Terça-feira, 6 de Dezembro de 2005

Filhos, e pais separados!

Este é um tema que vai tocar fundo na maioria das pessoas que visitam este blog. Falar de filhos de pais separados, falar nas crianças que têm agora dois lares, dois “pais” duas “mães”, duas familias ... ou... no fundo, não têm nada! Falar deste assunto mexe com os mais profundos sentimentos, com feridas por sarar, tristezas, alegrias, com “terceiros”... enfim, um emaranhado de emoções!

Quer queiram quer não... a maioria dessas crianças sofrem, algumas não mostram, mas a magoa está lá!

Fica o texto de uma mãe separada... que faz o possivel e impossivel para que o filho ultrapasse a separação... uma mãe que se desdobra, para dar ao filho tudo o que precisa, sobretudo amor!
Deixo aqui a letra e o video que o Eminem dedicou á filha, depois de se separar da mulher. Chama-se Mockingbird.




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"...Daddy's always on the move, mamma's always on the news
I try to keep you sheltered from it but somehow it seems
The harder that I try to do that, the more it backfires on me
All the things growing up as daddy that he had to see
Daddy don't want you to see but you see just as much as he did
We did not plan it to be this way, your mother and me
But things have got so bad between us
I don't see us ever being together ever again
Like we used to be when we was teenagers
But then of course everything always happens for a reason
I guess it was never meant to be
But it's just something we have no control over and that's what destiny is
But no more worries, rest your head and go to sleep
Maybe one day we'll wake up and this will all just be a dream..."



[Chorus]
Now hush little baby, don't you cry
Everything's gonna be alright
Stiffen that upper lip up little lady, i told ya
Daddy's here to hold ya through the night
I know mommy's not here right now and we don't know why
We feel how we feel inside
It may seem a little crazy, pretty baby
But i promise momma's gon' be alright


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A transformação dá-se nos pais e nos filhos. A mágoa, a raiva, o desinteresse, novos interesses e mais mil outras situações levam os pais, muitas das vezes, a assumirem-se como pessoas diferentes das que tinham sido até ali. Frequentemente, o Dinheiro é o grande motivador. Os filhos são confrontados com uma dualidade, onde raramente se mantém a unicidade do ser, nas mais variadas perspectivas das suas ainda curtas vidas.


Penso que este é um dos exemplos onde a quantidade pode, e é, tantas vezes maléfica. As crianças passam a viver num mundo duplo onde os espelhos abundam e onde os reflexos se confundem com as identidades verdadeiras. Passam a ter duas casas, dois quartos, brinquedos a dobrar, fins-de-semana e férias diferenciadas, natais à vez, aniversários com ‘convidados’ impostos. Deixam de ter pais e passam a ter pai e mãe.


As exigências parecem andar de mãos dadas com a divisão das famílias, quer em forma de separação, afastamento ou divórcio efectivado. As crianças, as doces crianças, podem tornar-se em pequenos monstros que nos controlam, que nos seguram numa caverna fria e escura. Podem chantagear-nos também, como se tivessem aprendido tácticas e estratégias com os melhores mafiosos… mas também podem ser usadas como moeda de troca em muita coisa e, ai sim, são tratadas como objectos e de pouco valor, pois aquilo a que damos muito valor, não queremos trocar por nada na vida. E é nesta condição de moeda de troca que as crianças muitas vezes, apercebendo-se do seu novo valor, exigem tudo e mais alguma coisa, ameaçando mais ou menos silenciosamente com chantagens emocionais… e comerciais. ‘O pai dá-me isto e tu não dás…’ ou ‘A mãe leva-me ali e tu não levas..’ ou ainda ‘Ele/a deixa-me fazer isto e tu não deixas…’ Infelizmente os exemplos são muito variados. Mas, tal e qual como numa loja de brinquedos, onde as ofertas são muitas e a atenção dos miúdos é chamada para todos os lados em simultâneo, fazendo-os sentirem-se perdidos, sem o saberem, tal também acontece no processo da separação dos pais… as crianças ficam com (quase) tudo a dobrar, mas perdidas, quais meninos da Terra do Nunca, onde a imaginação funciona e faz aparecer coisas, mas onde não há lei nem roque… que o mesmo é dizer, nem mãe nem pai.


Assisti a isto diversas vezes, vezes demais, nos anos que trabalhei em colégios e infantários. No momento em que me separei temi o pior… o pai tem dinheiro e eu não tenho. O pai tem uma casa fantástica e eu não tenho. O pai passeia onde quer e eu vou ao café ao fim de semana. Hoje, separada, a viver sozinha com o meu filho, dá-me uma vontade de rir incontrolável, digna duma bebedeira enorme… vontade de rir, sem qualquer desrespeito pelo pai do meu do filho, com quem mantenho uma relação 100% saudável. Mas rio-me dos meus medos… o meu filho é o meu grande cúmplice em tudo: ajuda-me nas tarefas caseiras, quando suspeita que não tenho dinheiro para farras – tipo jantar no mcdonald’s… - paga do dinheiro dele (que eu reponho no princípio do mês), fazemos brincadeiras diversas, como por exemplo vestirmo-nos muito bem e jantarmos na sala à luz das velas, sopa de cebola com pão, e falando como se ao nosso lado estivessem duques e embaixadores (aproveitamos para treinar línguas…)… normalmente o jantar acaba connosco a dormir no sofá. Mais ainda: ontem mesmo, ele descobriu que eu fazia limpezas para equilibrar o nosso orçamento e prontamente se ofereceu para me ajudar a varrer, enquanto eu lavo.


Confesso que o meu filho baixou o rendimento na escola… o pai era super atento e dava-lhe explicações todas as noites e eu… eu todas as noites, ou quase todas, lhe falo dos nossos problemas. Considero-me cansativa… mas digo-lhe que sonhe todas as noites, sem faltar uma única. É a única obrigatoriedade que lhe imponho.


Se eu pudesse escolher, viveria com o pai do meu filho, como uma família tradicional. Mas valores mais altos se levantam, como por exemplo a minha sanidade mental. E a última coisa que a minha criança não precisa é duma mãe cansada e passada dos carretos. Aquilo que a minha adorada criança precisa é duma mãe saudável, brincalhona, bem disposta, para que lhe permita continuar a responder, quando lhe perguntam que defeitos tem a mãe: só um… não é rica.


Maria Mãe


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"...It's funny
I remember back one year when daddy had no money
Mommy wrapped the Christmas presents up
And stuck 'em under the tree and said some of 'em were from me
Cuz daddy couldn't buy 'em
I'll never forget that Christmas I sat up the whole night
crying
Cuz daddy felt like a bum, see daddy had a job
But his job was to keep the food on the table for you and mom..."



Impressão Digital Cereza às 00:05
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25 comentários:
De Selvagem Anónimo a 6 de Dezembro de 2005 às 00:37
e não são os sonhos que comandam a vida?Leowf
</a>
(mailto:mordred@netcabo.pt)


De Selvagem Anónimo a 6 de Dezembro de 2005 às 01:01
Maria Mãe... sonha! não esqueças, sonha! IdeiasAvulso
(http://2)
(mailto:Ideiasavulso@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 6 de Dezembro de 2005 às 05:19
A melhor mãe do mundo é sempre a nossa.. Há até aquela frase bem nossa conhecida, "mãe há só uma" e bem verdadeira de facto.. O esforço que esta mãe demonstra em dar todo o seu amor e carinho ao seu filho, realmente é algo MARAVILHOSO, e de que se deve sentir orgulosa.. Não ha dinheiro nenhum no mundo que possa pagar tal coisa.. Por isso que adianta ser rico, quanto o dinheiro não trás felicidade.. ha uma frase até bastante curiosa "queres perder um amigo..? então empresta lhe dinnheiro".. Eu amo a minha mãe, n sei o que faria sem ela, tenho uma relação espectacular com ela, nunca me bateu, nunca me faltou ao respeito, mas soube educar me á altura, até quando diziam que eu era uma criança problemática, (eu não era problemático, mas sim uma criança hiper-activa, mas naquele tempo ninguem sabia o que era isso, nem sequer se falava), lá estava ela cheia de paciencia para falar cmg.. O meu pai ao contrário era bruto comigo e resolvia as coisas de uma maneira muito rija, nada educacional e pouco etica na minha maneira de ver... muitas vezes me bateu.. Pais e mães leitores do Urban-Jungle, não batam nos vossos filhos, falem sempre com eles como se eles fossem adultos, é um apelo que deixo aqui.. Mae AMO-TE!!P-U-D-I-M
</a>
(mailto:luistefe@msn.com)


De Selvagem Anónimo a 6 de Dezembro de 2005 às 08:10
Realmente "mae só há uma", como tal a minha mãe, que é mãe a avó ao memso tempo é sem duvida a melhor mãe do mundo. Lembro-me de vê-la ir trabalhar e sempre que vinha trazia-me um doce, como, um pequeno pedaço de chocolate que "tirava" da patroa para me poder adoçar, não tinha posses, criou-me com o que de mais importante existe no mundo, AMOR. E é isso que o teu filho, Maria Mãe dá valor, tudo qur é material acaba por perder o encanto, o amor persiste sempre. É esse amor, que ainda hoje eu preservo, hoje, sou eu que cuido da minha avó/mãe, cuido dela como ela cuidou de mim, dou-lhe o amor que ela me deu quando mais precisei. E é isso que o teu filho vai fazer, não importa ter posses, dar brinquedos e coisas bonitas, se não se der amor, as coisas não fazem sentido. Eu orgulho-me de ter uma mãe que cuidou de mim, mesmo com as muitas dificuldades que tinha, mas que nunca deixou que me faltasse o mais importante. Esse amor, que ainda hoje alimenta o meu coração!devil_girl
(http://..)
(mailto:joana.patrici@sapo.pt)


De Selvagem Anónimo a 6 de Dezembro de 2005 às 10:23
Cereza, dizes muito bem quando dizes que todas as crianças sofrem, de uma maneira ou de outra, mais leve ou mais pesada, mas sim, todas sofrem... Também eu sofri, ainda hoje sofro a separação dos meus pais, apesar de tentar passar a frente, mas infelizmente eles fazem-me lembrar que existem e sempre das piores maneiras. Como tu já aqui colocaste o meu artigo... O meu muito OBRIGADO... Maria Mãe, o que pedes ao teu filho, é muito bom e verdadeiro e tambem importante... Sonhar, como diz o Leowf, comandam a vida e eu costumo dizer e sei, que sonhar, mantem-nos vivos... Quando o teu filho se oferece para te ajudar nas limpezas, é porque ele se apercebe que se o fazes, é para o seu bem e é a sua maneira de retribuir... +E muito bom, ele se aperceber e ter consciência disso e ainda bem que neste caso o dinheiro não falou mais alto.. Só te posso deixar um beijinho e muita sorte... Obrigado por partilhares conosco esta tua luta... Criador_Sonhos
(http://criadorsonhos.blogspot.com)
(mailto:criadorsonhos@gmail.com)


De Selvagem Anónimo a 6 de Dezembro de 2005 às 10:43
Ainda hoje li no jornal que o nº de divórcios aumenta. Logo aumenta também o nº de crianças ‘repartidas’, com famílias duplicadas. Aumentam as idas aos psicólogos, que hoje parecem ser solução para tudo... aumentam as fragilidades das mães, dos pais e das crianças. Aumentam as exigências, os sentimentos de posse, as ‘picadelas’ por parte de uns e outros. O Natal então é uma época em que as rivalidades dos divórcios estão em alta por via da falta de viver esta época com espirito natalício, mas antes com espirito comercial. Cada um acha que tem razão e puxa das suas ‘verdades’, e no meio estão sempre os filhos. Quando o resto da família não está de bancada a assistir como se estivessem num circo, já é uma sorte. Por muito bem que as pessoas se continuem a dar há sempre uma vida rasgada ao meio, com corte incerto e irregular e é precisamente aí que as crianças têm lugar. /// Há quem diga que não se separa por causa dos filhos (eu conheço dois casos terríveis) mas o ambiente em casa é dum silêncio atroz e aterrador, num caso, e de gritos dignos dum manicómio noutro. Não sou juiz de nada, mas condeno ambos os casos. Não há nada que valha mais que a sanidade mental das pessoas, como diz o texto. /// Porém, o ridículo social (que nada tem a ver com jet-set’s..., mas antes com o minar da sociedade nas suas bases) atinge o apogeu quando as pessoas se casam, têm filhos e se separam em tempo recorde, como maratonistas do descalabro. Custa-me a aceitar tão grandes amores que nascem convictamente eternos e que murcham mais depressa que uma flor, o que me leva a concluir que as pessoas não pensam, antes pelo contrário, são movidas por impulsos imediatistas, atraídas pelo glamour das festas de casamento, convidados e quejandos que desaparecem rapidamente, esfumado-se no álbum fotográfico que regista o dia das juras mentirosas de amor eterno e ninguém se rala com o puzle de vidas que fica pelo chão. Porém, algumas das peças não são de cartão, são de carne viva e chamam-se Filhos. /// Por outro lado, penso que não há idade ideal nas crianças para os pais se separarem: todas são más. Eu própria sofreria se os meus pais se separassem e isso não é tão descabido assim, independentemente da idade. /// Mas contra factos, não há argumentos: as separações existem e as crianças têm que ser respeitadas no seio da divisão, porque amor eterno, se existe, é o que os pais e as mães têm pelos filhos. bonecarussa
</a>
(mailto:bonecarussa@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 6 de Dezembro de 2005 às 10:45
Não sei como comentar este post, esta quase que confissão anónima, que confesso que julgo saber de quem vem. Se é de quem eu penso... :) linda sabes o respeito que tenho por ti e epla tua dignidade :), senão é de quem eu estou a pensar...é igual :)
Pelos filhos o que se faz? ....
Pois...quase tudo não é? Lembrei-me deste texto....sei lá porquê...
"Há algum tempo atrás, uma mãe puniu o seu filho de 5 anos por
estragar um
rolo de papel dourado, que tinha por fim decorar uma caixa a ser
colocada
sob a Árvore de Natal.
Na manhã seguinte à noite de Natal, o menino trouxe a caixa e
entregou-a à
mãe dizendo:
"Isto é para ti, mãe".
A mãe ficou embaraçada pela reacção precipitada, mas a sua raiva
aflorou
quando viu que a caixa estava vazia, e falou rudemente com o
menino:
"Tu não sabes que quando se dá um presente alguém é suposto haver
alguma
coisa dentro do pacote?".
O menino olhou-a lavado em lágrimas e disse:
"Oh, mas a caixa não está vazia, mãe. Eu soprei para dentro
dela,
até ficar
cheia de beijos".
A mãe ficou arrasada. Ajoelhou-se e pedindo perdão ao filho pela
sua ira
irracional, e abraçou-o com ternura.
Pouco tempo depois, um acidente tirou a vida ao menino e a mãe
guardou
aquela caixa dourada perto da sua cama durante toda a sua vida.
Sempre que estava deprimida ou tinha de enfrentar problemas, ela
abria a
caixa e imaginariamente tirava um beijo recordando assim o amor que
a
criança tinha colocado lá.
Verdadeiramente, cada um de nós tem recebido uma caixa dourada
cheia do amor
da família e dos amigos.
Não há maior tesouro!
Quando as nossas asas têm problemas, eles lembram-nos como voltar a voar.
m0mentum
</a>
(mailto:m0mentum@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 6 de Dezembro de 2005 às 11:04
Maria,hoje não consigo dizer nada,lembro-me dos meus meninos a quem dei colinho,e da minha moranguita.Todos eles sofrem,todos eles revoltados,todos eles com força para amar e perdoar.Deixo-te um abraço com o desejo que esse elo se mantenha para todo o sempre.E vou aproveitar para deixar aqui um beijo ao meu Pai,jamais haverá alguém que me consiga dar a força que ele conseguiu....marta
</a>
(mailto:martax_30@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 6 de Dezembro de 2005 às 11:13
Se, por um lado, concordo que a separação dos pais pode ser altamente traumática para uma criança, por outro lado sei que o dia-a-dia conflituoso numa casa onde reina a intranquilidade (e, em alguns casos, coisas ainda piores) é mais traumática ainda. Há casos em que a separação dos pais é mesmo o mal menor. Não é a separação que deixa feridas, é sim o degradar das relações, dos sentimentos e da disponibilidade. Tudo isto é potenciado se se insistir numa situação em que já não há mais lenha por onde arder. E, sinceramente, não se separarem por causa dos filhos...? Às vezes penso que os pais e as mães se esquecem que os filhos crescem, e que começam a pensar... Não é justo permitirem que os filhos se venham a sentir culpados pela vossa infelicidade, por terem protelado situações infernais em deterimento de se separarem... tudo para que a criança "tenha estabilidade"!! Isto revolta-me imenso... mais cedo ou mais tarde, as crianças que os pais e as mães "quiseram" poupar vão sentir-se culpadas, infelizes e terão uma auto-estima profundamente baixa. Ninguém tem o direito de fazer isto!! Por isso, e por muito traumático que possa ser, sugeria aos pais que pesassem os prós e os contras antes de tomarem uma decisão; se, em alguns casos, é viável continuar com a vida em comum, em outros esta opção é a pior de todas. E, acima de tudo, assumam sempre a responsabilidade daquilo que fazem. Safira
</a>
(mailto:ana.f.ferreira@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 6 de Dezembro de 2005 às 11:28
O que é certo é que também há casos em que quando os pais se separam as crianças "lucram". Deixam de estar no meio de conflitos e têm uma maior estabilidade não dos pais mas do pai e da mãe. Esses pais passam a prestar mais atenção aos filhos, dando mais carinho. Pena que a maioria não seja assim. Maria Mãe: tem um RICO filho!Vanessa
</a>
(mailto:mina_aeternus@hotmail.com)


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