Sábado, 11 de Fevereiro de 2006

Lilith versus Eva

Sempre me atrairam as personagens mais diabolicas da mitologia... mas a que mais me intriga e fascina é Lilth, pela sua independencia, coragem, perversidade e intensidade. Já aqui contei aqui no blog a história dela... Lilith foi a primeira mulher de Adão, depois sim veio a Eva, submissa e obediente... tirada de uma costela do companheiro.

Hoje apetece-me tornar a Lilith mais real, e menos lenda!





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“It doesn't hurt me
Do you wanna feel how it feels?
Do you wanna know that it doesn't hurt me?
Do you wanna hear about the deal that I'm making?
It's you and me, yeah…”




Lilith, cheia de sangue e saliva, foi criada do mesmo pó que Adão, por isso exige ser considerada sua igual, desobedecendo a sua supremacia. Desta forma, renega também uma ordem do pai - Deus.

Lilith revolta-se com sua condição de submissão. Tal atitude traz-lhe conseqüências trágicas, acabando por se tornar a Rainha do Palácio do Demônio. Declarando guerra ao pai passando a atemorizar os homens.

A natureza de Lilith é astuta como a serpente. A sua sabedoria de demônio é grande, mas por isso grande também é o seu sofrimento. Lilith é a prostituta, é a sedutora, é a Bruxa, a mulher devoradora, a mulher fatal, a feminista,.... Opondo-se à virgem, à boa mãe, à deusa... quem sabe, a

Eva.






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Estamos diante do eterno tema do FEMININO-DIABÓLICO



Tudo começou assim:
Deus criou Lilith e adão ao mesmo tempo e do mesmo pó. O amor de ambos começa a ser perturbado quase imediatamente. Não havia paz entre eles porque quando se uniam na carne, evidentemente na posição mais natural - missionário- Lilith ficava impaciente, perguntava ao companheiro: “Porque devo deitar-me debaixo de ti? Por que devo abrir-me sob teu corpo? Porque razão devo ser dominada por ti? Também eu fui feita do mesmo pó que tu, e por isso sou tua igual.”

Ela pede para inverter as posições sexuais para estabelecer a harmoinia... uma harmonia que deve significar a igualdade entre os dois corpos e as duas almas. Mal feito este pedido pela mulher, ainda húmido de calor súplice, Adão responde secamente não. Lilith é submetida a ele, ela deve estar simbolicamente sob ele, suportar o seu corpo. Portanto: existe uma ordem que não pode ser transgerida. Ela não aceita esta imposição e revolta-se contra Adão. É aqui que se dá a ruptura do equilíbrio. Qual é a regra do equilíbrio? Está escrito, que o homem é obrigado a reprodução, a mulher não.
Diante da recusa de Adão, Lilith pronuncia, irritada, o nome de Deus e ao acusar Adão afasta-se!

Enquanto isto sucede, Adão sente de imediato uma dor crua, uma angustia de abandono. O homem havia imposto uma não à sua mulher. E assim surgem as trevas.
Adão tem medo, sente que a escuridão o oprime. Sente que as coisas boas afundaram-se com o desaparecimento de Lilith.

Dirige-se a Deus: "Procurei no meu leito aquela que é o amor da minha alma; procurei e não encontrei. Agora há o desespero, o amargor por ter perdido Lilith." Deus quer saber de imediato a causa do litígio e compreende que a mulher desafiou o homem e, portanto o divino.
Lilith voou para longe, em direção às margens do Mar Vermelho, depois de haver profanado o nome de Deus Pai....

Assim é apresentada na tradição hebraica a história de Lilith. Não há conclusão: de resto, a conclusão poderá ser tirada por nós.

Lilith permanece na própria liberdade, demoniaca... desencadeando a sua força destrutiva e desde aquele dia nunca mais haverá para o homem.

Lilith torna-se numa mulher feita de fogo, instintiva, carnal, vingativa e devoradora de paixões até á ultima gota. Os homens são seu objecto de paixão e vingança... sem remorsos.






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Lilith:


"Nas noites escuras e frias,
quando tudo são trevas puras,
em tua casa penetrarei,
atravessando as grades da janela tua
sob a forma de uma sutil e inocente bruma,
para então materializar-me, deliciosamente nua,
sobre teu corpo inconsciente e dormente.
Podes acordar, debater , tentar gritar,
Mas, advirto que será em vão,
Ninguém te ouvirá, nada te poupará
Da minha fúria ardente e paixão.
Com meus dentes e unhas, tuas roupas rasgarei
E sobre ti cavalgarei, em selvagem êxtase,
Meus lábios pálidos e frios colando-se aos teus,
Sorvendo o néctar do teu calor,
Tuas mãos, resignadas em não poder lutar,
Meus seios acariciam, levadas pelo prazer
Que invade o teu ser.
As minhas unhas cravando-se em tuas costas,
Deixando um rastro rubro de sangue,
Já não mais te importas com a dor,
Não é, meu amor?
Nada mais te importa,
Medo, pecado, inferno, punição ou dor,
apenas o prazer que te dou
Em troca de algo tão ínfimo e sem valor:
Tua alma imortal.
E para que serve ela, afinal?
Estás perdido dentro do meu corpo
De sedutora beleza que em nada lembra a angelical pureza,
Envolto em desejos e fantasias pecaminosas
Que eu realizo com toda presteza.
Teu ser pertence a mim agora,
Tua sanidade foi-se embora,
Estás preso na minha teia de lascívia,
Meu escravo e fiel servo para sempre serás
E saciar o meu desejo incontrolável tentarás.
Teu sangue, gozo e vitalidade me darás,
Assim como a tua alma, sem pestanejar.
Porém, quando não mais puderes me agradar,
De ti me vingarei, jogando fora tua casca mortal inútil e vazia,
Prendendo tua alma impura a grilhões de infinda tortura,
Pois destinado estás a sofrer por toda a eternidade
Nas profundezas abissais do inferno."

(Thaís Drimel Andrade)



Agora peço que vejam o video de inicio e a simbologia que encontrei nele. Cada uma de nós saberá quem é: Lilith (de vermelho) ou Eva (de branco) ou então a junção das duas... duas mulheres diferentes num mesmo corpo. Agora escolham! Fica a letra deste “Running up that hill” dos Within Temptation, para melhor entenderem o que quero dizer.









"It doesn't hurt me
Do you wanna feel how it feels?
Do you wanna know that it doesn't hurt me?
Do you wanna hear about the deal that I'm making?
It's you and me, yeah

And if I only could
Make a deal with God
And have him swap our places
Be running up that road
Be running up that hill
Be running up that building
So if I only could

Don't wanna hurt thee
But see how deep the bullet lies
Unaware I'm tearing you asunder
Oh, there is thunder in our hearts

Is there so much hate for the ones we love?
Oh tell me we both matter, don't we?
It's you and me that won't be unhappy
....

C'mon baby, c'mon darling
Let me steal this moment from you now
C'mon angel, c'mon, c'mon darling
Let's exchange the experience
...

So if I only could
Make a deal with God
And have him swap our places
Be running up that road
Be running up that hill
With no problems...





Impressão Digital Cereza às 14:44
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28 comentários:
De Selvagem Anónimo a 11 de Fevereiro de 2006 às 16:26
Ois... Já vesitei imensas vezes este blog, adoro!! por isso vim dizer que vou linkar o blog. Passa pelo meu: http://jolly.blogs.sapo.pt
Voltarei!! (volto sempre =))Rita
(http://www.jolly.blogs.sapo.pt)
(mailto:anjo_detestavel@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 11 de Fevereiro de 2006 às 16:27
Transpondo essa história da Lilith para os dias de hoje... é interessante ver como a maior parte das mulheres, por muito que queiram, não conseguem atingir a harmonia na vida, uma vez que se espera delas uma série de "obrigações" que as oprime, corta as asas e lhes encurta o horizonte... Quantas mulheres que querem ter uma carreira, uma família e uma vida privada aprazível não chegam a um ponto em que uma (ou mais) destas variáveis tem que ser cortada? Oh Adão... preferiste a sem-sal da Eva em vez da Lilith picante? BURRO!Leowf
</a>
(mailto:mordred@netcabo.pt)


De Selvagem Anónimo a 11 de Fevereiro de 2006 às 16:29
"Poema de autor desconhecido"... ora bolas!Marco Neves
</a>
(mailto:megabife@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 11 de Fevereiro de 2006 às 16:30
Marco o autor é Thaís Drimel Andrade :)))lua_de_avalon
</a>
(mailto:ermelinda_1955@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 11 de Fevereiro de 2006 às 16:39
Acredito que em cada mulher descendente de Eva... exista no interior um Lilith a saltar de jubilo... a querer sair!!! Não houvesse bondage!Suicidal_kota
</a>
(mailto:cromokamikaze@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 11 de Fevereiro de 2006 às 16:40
pois bem, história transportada para uma realidade mais actual...mas memso assim pouco desenvolvida...
digamos que numa história mais completa nao nos podemos esquecer que lilith nao só tentou adao para o desejo e pecado mas também para o seu infurtunio até ele a rejeitar, ao contrário de caim, irmão de abel que se tornou o segundo marido de lilith, unificando mas tb separando os lobisomens com os vampiros... apesar de ser mitologia nap deixará nunca de ser extremamente do meu agrado... entre isto axo q todas as mulheres viveram sepre na dualidade de eva/lilith, mas há quem a tenha definida...eu.
bem, o que estraga bastante este post foi o clip de WT que nao se impôe a nada... nao deixando de ser um pop pimba dos piores... memso assim, passarei a dar um salto por cá...parabéns.ana
(http://misantropatacituna.blogspot.com/)
(mailto:misantropa_taciturna@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 11 de Fevereiro de 2006 às 17:05
ana antes de mais, agradeço a tua visita. e sei que o tema está pouco desenvovido sim, haverá muito mais a dizer sem duvida. Mas um blog não serve propriamente para expor uma tese, calculo que saibas isso, já vi que também tens um.
Quanto á musica dos WT, são gostos...se é pimba, então sou pimba.. é tudo muito subjectivo. Como não sei o que ouves, não posso fazer uma comparação adequada... se não viste a simbologia que vi no clip, penso que terás de desenvolver mais a tua veia imaginativa e criativa. de qualquer modo obrigada pela critica, vou tentar melhor!!cereza
</a>
(mailto:lis_tv@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 11 de Fevereiro de 2006 às 17:15
É interessante ver como ainda hoje em dia as mulheres lutam contra a Lilith que têm (ou podem ter) em si. Seja porque se auto-limitam (por razões de educação familiar, por circunstâncias sociais - ainda há por aí muitos sítios onde o 1º objectivo de vida de uma mulher é casar, ter filhos e assumir o papel de dona de casa -, por razões religiosas/morais, etc), seja porque não souberam crescer individualmente, de uma forma independente daquilo que insistentemente ainda nos é inculcado. Se somos mulheres de carreira, descuramos a família e corremos o risco de estarmos menos presentes na vida dos nossos filhos; se optamos pela família e por ficar em casa a tomar conta dos filhos, somos arcaicas, submissas e não temos ambições.
E sexualmente cabe a cada uma de nós descobrirmo-nos e fazermo-nos descobrir pelo nosso parceiro. Sejamos ou não uma Lilith em potência, procurar o prazer e dar prazer não é vergonha nenhuma... seja na posição de missionário ou a fazer festas ao patinho (esta é para o Garpa :D)!China-Girl
(http://cartografiaemocoes.blogspot.com)
(mailto:littlechinagirl@iol.pt)


De Selvagem Anónimo a 11 de Fevereiro de 2006 às 19:07
"Falam muita coisa da nossa amiga Lilith. É um tema complexo e fascinante. Mas reserva alguns percalços e obscuridades. Talvez a primeira manifestação encontrada da Lilith tenha sido entre os povos Mesopotâmicos. Normalmente os ocultistas gostam de conceituá-la como sendo uma divindade caldéia. Os Caldeus costumam exercer uma fascinação hoje entre os magistas e ocultistas mais modernos, principalmente aqueles voltados para os lado das práticas de LHP (Left Hand Path), ou Caminho da Mão Esquerda. Muitos acenam para esse povo como criadores da Cabalá, como os escritores do famoso livro
Necronomicon e etc."
Nuno_
(http://httrrrr/krjjjj)
(mailto:nunomarques@iol.pt)


De Selvagem Anónimo a 11 de Fevereiro de 2006 às 20:16
As coisas que eu aprendo aqui....obrigadinho oh cerejola querida...pareço ausente mas estou bem presente.Bejocas a ti e aos trenguinhos!!!!Majoca/SaloiaLoira
</a>
(mailto:manejorge@netcabo.pt)


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