Quarta-feira, 1 de Junho de 2005

Dia da Criança

Não é um texto vulgar para o dia da criança... mas sinceramente estou cansada daqueles textos lamechas que encontramos por aí. Este texto foi-me mandado pela Tex e penso que dá direito a uma boa discussão, não só em relacção ás crianças.


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"Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades. Hordas de amigos constituem as respectivas proles e,apesar da benesse, não levam vidas descansadas. Pelo contrário: Estão invariavelmente mergulhados numa angustia e numa ansiedade de contornos particularmente patologicos.


Percebo porquê. Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortuna familiar. Hoje, não, a criança nasce, não numa familia mas numa pista de atletismo, com as barreiras da praxe: jardim-escola aos três, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis. E um exercito de professores explicadores, educadores e psicologos, como se a Criança fosse um potro de competição.


Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente nas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - Mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito.


É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho/mulherzinha de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho, as que....cas de sonho. Não admira que, até 2020, a população mundial esteja a mamar forte no Prozac. É a velha história da cenoura e do burro : quanto mais temos, mais queremos. Quanto mais queremos, mais desesperamos. A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade. O que não deixa de ser uma lástima.


Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim ultimo da vida não é a excelência, mas sim a felicidade!"


João Pereira Coutinho (jornalista)


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29 comentários:
De Selvagem Anónimo a 1 de Junho de 2005 às 08:40
Uma visão acutilante de uma sociedade de competição; é o lado negro desta sociedade pouco humana. Mas também é verdade que a procriação é um instinto básico e uma felicidade incomensurável.LuisC
(http://graodeluz.blogs.sapo.pt)
(mailto:luisfcaeiro@yahoo.com)


De Selvagem Anónimo a 1 de Junho de 2005 às 09:12
Nem consigo comentar tamanha barbaridade, não é preciso nada de sonho, nem o emprego nem a mulher, nem o carro, nem as férias de sonho, só é preciso amor, muito amor pelas crianças, e saber ser pai ou mãe.Cetus
(http://pintadodefresco.blogspot.com)
(mailto:teixeirarui@msn.com)


De Selvagem Anónimo a 1 de Junho de 2005 às 09:18
Nem tanto ao mar nem tanto à terra. Haja amor e bom senso. Feliz Dia da Criança... para todos! :P Safira
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De Selvagem Anónimo a 1 de Junho de 2005 às 11:01
Como estou de acordo com a mensagem!... Raios!!! Porque é que é tão difícil interiorizá-la?!!! Porque é que nos é enfiado na cabeça que temos de ser os melhores e projectar isso nas crianças?!!! O acto de educar é como a poda... difícil mesmo é identificar as hastes a serem desbastadas... isso vai do julgamento de cada um. Ser-se bom jardineiro é fundamental para criar parques bonitos, harmoniosos... Por outro lado, não há florestas tropicais lindíssimas até ir lá alguém interferir no equilíbrio? Contradição? Não... dicotomia. Mas lá que é muito complicado, lá isso é... Se calhar o melhor é procurarmos ter o melhor bom senso que conseguirmos encontrar, e achar um compromisso entre a felicidade e o sucesso pessoal. Os meus pais conseguiram ajudar-me nessa demanda. Espero consegui-lo também com a minha flor...flyman
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(mailto:flyman_pegasus@msn.com)


De Selvagem Anónimo a 1 de Junho de 2005 às 11:09
Tex, acredito que se possa pensar dessa forma. Mas também acho que é um pouco exagerado. A isso chama-se por tudo no mesmo saco, sem ligar à personalidade de cada um, a que lhes é incutida, aquela com que nascem, e aquela que vão moldando à sua maneira. É admiravel, e enche-nos de prazer ver a forma como as crianças se vão desenvolvendo e aprendendo aquilo que querem com o minimo de intervenção!!
Como toda a gente sabe tenho o 3º filho a caminho, e só não mandarei vir mais por duas condicionantes: ou a minha mulher não querer, ou não ter meios de os sustentar da forma que acho ser necessário.formasdolhar
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(mailto:formasdolhar@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 1 de Junho de 2005 às 11:20
Por muito dificil que seja a vida, por muito estupida que seja a sociedae em que vivemos, o mundo que espera os nossos filhos nada se compara a felicidade que eles nos transmitem.
Eu tenho 3 e desejo-lhes um feliz dia e uma excelente vida.
A mais pequenina, tem 7 anos e uma doença rara que lhe pode tirar a vida a qualquer segundo :(
Posso garantir que não há nada mais precioso do que um filho:)
Feliz Dia Meninos e Meninas do Mundo :)
Prefiro não dizer quem sou
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(mailto:pndqs@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 1 de Junho de 2005 às 12:07
Eu ñ tenho filhos, infelizmente, mas é o q mais desejo neste mundo... Adoro crianças e acreditem q so elas ainda me vao dando forças, ñ so, mas é a elas q mais vou buscar...Um feliz dia para todas as crianças deste mundo...Miguel
(http://criadorsonhos.blogspot.com)
(mailto:miguel24lx@sapo.pt)


De Selvagem Anónimo a 1 de Junho de 2005 às 12:19
Dedico esta quadra a todas as crianças e em especial à minha princesa (sobrinha)

Ser pequenino inocente/
Que Deus ao mundo mandou/
Que perdura em tua mente/
E o amor a quem gerou....luadourada--
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(mailto:ermelinda_1955@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 1 de Junho de 2005 às 12:30
Se a vida é para ser vivida e não construída, então cumprimos apenas a função vital de perpetuação da nossa espécie? Evoluimos de entre todas as outras espécies com capacidades intelectuais, cognitivas e emocionais para quê? Essa frase "a vida é para ser vivida" parece-me tão sem sentido... vivida para quê? como? E se o objectivo último da vida é a felicidade então é inantigível, pk ng pode evitar situações que nos causem infelicidade. Não somos Deuses, somos humanos e a felicidade só existe porque existe o oposto. A capacidade de aceitar a infelicidade como integrante da nossa vida e como uma oportunidade para o nosso progresso pessoal interior, isso sim torna-nos fortes, torna-nos divinos... Estamos todos em fases diferentes do nosso percurso... é dificil para uma pessoa que se diz feliz compreender quem não se sente... e quem nao se sente feliz sente-se angustiado consigo próprio, porque sabe interiormente que mesmo que obtenha todos os bens materiais e o reconhecimento dos outros pelo seu valor, nada disso o tornará feliz. E a propósito, o que é ser feliz?alic
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(mailto:mceciliabpm@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 1 de Junho de 2005 às 12:49
Neste dia não desejo felicidade às crianças deste mundo... desejo que encontrem pela vida fora o divino que existe dentro de cada uma delas... Viver tem de ser uma oportunidade para algo mais. Às minhas filhas tudo farei para as ajudar a encontrar esse caminho... e que não passa por as proteger de tudo o que lhes possa causar sofrimento...alic
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(mailto:mceciliabpm@gmail.com)


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