Terça-feira, 8 de Março de 2005

A Tradição já não é o que era!

E na sequência dos anteriores textos, deixo aqui mais um belo post da Emmanuelle! Já agora, ficam a saber, que em breve irei editar um testemunho de mais um dos netos do Dr Aristides Sousa Mendes...Depois do Framcisco é a vez de António SM...fico muito orgulhosa!


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A cultura mudou! A busca do prazer é uma atitude humana. Homens e mulheres flirtam com igual intensidade, ambos querem ter prazer na cama. As mulheres deixaram de se limitar à fantasia! As mulheres criticavam nos homens a tendência para fazerem sexo sem compromisso. Hoje elas agem do mesmo modo. Ganharam coragem e decidiram consumar os seus desejos, nem que por uma só noite. O casamento não é mais o sonho dourado de muitas donzelas. Aquela do: "Vós, que seguis o caminho do matrimónio, estais decididos a amar-vos e a respeitar-vos, ao longo de toda a vossa vida? " Admiro quem acredita na instituição do casamento. Não sou moralista, apesar de saber que o sexo é realmente melhor quando as pessoas se conhecem, se amam e estão dispostas a ficar juntas. Nem que seja apenas por um período. A sociedade que é muito castigadora, aponta facilmente o dedo a quem não adere ao politicamente correcto! O facto das pessoas se sentirem desejáveis faz muito bem ao ego e à auto-estima. Também penso que é uma estupidez pensar que as relações fora do casamento podem salvá-lo. Se uma relação se esgotou, o melhor é acabar com ela. Mas isto também é outra conversa.


Basicamente, o sexo sem compromissos é movido pelo trinómio desejo sexual, experimentação sexual e prazer físico. Nem que seja uma vez na vida, queremos satisfazer um impulso. Porque apenas uma ínfima percentagem dos relacionamentos de sexo casual se transforma em romance. No caso de alguns homens, o sexo casual é sinónimo de estatuto e de poder perante os amigos...Se o encontro casual proporcionar prazer aos parceiros, pode ser uma experiência extremamente positiva. É através do prazer que se alcança um estado de graça físico e espiritual com resultados visíveis na saúde e no rendimento profissional ou não é verdade?


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Eu por exemplo, sou alegre, gosto de viver, nunca fumei drogas ou tomei pastilhas. Não me caso, não tenho filhos, sou tão pouco normal e, no entanto dou-me bem. Algumas pessoas não compreendem, mas isso também é outra estória. Sexo é muito bom, mas está longe de ser encarado como parte essencial da minha vida, como ver e ouvir. Sexo não é crucial. O facto de muitas mulheres não colocarem o sexo no centro da vida, não quer dizer que não possam ser sexualmente felizes. A relação sexual é tão poderosa que é capaz de ser satisfatória de qualquer maneira, com maior ou menor frequência. Por vezes uma boa gargalhada com um companheiro ou amigo, dispensa sexo, pode dar tanto prazer quanto fazer sexo. Alguns homens, já são uns Casanovas! Têm relações sexuais com várias mulheres e depois rejeitam-nas. Fazem terrorismo psicológico, alimentando o amor nas parceiras e depois desaparecem. É uma maneira que alguns homens encontram de se sentirem poderosos quando estão sem poder. Na realidade, vivem tão frustrados em relação ao sexo quanto algumas mulheres que se sentem intimidadas ao colocar o sexo no centro das suas vidas, e não conseguem fazê-lo plenamente. Os Casanovas praticam imenso sexo, mas sofrem por não encontrarem o amor verdadeiro, relações estáveis em que haja espaço para a vulnerabilidade e a paixão.


A monotonia que toma conta das relações é assunto frequente hoje em dia. A magreza por exemplo; a apologia do corpo perfeito é uma das mais cruéis fontes de frustração feminina dos nossos tempos. A obsessão pela magreza transformou-se numa epidemia. Daí que existem tantas anorécticas. Considero a busca do corpo (in) perfeito um retrocesso no processo de emancipação feminina. Continuo a dizer que o físico não é importante. Essencial e interessante, é o que conseguimos fazer com ele e felizmente que ele é independente da mente. Por vezes sinto tédio, raiva em relação a certas pessoas (nicks) e nestes casos pergunto-me: Porque é uma pessoa tão chata? Vou ao fundo do sentimento para entender melhor...Tento compreender não só o que pensa ou deseja, mas também o impacto das reacções em mim. Isto serve-me para aprender e agradecer aos deuses, fadas ou feiticeiras, o facto de ter conhecido alguns Homens fantásticos na internet. Fiquei mais inteligente, mais consensual e solidária. E fiquei com maior consciência da responsabilidade ao ir esperar um "desconhecido" ao aeroporto e uma certeza estranha, indiferente às convenções, fizeram-me sentir mais Mulher por tê-los seduzido e conquistado. E foi-me dito: não é nada físico pois nem a conheço, mas preciso vê-la! E não era mesmo, não mando fotos na internet, não falo de mim fisicamente. Sou uma pessoa exigente. Não tenho poderes, posso ser uma mulher poderosa, sim, no sentido de sentir que me vai acontecer alguma coisa má e pensar como lhe dar a volta. Ter pessoas a depender de mim é uma preocupação, não é um poder!


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A ira é uma coisa que me agrada nos homens. Atiço-os, seduzo-os e...Daí, ao desejar tirar estes do monitor, não demorou muito pelo resto do tempo no qual fomos conversando, rindo, falando do gozo, do tesão que nos provocava todo aquele jogo, do misterioso que nos atraía cada vez mais numa curiosidade, um tanto ao quanto estimulante. Então aquelas mãos, que me escreviam palavras bonitas, pareciam pensadas para não cometer nenhuma gaffe, sempre educados, mas nas entrelinhas, quase jurava que me apertavam toda, agarravam o corpo que recuava, o que fazia apertar mais forte e sussurrar "não fuja". Pronta para o abate se fossem uns tarados, uns psicopatas daqueles que usam, abusam das mulheres, e matam a seguir para um prazer maquiavélico. Resolvi confiar, afinal a minha alma não poderia estar a enganar-me perante o que sentia sobre aqueles desconhecidos, mas tão amáveis personagens...O nervosismo anunciava-se pela expectativa de ir viver uma aventura que ambos desejávamos. Às vezes penso que se as pessoas pudessem imaginar tudo o que já fiz, certamente morreriam de inveja:) Não sou eu que digo sempre, preferir amigos libertinos? Desagradar de início certas mentes conservadoras e, assim, evitar falsas esperanças quanto à minha natureza?
Sobra para mim, portanto, divagar sobre duas nuances desse termo, as quais me interessam, e reflectem de alguma forma os meus sentimentos.
Se eu perguntasse às minhas queridas amigas, e para todas as baunilhas que conheço, se o amor tem limites? A paixão conhece limites? A entrega é limitada? Se assim for, não é verdadeiro, a paixão é perene, e a entrega é parcial, medrosa, cheia de culpas. Mas nem vou perder o meu precioso tempo a perguntar coisa alguma, tão queridas as minhas amigas, tão castas, tão conservadoras, em fachadas de hipocrisia. Com amigas assim, descobri que não preciso de inimigos!


A minha filosofia trata-se, antes de tudo, de afecto entre um homem e uma mulher que consentem submeter-se numa entrega livre, sem preconceitos, para que se alcancem todos os prazeres do corpo e do espírito…Pessoas que se envolvem num relacionamento responsável na sua plenitude e, portanto...Sem limites. Oh! Que falácia o relacionamento sem limites, exclamarão alguns. Mas as minhas palavras são bem menos utópicas do que soam aos descrentes ouvidos, desde que o homem e a mulher estejam, realmente, engajados numa relação responsável.
Então, dentro dessa relação adulta, responsável e consensual, deverá ser limitada? Um deleite inigualável, que ninguém me tirará:) Ficam as saudades, as suaves lembranças, toda a alegria que nos proporcionamos em passeios e deliciosas gargalhadas e as excelsas conversas. Apesar do pouco tempo, da brevidade de tudo, senti que cada gesto era intenso, que os beijos não eram movimentos automáticos, que os abraços não eram vazios...O resto obviamente que não conto:) E ainda nos encontramos de vez em quando, aqui no Rio das Pérolas ou no mar de Andaman:) Ainda bem que deixei de ser tão distraída e fechada para o mundo:) Isto foi desde que descobri que o mar é salgado por causa dos bacalhaus:)
Emmanuelle


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Soube que esta noite, no Jornal Nacional na TVI, vai dar uma grande reportagem sobre “amores na net”.



Impressão Digital Cereza às 23:23
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47 comentários:
De Claudia a 17 de Janeiro de 2007 às 11:39
Só queria deixar um comm pra dizer que não podia estar mais de acordo com o que escreveste.
Ah, continua a escrever assim: lindamente!


De Selvagem Anónimo a 9 de Março de 2005 às 00:18
Amar, amar, amar até sentir dor...
(Fui 1º a comentar o post, tinha de sair algo tipo psicologia de algibeira) :) netcat
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(mailto:ant@the-devil.dnsalias.net)


De Selvagem Anónimo a 9 de Março de 2005 às 00:20
Está mais que provado que é o amor que dá sentido à vida. Esse sentimento nobre fez a vida de muita gente mudar.
Não só a quem ama sem limites como àquele a quem se destina esse amor. Mas não há dúvida de que as pessoas que
amam são mais felizes que aquelas que assim não procedem. Às vezes me pergunto por que ainda somos tão limitados
na arte de amar, quando na verdade deveríamos estar abertos a expressar nosso amor de forma deliberada, de
maneira que todos nós nos sentíssemos bem e muito felizes. Deveria realmente ser assim, mas não é isso que fazemos
no nosso tão conturbado dia-a-dia. Via de regra o homem está fechado em seu casulo, colhendo aleatoriamente os
dissabores de uma vida calcada na mediocridade do seu individualismo. Não faz o menor sentido ser assim. Há que
existir um mínimo de discernimento para entender que sem ser solidário, sem partilhar sua vida com o próximo, sem
amar ao outro sem medo, ninguém atingirá o bem-estar necessário para sua realização pessoal, para seu crescimento
como ser humano.
netcat
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(mailto:ant@the-devil.dnsalias,net)


De Selvagem Anónimo a 9 de Março de 2005 às 00:29
p.s. a pic dos mamilos e cubo de gelo deixou-me deveras excitado, não haverá por aí algo com chantily? mousse de manga...?netcat
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(mailto:ant@the-devil.dnsalias.net)


De Selvagem Anónimo a 9 de Março de 2005 às 10:01
Recordam-se da Enid Blyton? Ainda hoje sinto um frio percorrer-me a coluna vertebral sempre que penso nas excitantes aventuras que ela escreveu. Uma lacuna nunca antes preenchida foi o surgimento de uma Enid Blyton para meninos entre os 16 e 18 anos. Agora fui inundado de esperança! Ah, também sinto imenso a falta de um blog que inclua cuts dos jornais desportivos, nomeadamente com as declarações do Mourinho à imprensa british, os acidentes de viação dos artistas da bola e as viagens dos árbitros. Podiam também incluir uma coluna de conselhos pós maritais, horóscopos especiais para homens no período complicado da andropausa, um editorial das politicas ambientais, nomeadamente com um campo explicativo da correcta utilização dos eco-pontos, uma crónica acerca da evolução da média ponderada, numa tabela de preferências, das medidas 84x60x84 e uma secção de apostas para quem vai namorar quem num futuro próximo... Hmm, isto era para comentar um post, não era? Bem, agora não tenho tempo. Um beijo, morenas belíssimas, deste V/ anjo, MaslowMaslow
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(mailto:manuel_azevedo@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 9 de Março de 2005 às 10:34
Eh!Eh!Maslow,eu adorava a Zé,e os lanches excelentes da tia,não me digas que também te crescia água na boca?!!Emmnuelle,o texto encerra tantas perguntas e tantas respostas...qdo o li relembrei parte da minha vida...gostei!!Obrigada......Um beijo pa ti.marta
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(mailto:martax_30@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 9 de Março de 2005 às 12:04
Olha a minha louca saudavel, sem papas na ligua a sair-se da casca mais uma vez. :)) Quer dizer, minha sem sentido possessivo do verdadeiro sentido da palavra. Quanto ao post, já estive dos dois lados da "barricada". Mantive-me num deles, a partir de determinada altura. Gozei o que tinha a gozar, e até ao ponto em que me pareceu suficiente, durante alguns anos da minha vida. Depois assentei. Sinto-me bem assim. Realizado até. Lembrei-me agora duma musica que diz qualquer coisa como isto: "Find a girl, settle down.....". Sou feliz assim. Fazer o quê?
Não critico, nem faço juizos de valor quem é feliz e se sente bem duma forma diferente da minha. Bem haja a pluralidade. :)))formasdolhar
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(mailto:formasdolhar@hotmail.com)


De Selvagem Anónimo a 9 de Março de 2005 às 12:29
Acho que percebi a idéia da Emmanuelle, mas a vida é isso mesmo.A parte das baunilhas é que me é completamente estranha. Mas quem serão essas baunilhas?Louis_Phere
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De Selvagem Anónimo a 9 de Março de 2005 às 18:55
Parabéns Emmanuelle pela sinceridade e também por saberes viver a tua vida do modo em que te sentes bem! Ninguém tem de obedecer a leis ou a regras impostas por mentes hipócritas que no fundo só sentem inveja ou frustração. Não meteste por essa estrada ao acaso, tratou-se de uma escolha livre. Isto pede uma citação da Susana Tammaro: "fica quieta em silêncio e ouve o teu coração.. quando ele te falar, levanta-te, e vai onde te levar..."Morgaine
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De Selvagem Anónimo a 9 de Março de 2005 às 19:14
O fim do Mito!

Exactamente. Gostei de ler este texto escrito pela Emmanuelle. Sinceramente que sim. Não me revejo nem um bocadinho em extensas partes do mesmo texto, melhor, não me identifico de todo, mas é sempre bom recolher diversas perspectivas, diferentes sensibilidades, acerca de possibilidades.

Seria absolutamente fantástico que fosse mesmo assim. Mas o quê? Esse ódio quase paranóico pelas consequências do dia seguinte manifesta-se em todos os actos do plural feminino. Justifiquem-se com aquilo que acharem bem mas o vosso complexo de conduta, não importa mesmo que amoral, não convive bem com as consequências da manhã seguinte.

Mas apreciei saber que, finalmente, por todas as razões tão bem sistematizadas pela Emmanuelle, contra o que é experiência comum, a emancipação da mulher está viva e recomenda-se.

Um beijo, morenas e belíssimas, deste V/ anjo, Maslow
Maslow
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(mailto:manuel_azevedo@hotmail.com)


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