Quarta-feira, 20 de Julho de 2005

Cyber Amor

Trata-se de mais um texto do nosso Maslow. Não será difícil alguns se identificarem nele.
Note-se este texto é FICÇÃO!


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- Olá! Um beijo.

- Hey, então? Estás bem? Um beijo e bom dia...

- Sim, estou. E tu? Aposto que nem ias dizer nada.

(Porque será que, de repente, o dia ficou melhor? Hoje já vou estar melhor, por aqui...Será que está sorrindo? Agora parece-me sempre que me levanto de manhã apenas porque pode estar aqui.)

- Eu? Ia pois... acabei de chegar! Ontem pensei em ti, sabes?

- Sim? E que pensaste?

(Se pudesse dizer-lhe o que pensei, aliás nem o saberia transmitir por palavras!)

- Epah, pensei em ti ...que mais? De repente dei por mim contigo na cabeça.

(Eu sou mesmo estúpido, contigo na cabeça? Bem, está dito.)

- Estás a dizer isso apenas por dizer. Quantas vezes já o disseste antes?

(Apenas quando foi verdade, claro!)

- Não, não o disse muitas vezes, a sério.

- Eu fico contente por teres pensado em mim.

(Ai! Ela fala-me estas coisas e eu corro, louco, para acreditar.)

- Ficas? Tanto ?

(Bolas, eu sei ser chatinho, claro...)

- Sim, muito contente...ontem também fiquei a pensar em ti.

(Hmm! Queria agora saber fazer a pergunta de um milhão de dólares.)

- Disse alguma coisa que não devia, foi?

(Eu não aprendo ... chato mesmo, mesmo.)

- Não, claro que não. Apenas porque sim, gosto de pensar em ti.

(Dizes isso e a mim apetece-me tocar-te. Quase me dói não te ter aqui.)

- Não digas isso, olha que é cruel...Deixas-me assim, esquecido de mim...

- Desde que não te esqueças de mim!

(Será que brinca? Começo a ficar a 200, bolas...acho que tenho que lhe dizer.)

- Sabes, começo a ficar viciado em ti ...imenso! Não sei, sinto saudades, muitas ...

(Porque será que se me eriçam os cabelos enquanto lhe escrevo isto?)

- Sentes? E não tens mais nada para me dizer? Eu espero, take your time!

(Bolas, ou está a rir-se de mim ou, então, sou o maior felizardo do mundo.)

- Sabes, eu sou brutal, e tenho sim, algo para te dizer! Quero-te!

(Agora fique lá com esta, menina mágica.)

- Se me queres, porque não me vens buscar?

(Como será que ela olha agora? Que expressão posso adivinhar no seu rosto, no que dizem seus olhos...Será que também se arrepia?)

- E será que tu vens?

(Quase ouço bater o meu coração. Como estará vestida? Será que a poderia beijar, nos ombros, talvez?)

- Quero que venhas, sim...

(Tremo, já sinto que tremo ao pensar no beijo que está a nascer aqui mesmo, dentro de mim. Como preciso de lhe tocar...)

- Quero tocar-te, os meus dedos já nem me obedecem nesta loucura de te querer
tocar.

- E eu queria tanto que me tocasses, agora!

(Será que ela consegue sentir o que se está a passar dentro de mim, a vontade que sinto de a beijar, de a abraçar...será que sente que lhe afasto a blusa, pouco a pouco, fazendo-a descair, escorregar, até que os ombros dela me pertençam definitivamente...onde me perco em beijos cada vez mais perdidos, na sua pele?)

- Só fazes sentido porque não te toquei, ainda, mas toco-te enquanto te escrevo...como podem ser tão quentes as palavras e tão doce a imagem longínqua de ti. Ferves no meu sangue, o meu sangue ferve também....

(Sinto-me como se os seus seios me chegassem através das letras, negras e rápidas, e se encostassem ao meu peito, nus, túmidos, entregues às minhas carícias e eles próprios, carícias.)

- Estás a fazer-me bem, sim! Quase posso sentir os teus beijos! Estás a beijar-me, eu sei que sim, que no teu pensamento apenas podes estar a beijar-me...

(Epah, o sabor da sua pele, bolas...como é possível que tenha na boca o sabor da sua pele? Queria sentir o cheiro, o cheiro dela... Ai, como me falta o cheiro dela!)

- Eu nem sequer estou só a beijar-te ...começo a imaginar a tua roupa, o formato da tua nuca, começo a imaginar como é bom sentir o calor que libertas nos meus lábios, sinto o teu sabor. Chama-me louco mas juro que sinto o sabor do teu corpo!

- Abraça-me, diz-me que me apertas contra ti e que me fazes sentir como se me quisesses dentro de ti. Diz-me tudo o que sentes, nesse abraço.

(Que estranho! Leio o que escreve e cada vez é mais nítida a sensação de que a tenho presente, aqui, aqui mesmo ao pé. Sinto como se me impelissem molas. A tensão de lhe tirar a roupa, de descobrir tudo aquilo que adivinho, com que sonho, com que alimento toda a minha fantasia, sim. É isso, estou quase louco, sem controlo. O meu pensamento voa e, de repente, sinto como se lhe beijasse o ventre, a curvatura da cintura, como se os meus dedos não parassem mais de a apertar, de a sentir, de a tactear gentilmente, procurando seguir-lhe a curvatura até à anca...quase posso ver a sua tez, a textura da sua pele agitada, uma angústia! A angústia de não lhe sentir o cheiro...)

- Sabes, eu quero-te! Quero-te como se fosses a minha ultima vontade. Não me abandones agora, decide...quando nos vemos?

- Não, não decido. Todas as promessas que encontraste nas palavras, toda a esperança que depositaste aqui, são para viveres aqui. Podes avançar até ao mais delirante amplexo, podes provocar-me até à mais impensada carícia, podes até levar o amor físico às ultimas consequências...mas vais viver tudo isto dentro desta janela. Não há outra realidade, não há amanhã, nem ontem, nem hoje! Há apenas, isso sim, que existe, a tua janela. Eu sou produto da tua imaginação, sou a forma como a tua paixão se consome em si própria! Sou o que não podes nunca ter. Para mim existes só em ideia. Se quiseres, és um pária, um condenado a ausência perpétua. És apenas o que fizeres com a tua escrita. Dou-te todas as coisas, mas não te entrego o meu “Cheiro”!


Acordei ensopado em suor. Esta noite ia jurar que sonhei contigo! Aliás, esta noite ficou marcada nos meus lençóis. Uma humidade e um cheiro a prazer envolvem-me, numa atmosfera estranha e promissora, mas não sei o seu significado. Porque será que me apetece levantar e correr para chegar à “janela” mágica da minha vida? Nunca me apeteceu tanto...



Maslow




Impressão Digital Cereza às 13:53
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21 comentários:
De Selvagem Anónimo a 20 de Julho de 2005 às 14:18
O maslow é um escritor nato...Criador_Sonhos
(http://criadorsonhos.blogspot.com)
(mailto:miguel24lx@sapo.pt)


De Selvagem Anónimo a 20 de Julho de 2005 às 14:37
Confesso que sempre tive dificuldade em entender o cyber amor e as paixões virtuais. Limitação minha, talvez.
Permitam-me algumas considerações...
Triste é o fim daquilo que não começou, que já não vai começar. triste é saber que o nosso amor não existirá fora destas janelas. Porquê? talvez porque a vida fora destas janelas é demasiado (im)perfeita. Para quê mudar algo que já é perfeito? Recordo-me de uma música linda da Adriana Calcanhoto. Reza assim: "Avião sem asa, fogueira sem brasa, sou eu, assim sem você... Tou louca pra te ver chegar, tou louca pra te ter nas mãos. deitar no teu abraço, retomar o pedaço que falta no meu coração. Eu não existo longe de você e a solidão é o meu pior castigo, eu conto as horas pra poder te ver mas o relógio está de mal comigo. Porquê? Porquê? Porque é que tem que ser assim, se o meu desejo não tem fim. Eu te quero a todo o instante, nem mil altifalantes vão poder falar por mim..." Ok, perdoem-me (mais) este excesso. Mais um momento de inexplicável delírio dos sentidos. O que resta agora? O que nos resta agora? Algo ecoa na minha cabeça... memória... "A Persistência da Memória". Obrigada Salvador. Parabéns Maslow. Este comentário é FICÇÃO... não serão todos? *** Safira
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(mailto:saphireonearth@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 20 de Julho de 2005 às 15:01
Primeiro queria dizer que gostei muito do texto. Quanto ás paixões cybernáticas, axo que não fazem mal a ninguém. É uma forma de libertarmos o corpo e a mente. O facto de não podermos tocar a outra pessoa torna tudo mais intenso. E o imaginarmos então nem se fala. É quase como estarmos a falar com a nossas alma gêmea, porque somos nós que lhe damos as feições. Podemos fazer de tudo... aqui não há limites para a imaginação! Viver obcecado com coisas virtuais é que não. Se são virtuais, desligamos e ligamos a ficha e acabou. Faz despertar os sentidos, da-mos mais importância às palavras... quantas vezes não ligamos ao que a pessoa q está ao nosso lado diz, mas aqui... Por ser o que nunca podemos ter é que dá prazer...Vanessa
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De Selvagem Anónimo a 20 de Julho de 2005 às 15:21
CEREZA, O NOME DA MÚSICA ESTÁ ERRADO... É "SPEED OF SOUND"... jokinhassssssssssssssCriador_Sonhos
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De Selvagem Anónimo a 20 de Julho de 2005 às 15:59
Já conhecia o texto do Lovosphere.
Quando o li,senti que só quem passa pelas situações as consegue entender na sua essência.Acredito que se chega a esta situação sem dar por isso,e acredito também,que,quem tem de dizer não,também sofre.
Eu queria saber escrever assim...
Um beijo Maslow.marta
</a>
(mailto:martax_30@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 20 de Julho de 2005 às 16:07
Marta, mas escrever é facil, ve no meu blog... aquilo é simples... tudo o q te vai vindo a cabeça, vai omando nota, depois juntas... é simples, jogas com os pedaços como se de um puzzle se tratasse... Criador_Sonhos
(http://criadorsonhos.blogspot.com)
(mailto:miguel24lx@sapo.pt)


De Selvagem Anónimo a 20 de Julho de 2005 às 16:13
Boa Tarde , belo texto, sim . Há quem se identifique com ele de certeza mas seria mais belo se não fosse ficção.
[] s NiceDay
</a>
(mailto:olániques@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 20 de Julho de 2005 às 16:49
Boa tarde!! Parabéns Maslow, o teu texto está fantástico... divino... sem palavras

****devil_girl
(http://..)
(mailto:joana_ribeiro19@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 20 de Julho de 2005 às 16:51
O extrapolar da imaginação para a a realidade é inevitavel, mesmo quando não se trata de um amor cibernético. Pode ser uma conversa como outra qualquer, banal, mas a tendencia será sempre a de tentar imaginar a reacção do parceiro da conversa. Calculismo, reacção natural....não sei. Refiro apenas esta situação porque nunca tive um amor cibernético.formasdolhar
</a>
(mailto:formasdolhar@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 20 de Julho de 2005 às 17:07
Mais um belíssimo post do Maslow, mantendo a linha imaginativa mas desta vez menos insano (o que melhora ainda mais o texto). O texto está tão sublime que não me atrevo a comentá-lo, apenas vou comentar a introdução. É ficção, mas só mesmo de garganta. É real e bem real, enquanto escrevo este comment, quantas cenas assim não se estão a passar pelos chats por esse mundo fora? Incluindo Portugal, claro! De ficção... pouco, muito pouco, mesmo! :) Quanto a amores cibernéticos, conforme os chamaram, folgo em dizer uma vez mais (para os novos no UJ, que ainda não sabem) que o meu amor tem origem cibernética, com raiz ha mais de 4 anos atrás.WG
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(mailto:a@a.com)


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