Terça-feira, 15 de Março de 2005

Dar e Receber

Fiquem com esta reflexão da Alic:



É comum ouvirmos dizer que amar alguém exige da parte de quem ama uma entrega ao outro. Mas não será isto o caminho mais certo para o fim da relação amorosa? Eu penso que sim, e passo a explicar porquê.



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É através das relações com outras pessoas, lugares, acontecimentos ou objectos que podemos existir como algo identificável. O que somos relativiza-se ao que não é. Por isso, as relações humanas devem ser encaradas como construtivas e formativas da identidade de cada um. Nesse sentido, o propósito válido para as relações e para tudo na vida só pode ser um: ser e decidir quem realmente somos.



Mas o que fazemos quando iniciamos uma relação com alguém? A maioria das vezes entramos numa relação com os olhos postos naquilo que podemos lucrar e não no que podemos lá pôr. Esperamos que o todo seja maior que a soma das partes e acabamos por descobrir, mais tarde ou mais cedo, que é menor. E porquê? Porque nos concentramos no outro, na forma como ele corresponde aos nossos ideais e como nós correspondemos aos dele. Um e outro exercem sobre o parceiro uma pressão enorme para ser toda a espécie de coisas que não é, mas que, não querendo desiludir, se esforçam terrivelmente por ser e fazer... até não conseguirem mais, até já não conseguirem desempenhar o papel que lhes foi atribuído. Cresce, então, o ressentimento e, a seguir, a revolta. Aí começam a reclamar o que na realidade são e querem ser... altura em que o outro diz: estás mudado.



O propósito de uma relação não pode ser, portanto, o outro mas sim nós próprios. Devemos deixar que cada um dos parceiros envolvidos na relação se preocupe com o Eu. A concentração no outro, a obsessão pelo outro é o que faz com que as relações fracassem. Por isso, para mim, amar alguém não é entrega... é partilha do que cada um é e quer ser. Amar é partilhar com alguém a plenitude de nós próprios.



Alic



Impressão Digital Cereza às 10:19
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21 comentários:
De Duarte a 10 de Fevereiro de 2008 às 05:25
palavras seram sempre palavras e nunca passaram disso a verdade é que estas mesmas nos cativam ,dao força animo para que possamos compreender um pouco a vida. entrando no contexto queria referir que as vezes a situacao e bem mais complicada do que as proprias palavras o exprimem as pessoas sao todas diferentes,as situacoes as circunstancias ,fazendo assim com que o que nos pensamos nem sempre seja o ideal para aquela situacao para aquele momento.concordo com o certo "egoismo" em nos preocuparmos com nos proprios dizendo que a partida se estamos a nos dedicar a alguem ja nos estamos a cultivar e a cuidar do coraçao ,afirmo que devemos nos dar a quem nos da e nunca ter medo das situacoes desde que estas estejam pensadas a partida "e por eu ser tu es e por tu seres somos e porque somos seremos e porque seremos fomos . tudo na vida acaba por ser um momento fora desse momento ja nada interessa ha que tentar agarra-lo com tudo o que se tem ....


De Selvagem Anónimo a 15 de Março de 2005 às 10:27
Bem é verdade que por vezes quando começamos uma relação as pessoas mudam... pois tentam fazer sempre o que o/a companheiro/a mais gostam... Eu acho isso incorrecto, deve-se centrar em encontrar os pontos comuns e fazer disso o mais importante... os pontos que não são comuns, ou que possam parecer diferentes, devem ser "trabalhados" em conjunto...
O AMOR É LINDO ... ups, um pekeno aparte...
Alic, um bom texto, jinhos frandes para tiCriador_Sonhos aka Criador_in_love
(http://criadorsonhos.blogspot.com)
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De Selvagem Anónimo a 15 de Março de 2005 às 10:48
Sempre que se começa uma relação, fazemos uma projecção de nós próprios na outra pessoa. É inevitavél que assim seja. Será, numa situação ideal, a forma de nos completarmos. A relação terá "pernas para andar" se a situação de compromisso for atingida. Quantas vezes já ouvimos: "Acabou porque somos demasiado iguais."? É verdade, não se complementam, mas colidem.
Por outro lado também já muitas vezes ouvimos: "Os opostos atraem-se.". Se calhar não se anda longe da verdade se, realmente, pensarmos nisso.
Claro que tudo isto é muito bonito em teoria, mas quando se passa à prática, há inumeros factores exogenos a uma relação que a podem influenciar duma maneira ou doutra. Sem contar que no inicio duma relação, nunca se conhece suficientemente bem o parceiro por forma a chegar a qualquer tipo de conclusão.No inicio, temos apenas uma tentativa para encontrar "o testo para a nossa panela". Com o passar do tempo, vamos descobrindo se realmente vale a pena ou não continuar nessa relação, mesmo que para isso tenha-mos que nos adapatar (dar), ou partilhar. Isto como é lógico, sem nunca perder a identidade própria. Nesse caso deixa de ser uma relação.formasdolhar
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(mailto:formasdolhar@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 15 de Março de 2005 às 11:05
Estou mais ou menos de acordo quanto à parte do início. Quando alguém cumpre uns quantos requisitos nasce uma normal empatia e vai crescendo por aí fora (ou não, mas neste caso estamos a falar dos que sim). É normal em tudo na vida haver um pico, um máximo, e as relações não fogem à regra. A partir do momento em que se começa a notar também em pequenas coisas que não se gosta tanto, e depois médias coisas e eventualmente grandes coisas. É inevitável, mais, é perfeitamente natural. A única coisa que muda de caso para caso é a dimensão e a forma como se lida com isso. Às vezes, tão ou mais importante do que aquilo que se espera é aquilo que não se espera, leia-se, aquilo que não se gosta, aquilo que não se suporta. E isso acontece, caríssimos, e cara alic em particular, precisamente porque quer se queira quer não, vai-se acabar por partilhar a plenitude de nós próprios e o parceiro a dele próprio. E por muito que nos concentremos no Eu, certas coisas que não se gosta continuam a acontecer, e impossível ficar imune a elas, ficas imune ao Outro e concentrarmo-nos no Eu. E se, por paradoxo, fosse possível, seria o caminho inevitável da infelicidade, mas por outra via, a do abandono. Agora, isso sim estou de acordo, é preciso cada um ser o que é e saber o que quer ser, aceitarem-se mutuamente e completarem-se. Acho que mais uma vez, no final de contas, se requer um delicado equilíbrio entre a entrega e a partilha. E posto isto, vou partilhar uma magnífica garrafa de champagne… comigo, com o Eu mais profundo que há em mim! heheheWG
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(mailto:a@a.com)


De Selvagem Anónimo a 15 de Março de 2005 às 11:43
Na minha humilde opinião:
Eu acho que o segredo está no equilibrio, nem tanto ao mar, nem tanto á terra; nem oito nem oitenta.

Ponto 1.
Quando uma pessoa numa relação está a abdicar do que é, do que sente, e do que quer, das suas pequenas manias, dos seus pequenos prazeres, etc para tentar agradar o seu significante outro, está a desvalorizar-se assim mesmo, a negligenciar-se a si mesmo e á relação, pois esquece-se que representa +/- 50% dessa equação (+ ou - , dependendo das relações! hehe!), e a médio ou longo prazo vai acabar por dar pró torto (seja por frustrações acumuladas projectadas no outro, seja por perda de identidade, enfim um inumero de problemas relacionais).

Ponto 2.
Ao mesmo tempo, se uma pessoa está demasiado concentrada em si proprio, se considera o grande objectivo da relação, é egoísmo, e do mesmo modo falivel numa relação. Acho que se uma pessoa crescer demasiado numa relação relativamente ao seu significante outro, vai acabar por abafa-lo, controla-lo, desvaloriza-lo e possivelmente submete-lo á primeira situação.

É no significado da "Entrega" que discordo de ti. É claro que uma pessoa se esquece de si proprio a favor do outro, não se está a entregar, mas sim a pôr-se de parte da relação. Chamo "entrega" á disposição voluntaria de crescer com a outra pessoa, de resolver os problemas, de esperar pelo outro e puxa-lo para a frente para que nos acompanhe, e claro a entrega de nós como o produto em bruto de uma vida vivida e de uma vida para ser vivida.


joao
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(mailto:email@email.email)


De Selvagem Anónimo a 15 de Março de 2005 às 12:28
Assim de repente apetece-me dizer: com menos conversa já dava assim um "beijo"(The Kiss)!

A beleza do amor está no impulso. Tudo aquilo que se constrói como edifício superestrutural que o justifique é "palha". Eu acredito muito mais em que a "palha" se esgote no jogo da sedução e que perdure o "apelo da selva", o instinto primário, em que é muito mais o reflexo condicionado que nos faz salivar esfuziantes, do que qualquer metafísica acerca da "bondade" do nosso amor.

Vocês sabem muito bem do que estou eu a falar, morenas belíssimas. Esperem-me no limite do meu instinto e deixemos toda a metafísica aos críticos do amor.

Um beijo deste V/ anjo,

Maslow
Maslow
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(mailto:manuel_azevedo@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 15 de Março de 2005 às 17:30
Dar e Receber. Lembrou-me logo o António Variações "Estou bem só onde não estou..."Será isso a projecção do amor como obsessão? Não sei...Só sei que quando se chega à fase do "Don´t stand so close to me" já nada há a fazer.The dream is over.Amor é acima de tudo, para mim, saber manter o espaço do Outro, saber não invadir o espaço do Outro.Louis_Phere
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De Selvagem Anónimo a 15 de Março de 2005 às 17:41
A Alic já havia expresso algo de semelhante antes. Não posso estar mais de acordo com ela. Excelente texto.

Só um pequeno senão. As pessoas mudam ao longo da vida e têm que ir fazendo essa análise individual e em conjunto para que a inequação 1+1 não se torne menor que dois.

No meu entender é sempre possível mudar quando a inequação se torna inferior a 2 desde que se tome consciência disso e ambos queiram.

Torna-se apenas necessário que haja o sentimento necessário entre os dois.

Recomendo pois a todos os casais uma boa leitura do que aqui é escrito pela Alic e façam a sua análise individual e em conjunto, de vez em quando. Será que agora sou mais Eu vivenciado a vida com o pareceiro(a) do que seria se vivesse sózinho(a)? O que faria de diferente se estivesse só? O que de facto sou e quero ser? Qual o sentido de estar vivo e viver esta vida? O problema é que nem sempre temos as respostas para todas estas perguntas. Mas ajuda muito a reflectir qual é o nosso estado de espírito e se o partilhamos com o outro.

Bravo Alic continua a escrever assim. O teu texto é revelador de uma grande sabedoria. ;) Amonada
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(mailto:amonada@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 15 de Março de 2005 às 17:53
Não me admira que surjam tantas complicações nessa coisa dos relacionamentos românticos... perdem o tempo todo em grandes explicações, bolas!!! Que depressão. Acho que vou continuar no meu estilo Spielberg ...Scene 100, take 323 ....Action .....Uauuuuuuuuu morena belíssima ...surprising and quite cool ... Kiss ...the angel :PPPPPPPPPPPPPPPMaslow
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De Selvagem Anónimo a 15 de Março de 2005 às 19:49
Não poderia estar mais de acordo com o texto. O que é facto é que nós até mudamos, muitas das vezes sem quase nos apercebermos e outras vezes por opção mesmo. Temos é de avaliar se a nossa mundança em determinadas coisas, valerá a pena. Se temos uma relação em que vale a pena investir e se determinadas mudanças são para beneficiar os dois, nessa vida em comum. Muitas das vezes perdemos um bocado o "Eu" também é verdade. E muitas vezes em vez de nos modificarmos, poderíamos achar uma maneira de equilibrar. O que é certo é que muitas das vezes acabamos por abdicar de coisas ou pessoas, para tentar não ferir o outro. E já não vou dizer mais nada, pois os comentários ao teu texto estão soberbos!!!!! :) jinhos para ti alic! xiiiii há cada revelação nestas pessoas! é lindo!!!! :))))*******^Erina^
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