente, geriu o espaço e isso não é para todos.

A vida é assim. Uns nascem para gerir, outros para chefiar, para trabalhar, para escravos e outros ainda para parvamente incomodar (chatear). Ser organizadora significa ter mais que fazer do que elaborar textos. Essa tarefa é confiada e depositada nos colaboradores. Não tem que se preocupar com isso.

Na tarefa de coordenação, recolhe, selecciona e expõe posteriormente os textos por uma ordem sequencial, pré determinada, tendo em conta os assuntos, a adequabilidade sócial, temporal ou espacial. Procura diariamente divulgar assuntos ou questões atractivas de forma a manter o espaço criativo, instrutivo e cultural. Por isso, decidir sobre o momento exacto das coisas não é ao acaso, embora por vezes possa parecer.

Quando vigilante atenta do espaço asseado acorre às entradas fortuitas dos ácaros tarados, carraças, percevejos, escaravelhos, melgas e outros parasitas fedorentos que nos dão uma coceira danada. São imediata e severamente banidos.

A montagem do poste tem, normalmente, muita criatividade. As imagens e a música dos vídeos ou fotos compõem uma simbiose perfeitamente articulada com os textos.
Como moderadora dos debates é muitas vezes incentivadora da actividade, participa nas discussões e enaltece os comentários, fortalecendo assim o convívio.
É incisiva na gestão de conflitos de forma a evitar perturbação da ordem. Não permite o atear de fogueiras embora por vezes nada fácil como se compreende.

O bom maestro é aquele que dispõe de uma equipa que se dedica com entusiasmo e dedicação à causa comum. O maestro não tem que pegar nos instrumentos porque não é sua tarefa. A sua é dirigir e isso sabe fazer melhor do que ninguém. A execução é dos colaboradores que sabem qual o seu papel (“cada macaco no seu galho” – popular). Não precisa de craques nem de super dotados. Precisa sim de gente normal dedicada à tarefa para promover a interacção no grupo.

Como podemos constatar, não é fácil dirigir (embora não seja nada do outro mundo). Dá trabalho, muitas horas perdidas, requer algum engenho, pretensão de ser original, estar presente e ausente em simultâneo, manter a actualidade no espaço, escutar o lamento ou o choro, o ódio ou o grito, a corrente da vida, a poesia ou a prosa, o amor ou a rejeição, a satisfação ou a tristeza, o azedume, e outras coisas mais ou menos complexas que animam o espaço.

A nossa participação é livre, aberta, gratuita e prazenteira, quer nos postes quer nos comentários do painel. Proporcionamos matérias ou curiosidades com potencialidades para divulgação. A escolha é do domínio da organização que os apresentará à mesa para discussão e dissecação.

Foi assim que este espaço se alargou unificado, devido à vontade de cada um e de todos, com indivíduos que são, em simultâneo, espectadores e colaboradores. Tornou-se num espaço verdadeiramente atraente e cobiçado, seguido por uma grande audiência e muito comentado.

Além de distrair, este blog é como um livro que aumenta o nosso conhecimento acerca daquilo que nos rodeia. Coesão e vontade de participar com os nossos conhecimentos, individuais e colectivos, estar com a organizadora e a organização do conjunto, ser encorajado pelas habilidades próprias, a vontade de fazer emanar o que há de melhor em cada um de nós, a confiança que a organizadora deposita em cada um de nós, ter a confiança que todos depositamos nas suas capacidades e conhecermo-nos pessoalmente, são as nossas forças.

A permeabilidade do sistema por intrusos indesejados (carraças e percevejos malcheirosos) a quem lamentavelmente não podemos fechar a porta… reconhecendo a inevitabilidade de lidar com a ignorância demente (e em estado avançado), são as nossas fraquezas.

Importa escutar mutuamente os nossos bloguista porque temos consciência de que “afinal a sabedoria não está na posse exclusiva dos administradores” e “nenhum grupo chegará a lado algum se a maior parte das ideias forem deixadas à direcção (Akio Morita).Todos devemos contribuir e os menos dotados tudo devem fazer para que a sua colaboração não paralise as qualidades que certamente têm. Na parte que me toca, e enquanto tiver forças, a organizadora poderá sempre contar com a minha participação, dedicação e colaboração, não obstante os momentos de menor ou nula assiduidade.




Abel Marques
12/2/2006



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Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2006

O Cartoon da discórdia

Dois "paineleiros" deste blog, resolveram escrever sobre um tema de extrema importancia e actualidade.... O cartoon da violência!

O "cartoon" foi publicado num jornal dinamarquês e depois reproduzido noutros órgãos de comunicação social europeus, e retrata o profeta Maomé vestido como uma bomba, com um rastilho a arder. Ora aqui não está apenas em causa a violência que daqui derivou, mas sim, a liberdade de expressão!

E se fosse um cartoon de Cristo, vestido exactamente da mesma maneira? E se fosse o Bush, Blair ou Socrates?

Estou certa que estes dois posts irão gerar alguma controvérsia. Duas opiniões, dois pontos de vista... do Suicidal, e da Tex ( os textos foram expostos, por ordem de chegada )






maome.jpg


As Caricaturas de Maomé, Questões Religiosas
e Cartoons


Toda a gente se apercebe do que se passa nos paises islâmicos neste últimos tempos.
Invasões a embaixadas estrangeiras (Dinamarca e Noruega), revoluções, picardias por parte dos crentes de Alá a campos militares estrangeiros, açoites simbólicos acompanhadas de danças não menos importantes. E tudo deve-se ao facto de um desenho... UM DESENHO!!!

Ora não sendo eu propriamente um crente ( sou-o à minha maneira no que eu acredito) beato nestas questões que levam sempre ao mesmo lado... confusão, paradoxo, ambiguidade, dogmas e enigmas, são fosse isso uma norma nas discussões sobre religião e fé.

Como alguns já devem ter pensado vagamente sobre isto, devem ter chegado ao seguinte raciocinio: “ Como é possivel fazer tanto pagode por causa de uma caricatura??? É só mais um desenho, ora bolas!”

Depois de divagar um pouco e colocar a questão sobre o joelho, fazer mentalmente relacões entre vários campos que a questão envolve e subtraindo factores arrepiantes comuns a esta religião (como o fanatismo), criei o que se pode chamar de tese ou discurso sobre o assunto sob um ponto de vista algo interessante.

Eis aqui uns dados históricos ancestrais roubados às urmas do tempo:

A arte da pintura renasce desde o homem primórdio sob a forma de diário gráfico: As pinturas na pedra são tão velhas como a caça.
A religião remonta aos relâmpagos que trouxeram o conhecimento do fogo ao homem. Se bem que esta religião primórdia tenha características mais semelhantes com a fé ou crenças do que com a religião em si.
Ao descobrirem o manuseamento da pedra, do fogo, e a inovação da agricultura, tornaram-se semi-sedentários, com isso evoluiram para tribos mais complexas e houve a necessidade de criar prioridades sociais, funções ou cargos de acordo com a tarefas de cada um nesta mini-sociedade. Nasceu a política. Vou chamar á relação-evolução comum entre Política-Religião-Pintura como “Anel de Fogo”

A pintura ( aqui toma mutações como, arquitectura, escultura, etc...), a religião e a política desde essa altura evoluiram sempre com o homem. Em várias eras e impérios nota-se a velocidade de evolução das três. Notam-se mais evoluções rápidas e estonteantes em épocas como: Idade do Bronze, Grécia Antiga, Idade Negra( um recuo na evolução do “Anel de Fogo”), Renascimento, Iluminismo e Idade Contemporânea. Escolhi aleatóriamente estas fases porque é onde se notam transformações significativas e importantes no “Anel de Fogo”.

Mas isto não é tão simples como coloco aqui neste raciocinio! Ora vejamos: coloca-se aqui o “Anel de Fogo” como uno mas não é assim! Houve tantos Anéis de Fogo (imutáveis ou n, o comércio tornou-se importante para as relações entre civilizações) como tantas civilizações houveram! Assim, colocamos o Auge da relação de dois mundos conhecidos como o Auge do Império Romano de Marco Aurélio. A seguir veio a Idade Negra e com ela... As Cruzadas, que no sentido mais lato ( se bem que no aprofundamento da questão, posso entar em erro mas que não importa para a análise da questão em si. Esta separação já se nota desde a desmoronação da Grécia Antiga ou na destruição enigmática de Creta) foram a separação do Mundo Ocidental do Mundo Muçulmano. Dois “Aneis de Fogo” distintos.

Aqui entramos na nossa era... na actualidade. No mundo Oriental se bem que nas várias evoluções que teve, por vezes evoluções drásticas (notar algumas como: Alquímia, Fogueira das Vaidades, Maçonaria, Revolução Francesa, Duas Grande Guerras, etc...). o “Anel de Fogo” Ocidental sofreu uma evolução diferente do “Anel de Fogo” Medio-Oriental (que sofreu uma estagnação( a primeira vez que o Mundo Ocidental reparou nestas diferenças foi na Guerra Fria.)).

Omiti um factor que evolui de modo análogo ao “Anel de Fogo” que é importante: A crítica sob a forma de informação! A crítica sob a forma de pintura ( muitas vezes aparece sob a forma de Cartoon) é directa, letal, e de muitas maneiras cómica. Cartoons como “Calvin and Hobbes” entre outros, transmite uma crítica directa ao “Anel de Fogo” da sociedade Ocidental. Esta crítica é aceitável no Ocidente, graças ao lado “cómico” dos Cartoons mas porque a maneira de processamento da informação é muito liberal ( basta ver os preços destas obras para relacionarmos estes cartoons como colecções de grande valor informativo, sentimental ou com outras razões). A evolução do “Anel de Fogo” do Médio-Oriente, sofre uma evolução a seu passo! Basta reparar na comparação que o Mundo ocidental faz com o Médio-oriente ao dizer que ainda andam a braços com uma Inquisição(não vale a pena entrar em análise porque o discurso já vai extenso.).

Com este discurso acho que vos dei mais ou menos o “sumo” para chegar à minha tese que têm conclusões diferentes consoante a pessoa.

Partilho-vos a minha conclusão: Depois desta moral cansantiva para muitos e reparar em factos e em factores omitidos por serem vastos, cansativos, pormenorizados e por vezes com pouco interesse para quem não se importa, não quer saber, etc... chego à conclusão que não se pode culpar os criadores das Caricaturas de Maomé, ocidentais como são, que banalizaram uma figura central do Mundo Islâmico. A culpa não é deles... mas sim de dois mundos distintos. Inocentemente, os jornais publicaram os cartoons sem tomarem consciência que, apesar do mundo Ocidental achar engraçado os desenhos, os Muçulmanos iriam se sentir ofendidos por “banalizarem” o seu profeta. Isto prova um ponto de vista pessoal: o mundo Ocidental evoluiu sempre de maneira interior, para si mesmo e à sua maneira com poucas lições a receber fora do Ocidente! Como velhos inimigos, o mundo Muçulmano, recusa-se a aceitar lições dos Ocidentais para seu próprio proveito, ao contrário de outras Nações ( Japão, Coreia do Sul, Malásia). Estes cartoons e a polémica envolta neles são a prova que o Médio Oriente tem um modo de pensar muito diferente do Ocidental e que levam a peito coisas que o Ocidental vê como banais e de algum modo frivolas. Se se fizesse uma caricatura ou desenhos de Jesus (como existe) decerto que não havia tanta polémica.



Suicidal Kota





bush_passion_2.jpg


Liberdade de expressão?


Já não é de agora que me irrita a desculpa da liberdade de expressão para se dizerem ou fazerem um sem numero de ultrajes.
Todos entendemos que a liberdade de expressão, é o suporte vital de qualquer democracia. No entanto, não podemos esquecer que o exagero pode torná-la prejudicial e danosa.

A liberdade de expressão é um direito fundamental sim, mas não é absoluto, e não pode ser usado para justificar a difamação, a subversão, a ofensa ou intimidação.
Quando é que o direito à ofensa se transformou em liberdade de expressão? Quando a liberdade de expressão se transformou em poder, digo eu.

Liberdade de expressão não é dizer (fazer) tudo o que se quer porque se pode. E lá temos os liberais a defendê-la com unhas e dentes. Têm de perceber que essa liberdade que pregam é presunçosa. A liberdade de expressão, não pode ser arrogante ao ponto de se achar superior às convicções de outras culturas.
E claro, tomo como exemplo o assunto do momento…quando a tal liberdade de expressão nada mais é do que simples provocação e ultraje.

Os ocidentais acham divertido fazer chacota à custa dos profetas dos outros e depois queixam-se que os muçulmanos respondem da pior maneira.
Neste caso foi na Dinamarca (país mais que xenófobo) onde um jornal publicou intencional e ofensivamente caricaturas de Maomé. Reparem que a ofensa não é só a representação de Maomé, é o modo como ele é representado. Como se de um terrorista se tratasse, pregando a violência e transformando todos os seus seguidores em terroristas. Nenhum povo pode aceitar tal provocação! Quando um povo é ridicularizado desta forma, a liberdade de expressão torna-se um instrumento de opressão.
Não terão eles o direito de protestar contra o ultraje, ainda que seja na linguagem do fanatismo?

Não se pode nem deve cercear a bendita da liberdade de expressão?
Ai não? Então e se fossem caricaturas (perdoem a brutalidade do exemplo), do menino Jesus a ser sodomizado por padres pedófilos? Ah pois, além de ilegal originava um tsunami. Cambada de hipócritas!

Justifica-se a proibição da liberdade de expressão quando esta é usada para ofender e humilhar, podendo desta forma incitar à violência?
Na minha opinião, sim!


Tex



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Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2006

Limites do EU...

Mais uma crónica do Esquizo, que tem muito a ver com a saudavel disscusão que deu o post que escreveu há dias.





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Porquê ??? Tens a certeza ????
São perguntas retóricas que atiram ao fundo o ego de quem as ouve. Não será um duvidar... Além do mais sempre que essa pergunta me é colocada tenho de me reposicionar, repensar, sentir o contexto, centrar-me no eixo e pôr-me em causa.

Por inseguraça? Por respeito a quem faz a pergunta? Por incerteza?
Nunca sei ao certo, mas no fundo o “Porquê?” retórico tem para mim um sentido muito mais positivo do que parece. “Aprendo-me” com um porquê, procuro mais um bocadinho de mim e pricipalmente cresco empurrado pela questão.

O “Porquê?” dissuade ilusões, leva a conclusões e faz girar a imaginação de uma criança.

É no “Porque?” que eu encontro os limites do eu. É como se o vento me mostrasse o meu contorno físico estando de olhos fechados. Sinto finalmente quem sou, quando reposiciono valores, ainda que estejam sempre a mudar.

Obrigado “Porquê?” por um milisegundo de lucidez,
Obrigado “Porquê?” por me mostrares
que “SER” é a unica maneira de existir,
assim sou, e toco os limites do eu.




Impressão Digital Cereza às 00:17
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Domingo, 12 de Fevereiro de 2006

...

Limites do eu…


Porquê ??? Tens a certeza ????
São perguntas retóricas que atiram ao fundo o ego de quem as ouve. Não será um duvidar... Além do mais sempre que essa pergunta me é colocada tenho de me reposicionar, repensar, sentir o contexto, centrar-me no eixo e pôr-me em causa.

Por inseguraça? Por respeito a quem faz a pergunta? Por incerteza?
Nunca sei ao certo, mas no fundo o “Porquê?” retórico tem para mim um sentido muito mais positivo do que parece. “Aprendo-me” com um porquê, procuro mais um bocadinho de mim e pricipalmente cresco empurrado pela questão.

O “Porquê?” dissuade ilusões, leva a conclusões e faz girar a imaginação de uma criança.

É no “Porque?” que eu encontro os limites do eu. É como se o vento me mostrasse o meu contorno físico estando de olhos fechados. Sinto finalmente quem sou, quando reposiciono valores, ainda que estejam sempre a mudar.

Obrigado “Porquê?” por um milisegundo de lucidez,
Obrigado “Porquê?” por me mostrares
que “SER” é a unica maneira de existir,
assim sou, e toco os limites do eu.


Impressão Digital Cereza às 02:06
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Sábado, 11 de Fevereiro de 2006

Lilith versus Eva

Sempre me atrairam as personagens mais diabolicas da mitologia... mas a que mais me intriga e fascina é Lilth, pela sua independencia, coragem, perversidade e intensidade. Já aqui contei aqui no blog a história dela... Lilith foi a primeira mulher de Adão, depois sim veio a Eva, submissa e obediente... tirada de uma costela do companheiro.

Hoje apetece-me tornar a Lilith mais real, e menos lenda!





lady_darkness copy.jpg


“It doesn't hurt me
Do you wanna feel how it feels?
Do you wanna know that it doesn't hurt me?
Do you wanna hear about the deal that I'm making?
It's you and me, yeah…”




Lilith, cheia de sangue e saliva, foi criada do mesmo pó que Adão, por isso exige ser considerada sua igual, desobedecendo a sua supremacia. Desta forma, renega também uma ordem do pai - Deus.

Lilith revolta-se com sua condição de submissão. Tal atitude traz-lhe conseqüências trágicas, acabando por se tornar a Rainha do Palácio do Demônio. Declarando guerra ao pai passando a atemorizar os homens.

A natureza de Lilith é astuta como a serpente. A sua sabedoria de demônio é grande, mas por isso grande também é o seu sofrimento. Lilith é a prostituta, é a sedutora, é a Bruxa, a mulher devoradora, a mulher fatal, a feminista,.... Opondo-se à virgem, à boa mãe, à deusa... quem sabe, a

Eva.






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Estamos diante do eterno tema do FEMININO-DIABÓLICO



Tudo começou assim:
Deus criou Lilith e adão ao mesmo tempo e do mesmo pó. O amor de ambos começa a ser perturbado quase imediatamente. Não havia paz entre eles porque quando se uniam na carne, evidentemente na posição mais natural - missionário- Lilith ficava impaciente, perguntava ao companheiro: “Porque devo deitar-me debaixo de ti? Por que devo abrir-me sob teu corpo? Porque razão devo ser dominada por ti? Também eu fui feita do mesmo pó que tu, e por isso sou tua igual.”

Ela pede para inverter as posições sexuais para estabelecer a harmoinia... uma harmonia que deve significar a igualdade entre os dois corpos e as duas almas. Mal feito este pedido pela mulher, ainda húmido de calor súplice, Adão responde secamente não. Lilith é submetida a ele, ela deve estar simbolicamente sob ele, suportar o seu corpo. Portanto: existe uma ordem que não pode ser transgerida. Ela não aceita esta imposição e revolta-se contra Adão. É aqui que se dá a ruptura do equilíbrio. Qual é a regra do equilíbrio? Está escrito, que o homem é obrigado a reprodução, a mulher não.
Diante da recusa de Adão, Lilith pronuncia, irritada, o nome de Deus e ao acusar Adão afasta-se!

Enquanto isto sucede, Adão sente de imediato uma dor crua, uma angustia de abandono. O homem havia imposto uma não à sua mulher. E assim surgem as trevas.
Adão tem medo, sente que a escuridão o oprime. Sente que as coisas boas afundaram-se com o desaparecimento de Lilith.

Dirige-se a Deus: "Procurei no meu leito aquela que é o amor da minha alma; procurei e não encontrei. Agora há o desespero, o amargor por ter perdido Lilith." Deus quer saber de imediato a causa do litígio e compreende que a mulher desafiou o homem e, portanto o divino.
Lilith voou para longe, em direção às margens do Mar Vermelho, depois de haver profanado o nome de Deus Pai....

Assim é apresentada na tradição hebraica a história de Lilith. Não há conclusão: de resto, a conclusão poderá ser tirada por nós.

Lilith permanece na própria liberdade, demoniaca... desencadeando a sua força destrutiva e desde aquele dia nunca mais haverá para o homem.

Lilith torna-se numa mulher feita de fogo, instintiva, carnal, vingativa e devoradora de paixões até á ultima gota. Os homens são seu objecto de paixão e vingança... sem remorsos.






vamp00001.jpg


Lilith:


"Nas noites escuras e frias,
quando tudo são trevas puras,
em tua casa penetrarei,
atravessando as grades da janela tua
sob a forma de uma sutil e inocente bruma,
para então materializar-me, deliciosamente nua,
sobre teu corpo inconsciente e dormente.
Podes acordar, debater , tentar gritar,
Mas, advirto que será em vão,
Ninguém te ouvirá, nada te poupará
Da minha fúria ardente e paixão.
Com meus dentes e unhas, tuas roupas rasgarei
E sobre ti cavalgarei, em selvagem êxtase,
Meus lábios pálidos e frios colando-se aos teus,
Sorvendo o néctar do teu calor,
Tuas mãos, resignadas em não poder lutar,
Meus seios acariciam, levadas pelo prazer
Que invade o teu ser.
As minhas unhas cravando-se em tuas costas,
Deixando um rastro rubro de sangue,
Já não mais te importas com a dor,
Não é, meu amor?
Nada mais te importa,
Medo, pecado, inferno, punição ou dor,
apenas o prazer que te dou
Em troca de algo tão ínfimo e sem valor:
Tua alma imortal.
E para que serve ela, afinal?
Estás perdido dentro do meu corpo
De sedutora beleza que em nada lembra a angelical pureza,
Envolto em desejos e fantasias pecaminosas
Que eu realizo com toda presteza.
Teu ser pertence a mim agora,
Tua sanidade foi-se embora,
Estás preso na minha teia de lascívia,
Meu escravo e fiel servo para sempre serás
E saciar o meu desejo incontrolável tentarás.
Teu sangue, gozo e vitalidade me darás,
Assim como a tua alma, sem pestanejar.
Porém, quando não mais puderes me agradar,
De ti me vingarei, jogando fora tua casca mortal inútil e vazia,
Prendendo tua alma impura a grilhões de infinda tortura,
Pois destinado estás a sofrer por toda a eternidade
Nas profundezas abissais do inferno."

(Thaís Drimel Andrade)



Agora peço que vejam o video de inicio e a simbologia que encontrei nele. Cada uma de nós saberá quem é: Lilith (de vermelho) ou Eva (de branco) ou então a junção das duas... duas mulheres diferentes num mesmo corpo. Agora escolham! Fica a letra deste “Running up that hill” dos Within Temptation, para melhor entenderem o que quero dizer.









"It doesn't hurt me
Do you wanna feel how it feels?
Do you wanna know that it doesn't hurt me?
Do you wanna hear about the deal that I'm making?
It's you and me, yeah

And if I only could
Make a deal with God
And have him swap our places
Be running up that road
Be running up that hill
Be running up that building
So if I only could

Don't wanna hurt thee
But see how deep the bullet lies
Unaware I'm tearing you asunder
Oh, there is thunder in our hearts

Is there so much hate for the ones we love?
Oh tell me we both matter, don't we?
It's you and me that won't be unhappy
....

C'mon baby, c'mon darling
Let me steal this moment from you now
C'mon angel, c'mon, c'mon darling
Let's exchange the experience
...

So if I only could
Make a deal with God
And have him swap our places
Be running up that road
Be running up that hill
With no problems...





Impressão Digital Cereza às 14:44
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