Quinta-feira, 10 de Novembro de 2005

Portugal - Três Regiões

Já ninguém tem dúvidas que o UJ cresce dia para dia... e uma das razões são os excelentes "paineleiros e paineleiras" e a grande diversidade de temas que por aqui passam... Por isso, para quem ainda não sabe, já temos um novo dominio, que em breve será a nossa nova e luxuosa casa!

De um conto erótico, na minha opinião irrestivelmente bem escrito pela nossa mais recente aquisição, a Lena, passamos para uma analise sobre o nosso país em relacção ao resto do mundo... O tema do Flyman é como as cerejas... parece que nunca estamos satisfeitos com o que escrevemos.. queremos sempre mais...

Hoje recebi este "verdadeiro" estudo feito pelo Abel, que apesar de estar "atulhado" em trabalho... não resistiu... é uma "perola" que vale a pena ler com atenção... Tentei esmerar-me na sua apresentação, porque de facto o merecia! Abel, sei que gostas que ponha música portuguesa no UJ... Para ti este "Pronuncia do norte para ti"!


papoilas copy.jpg



“Em Portugal tudo está feito para dar errado mas inexplicavelmente tudo dá certo” (João César das Neves). Os escassos recursos que nos oferece a nossa pobre terra devem ser estrategicamente bem geridos. Até aqui, o desenvolvimento tentado nunca resultou como o povo português gostaria, e os benefícios nunca compensaram os sacrifícios pedidos (está à vista).

Os problemas do Algarve não são iguais aos do Minho, aos de Trás-os-Montes, do Alentejo, de Lisboa, etc. Na diversidade, encontramos alternativas de actuação e até gostávamos de, em uníssono, não dizer que “para lá do Marão mandam os que em Lisboa cá estão …” (Mero engano? ou será que estes têm a mania da ubiquidade?). Nem tudo na governação deve gravitar à volta dos cérebros de Lisboa porque as Regiões também têm boa massa critica.

“O governo deve governar o País e não as Regiões. Isto já lhe dá muito que fazer do que se preocupar com problemas que dizem respeito às autoridades Regionais (não municipais) ” (Valente de Oliveira).

Na Europa, apenas nós e os gregos estão “in” neste tipo de comportamento. Esta questão é emocionante e gostaria de me alongar…porque há muito para explorar, tendo em conta que o meu trabalho na Comissão de Coordenação da Região de Lisboa e Vale do Tejo (CCRLVT) permitiram-me muito contacto com esta realidade. Como exemplo, basta mencionar as Ilhas como senhoras autónomas da sua gestão, bem como dos seus dinheiros, Não se ouvem as autarquias das nossas Ilhas porque depositam confiança numa só voz que as representa. Há grandes dificuldades na gestão das autarquias do Continente por não possuírem um representante regional (de nível superior) que lhes ajude.

Já ouvimos opiniões e teses na comunicação social, embora opostas, que mereceram o meu respeito e aprovação porque foram bem fundamentadas e apresentadas e, como tal, válidas. O Senhor João Jardim gargalhou com o resultado do referendo porque continuou a ser o único a reivindicar direitos (bater o pé), dando a entender que faz tudo o que lhe vem à real gana… (nula rivalidade) A regionalização que se pretendia para o continente excluía a função legislativa (privilégio nas Regiões da Madeira e Açores). O que se pretendia era exclusivamente uma boa gestão dos recursos, a responsabilização dos seus gestores (e não a penalização dos partidos que governam o País) perante o eleitorado e uma certa ordem no planeamento, quer regional, quer municipal porque os Governos Distritais são inocuamente meros espectadores e não respondem às solicitações de competitividade global. Pretendia-se uma representação do poder Local, de nível superior ao actual, que fizesse valer os seus direitos junto do poder Central, dado que o actual está disseminado por 352 municípios dispersos pelo País, não fazendo estrategicamente qualquer sentido (dividir para reinar).

Em minha opinião, estes multi-feudos deveriam ser reduzidos porque são excessivos dada a nossa pequenez.
Em consequência, reduziria certamente o peso dos ministérios. Cinco Regiões eram, não direi óptimas, adequadas tal como preconizou o Senhor Valente de Oliveira, que durante os dez anos que esteve na governação foi, paulatinamente, preparando terreno para a alteração necessária ao desenvolvimento das regiões e do País, logo que fosse oportuno.

Embora seja saudável que opinemos sobre esta questão, é também muito importante que fundamentemos as nossas posições sem fazermos crítica gratuita. Por isso, devemos estar suficientemente esclarecidos porque esta é uma boa conselheira. Por não estarmos a ser informados, não critiquemos ninguém. A grande maioria não é analfabeta. Não esperemos obcecadamente pelos esclarecimentos dos outros porque são raros os que se prestam a isso. Nem os nossos políticos estão dispostos porque não tem sido seu apanágio e, normalmente, opinam consoante a sua cor clubista (arriscamo-nos a balir a sua melodia…). Nem esperemos que a comunicação social nos ajude porque essa normalmente baralha as nossas ideias.

Essa busca deve partir de nós próprios porque há no mercado alguma bibliografia sobre a matéria que nos poderá elucidar. A regionalização (ou não) tem como grande objectivo, o bem-estar das gentes da nossa terra.

Ao longo da nossa história houve apenas uma ou duas tentativas de concretização, embora a questão estivesse sempre muito presente em algumas mentes. “Meditar é familiarizar-se com uma nova maneira de ver as coisas” (Matthieu Ricard). Mas esta visão carece de persistente enriquecimento através do conhecimento dos fenómenos. A meditação sobre regionalização e conhecimento são indissociáveis, tal como um pássaro não pode voar com uma só asa. Sem conhecimento dos fenómenos a decisão é cega, tal como nos julgamentos populares (linchamentos). Devemos por isso procurar compreender a natureza última das coisas para sermos capazes de levar o nosso desenvolvimento ao mais alto nível. Modernamente, ilustres actores da nossa praça levaram à discussão tal tema, quer através de escritos ou pela simples palavra através da comunicação social: Freitas do Amaral (D.G.A.A.), Valente de Oliveira (Ministério do Planeamento), José António Santos (livros Horizonte), Nunes Liberato, Luís Sá (U.T.L), Manuel Porto, Marcelo Rebelo de Sousa e outros cujo conhecimento técnico não devemos pôr em causa.

“O mundo que criamos como resultado da mesma forma de pensar até agora, tem problemas que não podem ser resolvidos pensando da mesma maneira como fazíamos quando os originamos” (A. Einstein). Complementado, e sem se conhecerem, dizia Mahatma Ghandi que “nós temos que ser o veículo de transformação que desejamos ver no mundo”, em nosso benefício e no dos outros, independentemente das discordâncias de pensamento. Fela Moscovi refere que “divergências são portas abertas que se abrem para descobertas acerca de nós mesmos e dos outros”. Continua dizendo que “a discordância mobiliza o grupo e, por isso, é necessário saber aproveitá-la”.

Mas em que divergem os discordantes da nossa terra, dado que o bem-estar de todos é a maximização dos escassos recursos e objectivos? Em nada.
E onde convergem então os discordantes? No bem-estar de todos porque todos desejamos a dissipação dos problemas da Região.

“A César o que é de César” e as preocupações existentes no Marão são para os que lá estão. Esses têm personalidade e razões que não são do âmbito da nossa percepção. Nem nossa nem dos nossos governantes porque viveram, vivem e viverão para cá do Marão.
O que nos une então? Algumas preocupações e outras tantas … sem explicação… Não fora o nosso comportamento cultural, sempre sereno, e a riqueza da gastronomia (sardinha, bacalhau, cozido, sarrabulho, enchidos, caldeirada, xarém, peixinhos da horta, pezinhos de coentrada e muitas mais coisas deliciosas) teríamos problemas com a nossa Central Governação.

Infelizmente, quer o Einstein, quer o Ghandi ou Fela Mascovi desconheciam certamente as coisas maravilhosas das nossas regiões que nos orgulham na união e na separação. Azar o deles…



Abel Marques
9/11/2005


rio.jpg


Há um prenúncio de morte
Lá do fundo de onde eu venho
Os antigos chamam-lhe renho
Novos ricos são má sorte

É a pronúncia do Norte
Os tontos chamam-lhe torpe

Hemisfério fraco outro forte
Meio-dia não sejas triste
A bússula não sei se existe
E o plano talvez aborte

Nem guerra, bairro ou corte
É a pronúncia do Norte

Não tenho barqueiro nem hei-de remar
Procuro caminhos novos para andar
Tolheste os ramos onde pousavam
Da Geada as pérolas as fontes secaram

Corre um rio para o mar
E há um prenúncio de morte

E as teias que vidram nas janelas
esperam um barco pareceido com elas
Não tenho barqueiro nem hei-de remar
Procuro caminhos novos para andar

E É a pronúncia do Norte
Corre um rio para o mar



GNR e Isabel Silvestre




Impressão Digital Cereza às 03:40
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24 comentários:
De Selvagem Anónimo a 10 de Novembro de 2005 às 08:44
Bússola escreve-se assim!xxxxxx
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(mailto:xxxxxx@xxx.xx)


De Selvagem Anónimo a 10 de Novembro de 2005 às 10:06
Antes de comentar o texto e desde já quero expressar o meu agradecimento pessoal pela correcção feita no 1º comentário. De facto, é um erro brutíssimo e indesculpável e deve ser por isso que a letra da canção me pareceu desnorteada... perdoem-me mas, chego a pensar que, sendo a letra dos GNR, não será a bússula a causadora dos problemas dentro da corporação...? Ainda bem que se substituiu bússula por bússola, é que eu antes disso não tinha percebido nada nem do texto nem da letra. Abraço de bom dia ao UJ.Lena
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(mailto:bonecarussa@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 10 de Novembro de 2005 às 11:11
O que separa também une. Não tenho dúvidas sobre isto. Sobre o resto, já não digo o mesmo... Concordo com a falta de informação sobre o assunto pois normalmente há dois pontos de vista: o de quem não se interessa nada pela questão e o de quem sabe que tem algo a ganhar com ela... Abel dizes que “Essa busca deve partir de nós próprios porque há no mercado alguma bibliografia sobre a matéria que nos poderá elucidar.” Percebo a tua intenção mas é sempre mais fácil alguém pensar por nós... e como achamos sempre que estamos no pelotão que marcha ao contrário, acentua-se o desinteresse e/ou, também, a critica fácil, a opinião de quem tanto lhe dá uma coisa como outra porque sentem que tudo ficará na mesma. /// Confesso que acho enigmático, e me revolta, a quantidade de câmaras municipais e suas cortes que proliferam em rectângulo tão pequeno como este nosso. Dizem que é muito difícil mudar e alterar esta situação... será? Falas em Einstein e ele dizia que a maior força que existe é a força de Vontade (se não foi exactamente assim, foi mais ou menos...), logo, tudo se faz e tudo se muda! Os feudos de que falas são geridos (?) por quem tem ‘conhecimento dos fenómenos’ da sua terra, ou seja, dos seus próprios interesses porque é muito fácil mesclarem-se e disfarçarem-se as conveniências próprias com um suposto empenho comunitário. /// A grande maioria das coisas que fazemos só são em beneficio de outrém por engano ou porque, por arrasto do nosso próprio beneficio, beneficiamos os outros. /// Na época actual, em que vivemos um verdadeiro tempo de antecipação, há que adequar as situações e, até na senda do que disse ontem sobre o post do Flyman, os próprios países já não são o que eram e, da mesma maneira que vamos mudando a roupa de acordo com as estações do ano, assim temos que antecipar e trabalhar e fazer e agir e empreender de acordo com novas ou antigas necessidades, mas com o mesmo objectivo: melhorar as condições! /// Não tenho partido e não há programa eleitoral que me convença. Acredito em pessoas. Mas se, por um lado, considero que 4 anos não chega para fazer nada, pois é o tempo necessário para se mostrarem as diferenciações com os outros, por outro, hoje em dia a Rapidez marca o ritmo como nunca marcou e queremos objectivos cumpridos já, agora! E mesmo sabendo que Roma e Pavia não se fizeram num dia, estamos interessados é num bem estar imediato e imediatista. Achamos que dá muito trabalho esperar seja por que for e continuamos a dizer que quem venha atrás que feche a porta... esquecemos que vem atrás são os nossos filhos. Quem vem atrás é o Futuro.Lena
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(mailto:bonecarussa@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 10 de Novembro de 2005 às 11:17
Só mais uma coisinha... Abel, nunca provei xarém! /// Cereza, mesmo sendo alentejana, adoro a pronúncia do Norte, mexe comigo... Lena
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(mailto:bonecarussa@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 10 de Novembro de 2005 às 14:22
Tava complicado de entrar aqui!...porcaria do sapo!///Partindo do post do flyman e do abel... confesso que não sei se a regionalização seria uma solução 100 por cento positiva para Portugal. Tomemos como exemplo o nosso pais vizinho a Espanha. De facto com esse processo desenvolveu-se bastante.. se não me engano cerca de 8 por cento, enquanto portugal registou zero. Mas é a regionalização que cria grandes atritos entre regiões do mm pais. Basta reparar no exemplo da catalunha (e não só) e madrid (apesar desta rivalidade vir já dos tempos da ditadura - sempre houve uma oposição da catalunha ao poder central de madrid) uma rivalidade que se tem acentuado cada vez mais.Para haver descentralização em Portugal, teria de haver um investimento a nivel de instrução da populações, o que considero muito complicado.
De qualquer maneira, não qerendo ser contraditoria no que digo... não sou a favor da municipalidade!!!!
Quando vejo o povo eleger pessoas como a fatima felgueiras, velentim loureiro, isaltino morais... e não sei quantos mais... fico muito preocupada abel!

cereza
(http://bbb.blogs.sapo.pt/)
(mailto:lis_tv@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 10 de Novembro de 2005 às 14:39
Só quero que me digam em primeiro lugar o que é que entendem
por regionalização, o que é que vão fazer com a regionalização,
a que desafios pretendem responder com a regionalização.
E são os nosso politicos que o têm de fazer.
Confesso que não estou muito dentro do assunto Abel,mas gostei da tua perspectiva.
Há que pensar na coesão nacional,e não esquecer a forte
unidade linguística, cultural, social, histórica e geográfica..
De facto está a acontecer uma terrível desertificação
do interior do país, com o crescente peso demográfico das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto,é um Portugal diferente que está a surgir, suburbanos histórica e culturalmente desenraizados,um Portugal com metade da população em zonas suburbanas, como Loures, Barreiro, Almada,Vila Franca, Espinho, Gondomar, e outros subúrbios.
Será que o Portugal da História, o de Trás-os-Montes, Beiras,Alentejo e Algarve,irá passar á história.
Assiste-se ao fecho sistemático,porque repetido todos os anos, de escolas primárias nos distritos do interior,as aldeias desabitadas,revelam a desertificação
humana da maior parte do território nacional.Se a regionalização for para melhor que venha ela,quero é entender a forma como seria feita.Nada pior para um país que divisões internas.Estou-me a recordar de Espanha,ex-juguslávia,Belgia por exemplo...em que os ódios e rivalidades são uma constante...Depois lembro-me dos poderes locais como,Lisboa, Porto,Coimbra,Felgueiras,Marco de Canaveses...lolol
Sou pela coesão nacional, respeito identidade nacional,e essa identidade é um portugal de transmontanos, minhotos, beirões, alentejanos e algarvios....E haja peixinhos da horta com fartura :P
marta
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(mailto:martax_30@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 10 de Novembro de 2005 às 15:12
Regionalização qualquer das soluções poderá ser boa ou má. O sucesso da regionalização depende muito da forma de implementação, em particular, da «leveza burocratica» das estruturas de suporte e da forma de interface entre regiões e entre estas e o poder central, o reforço da municipalidade, com a organização político-administrativa actual, é enormemente dependente da qualidade de um pequeno número de pessoas e da capacidade de gestão, para encaminhar os dinheiros que são distribuidos à região, sem que o governo tenha que interferir na gestão mas sim fiscalizar e vigiar, e a população encarrega se de punir ou não a boa ou má gestão.luadourada--
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(mailto:ermelinda_1955@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 10 de Novembro de 2005 às 15:25
'Suspeitos do custume', que venham os 'testas de ferro', e que toque a banda 'Brigada da Crise'. Roda o disco e toca o mesmo! Agora pergunto eu... De que futuro falas tu, querida Lena? O que vêm atrás que feche a porta... Que porta Lena, explica-me!, que eu quando lá cheguei, deparei-me com uma porta fechada? Queres que eu toque mais quantas vezes para abrirem-me a porta!? Quantas portas mais tenho eu de bater para ser atendido!? (ass: Um jovem!)Suicidal_kota
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(mailto:cromokamikaze@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 10 de Novembro de 2005 às 15:36
Também não nos podemos esquecer de uma coisa... Com as coisas deste modo, o futuro que vocês afirmam tão habilmente, o "último que fecha a tal porta", está descrente com a politica e com os politicos! É excusado dar exemplos!!! Aos meus olhos não confio em qualquer politico porque não existe coerência entre partidos, levam as vidas pessoais para a politica, usam isso como arma!!! Nós, jovens, o que é que nós vemos? Desorientação, má gestão e a emigração como um escape à má situação do país!!! Um pais faz-se de poder de compra... coisa que não vejo nas classes que carregam com o pesado fardo das finanças! Correram "ene" anos e não se vêem melhoras!!! Cada vez vejo, como um jovem, que só existem mesmo duas coisas certas na vida: Os impostos e a morte! Suicidal_kota
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(mailto:cromokamikaze@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 10 de Novembro de 2005 às 15:53
This one's for the workers who toil night and day
By hand and by brain, to earn your pay
For centuries long past for no more than your bread
Have bled for your countries and counted your dead
In the factories and mills, in the shipyards and mines
We've often been told to keep up with the times
For our skills are not needed, they've streamlined the job
And with slide rule and stopwatch, our pride they have robbed.
We're the first ones to starve, we're the first ones to die
The first ones in line for that pie in the sky
And we're always the last when the cream is shared out
For the worker is working when the fat cat's about!
Suicidal_kota
</a>
(mailto:cromokamikaze@hotmail.com)


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