27 comentários:
De Selvagem Anónimo a 23 de Agosto de 2005 às 09:33
Mais que um relato de viagem, este texto é uma lição de história. Parabéns, Abel, pela forma genial como exprimiste a realidade de um povo fortemente marcado pela história. Adoro viajar e tenho a certeza que um dia irei a Cuba experimentar a sensação apoteótica dos contrastes que nos entram pelos olhos dentro. Foi bom ler-te de novo! Beijinhos ***Safira
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(mailto:saphireonearth@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 23 de Agosto de 2005 às 10:55
Heii!!Fantástico Abel,o teu relato...(fiquei aqui a pensar em tanta,mas tanta,tanta coisa......Na adolescência,no quarto de um dos meus irmãos,cheio de posters do Che Guevara,nos livros e musicas,guardados quase em segredo....depois lembrei-me também da alegria dos povos mais pobres....ainda ontem se falava aqui em viver o presente...enfim!!!)Beijinhossssssssssssmarta
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(mailto:martax_30@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 23 de Agosto de 2005 às 11:16
Eu, como toda a gente, já sabia grosso modo o que é a realidade cubana. Tive uma consciencia mais real, sem nunca lá ter ido, e não estar nos meus planos lá ir, quando uma amiga minha, farmaceutica, lá passou férias. De prevenida que já ia, resolveu atestar a bagagem de tudo o que era medicamentos, amostras de grandes laboratórios, e por lá os distribuiu. Isso valeu-lhe um contacto mais directo com as pessoas, tendo sido convidada para casa de algumas delas, onde 2º me contou foi extremamente bem recebida e melhor alimentada com iguarias que não existem nos hoteis. Também me contou que apesar de toda a pobreza existente, o povo era alegre, e quando tocava a festa era para todos.formasdolhar
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(mailto:formasdolhar@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 23 de Agosto de 2005 às 12:12
O Che Guevara é o maior! O Fidel até manda cenario ... Cereza quando me dás uma boina como a do CHE? Abel, Parabens :DFonz
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(mailto:malcato@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 23 de Agosto de 2005 às 12:28
Que bem que tu escreves, Abel....até dá gosto! Também gostava de escrever assim.
Deste a conhecer uma realidade que já conhecemos de ouvir falar, mas agora puseste-nos dentro dela, de uma forma muito eloquente. Parabéns Abel!frisco
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(mailto:frisco@sapo.pt)


De Selvagem Anónimo a 23 de Agosto de 2005 às 17:15
Como vos tinha dito, as minhas férias foram em Cuba... Não deu para ter uma noção do país, porque fiquei por Havana "a capital" e Varadero ... paraíso turístico a que poucos cubanos devem ter acesso, ou nenhum ... Constatei com os meus olhos que os próprios empregados iam para uma praia refugiada um pouco distante da estância turistica... Pareceu-me ser um país em que dão muita importância à cultura como a escolaridade gratuita até ao final da faculdade, pelo que constatei que analfabetos não há... parecem dar muito valor à música e não só (salsa, rumba como tantas outras ), bailado, cinema... Além disto, é sem dúvida um país de contrastes, entre um passado com edifícios lindíssimos, carros excelentes (isso é o que mais passa) e um presente um tanto ou quanto decadente, em que tanto os edifícios como os carros (na maioria) são os mesmos e sem grandes consertos...
Para além disso, nota-se o esforço por manter viva a alma da revolução e do sistema político em que vivem!... Gostei o que escreveste Abel... quando for grande quero escrever assim!!!luadourada--
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(mailto:ermelinda_1955@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 23 de Agosto de 2005 às 18:03
Querido Papá...Estou Impressionada...cada dia que passa me surpreendes mais...não tenho palavras para descrever o que sinto pelas emoções que transmites nestes belos versos tão emocionantes e transparentes!!! Fantástico!!! Espero mais de ti...Nunca desistas... Beijinhocabeça vermelha
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(mailto:xana_2u@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 23 de Agosto de 2005 às 18:12
Antes de começar a minha dissertação começo por agradecer mais uma vez à Cerezinha a abertura da janela para expor a todos um pouco do que senti e meus olhos viram. É bom sentir que muitos se interessam pelo que escrevo. A todos também o meu abraço de gratidão. Estou siderado quanto à montagem efectuada no Urban Jungle. Não podia esperar melhor! Dei os meus primeiros passos na actividade profissional como operador de estação radiofónica (RCA) e o serviço militar interrompeu tal carreira. Encontrei nela muitos nomes através dos quais muito aprendi como profissional e para a vida. Nomes como Pereira Venâncio, Luísa Venâncio (Rangel), Carlos Sanches, Alexandre Caratão, Emídio Rangel, Pereira Coutinho (ainda novatos nessa altura) e tantos outros que conviveram comigo. Isto para dizer como já nessa altura era importante a montagem (embora sem imagens) para dar cor à notícia ou aos casos surgidos e apresentados. Tendo em conta que este é um aspecto directamente relacionado com o serviço de comunicação, onde a Cereza se insere, o envolvimento com que a Cereza decorou o meu humilde texto é no mínimo sublime. Não encontro palavras para caracterizar o máximo do seu bom gosto. A música adequadíssima (Orei para que não fosse música de língua inglesa… sua paixão), as imagens coloridas, expressivas e significativas deram ao texto a saliência que julgo escapará a poucos. Mesmo aos que não têm propensão para a poesia, a esses também eu agradeço porque sei que irão ler tendo em conta a bela montagem com tal colorido. De tudo o que tenho visto na Internet este Blog é incomparavelmente dinâmico e importante na animação cultural
Nada de más interpretações. Eu não amei, apenas gostei de Cuba e não escondi esse facto. Por princípio, nunca volto ao mesmo lugar porque entendo que o mundo tem muitas coisas belas, menos belas e até feias que são sempre dignas de se ver. Este corpo não vai ter tempo para ver tudo o que o mundo proporciona e eu anseio ver o máximo enquanto não me for. Amei os Açores que, de tudo o que visitei até hoje, foi o sítio que mais adorei. É nosso, está bem pertinho de nós e são um pouco de nós. Gostei também da Áustria e Holanda. No entanto, outros lugares que não gostei não dei por mal perdido o meu tempo porque sempre aprendi e conheci outras coisas que são diferentes da nossa realidade. O que me desgostou em Cuba foi o carácter exploratório que mais adiante explicarei. No entanto, se me tivesse apercebido, com uma certa antecedência, daquilo que me falaram e que só entendi quando me confrontei com a realidade e comecei a sentir o embuste político, certamente não teria lá ido. Como já lá fui, não me arrependo também desta vez. Que é um povo fascinante, humilde, ansioso por ajudar os turistas (e também vender e por bom preço, se possível, como fazem quase todos os povos que recebem turistas) tudo isso foi relatado na minha descrição textual. É um país de contrastes como são todos os povos que tiveram a sua origem por cima de uma civilização ameríndia e que prevaleceu a junção de europeus e africanos. Estão neste lote todos os países da América Latina e podemos incluir os Estados Unidos e O Canadá, embora estes dois últimos com um carácter diferente. Talvez porque entrou neste caso a cultura anglo-saxónica, por isso são diferentes mas não deixam de ter aspectos contrastantes. Os cubanos são pobres, é evidente para quem lá vai, mas não se vê ninguém a pedir nas ruas porque as entidades asseguram o mínimo de sobrevivência para todos. Não só em termos de alimentação mas também na saúde e educação como é conhecido de todos nós. Não é por acaso que é o povo que em termos médios têm das maiores taxas de longevidade apenas superada pela Noruega e Suécia se a memória não me falha. Isto trás à baila três factores subjacentes. Ninguém passa fome, ninguém tem falta de assistência médica e todos podem ler. A leitura mexe com o cérebro que também é um órgão que necessita de ginástica (Não se esqueçam de dar actividade a todos… os órgãos, sem excepção… do vosso corpo. Quem não ama não tem razão para continuar neste mundo…”Quando a alma não aprende mais, o corpo falece.”
Os heróis: Segundo informou o guia, Cuba não tem por hábito fazer estátuas de heróis vivos mas sim de mortos. Ora, em minha opinião, Che Guevara é de facto um símbolo porque ajudou a revolução cubana e, em especial, ao Fidel Castro na sua caminhada difícil de expulsar quem lhes tolhia o passo. Há imagens de Che Guevara por todos os sítios por onde passamos. Livros e fotos, chapéus, toalhas, etc do ídolo, muito querido, que são constantemente vendidos. É herói porque toda a sociedade lhe dá a devida importância. A isso se chama “MEMÓRIA”. Há muitos heróis que ficam na história mas não com o povo e o CHE (significado: Anda cá ó tu…) ficou no coração das pessoas. Os dois foram amigos, resultado de um encontro no México quando jovens e Che seguiu os passos do Fidel. Para mim, Fidel Castro é também um verdadeiro herói. Foi um líder que levou à frente um povo e despoletou uma revolução. Esteve preso, quase foi morto por isso, e quando chegou ao poder encetou toda uma negociação diplomática com os soviéticos que culminou com a crise dos mísseis como todos nós conhecemos, após o desastre dos americanos na Ilha dos Porcos. Embora os soviéticos tenham recuado, também os americanos fizeram o mesmo porque não tentaram nova invasão. O apoio dos soviéticos foi imprescindível dado que sempre esteve na cabeça dos americanos fazerem de Cuba uma colónia e foi Fidel Castro que os impediu. Isso é de herói e não é para todos. Embora eu ache que mais tarde os cubanos não possam passar sem eles…
Como conclusão acho que ambos foram heróis, mas cada um no seu lugar. Para muitos o Fidel não é nada disso mas talvez por já estar exageradamente naquele lugar. No momento próprio ele foi oportuníssimo, quer queiramos quer não.
Então o que me desgostou politicamente em Cuba? Sabemos que a economias fortes correspondem moedas fortes: Dólar, Euro, Yen e Marco (extinto) são exemplos. Países com grandes produções, global e per capita, excelentes exportações, grandes empresas, multinacionais e tantos outros factores que fazem uma economia forte. Cuba não é nada disso. As suas exportações resumiam-se ao açúcar que os soviéticos faziam o favor de ficar com ela e que agora nem isso lhes absorve. A exportação de charutos não deve ser muito expressiva, do que conheço. A produção interna mal chega para distribuir porque as prateleiras estão latentemente vazias. Não tem factores expressivos que lhes permitam grande poder de decisão internacional. Então é um país de economia fraca. Logo tem também uma moeda fraca (para não dizer fraquíssima). O nosso Portugal, embora com uma economia de quintal ainda vai exportando alguma coisa e, como sabemos é mais forte que a economia de Cuba. Ora, o nosso Portugal para entrar na comunidade teve de trocar um euro por 200$00 (duzentos escudos, + ou -). E cuba recebe um euro dando em troca cerca de um peso convertido (como lhe chamam) e como não podemos comprar em Portugal nem em parte nenhuma do mundo, concluo que essa taxa de 1 para 1 só pode ser inventada. O que é então o peso convertido? Não é mais nem menos que 23 pesos cubanos. Isto é, Cada peso convertido custa 23 pesos cubanos. O mesmo é dizer que cada euro meu (representando um Ferrari) dá em troca 23 pesos cubanos (representando um coche apodrecido que lá têm dos anos 50) e ainda tenho de pagar uma taxa de 11% pelo serviço de câmbio e no final volto para casa sem Ferrari e sem coche. Explicado de outra forma: Cada 23 pesos cubanos valem 200$00. Deveria ser ao contrário dado que a nossa economia é mais forte que a deles. Como posso ficar indiferente a este roubo (Não encontro outra palavra mais delicada ou carinhosa). Fui insensível a esta explicação que me deram cá. Por esta razão fiquei sem vontade de voltar lá.
Não contei tudo para o texto ficar pequenininho. Quando puder conto mais. Na próxima viagem Vou fazer um texto grande... :)))) para delícia de todos…
abel_
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(mailto:barretomarques@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 23 de Agosto de 2005 às 19:48
Abel o poema que escreveste tem vida e representa aquilo que sentiste e vivi um pouco dentro dele. Mas o teu comentário, se me permites que o diga está absolutamente fantástico e devia estar estar como texto no blog e não como comentário! Partilho da tua opinião sobre não voltar duas vezes ao mesmo sítio se o mundo tem tantas maravilhas para ver; senti o mesmo em relação a Cabo Verde, onde conheci um povo, um modo de vida e uma cultura semelhante à que deves ter observado em Cuba: um meio de extema pobreza mas onde as pessoas têm sempre um soriso estampado na cara alegrando tudo e todos através das tradições e da música. Com a diferença que lá, a taxa de analfabetismo é enorme, sobretudo na Ilha do Sal. Mas são estas coisas, este "choque" de vidas é que tornam estes locais místicos e interessantes e dignos de serem visitados. E eu acho que voltaria a ir a Cabo Verde, desta vez com outra perpectiva e com uma bagagem diferente. Penso que daqui a um tempo te pode acontecer o mesmo em relação a Cuba! Um abraço a ti Abel, por partilhares esta história. morgaine
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De Selvagem Anónimo a 23 de Agosto de 2005 às 20:10
"Querido Papá...Estou Impressionada..." Tens que explicar essa melhor oh Abel... não sabia que tinhas outra filha... ai tens tens :)))))luadourada--
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