Segunda-feira, 21 de Março de 2005

Gemem as paredes...

Ando um pouco desinspirada, vale-me a vossa ajuda! O Sorgen deixou-nos este poema erotico. Já cá tivemos contos, textos, mas nunca um poema erotico. Está lindissimo! Ah e não se esqueçam, hoje é o dia mundial da Poesia e começou a Primavera!!!!!


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Pálido será o rumor na nossa revolta de um só dia
Quando a fronteira ou o limiar da luz nascente
Vier abraçar-nos e consumir ao som da aurora
Todo o breve momento mágico da nossa saliva
Transpirada no ritmo incessante de um orgasmo
Refluxo repetido com que te respiro o peito duro
E te contemplo uma última vez antes da vertigem
Do sémen ou do húmido calor que de dentro de ti
Vem ao encontro do meu sexo na fúria de um grito.


Gemem as paredes o sol reflectido nos teus cabelos
Colados ao suor das nossas faces após tempestade
Convocada pelas plenas pulsões que nos arrastam
E a água tépida que nos banha o porto de um abraço
Prenúncio fecundo das parcas lágrimas a haver
Esgota-se no trago com que o céu nos devora o azul
Protesto dos deuses contra a nossa escalada sinuosa
Às origens distantes da madrugada que desponta
Na fita tangível do horizonte reflexo dos teus olhos


E é na tinta translúcida das nossas mãos repetidas
Na sombra ou na marca que deixamos nesse leito
Que iremos procurar a memória transitória do amor
Destes breves momentos da comunhão reflorida
Agora a cinza que evapora o nosso olhar assoprado
E cai sobre um negro oceano cruzado pelas insónias
Da reclusão quotidiana de um sentimento consumado
Na solitária devastação real com que nos masturbamos
Buscando lenitivo para a ausência do sangue e do sal.


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Sorgen



Impressão Digital Cereza às 13:22
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17 comentários:
De Selvagem Anónimo a 21 de Março de 2005 às 14:54
Também eu Cereza!!Ando demasiado ocupada, e todo o tempo livre que tenho apetece-me desbundar, viver, não me tem apetecido parar para pensar....São momentos!!! Mais um poema genial Sorgem!! Fantástico!!!:))***************para todossssssssssssssssmarta
</a>
(mailto:martax_30@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 21 de Março de 2005 às 15:44
Ao tempo que eu não sentia isso!!!
Esperem lá, foi ontem. Ups. Foi nada, foi hoje. :PPPformasdolhar
</a>
(mailto:formasdolhar@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 21 de Março de 2005 às 20:11
Lá tenho eu que meter mais um processo crime. Não é que esse gajo sou eu???
Quem me filmou sem eu ter notado??JATGO
</a>
(mailto:jatgo@sapo.pt)


De Selvagem Anónimo a 21 de Março de 2005 às 20:20
Vá lá que o Sorgen acedeu ao nosso
pedido de não parar de publicar os os seus belos poemas... Belissimo ...Até as paredes gemem...Um jinho muito grande da tua comadre eheheheheheh :)************luadourada--
</a>
(mailto:ermelinda_1955@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 21 de Março de 2005 às 21:21
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAUAUAUAUAUAUUUUUUUUUUmorgaine
</a>
(mailto:lab_marta@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 21 de Março de 2005 às 21:23
De novo um poema lindo.
Este homem é um espanto.
Continua...e não te esquecas que olhos cor de mel são lindos....anasimplesmente
</a>
(mailto:ana.pcf@gmail.com)


De Selvagem Anónimo a 21 de Março de 2005 às 21:25
pahh biram aqueles dois ali em baixo no filmezito??? dasssssee!morgaine
</a>
(mailto:lab_marta@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 21 de Março de 2005 às 21:29
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(mailto:sol22lua@msn.com)


De Selvagem Anónimo a 21 de Março de 2005 às 21:59
sorgen a minha casa até tremeu! olha as minhas paredes!!! TENHO DE CHAMAR O ESTUCADOR OUTRA VEZ AIII!!!nX
</a>
(mailto:nx_u@sapo.pt)


De Selvagem Anónimo a 21 de Março de 2005 às 22:32
Hummmmmmmmmmmmmmm.... :) Sorgen. Mas já que hoje é o dia mundial da poesia, aqui deixo um poema de Jorge de Sena de que gosto muito.
Quanto de ti, amor, me possuiu no abraço/
em que de penetrar-te me senti perdido/
no ter-te para sempre -/
Quanto de ter-te me possui em tudo/
o que eu deseje ou veja não pensando em ti/
no abraço a que me entrego -/
Quanto de entrega é como um rosto aberto,/
sem olhos e sem boca, só expressão dorida/
de quem é como a morte -/
Quanto de morte recebi de ti,/
na pura perda de possuir-te em vão/
de amor que nos traiu -/
Quanta traição existe em possuir-se a gente/
sem conhecer que o corpo não conhece/
mais que o sentir-se noutro -/
Quanto sentir-te e me sentires não foi/
senão o encontro eterno que nenhuma imagem/
jamais separará -/
Quanto de separados viveremos noutros/
esse momento que nos mata para/
quem não nos seja e só -/
Quanto de solidão é este estar-se em tudo/
como na ausência indestrutível que/
nos faz ser um no outro -/
Quanto de ser-se ou se não ser o outro/
é para sempre a única certeza/
que nos confina em vida -/
Quanto de vida consumimos pura/
no horror e na miséria de, possuindo, sermos/
a terra que outros pisam -/
Oh meu amor, de ti, por ti, e para ti,/
recebo gratamente como se recebe/
não a morte ou a vida, mas a descoberta/
de nada haver onde um de nós não esteja. (Jorge de Sena, in Visão Perpétua) ;)alic
</a>
(mailto:mceciliabpm@hotmail.com)


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