Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2005

Wild Roses...

Já tinha saudades de um belo poema de amor, uma bela música e belas imagens.


wild-roses.jpg


Como me partiste o coração em pedaços
Com esse teu gesto tão repente,
Foram meus beijos assim tão escassos
Que te levassem subitamente?



Como me conseguiste desmanchar
E deixar-me tão só e malamente.
Tão mergulhado em loito, sem ar,
Porquê esse teu acto tão imprudente?



Como me não sentir desgarrado
Por esse teu falimento tão duro
Que esfria a cama do teu lado.
Onde se escondeu o nosso futuro?



Como me foi possível em ti não ver
Por entre as carícias o padecimento,
Por entre abraços o teu sofrer,
Que escondias com teu alento?



Como me culpo de não reparar
Em teu sorriso que nunca sorria,
Olhos donde nunca te vi chorar,
Merecia eu esta dor, esta tua tirania?



Como me desdobro a cada só momento,
Sem ti ao meu lado vivo tediosa tortura,
Tu, que me enchias o pensamento,
Porque partiste em tão má altura?



Como me desgrenho ultimamente
E as palavras que me dirigem nada são,
Quando só importas tu, somente,
Alma que me levou o coração.



by Bárbara Sousa aka Narag
10 de Dezembro de 2005


barraflor.gif


Comentário da Bonecarussa a este poema.


Não posso falar, mas posso escrever… e escrevendo digo-te, como sempre disse, muito mais do que algum dia direi falando…

Digo-te que não há dia com sol ou chuva ou vento ou frio ou calor em que não me lembre de ti. Digo-te que te revejo em cada presente que compro ou que me oferecem, pois o acto de dar, estará para sempre associado a este sentimento em que me dou constantemente, silenciosamente, quase clandestinamente…

Digo-te que podem passar dias, semanas ou meses em silêncio, mas que nada pode quebrar o laço que se criou, que se estabeleceu e que se mantém. Digo-te que não consigo esquecer… quisesse Deus que eu fosse capaz e tudo seria mais fácil…

Digo-te que comprei um isqueiro para cada um dos meus funcionários… tenho este defeito: passo a vida a pedir lume e fico com os isqueiros…era o mínimo que podia fazer… Digo-te que guardo um isqueiro na carteira que anda sempre comigo. Deste-mo quando te contei deste meu vício. Raramente o uso. É como um amuleto… um talismã…não sei. Acende-me os cigarros naqueles dias em que tu, dono duma enorme teimosia, não me sais da cabeça… Consegui nunca o perder e vive no meio da barafunda sem qualquer originalidade que são as malas das mulheres.

Digo-te que nunca acendeu cigarros senão meus. É como aqueles tesouros escondidos que estão tão à vista de todos que ninguém dá por eles… quem sonharia que aquele objecto tem o valor que tem… só mesmo em sonhos…

Digo-te que é preciso algo muito forte para conseguir reconstituir a emoção da surpresa dos presentes do dia de natal, antigamente abertos apenas na manhã desse dia, e amontoados em frente ao fogão ao lado dos sapatos que ali passavam a noite. Digo-te que era um dos meus momentos mágicos… em que eu saia da cama descalça ( para variar…) e devagar, como quem quer fazer demorar um momento único mas que sabe que não foge… lá ia eu espreitar e… com a respiração suspensa …constatava o que já sabia…lá estavam os presentes…

Digo-te que este Natal, sem o saberes, sem o suspeitares, fizeste-me reviver esses momentos… quando hoje me levantei e li o teu desejo… que gostarias que um dos melhores Natais do mundo fosse meu. Porque sim.

Digo-te que misturei o perfume e o álbum de fotografias – os presentes que recebi no ano passado– com as lágrimas que me correram pela cara enxovalhada pela almofada e com o cabelo despenteado pelo sono.

Digo-te que à dias que a garganta não me deixava fumar mas naquele instante acendi um cigarro com o tal objecto que descansava no fundo da minha mala… enchi a sala de fumo e, deitada no sofá, deleitei-me a imaginar formas, como gosto de fazer deitada na areia a olhar para as nuvens que vêm e vão e se transformam ao sopro da minha imaginação…

Digo-te que hoje ao ler a tua mensagem li mais devagar quando me apercebi do tempo verbal desta frase: Das conversas, das ideias, da identificação do espanto que me causavas quando me contavas as tuas fantásticas histórias.... Digo-te que parece que falas de alguém que morreu… morri… e sinto-me um daqueles fantasmas que não sabendo que morreram teimam em querer continuar a comunicar com os vivos...

Digo-te que adorava continuar a contar-te histórias, estórias, coisas, enfim… esta frase é desnecessária. Mas precisei de a escrever… Absolutamente desnecessário também… queria tanto ver-te... agora não parava … ficava aqui a escrever-te … até à eternidade.

bonecarussa
@ dezembro 15, 2005 01:58 PM

barraflor.gif


Where the wild roses grow


"...On the third day he took me to the river
He showed me the roses and we kissed
And the last thing I heard was a muttered word
As he knelt above me with a rock in his fist



On the last day I took her where the wild roses grow
And she lay on the bank, the wind light as a thief
As I kissed her goodbye, I said, "All beauty must die"
And lent down and planted a rose between her teeth..."



Impressão Digital Cereza às 00:01
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25 comentários:
De Selvagem Anónimo a 15 de Dezembro de 2005 às 00:15
Porque será que partem sem dizer nada , não é ? Porque nos fazem sentir que demos pouco ou nada?Narag, está simplesmente Lindo e a música assentalhe que nem uma luva, Cereza.
Beijinhos Narag e continua como és, simples .constancinha-maria
</a>
(mailto:nao-tem@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 15 de Dezembro de 2005 às 00:15
Porque será que partem sem dizer nada , não é ? Porque nos fazem sentir que demos pouco ou nada?Narag, está simplesmente Lindo e a música assenta lhe que nem uma luva, Cereza.
Beijinhos Narag e continua como és, simples .constancinha-maria
</a>
(mailto:nao-tem@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 15 de Dezembro de 2005 às 09:19
Está fabuloso Narag, de uma simplicidade e beleza espectacular. parabéns. adoreidevil_girl
(http://..)
(mailto:joana.patrici@sapo.pt)


De Selvagem Anónimo a 15 de Dezembro de 2005 às 10:17
Eu adoro esta musica! Quanto ao poema eu volto já, que eu gosto de ler mais que uma vez...vanessa
</a>
(mailto:mina_aeternus@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 15 de Dezembro de 2005 às 10:25
Hum... como conheço a sensação... de provocar tal dor... Talvez por isso seja avesso a relações... falta de jeito? falta de sensibilidade... talvez...Medo de ser magoado.. Sem duvida... mas faz parte da vida.. ajuda-nos a crescer... bom?mau?... n comento.. cada caso é um caso...
Quem se agarrar ao passado (como é o meu caso) arrisca-se a não viver o presente... " A vida é um rio tumultuoso, em que a unica certeza é que há-de desembocar num mar calmo e vasto para finalmente descansar-mos"... e posso dize-lo com muitas praias fluviais e paradisiacas para nos restabelecermos... não nos agarremos apenas aos ramos que se equilibram acima da nossa cabeça... :) E já agora... (n tem nada a ver mas...) que quer dizer loito? :PazeloM
</a>
(mailto:rui_brito@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 15 de Dezembro de 2005 às 10:28
Loito = Luto, tristeza.bonecarussa
</a>
(mailto:bonecarussa@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 15 de Dezembro de 2005 às 10:36
Não interessa se me deram tempo,não interessa se eu sempre previ,não interessa se tive tempo de me ir afastando,ou sentindo o outro afastar,não interessa quem começava o incio do fim.O que interessa sim é aceitar...ficar com as recordações do que de melhor foi vivido. Todos nós somos feitos disso mesmo, de recordações,bocados de cada um,que formam um todo,e caminham connosco...O que dói...o que dói mesmo,é quando acordamos e já é tarde...é a saudade das palavras que não foram ditas...dos beijos que nunca não foram trocados....e a angustia de poder desenhar,todos os detalhes do que não aconteceu....Um jinho pa ti Narag,e só te peço que continues a escrever,muito, e cada vez mais....marta
</a>
(mailto:martax_30@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 15 de Dezembro de 2005 às 11:11
Passou já mto tempo desde que me senti tb assim.
...vejo-te passeando pelas ruas da minha imaginação e contento-me com isso...ainda guardo no coração o teu olhar, mas aprendi a esquecer-te...
A minha alma reaprendeu o encanto da quietude e descobri que as estrelas brilham do mesmo modo e que o ceu continua imenso...
palavras de saudade para alguém que já não está na minha vida...
Tex
</a>
(mailto:texazinha@iol.pt)


De Selvagem Anónimo a 15 de Dezembro de 2005 às 11:20
Mais um lindo texto assinado pela Narag, os meus parabéns! Miúda, tens um talento natural para a escrita (sabes, apesar de não cmentar, eu leio o teu blog), nunca deixes de passar essas coisas para o papel. Se um dia parares, quando quiseres recomeçar poderá tornar-se penoso. Mais do que de desencontros, a vida é feita de memórias e, tal como diz a marta, "o que interessa sim é aceitar...ficar com as recordações do que de melhor foi vivido". Que as más recordações que possas ter do passado não te inibam nunca de viver o presente e de pensar no amanhã. Um grande beijinho para ti, e obrigada por mais esta partilha. Cereza, parabéns pela escolha da música, it fits perfectly.Safira
</a>
(mailto:ana.f.ferreira@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 15 de Dezembro de 2005 às 11:55
Ontem, liguei a televisão e lá estava o archer newland no meio no ecrã. Sabes aqueles nomes que tu esqueces, mas se os vires não demoras nem um décimo de segundo a reconhecê-los? Quando os lês tens um baque, um arrepio? é o que acontece comigo e com o archer.
Aquela abnegação, o sofrer em nome de outrém, o medo de deixar de respirar a qualquer momento por via do afastamento, um desejo tão fundo quanto o oceano, que um simples beijo na mão provoca ondas de emoção tão grandes como uma tempestade. Os olhos dele permanentemente a lacrimejar, a voz calma e mentirosa, a postura em descordo e luta perpétua com a vontade...mas há que satisfazer em primeiro lugar os hábitos sociais e familiares e ele não podia, oh não, não podia, estar casado com uma e dar a vida pela prima dela... sim, ele daria a vida de bom grado, seria a sua vingança... a raiva contida naquele filme, naquela história é tão grande que penso sempre que o vejo (não sei quantas vezes...) que é maior do que aquela que provoca em quem assiste e a minha raiva é tão grande...
Centramos o olhar no olhar dele e sentimos-lhe as estranhas revoltas, percebe-se que cada assunto em que fala é uma desculpa para se esquecer do que lhe ocupa o espirito durante uma vida... uma vida ou mais, porque um amor daqueles dura uma eternidade.
O meu coração bate sempre de forma acelerada quando revejo esta história, bate à cadência dos corações deles dois, pois fosse o filme mudo e não perderia nada do essencial, uma vez que o essencial não é dito, é sentido, pensado, entra-nos com a força dum tiro num avião, onde tudo é sugado, onde não se conseguem manter os olhos abertos e temos a certeza que vamos morrer...era tão bom que se conseguisse morrer, às vezes...mas sobrevive-se e vive-se com a recordação na pele do corpo todo que é unânime no arrepio, na voz, que é lenta para não ser entaramelada nem traiçoeira, no peito que arde como uma gigantesca fogueira e no olhar que, calado, diz tudo. Obrigada pelo poema.
bonecarussa
</a>
(mailto:bonecarussa@hotmail.com)


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