Quinta-feira, 2 de Março de 2006

Eles são tudo!

De facto as crianças são tudo! A Bonecarussa escreveu sobre elas.





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Eles são tudo. E ponto final. E quando nós nos apercebemos disso, não há nada que nos impeça de querermos vê-los crescer, mesmo que estejam a dormir.

É nessa altura que eles são mais nossos, que não se dispersam nas brincadeiras, não querem ver televisão, não querem comer doces, não querem nada. A respiração deles enquanto dormem, silenciosa, é como um pedido, um chamamento, para ali ficarmos a amá-los, em silêncio também, de forma não perturbadora. E então, são tão nossos apertamos-lhe a mão, quentinha, eles mexem-se suavemente na cama, viram-se um pouco a acomodarem-se e ali estamos nós, como burros a olharem para um palácio, o mais lindo palácio do mundo e fomos nós que o fizemos e é nosso

Fazem-nos ter arrepios de medo e acordamos a meio da noite só para os vermos dormir e termos a certeza que estão bem.

E crescem. E nós sofremos a cada dia que passa por não termos visto a descoberta que fizeram ao perceberem que já se sabem calçar sozinhos ou quando produzem dezenas de riscos coloridos num papel e dizem com um ar triunfal, ufano e satisfeito Toma, és tu! E afinal até encontramos semelhanças nos riscos e em nós, e somos mesmos nós, tão lindos que somos aos olhos dos nossos filhos. E quando acontecem estas coisas, nós crescemos e ficamos com vontade de festejar não sabemos bem o quê, mas a nossa alegria interior é tão grande e eles são tão pequenos, tão desprotegidos, será que estamos a prestar-lhe a segurança que merecem e eles merecem tudo, demos-lhe vida e dávamos a vida por eles.

E continuam a crescer e cada dia que passa é um mundo e nós vamos percebendo que não vimos o mundo. E sentimo-nos perdidos entre vários mundos, com certezas absolutas do mais importante dos mundos: é ele. Mesmo que não reclame por nós, interiormente sentimos a sua falta e a falta que lhe fazemos e choramos por dentro e transformamos as lágrimas em prendas, quando o que eles queriam era passear de mão dada, era que os fossemos buscar à escola, para nos mostrarem aos amigos e provar que aquele pai e aquela mãe são efectivamente os mais bonitos pais e mães de todos os miúdos daquela escola e arredores, porque se para nós eles são o néctar da existência, para eles, nós somos os melhores e os maiores e eles fazem questão de mostrar isso mesmo aos amigos e de os fazer invejar aquela mãe e aquele pai, que é deles e de mais ninguém.

E continuam a crescer. E os dias passam e nós sentimos na pele o crescimento deles e surgem espaços vazios que só podem ser preenchidos com brincadeiras deles e palavras ainda mal aprendidas e beijos lambuzados de chocolate e imitações dos nossos gestos e quererem vestir a nossa roupa e exigirem que sejamos da idade deles para brincarmos também. E é tão bom não nos lembrarmos que estivemos o dia todo preocupados em não rasgar as meias, mas quando os vemos ao fim do dia, caímos de joelhos para aquele abraço, em que lhe queremos dar tudo e dizer que, se depender de nós, damos-lhe o mundo e roubamos a lua para que ele possa brincar com ela a noite toda.



Bonecarussa



Impressão Digital Cereza às 23:05
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19 comentários:
De Selvagem Anónimo a 2 de Março de 2006 às 23:50
Hà quem sonhe com uma casa com piscina. Hà quem queira um bom carro, um barco ou um aviao. Hà quem sonhe com uma vida em que nao precise de trabalhar saida de um Euromilhoes qualquer. Pois hà coisas bem mais simples e importantes que satisfazem muito mais. As crianças, essas pequenas criaturas que temos a responsabilidade e o dever de cuidar o melhor que pudermos e soubermos. Sao elas o amanha, que se quer melhor do que o nosso hoje. Conseguiremos hoje?... Eh fundamental o investimento na educaçao, seja em casa, seja ao nivel estatal. Se hà cortes orçamentais a serem efectuados, nunca jamais na educaçao! Compromete-se o desenvolvimento futuro do pais. Eh obrigaçao de todos os intervenientes no percurso de um novo cidadao, pais e estado, proporcionar-lhe tudo o que possa contribuir para a sua plena formaçao. Mas afinal, disto alguém tem duvidas?flyman
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De Selvagem Anónimo a 3 de Março de 2006 às 00:14
São tudo mesmo. Muito mais do que se possa imaginar. E nem sonham a falta que fazem quando não estão cá.formasdolhar
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(mailto:formasdolhar@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 3 de Março de 2006 às 10:03
Na minha casa éramos seis ao todo. Tudo o que se comprasse era a dobrar, tudo em grandes doses. Hoje ainda continuo a achar ridiculo comprar 150g de fiambre ou 2 embalagens de leite! Passei a minha infância a andar de carrinha, a lotação de um carro normal não chegava. Eu era o mais novo, era eu a criança. Esburacava o quintal juntamente com os cães, fazia do detergente da roupa as tempestades de neve... e muito soldado de plástico queimei eu... entre tanta coisa mais. O tempo nunca parou, nem nós. Hoje estamos por metade nesta casa e um dia serei eu a sair, é natural. Continuo a ser o mais novo, já não esburaco o quintal com os cães, sento-me ao Sol e fumo um cigarro com eles, falamos um pouco da vida e tal... Agora a casa quando enche.. deixámos de ser "apenas" seis, somos treze... a caminho de catorze. Acho que não se ficará por este número, o que é bom... muito bom! Tenho quatro meninas maravilhosas que futuramente serão cinco. E a luz em que tudo se torna quando cá estão. Reaprendi a linguagem do "Tóiatóia" e a fazer rabiscos num papel... e aqueles olhos maravilhados ao ver o tio. Aiii que alegria! Hoje continua-se a comprar em dose industrial, já não andamos de carrinha... andamos em comitiva! Crianças, pois somos! Eu cá continuo o parvo de há uns anos, vou tentar preservar-me... vou vou! Um beijo minha criançada! :) (A imagem por acaso não é do album dos Nirvana - Nevermind?)Marco Neves
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(mailto:megabife@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 3 de Março de 2006 às 10:04
São isto tudo e mais ainda.Mas so te referes á primeira fase da vida deles, eu ja estou na segunda, quando eles ja nao te dao a mao na rua, quando ja tem o seu espaço, quando ja nao tem piada estar juntos dos pais quando refilam porque tem borbulhas, quando demoram horas p escolher a roupa e tanta coisa mais.No entanto agora preparo-me para a seguinte, aquela das horas sem dormir porque ele nao chega, as saidas com amigos que eu nao conheco, as namoradas.... Bom ja nao me alongo mais senao daqui a pouco tenho o meu puto casado.Bom fim de semanaBlocas
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(mailto:Blocas@blo.com)


De Selvagem Anónimo a 3 de Março de 2006 às 11:08
Não sei se vos deprima,se fique calada....No entanto aproveitem cada momento,mas sem os abafar!!Pelo sim pelo não,jinhos para todos e bom fim de semana...Há um bolg que eu costumo ver(em silêncio,pq não conheço ninguém)mas cada vez que lá vou,fecho-o sempre com um sorriso,o quotidiano dele com a filha,são uma ternura!!!A cereza colocou-o ali ao lado-------->´´Vida De Casado``marta
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(mailto:martax_30@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 3 de Março de 2006 às 11:12
Não podia deixar de comentar pois é verdade! Eu própria sinto isso. Não tenho idade para ter filhos, e sobrinhos também não os tenho. Mas o sentimento de ternura por crianças é imenso e ate agora a vergonha de o demonstrar ainda maior.
Por vezes, ainda digo que gosto imenso de crianças mas que é só por umas horas e que depois voltam para os pais, mas não é verdade. O gosto por cativar esses pequeninos seres não passa por meras horas mas por horas infinitas.
Por um acontecimento muito importante para mim, o de ser madrinha, comecei a luta, que ainda não terminei, contra essa vergonha.
Também não tenho falado no meu afilhado tanto quando gostava para não pregar seca aos amigos pois eles dizem-se dessa geração moderna em que negam o casamento e filhos. E quando se fala nisso com quem se namora??? O medo aumenta pois não os queremos assustar... e a luta continuará até que chegue a altura de sermos “crescidos” e que a vida se encaminhe para já não ser tão mal visto esse nosso carinho.UmaJovem
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(mailto:marta_Santos@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 3 de Março de 2006 às 12:32
Quando me perguntam se eu não tenho saudades da familia o meu primeiro pensamento vai logo para os meus irmãos. Esteja onde estiver, seja por quanto tempo for, tenho saudades daquelas pestes!! Parece que têm pilhas duracell principalmente a mais pequenita que nunca pára de falar, chego ao final do dia esgotada, mas depois quando chega a altura de os aconchegar na cama só me apetece abraçá-los! O meu irmão diz que é pré-adolescente e também já não quer levar esta roupa e blá blá. A rapariga é muito vaidosa e passa a vida a cantar. O que mais me faz corar é que quando lhe perguntam o que ela quer ser quando for maior ela responde como se fosse muito adulta "ainda não sei, porque gosto de muitas coisas, mas sei que quero ser como a minha mana". Ela ainda nem diz os érres e dá assim respostas que me deixam sem palavras!! Também sempre vivi rodeada de putos, embora já tivesse 9 anos quando nasceu o meu irmão. Dos primos era também a mais velha, mas como moramos todos na mesma rua, estavamos sempre juntos. De há uns anos para cá que nos tivemos de dividir nas festas, porque infelizmente qualquer das casas da familia é pequena para tanta gente. Comecei a sentir o peso de ter um filho com os meus irmãos e mais recentemente com uma afilhadita. Gente mais velha da familia sempre que me põe os olhos em cima perguntam logo quando é que eu tenho um! (eu bem explico que lá por andar com duas cadeirinhas de criança no carro não quer dizer que já queira um)lol! Sinto-me preenchida com os meus irmãos, com as asneiras que fazem e as surpresas que alegram o coraçãovanessa
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(mailto:mina_aeternus@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 3 de Março de 2006 às 13:33
Bonecarussa, excelente tema!!! agora já viste porque anseio ser avó ihihihihi volto mais logo para comentar jokas lua_de_avalon
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(mailto:ermelinda_1955@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 3 de Março de 2006 às 13:54
Não tenho pachorra para criancinhas. Nem sequer gosto muito delas.
Se nascessem já com 18 anos era o ideal!
Sim sim ,sou uma megera!lolTex
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(mailto:texazinha@iol.pt)


De Selvagem Anónimo a 3 de Março de 2006 às 14:12
Sem desprimor pelos restantes comentàrios, quero salientar o de UmaJovem, que interpreta este tema sob o prisma daqueles que até ainda hà pouco eram crianças. No entanto por muito que nao queiram, ou que neguem, continuam à sua maneira a ser tudo, pelo menos para os pais. Como jà sao "crescidos", acham que nao podem ser sensiveis (lamechas). Quando crescerem mais, acabarao por descobrir, se tiverem dispostos a isso, que là pelo facto de serem adultos podem ser lamechas, sensiveis e chorar à vontade. Para bem deles. UmaJovem, benvida à comunidade! :)flyman
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(mailto:flyman_pegasus@msn.com)


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