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Urban Jungle

pensamentos, divagações e tangas da selva urbana

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Urban Jungle

19
Nov04

Ircindentes

Cereza

O mundo á nossa frente.... Já se tornou um clichê dizer esta frase quando se fala da Internet....Ela abre uma janela para uma coisa há muito esquecida no mundo real: a conversa, a troca de idéias, o prazer de se comunicar... O IRC e as salas de chat servem não só para se conversar com o outro lado do mundo, mas também para se conversar com o outro lado da esquina. Além das distâncias físicas, o IRC ajuda-nos a superar barreiras como a timidez, a vergonha, e o medo. Por isso, cada vez mais ouvimos histórias que aconteceram por causa deste programa, histórias de amor, de amizade, de decepções,e de sacanices.



Neste mundo virtual podemos dar voz ás nossas partes mais sombrias, aos nossos complexos e “personas” criadas durante a vida... É um espaço de experimentação, de fantasia e que pode muitas vezes levar à instabilidade emocional.
Ali as Fantasias rolam soltas... isentas de sentimento de culpa. Podemos visualizar a pessoa como gostariamos que fosse, e passar uma imagem nossa que não decepcione... por vezes até tentamos aguçar o interesse.


O Irc e as salas de Chat, tornam-se atraentes pela possibilidade de se viver, em palavras, o que se deseja naquele momento e naquele instante, sem censuras e/ou limites morais, que normalmente permeiam a vida de cada um... o pior é quando ultrapassa essa barreira, não é?
Costumo dizer que o Irc é demasiado perigoso, para quem não sabe gerir as suas emoções....As pessoas por vezes envolvem-se com um nick, e nem entendem bem porquê? Ele ou Ela entra no canal, e o coração começa a bater mais forte....O mundo real deixa de existir... O resto, bem vocês sabem!


mec.jpg


Claro que o Irc já juntou muita gente... mas também já fez sofrer pessoas sem conta.
Aos mais novos nestas lides...cuidado...atrás de cada comando há sempre uma intenção. Cada /join, /who, /whois, /quit, /query, /dcc chat, pode trazer consigo uma pequena surpresa, alguém que pode mudar o teu dia, ou (quem sabe?) a tua vida...




O Maslow (#30-50) explica isto com outras palavras... palavras bonitas, que emocionam.... que tornam afinal o Irc uma espécie de conto de fadas: com os respectivos herois e bandidos.

Cereza


rosaboca-thumb.jpg






Um beija flor, continuamente buscando realizar todos os sonhos que surgiam em cada batimento de asas, pairava curioso por cima dum jardim estonteante.
Como louco, todas as cores o estimulavam a voar em volta, procurando em cada cor, de cada uma das flores desse jardim, a remissão de todas as suas duvidas, de todas as suas buscas.
Tirando de cada flor apenas uns momentos de suave esquecimento foi deixando escorrer a vida , esvoaçando e apenas aspirando aromas e deixando-se emocionar a cada pingo de cor mais fascinante.
Um beija flor comove-se com imensa facilidade, mas entrega-se muito raramente. A natureza foi generosa com o beija flor. Não precisa invejar nenhuma das outras aves. Os seus voos são magia, a sua plumagem divertida, os seus hábitos seguros. Não precisa de concorrer com as outras aves e o mundo de insectos que tentam, densamente, alterar o seu mundo, geralmente afastam-se perante a sua presença.
A sua personalidade é, por isso, vincada e orgulhosamente, dominadora. Eleva-se, o beija flor, à posição de pequeno rei dos seus domínios, naturalmente.
Habitualmente deixa-se amar e é discreto e secreto na forma como ama. Cada amor que vive perdura e, quando ferido pela ânsia de amar, é impaciente e tenaz.
Num dia de alegre indecisão, o beija flor, entretido, deslocou-se prazeroso e entusiasmado, como tem por costume fazer sempre que se lhe deparam oportunidades para esvoaçar rumo ao desconhecido, até um jardim onde permanecia uma flor discreta que irradia a bonomia de quem sabe de si ser uma flor das mais inquestionáveis do jardim. Sentindo a inutilidade de tal encontro, não foi por isso que deixou de se alegrar pela viagem nem pela suave espuma que escorreu desse encontro.
Não podia prever, o beija flor, é que iria também encontrar uma flor cujas cores, jovens e quentes, duma intensidade que nunca tinha antes visto em nenhuma outra flor, não mais abandonariam os seus sentidos. As suas cores, dessa flor nunca antes imaginada, preencheram-lhe, desde esse dia, todas as suas premências de sonhos, todas as questões pelas quais interrogava continuamente a sua vida, todos os momentos em que se sentia perdido no ócio de quem, pouco antes ainda, sentia ter realizado a lenda para a qual apontava desde o dia da sua concepção.
Desmoronou-se o seu mundo. Não teria nem mais um dia em que não pensasse continuamente em voltar aquela flor, de tons tão esfuziante e delicadamente necessários, de tão rara e inatingível beleza.
Mas as flores são tão incompreensíveis. Enquanto o beija flor se distrai, esvoaçando entre um passado e um futuro, sem compromisso nem afirmação, todas as flores lhe estendem as suas pétalas, enviando sinais e seduzindo-o a deter-se, entretido, no esquecimento das suas muitas cores. Desde que se deteve, curvado perante a grandiosidade deste esmagar dos seus sentidos, perante a urgência do frémito ininterrupto de se oferecer ou vender a alma, a flor mais linda, profana do seu sentir, inunda-lhe todas as noites o mundo de sons, de sorrisos; inunda-lhe o mundo de tons de prata e de equívocos... diz que não sabe!
Não são mais os dias os mesmos, nem as canções as mesmas, nem as noites tão apertadas. Não são mais a respiração e o olhar os mesmos, os gestos os mesmos, a inteligência a mesma.
Agora habita em si uma permanente agitação de não saber, o pânico de estar a perder ou de estar a deixar passar um fragmento de vida que se estende, impávida, à distância dum cabelo.



Ficção



O beija flor decide que sem a sua flor a vida não vai, nunca mais, ter sentido nenhum. Ao menos tem que saber se, em qualquer lugar ou em qualquer tempo do mundo, a sua flor o deseja e o aceita.



Se, ao menos, a sua flor pensa nisso.

Deixa-me conhecer-te.

Maslow (#30-50)



Rose.jpg




(Para o Guldan)




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