Quarta-feira, 29 de Junho de 2005

Em nome das nossas crianças!

Estava ontem a ver o “Jornal Nacional”, quando a certa altura, dá uma reportagem sobre o “Afonso”, uma das testemunhas do Caso Casa Pia. Um miudo que hoje tem 20 anos, e durante de 8, foi alegadamente violado e “usado” por todos os arguidos deste processo. Meteu-me nojo! Meteu-me nojo não a noticia em si, mas sim imaginar uma criança indefesa, sensivel, carente, amedrontada na mãos daqueles animais. Não sou mãe, mas lembrei-me dos meus 3 sobrinhos... uma dor e um ódio encheu-me o peito. Imagino o que sentiria o meu irmão e a minha cunhada!


Pois é, na sequencia do caso Casa Pia, e mais recentemente a “Operação Icebreaker”, (destinada a combater a pedofilia na Internet, pela Europol, em 13 países europeus) Lembrei-me novamente da história do Rui Pedro, e de tantas, e tantas outras crianças na mesma situação. Fui buscar um texto que tinha aqui no Blog, resumi-o um bocadinho, e aqui está ele.Nunca é tarde para relembrar estas tragédia


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Rui Pedro onde andas?


Na verdade, não quero deixar este caso cair no esquecimento, marcou-me a mim e a muitos portugueses, quando a história surgiu publicada nos jornais, e apareceu nas televisões... eu acompanhei-a de muito perto, através de uma amiga que investigava o caso para um órgão de comunicação social, a jornalista Ana leal (a mesma que tem feito uma guerra serrada aos arguidos da casa Pia, investigando o caso até á exaustão). A Ana viveu meses obsessão com o desaparecimento do menino... E fez tudo juntamente com a mãe Filomena, para trazer mais luz a esta história... Aconteceu muito antes de se começar a falar no caso Casa Pia.... Muitas vezes vi a mãe de rui Pedro após o desaparecimento do filho. Estava esquelética, um rosto amargurado, com os olhos tristes, perdidos no infinito, baços, e sempre cheios de lágrimas... cortava-me o coração.


Rui Pedro tinha 11 anos quando desapareceu…
Conta filomena: Foi no dia 4 de Março de 1998, em Lousada. Por volta das duas da tarde, o meu filho pediu-me para ir dar uma volta de carro com o Afonso, um amigo dele. Disse-lhe que não. E ele foi andar na bicicleta da irmã. Desde esse dia, até hoje, nunca mais soubemos dele. Todavia, há miúdos do ciclo que o viram entrar no carro do Afonso.»
Depois de ter faltado à explicação e a bicicleta ter aparecido num mato... começaram as buscas.


O tal Afonso, foi interrogado pela família, e a chorar respondeu que não sabia do Rui mas que se quisessem encontrá-lo deveriam ser fechadas as fronteiras pois ele podia estar já muito longe, a caminho do estrangeiro. Pelos vistos o Afonso tinha-o convidado para irem de carro ás prostitutas. O local escolhido para se encontrarem chamava-se Quinta da Costilha.


Nesse mesmo dia a família recebeu um telefonema em que uma criança com a voz igual à do Pedro... só conseguia chamar pela mãe, tendo sido cortada a comunicação por alguém que lhe tirou o telefone das mãos e depois desligou. Infelizmente nenhuma destas chamadas foi localizada.


A partir daí foi um desenrolar de situações.
Várias fotografias alegadamente de Rui Pedro foram encontradas na Internet. Estava vivo, mas "preso" nas teias de uma rede pedófila internacional. Os pais não tinham dúvidas, era o filho deles naquelas fotografias degradantes…. Aparecia nu, amarrado, enfim…


Pessoalmente o que me choca mais, foi uma fotografia que apareceu na revista “Caras”, tirada há uns 3 ou 4 anos, em que por mero acaso, se vê ao fundo Rui Pedro junto a uma piscina com alguns homens de idade. Na minha opinião essa poderia ser uma pista muito importante. Confesso que não sei no que deu… A mãe do Rui, pediu ajuda aos portugueses, à polícia Judiciária, até ao governo… mas até hoje nada. O caso parece ter morrido.


Mas a questão agora é outra…
Rui Pedro tem agora 17 ou 18 anos! Como estará a cabeça deste adolescente... como estará ele física, psicológica e emocionalmente? Uma criança perturbada, sofrida. Será que está tão embrenhada no mundo da pornografia, que quer voltar para casa? Será que está vivo? A mãe contínua a chorar o filho,e já sofre este drama há 7 anos…


Com o caso Casa Pia, torna-se cada vez mais urgente, estarmos atentos! Atentos ás pessoas que rodeiam as nossas crianças, e alertar as autoridades para a mais pequena desconfiança... mas sem exageros e sem histerismos.


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Carta de uma mãe ao filho desaparecido:
Quando penso em ti, um misto de dor e alegria invadem o meu ser, torno-me de repente melancólica e feliz e há um aperto no meu peito que não sei decifrar.
Pensar em ti!? Penso sempre! É! Tu estás nas coisas mais simples e também nas coisas mais complicadas, fazes-me sonhar com outras eras e sofrer no presente... Queria dizer-te tanta coisa de certeza com um olhar seria o bastante e um abraço e mil beijos e... como estarás? Que transformações sofreste? Cresceste muito? Que pensas? Que te dói? Que posso fazer por ti?
Aqui tenho as tuas coisas, os teus objectos, as tuas roupas, os teus perfumes, a tua imagem passada aparece-me a cada instante... mas de repente "acordo" e vejo que "realmente" não estás aqui, e sofro, às vezes choro, noutras alturas ficam simplesmente parada com o olhar ausente! Não quero acreditar nesta realidade!!!
Quero ver-te pegar em mim ao colo, enrolar-me com o teu corpo num enorme abraço, sentir-me baixinha e com o coração a derreter de felicidade por estar aqui, apenas porque nos completas e não há nada mais feliz que isso!
Para ti, toda a saudade do mundo
Até sempre,
Tua Mãe
Filomena Teixeira




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20 comentários:
De Selvagem Anónimo a 29 de Junho de 2005 às 02:10
Fala-se hoje de pedofilia como se fosse um fenómeno recente, que surgiu com o "caso Casa Pia". Mas não é... infelizmente. Muitas mulheres - e, suponho, homens tb -que hoje são adultas e mães foram vítimas de pedofilia na adolescência... Para essas não houve tribunais que as defendessem e, antes pelo contrário, muitas vezes foram até acusadas de provocarem os homens... Não me assusta a coragem de depor perante um tribunal... assusta-me, sim, a falta dela para o fazerem... Significa isso que ficará gravado uma coisa terrível na alma dessas crianças que nunca as deixará no futuro, quando forem adultas, assumirem uma relação amorosa em toda a sua plenitude... Sabem o quê? A culpabilidade! É que uma vítima de pedofilia sente-se sempre culpada por aquilo que lhe aconteceu... E há uma coisa que as mães e os pais deste país não se podem esquecer e para a qual têm de estar muito atentos... É que, na maior parte dos casos, os pedófilos das crianças estão entre o seu grupo de amigos e é por isso que, tirando casos destes, as vítimas de pedofilia quase nunca são identificadas e quando o são, raramente são levadas a sério, o que agrava o sentimento de culpabilidade... Mais importante que condenar os pedófilos é para mim recuperar estes jovens e os adultos que passaram por este tipo de experiências, e isso é tarefa bem mais dificil de levar a bom porto, acreditem...alic
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(mailto:mceciliabpm@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 29 de Junho de 2005 às 09:49
Justiça será feita, sem dúvida, mas melhor ainda é as pessoas estarem mais atenta aos sinais e poderem actuar e acusar com mais eficácia!PDivulg
(http://lacosazuis.blogs.sapo.pt)
(mailto:pdivulg@sapo.pt)


De Selvagem Anónimo a 29 de Junho de 2005 às 09:53
O "politicamente correcto" é acompanhar os pedófilos psiquiatricamente, dar-lhes a chance de se redimirem, de o não voltarem a fazer. Diz a experiência da vida que estes, são casos efectivamente "perdidos". Uma vez pedófilo, sempre pedófilo. Não se conseguem controlar e à mínima oportunidade voltam a fazê-lo. Castração quimica, como advogam alguns? Politicamente incorrecto me confesso: nestes casos é castração quimica e física. Cercear a uma criança um dos mais importantes factores de felicidade na sua vida adulta, ou seja, o não usufruto de uma vida sexual plena, saudável, através de um acto tão vil como cobarde e outras coisas mais, por parte de alguém em quem ela, em tantos casos confia, é um acto, para mim verdadeiramente escabroso. Se a besta se revela nas nossas vidas, esta é para mim uma das formas mais evidentes. Uma sombra negra a dar cabo de uma vida na sua indefesa inocência. Não se pense que é um exclusivo masculino. Também há casos, embora em menor número, de mulheres pedófilas. Só há uma coisa que me confronta com estes sentimentos de revolta: pensar que muitos dos pedófilos o são, porque foram vítimas doutros na sua infância. É um ciclo infernal! Podemos ser atentos. Muito atentos e protectores... mas é impossível estar sempre presente. Preparar as crianças de alguma forma? Concerteza que sim... mas isso não será, tirar-lhes alguma da sua inocência? Depende da maneira como a situação é explicada. O que será melhor para ela? Confrontada com algo que nunca ouviu falar, ou defender-se de uma situação aviltante porque já está alertada? Os casos como o do Rui Pedro, são asfixiantes. Tenho uma filha. Não quero imaginar semelhante situação.flyman
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(mailto:flyman_pegasus@msn.com)


De Selvagem Anónimo a 29 de Junho de 2005 às 10:27
Sobre este triste assunto, queria só dizer 3 coisas que eu penso em relação ao tema e depois dar uma achega aos comments da minha querida alic (bolas, ninguém perguntou por onde andaste!!! :P) e do meu caro flyman. Primeiro, fala-se muito nas redes de pedofilia, mas eu tenho a certeza que o que predomina é a pedofilia num contexto próximo: a pedofilia familiar e a pedofilia do entorno adjacente, sejam vizinhos, professores, pais de amigos, etc. Certamente há estimativas acerca disto, tenho impressão que já as li, mas não tenho presente os números, mas tenho como certeza que este tipo consegue a triste "proeza" de ser ainda mais danosa para uma criança. Segundo, apesar de a maioria dos pedófilos (e outros perpetradores sexuais) serem do sexo masculino, há a realidade das mulheres. Só não sei é se os números corresponderão às estatísticas, pois os costumes continuam antiquados e os homens continuam a não achar bem fazer queixa dessas situações. Terceiro, porque é que a maioria da pedofilia é homosexual? Ou será impressão minha? Serão recalcamentos de não terem podido expressar a sua homosexualidade enquanto crianças? Em relação ao que a alic disse, será um misto de medo e de vergonha que levará a não tratar destes assuntos da forma adequada, apresentando queixas, mas também muito a pressão e as represálias desse círculo restrito que tem conhecimento das ofensas. Se juntarmos a isto o facto de as vítimas sentirem que não vão ser levados a sério perante a palavra de adultos (que certamente se asseguram de lho referir constantemente), e de muitas vezes nem terem o discernimento para saber onde como e a quem fazerem queixa, está tudo explicado. Em relação ao que disse o flyman, não podia estar mais em desacordo. Eu sou contra a tomada de punições irreversíveis, porque há muitos casos em que o veredicto é culpado quando não o é (não me refiro somente a casos de pedofilia). Tal como não defendo, por esse motivo, que alguém acusado de roubo lhe seja cortada uma mão, ou de alguém que mate seja condenado à morte. Se fôssemos a legislar assim, então o castigo da castração seria insuficiente, teria que passar (também) pela violação incessante desses pedófilos, mas isso nem é preciso legislar porque os outros presos se encarregam disso! Mas, como disse, não sou a favor disso, até porque como dizes são casos patológicos que quase nunca têm cura e não o iriam impedir de voltar a violar. A solução, se queremos endurecer o código penal, será o de aumentar (e muito) o tempo de prisão. Já me disseram que quando/se um dia tiver filho(s) pensaria de outra forma, ou se alguém que me fosse muito querido fosse assassinado (knock, knock, knock), pensaria de outra forma e é possível, não digo que não. Mas para já, continuo convicto do que escrevi.WG
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(mailto:a@a.com)


De Selvagem Anónimo a 29 de Junho de 2005 às 10:31
Pedofilia??Quando me lembro deste caso,não consigo deixar de pensar na angustia desta Mãe,todas as duvidas e perguntas sem resposta que a devem de assaltar diariamente...Perder um filho é um drama,mas nestas condições é medonho.Quando penso: não sinto ódio de ninguem,nesta situação eu sentiria,quando penso:era incapaz de matar,nesta situação,eu seria....marta
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(mailto:martax_30@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 29 de Junho de 2005 às 10:37
Enfim, parabéns Shery por teres sido recorrente neste tema porque, pelo desvario alucinante em que nos deixamos envolver, onde a notícia adoptou completamente a cultura descartável, cada vez mais a memória é uma coisa a ser deixada ao mundo dos chips e todas essas tretas electrónicas e onde prevalece, isso sim, o culto pela actualidade, mesmo a de hoje, não é? Mas quero dizer uma coisa que me arrepia, mas que é absolutamente verdadeira: o pedófilo, em 99,99% dos casos é impossível de ser detectado! É uma pessoa "normal", com um comportamento discreto, normalmente com um estilo de vida absolutamente integrado e que, vejam lá, implica sempre a nossa mais escancarada expressão de surpresa quando são, sempre tarde demais, identificados... Pais, eles andarem por aí, estejam muito, muito, muito atentos. Manuel AzevedoMaslow
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(mailto:manuel_azevedo@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 29 de Junho de 2005 às 11:29
Eu recuso-me a exprimir aquilo que verdadeiramente sinto quando ouço ou vejo qaulquer coisa relacionada com maus tratos a crianças. Que não fosse apenas pelo acto em si, é tambem por motivos mais do que conhecidos da maior parate das pessoas que me conhecem minimamente.formasdolhar
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(mailto:formasdolhar@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 29 de Junho de 2005 às 12:40
Eu não sou pai, mas tenho uma sobrinha q é tudo para mim e depois há tb a Catarina... sou contra qq tipo de ofensas a crianças... se for na rua e vejo alguem a gritar com crianças, fico furioso e acreditem q por vezes da-me vontade de lhes gritar tb... Criador_Sonhos
(http://criadorsonhos.blogspot.com)
(mailto:miguel24lx@sapo.pt)


De Selvagem Anónimo a 29 de Junho de 2005 às 15:30
É impossível ficar indiferente a estes casos.. como é que as pessoas são capazes de fazer mal a seres tão frágeis?Enoja-me saber que ainda existem pessoas tão "doentes" que servem-se de crianças para atingir o seu proprio prazer. pessoas que aparentemente são como tds nós, e que jamais poderiamos imaginar cometerem tais atrocidades.
Admiro a mãe do Rui Pedro , pela sua coragem e força... por nunca ter desistido.devil_girl
(http://..)
(mailto:joana_ribeiro19@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 29 de Junho de 2005 às 17:59
Eu não sou mãe, mas adoro crianças. Infelizmente o meu único irmão em 13 anos :/ mas a minha mãe cuida de um miúdo de uns 16/17 meses que é adorável! Simplesmente não largo o rapaz :P E é quando olho para ele que me lembro das crianças que não têm a mesma sorte que ele (ou a sorte que eu tive...): não têm uma família que os ame e se preocupem com eles acima de tudo, que não têm um lar onde se sintam em segurança. Em vez disso muitas delas vivem aterrorizadas com esses m*rdas, essas amostras de seres humanos. Desculpem lá mas isto revolta-me profundamente, e se dependesse de mim muitos desses já nem vivos estavam. Cereza esse foi dos posts que mais me tocou, e para infelicidade minha e de todos vós, é lamentável dizer que o Rui Pedro (onde quer que esteja) não é a única criança desaparecida e a Dª Filomena não é a única mãe que perde um filho. Lamentável... *Bárbara (Narag)
(http://naragturg.blogspot.com)
(mailto:barbara10sofia@hotmail.com)


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