Domingo, 19 de Fevereiro de 2006

Amadeus Mozart: 250 anos

Também aqui comemoramos os 250 anos, da data do nascimento de Mozart. O texto é do Abel*





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Nada vou inventar, limitar-me-ei a descrever a biografia e um pouquinho da obra do grande génio de música clássica que tem deliciado os amantes do género musical ao longo de mais de 200 anos.
Passados que são 250 anos da data do seu nascimento, os órgãos da Comunicação Social não se cansam de divulgar, quer o génio, quer a sua obra e nós, cujo poste é generalista, não podemos deixar passar o evento em claro. Vamos também fazê-lo com o nosso empenho e à medida da nossa dimensão. Por já ser tardio, assinalaremos apenas o ano da efeméride e não o dia.

Penso que, para a maioria de nós, falar de Mozart significa falar de música clássica, ou de um emaranhado de nomes… de ritmo pachorrento. Algumas das suas composições já as conhecemos. Quem já não ouviu falar em “Bodas de Fígaro”, “Flauta Mágica”, “O Requien”, embora por vezes não consigamos as associar ao mestre. O jovem Mozart nutria grande fascínio por Hydn e Bach, pelo que a sua música recebeu influências.




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Biografia
Dos sete filhos nascidos de um casal de Salzburgo”, apenas dois sobreviveram: Maria Anna (1751-1829), chamada de Nannerl (exímia pianista) e Wolfgang Amadeus Mozart (Bptizado na Catedral de Salzburdo com o nome de Joannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus), nascido em Salzburg (Burgo do Sal), no norte da Áustria, em 27 de Janeiro de 1756, último filho do casal.

Descendente de artesãos, era filho de um professor de música (violinista e compositor talentoso), Leopold Mozart, de Augsburgo (Sul da Alemanha) e de Anna Maria Walburga Pertl de St. Gilgen. Seu pai Leopoldo foi compositor de câmara da corte do arcebispo Sigismund, em 1757, segundo violinista em 1758, e vice-kappelmeister em 1761, local onde o pequeno Amadeus Mozart frequentemente a todos surpreendeu.
Em 24 de Janeiro de 1761 aprende a tocar a sua primeira peça ao cravo (c/ 5 anos de idade) e em Fevereiro desse mesmo ano compõe a sua primeira peça, o Andante em Dó Maior K.1a.

Em 1762 a família deixa Salzburgo e parte numa espécie de digressão onde Mozart dá o seu primeiro concerto público. Viena, Linz, Paris, Londres, Wasserburg, Munique, Augsburgo, Versailles, Lille, Haia, Amsterdão, Utrecht, Antuérpia, Bruxelas, Valenciennes, Dijon, Lyon, Genebra, Lausanne, Berna, Zurique são os locais onde os Mozart tocam nos salões “chiquérrimos” (chiquíssimos) dos palácios e castelos da nobreza, para a aristocracia, incluindo a Realeza e suas cortes. Em 1766 os Mozart retornam a Salzburgo.
Em 1770 a família Mozart faz a sua primeira viagem à Itália, visitam várias cidades, e tocam para o Papa Clemente XIV. Mozart é agraciado pelo Papa com a Ordem da Espora Dourada.

No final do ano de 1777 Mozart conhece a família Fridolin Weber. Apaixona-se por uma das suas filhas, Aloisia (que o enjeita), soprano, e casaria mais tarde com outra filha, Constanze, em 4 de Agosto de 1782. Dos seis filhos que teve este casal, sobreviveram dois, Carl Thomas e Franz Chaver, dado que quatro faleceram no primeiro ano de vida.
Mozart falece a 5 de Dezembro de 1791, aos trinta e cinco anos de idade (por causas ainda hoje desconhecidas), tal como muitos grandes nomes, na pobreza.



A Obra
Mozart deixou um rico e extenso património cujas composições eram orientadas para música vocal secular, sacra e maçónica, instrumental e de câmara. Das mais de quinhentas obras, cujos nomes nada nos dizem…, ouvidas, apelam à delícia do sossego e imaginação… Apenas citamos as mais importantes:
As óperas - As Bodas de Fígaro, Don Giovanni, Cosi Fan Tutte e a Flauta Mágica;
Missa Solene em dó menor, o Requien;
Concerto e Quinteto para clarinete;
Cinco sonatas para piano;
Reorquestração da Oratória O Messias (De Haendel).





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A Vida
Nem sempre foi um mar de rosas. Entre 1772 e 1778 foi uma época penosa e dura para o músico, à qual se acrescenta a morte da mãe em 1778 e os desenganos amorosos. Em 1783 rompe a sua relação difícil com o arcebispo para quem trabalhava e parte para Viena. Por ser fã dos ideais de liberdade (sopram os ventos da Revolução Francesa) aproxima-se da maçonaria que lhe trás alguns problemas.

Vê sucessivos falecimentos de seus filhos à medida que nascem. Em 1783, 1786, 1788 e 1789. Sua filha Teresa morre com apenas seis meses de vida (1788) e supõe-se por falta de cuidados e de alimentação necessária dado o estado de penúria em que Mozart vivia na parte final da sua vida.
Conta-se que “quando menino, um dia brincando no palácio imperial, caiu e foi Maria Antonieta (mais tarde a desafortunada rainha de França) que o ajudou a levantar-se e a limpar o fato. Enxugando as lágrimas e dando-lhe um beijo expressou-lhe a sua gratidão, dizendo: “Obrigado. Quando for grande caso-me contigo”.






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A Música
Não nasci no meio da música clássica e sei perfeitamente que não é fácil gostar dela, tal como gostamos dos Michels, dos Elvis, das Madonas, dos Velosos, das Marisas ou Nízias e tantos mais. A necessidade de estridente silêncio ao longo da vida ensinou-me a apreciá-la, por vezes com muita paixão. Sou, como tantos de vós, leigo na matéria.

Se me perguntarem de quem é e qual é o nome da composição, orquestra, quinteto ou as vozes, certamente que direi disparate em 99% dos casos... Se entretanto as ouvir, a memória delicia-se com os afagos dos sons maravilhosos expelidos pelos violinos, trompas, fagotes, harpas, flautas e tantos outros instrumentos. Se tais gemidos sinfónicos sincronizados forem suavemente libertados por uma excelente aparelhagem estereofónica, tanto melhor.
Se a audição for ao vivo, não é maravilhoso, é simplesmente espectacular música dos Deuses. Sinto como que se todos aqueles instrumentistas estivessem a tocar só para mim, mesmo com o auditório repleto. Por isso, para mim, esses momentos são de infinita abstracção.

São estas as razões pelas quais norteio os meus sentidos para a estação televisiva MEZZO e a Rádio Difusão Portuguesa, Canal 2 (Clássica) para ver e ouvir a espectacularidade musical.
Mas parece haver muito mais gente que, embora nada percebendo do assunto, também se delicia com isso. Estudos efectuados com crianças pré e pós natura, sossegam quando ouvem música clássica, contrariamente ao que se passa com outros tipos de música. Segundo parece, dito por um avicultor português, as galinhas põem muito mais ovos desde que o aviário esteja dotado de música clássica porque, segundo ele, as suas galinhas soltam o stress. Também experimentou com outro tipo de música (tipo Zé Cabra) mas os resultados não foram satisfatórios. Será por isso (sossegar as massas) que anualmente o Centro Cultural de Belém promove a Festa da Música ou será uma tentativa inglória de aculturar os fute(is)bóis?



Sugestão
As sensações abstractas, tal como a música, podem despertar emoções através de imagens como é o caso desta música serena que se associa a uma realidade azul. Se violenta a associação será vermelha. O nosso cérebro consegue criar tais imagens capazes de influenciar o nosso humor. Assim, as imagens agradáveis podem relaxar e modificar a respiração, a tensão muscular, o ritmo cardíaco, pelo que a doçura destas melodias podem ser um relaxante quando nos encontramos sob tensão.

Convido-vos (se pagarem o vosso ingresso) para o CCB. Nunca falto ao evento (2006 – Música Barroca).
Bibliografia: Rincón Eduardo, Mozart, Edição - Mediasat Group, S.A., Editora – Magdalena Saiz, Público Comunicação Social S. A., Porto, 2005// Argolo, Camila (1997), Mozart Vida e Obra, actualização em 2005, http://mozart.infonet.com.br/Index.htm



8//02/2006
Abel Marques



Impressão Digital Cereza às 20:46
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15 comentários:
De Selvagem Anónimo a 19 de Fevereiro de 2006 às 23:01
Abel, excelente texto!!! Eu tenho o prazer de cantar musicas escritas por ele e de durante muitos anos também ter interpretado algumas das suas composiçoes. Uma pena que sempre tive é de os preços na maioria dos concertos de musica classica serem exorbitantes, assim é impossivel atrair mais pessoas.vanessa
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(mailto:mina_aeternus@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 19 de Fevereiro de 2006 às 23:31
Quanto ao texto Abel excelente!!!Também gosto de ouvir música clássica... Cereza também estás de parabens, o video as imagens ah e as pautas... não te esqueceste de nada ... beijos para ti Cereza lua_de_Avalon
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(mailto:ermelinda_1955@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 19 de Fevereiro de 2006 às 23:50
"Mozart falece a 5 de Dezembro de 1791, aos trinta e cinco anos de idade (por causas ainda hoje desconhecidas), tal como muitos grandes nomes, na pobreza." Abel apenas por curiosidade Mozart morreu de uremia deixando inacabado um magnífico “Réquiem” – encomenda de um aristocrata. Foi enterrado numa vala comum, e seus ossos nunca mais foram encontrados... Parbens aos dois Abel e Cereza
RS
(http://hrtt/loljss)
(mailto:Nelia@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 20 de Fevereiro de 2006 às 10:52
Pessoalmente acho triste..a musica clássica é demasiado profunda..em casa é raro ouvir(e tenho uma colectânia de alguns 100 cd´s,acho que nunca vou acabar de ouvir aquilo....)Ao vivo realmente sente-se de outra maneira...foi bom teres escrito este texto Abel,hoje vou ao baú!!...Um beijo ----Ó vanessa,se cantares Avé Maria eu quero ouvirrrrrr,que acho lindo!!!!Eu vi o filme..e se a personalidade dele era como mostra a tela...nem sei como a classificar...apenas me sobra um sorriso,pelo génio que estava dentro dele....marta
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(mailto:martax_30@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 20 de Fevereiro de 2006 às 11:30
Mozart está para a música clássica como os Beatles para o rock. Ou ainda de uma forma mais vincada, revolucionária e importante, segundo o maestro António Vitorino de Almeida, talvez o seu fã português número um. Sou levado a concordar com ele. Apesar de nunca ter assistido aos Beatles ao vivo, assisti a vários concertos de música clássica, em algumas cidades europeias. A primeira vez foi na Academia de Música de Viena, logo umas horas depois de lá ter chegado. Emocionante e inesquecível. Mozart é de facto um compositor genial. Ele devia respirar e exalar música por todos os poros. É uma personagem absolutamente singular na história da humanidade, quer pela sua revelação tão precoce, quer pela sua fertilidade na produção de obras. O contraste disto tudo está no percurso da sua vida, e no seu final miserável. Fica-nos o seu incomparável legado. Obrigado Joannes!flyman
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(mailto:flyman_pegasus@msn.com)


De Selvagem Anónimo a 20 de Fevereiro de 2006 às 13:10
Lembrei-me de uma coisa... Na semana passada chega a minha irmã à minha beira e começa a falar-me de Mozart. Falou, falou... e tudo coisas complexas e que eu tinha a obrigação de saber. Fiquei parva a olhar para ela. Pelos vistos tinha ouvido aquilo na televisão e eram uma data de coisas. Um pequeno pormenor: a minha irmã tem 6 anos e nunca pára quieta um segundo. Serviu para me deixar envergonhada e me sentir pequeninavanessa
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(mailto:mina_aeternus@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 20 de Fevereiro de 2006 às 13:13
Adoro música de câmara. Mozart, Brahms e Beethoven são meus preferidos nesta área. Acho que existe uma áurea especial em torno da música feita para poucos instrumentos, não sei explicar direito o que é... talvez seja o fato de não se poder "mascarar" alguns errinhos de orquestração ou mesmo de composição, que (às vezes) podemos perceber na música orquestral (obviamente não estou me referindo aos grandes mestres).

Não sei se faço-me entender direito... Por exemplo: quando ouvimos 2 quartetos de cordas de compositores diferentes podemos analisar bem mais claramente (e compararmos, por que não?) o poder de inventividade melódica e a capacidade de solução de problemas estruturais melhor do que numa sinfonia, cuja massa instrumental "esconde" certos pormenores preciosos.

Claro que esta é a opinião de um leigo musical. Mas será que estou errado em afirmar que a música de câmara deixa mais claro para nós ouvintes o recado que o compositor quer nos passar?

Sinceramente, não sei se estou escrevendo bobagens, mas acho que apenas óptimos compositores conseguem se dar bem na música de câmara. Entenda-se "se dar bem" como "traduzir da maneira mais aproximada possível aquilo que se tem em mente para a forma de notas musicais".Parabens ao autor do texto

musico
(http://dfhiu/lkjjj)
(mailto:frederico@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 20 de Fevereiro de 2006 às 13:20
Já agora faço também uma sugestão. Se por algum motivo nunca viram o filme Amadeus, vejam! é daqueles filmes que nos ficam sempre na memoria, e acabamos por compreender o genio, o irreverente, sarcastico, o depressivo e alegre Mozart. Compreendemos também o porquê das diferentes fases nas suas obras. Claro que o filme tem muito de fantasia... nunca se soube se Salieri existiu (no filme ele é um compositor, que sempre esteve "tapado" pela genialidade de Mozart - personifica a inveja, e o odio ) não sabemos se mozart ria daquela maneira estridente (como podem ouvir no trailer) mas seja qual for a verdade... a genialidade do compositor está excelentemente representada! Vale mm a pena ver! cereza
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(mailto:lis_tv@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 20 de Fevereiro de 2006 às 18:35
Mais um avez abel....agradeço.
E a ti tb cerejola querida.bejocasMajoca
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(mailto:manejorge@netcabo.pt)


De Selvagem Anónimo a 20 de Fevereiro de 2006 às 21:07
Como alguns de vós sabem tenho alguns poderes extra sensoriais e acabo de falar com... ele. Li-lhe o texto e ele riu-se... disse que era tudo mentira, que era uma pessoa igual a qualquer outra, apenas com a diferença de viver de música e não propriamente de oxigénio... como nós. Disse também que não sabia o que era música clássica... afirmou que é tudo música e que são as ocasiões que fazem a escolha dos ritmos e tudo o resto. Mandou um abraço forte para o Abel... e foi embora.bonecarussa
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(mailto:bonecarussa@hotmail.com)


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