Domingo, 17 de Julho de 2005

Doença AMR (amores mal resolvidos)

Ao ler os comentários, do poema da FLORBELA ESPANCA fiquei a pensar nesses amores, que mesmo quando estão moribundos há sempre uma esperança de os ressuscitar, tal como ela o demonstra. Com o comentário do Flyman, lembrei-me escrever sobre "os Amores ou paixões Mal Resolvidos” (AMR). Todos nós já passamos por isso em determinada fase da nossa vida, ás vezes até na infância, como aconteceu com o Fly. Muito sofremos nós, “maldito/a sejas” parece que deixamos de viver, e até nos esquecemos de respirar, as flores deixam de encher a nossa vida de cor… enfim um drama agonizante que a maioria das vezes acaba por ser ultrapassado pelo actual amor da nossa vida – para ti Guldan – afinal…pelo verdadeiro.


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Doença AMR – os sintomas são facilmente detectáveis: Tensão ao encontrar a pessoa, dúvida de se poderia dar certo, aquela sensação de ainda gostar do outro, tristeza ao vê-lo, ciúmes, impossibilidade de tornar-se amigo e pior… a impressão de que ninguém é melhor! O AMR acontece quando o amor/paixão é interrompido antes que esgote. O amor tem que ser vivido, até porque o platonismo apenas funciona nas novelas. Na vida real exige muita energia, sem falar do tempo que ninguém tem para esperar. É preciso vivê-lo na totalidade. É preciso passar por todas etapas: atração-paixão-amor-convivência-amizade-tédio-fim.


Ora, não há nada mais deprimente do que um AMR na bagagem. Aliás, tudo o que fica mal resolvido torna-se numa pequena, quase ínfima pedra no sapato. E essas pedrinhas, por mais que tentemos ignorá-las, estão lá. Elas vão ferindo os pés, e incomodam a nossa caminhada.


Um amor/paixão, quando chega ao fim, deve ser exorcizado! Precisamos de espaço para viver coisas novas. Precisamos estar abertos, disponíveis e sem traumas para que novas possibilidades possam chegar livremente. Mas quem tem um amor mal vivido faz do seu passado um sofá, e não um trampolim. Acomoda-se, senta-se e não consegue mudar de canal. A receita para prevenir o AMR é muito simples, mas quase ninguém segue a risca a “receita”: AMAR PRA C#$@&%§. Ops!
Desculpem-me, mas é isso! Quando é apenas uma atracção que não passou do platónico ou que fica a meio, não há grande mal… cura-se mudando de canal ou simplesmente desligando… depois é estar disponível para a vida!


Agora… o que torna o amor mal vivido é, o não 'gastar' o amor. É acabar com ele, antes do tempo. Enchemo-nos de medos, de restrições, e orgulhos, tanto que, quando o romance chega ao fim, o pouco que nos sobra é arrepender-nos de não ter feito ou vivido tanta coisa.


Amor/Paixão é para se gasto até a ultima gota, nem que isso signifique uma vida inteira. Sejamos intensos, para que, quando ele acabar, não haja dúvidas de que se viveu tudo o que pôde, de que não foram poupados esforços e isso nos fez feliz, e muito! Para que quando ele morrer, o amor, possa descansar em paz.
Se as pessoas se despissem do orgulho e abrissem o coração sem medo de se magoarem, não haveria amantes mal amados, amores mal vividos, casais incompletos, homens frustrados, mulheres defensivas, traumas e dor de cotovelo!




Impressão Digital Cereza às 22:54
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43 comentários:
De clara a 13 de Outubro de 2012 às 05:26
pois, depois de ler sinto que tem razão mas naquela altura não resolvi........e não posso amar sem medo quem já não me quer...................apago? já tentei........e sei que não é amor mas sim indisponibilidade para amar........


De carol a 21 de Setembro de 2008 às 20:17
foi a definição exata de todos os meus sentimentos...


De Débora izidorio a 4 de Agosto de 2008 às 21:58
Realmente tudo o que aqui diz parece que foi escrito pelo meu coração, passo hoje por uma situação em que amo uma pessoa que não tá nem ai pra mim , e que nem sequer respeita meus sentimentos , a minha luta hoje é pra tentar esquece-lo, tentar aranca-lo do meu coração ainda não consegui, dizem que a melhor cura para o amor é um novo amor será que é ? Hoje tenho medo , tenho medo de me apaixonar .


De Selvagem Anónimo a 18 de Julho de 2005 às 00:10
Este texto é um hino a uma filosofia de vida..."Se as pessoas se despissem do orgulho e abrissem o coração sem medo de se magoarem, não haveria amantes mal-amados, amores mal-vividos, casais incompletos, homens frustrados, mulheres defensivas, traumas e dor de cotovelo!" ... Eu não o teria dito melhor. Eu sou das pessoas, de todas as que conheço, que mais amou, que mais ama, que não desiste nunca de amar... AMR ??? What a hell is AMR? :) ...Um beijo do Anjo
Maslow
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(mailto:manuel_azevedo@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 18 de Julho de 2005 às 09:32
Bonito texto, Cereza, parabéns! A conclusão que eu tiro daqui é que quem ama e é correspondido deve entregar-se ao máximo a esse amor e disfrutar cada momento como se fosse o último. Quem ama e não é correspondido deve tentar partir para outra o mais depressa possível. O amor é lindo mas, para nos fazer felizes, é preciso que haja reciprocidade. O mais importante é nunca voltar as costas para a vida e para o amor. Ele pode acontecer quando menos se espera. Um beijo a todos e uma boa semana! ***Safira
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(mailto:saphireonearht@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 18 de Julho de 2005 às 10:23
Eu também concordo plenamente que quando se ama e se é correspondido nos devemos entregar totalmente. Só aí é que poderemos viver as experiências mais marcantes e mais puras. Mas isso também me deixa a pensar noutra coisas.... um dia tudo acabará e voltar ao real vai ser muito mais penoso e devastador... É certo que se queremos algo muito bom também teremos de esperar algo muito mau... Na altura se calhar nem pensamos no depois, como estamos em completa sintonia, apenas pensamos no agora... ou melhor, nem sequer pensamos, sentimos. Porque um dia mais tarde podemos fazer todas as construções q quisermos na nossa mente, não podemos é voltar a sentir de novo. Sim, a partilha total é boa, mas apenas uma vez na vida, depois torna-se obsessão. E curar males de amor com outros amores não é bom, porque se formos a ver estamos a enganar alguém.Vanessa
(http://spaces.msn.com/members/madalenahedonista/)
(mailto:mina_aeternus@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 18 de Julho de 2005 às 10:25
Não gosto que nada na minha vida fique mal resolvido ou por resolver.Esta "norma é tb válida para os amores. Por isso é k continuo até hoje amiga de todos (sem excepção) os meus ex-amores :) Tex
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De Selvagem Anónimo a 18 de Julho de 2005 às 10:31
Não sei se vejo as coisas assim, mas é um bom ponto de vista. Beijo!Patrícia
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De Selvagem Anónimo a 18 de Julho de 2005 às 11:39
Sem AMR's por resolver....aliás, pouco disponivel para amar.formasdolhar
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De Selvagem Anónimo a 18 de Julho de 2005 às 11:55
AMR... bem, qd jovens, temos sempre o nossoprimeiro amor, e nem sempre é o q nos acompanha, mas normalmente é sempre aquele que nos lembramos mais... pois, tenha sido ele curto ou longo, bom ou mau... É sempre mau sim quando as coisas não dão e não conseguimos resolve-las. parece que temos um fastasma sempre a acompanhar-nos, em cada esquina, em cada sinal do dia a dia... Deixamos poor vezes de fazer certas rotinas, porque aquele local nos lembra a outra pessoa, deixamos de ouvir ou evitamos ouvir aquela musica, quando ouvimos aquele nome, parecemos o diabo a fugir a cruz... é horrivel...Damnos por nós mergulhados num trauma, numa "prisão", evitamos, musicas, locais, pessoas e muitas outras coisas... Só depois reparamos que se assim for sempre, mais vale nos "desligarmos" da vida... assim não damos de caras com isso tudo, mas vemos que isso não serve, estamos aqui para viver, então temos de ganahr forças e lutar contra isso... Eu cai nesses traumas e muitas vezes fiquei "preso" e vi que só me fazia mal... lutei, esforcei-me e "fugi dessa prisão"... Eu venci por algumas vezes o AMR e sinto-me orgulhoso por isso... Cereza, ja tinha saudades de um texto teu... Está muito bom... Obgd por estares aqui conoscoCriador_Sonhos
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