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Urban Jungle

pensamentos, divagações e tangas da selva urbana

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Urban Jungle

25
Abr06

Conto!

Cereza
A Bonecarussa, mandou-me este texto para inserir no conto do UJ. Só que a menina não avisou nos comentários... e quando dei por ele já não fazia sentido metê-lo no blog do conto. De qualquer maneira achei tão engraçado que resolvi publicá-lo aqui... Serve de pub ao url http://contouj.blogspot.com/
   

 

- E diz-me a senhora que sonha com tudo isto que acabei de ler todas as noites?
- Sim doutor, por isso o procurei. Isto deve ter uma explicação. É tudo tão nítido… e além disso, porque invento nomes em sonhos? Nunca ouvi falar de semelhante coisa… é normal?
- Depende da perspectiva, disse o psicólogo sorrindo.  Bom mas ainda não me contou nada de si, apenas que sonha todas as noites com uma realidade estranha, supostamente escrita por pessoas suas conhecidas e cada capítulo é de autoria diferente… hum… já falou com essas pessoas?
- A questão é essa… elas pensam que estão a escrever um conto…
- Elas pensam…como assim? Mas afinal isto é um sonho seu, ou um pesadelo, ou é algo real com o que a senhora sonha de noite…? Desculpe, perdi-me…
- Doutor… eu… quando falo separadamente com cada uma das pessoas ‘envolvidas’, vamos chamar-lhe assim, eles têm conversas…normais. Mas quando estão juntos começam a dizer coisas estranhas e a falar do Sir e sei lá mais de quem… ou seja, falam do meu sonho. A bem da verdade confesso que os tenho evitado… ando muito confusa e até assustada.
- A senhora acredita em fenómenos paranormais?
- Eu acredito em tudo o que tenha uma explicação lógica… se esses fenómenos tiverem uma explicação, mesmo que rebuscada, sim, acredito neles.
- Mas já alguma vez teve alguma experiência nesse campo, algum…
- Não, nada… só coisas que ouvi falar ou que li, mas nada mais.
- Deve haver, de entre essas pessoas, alguém de quem se sente mais próxima… já tentou alguma abordagem mais aprofundada, quando está sozinha com essa pessoa?
-Tenho medo… tenho medo da resposta.
-Pensou na possibilidade de os seus amigos estarem a fazer uma qualquer partida consigo, uma brincadeira, algo assim?
-Doutor… como o poderiam fazer…? Estamos a falar dum sonho recorrente… de pormenores que, por vezes, se eles não falassem neles, eu própria não me lembraria de os ter sonhado… entende?
-A senhora dorme bem? Quantas horas de sono faz por noite? Alguma vez teve insónias?
- Cerca de sete, oito, talvez mais ao fim de semana e não, insónias nunca tive… posso ter mais dificuldade em adormecer uma noite ou outra, mas é esporádico e não podem ser consideradas insónias.
- Hum… isso é suficiente na sua idade. Está bem…
Trrriiiimmmmm…
-Desculpe-me… vou atender, aguardo um telefonema urgente.
Ela sorriu com ar de assentimento mas ficou interiormente aborrecida com a desfaçatez do médico… atender telefones a meio das consultas…?
- Sim fala, disse o psicólogo sem tirar os olhos dela.
- …
- Hum hum…, os olhos dele alegraram-se de tal forma que pareciam ir sair das órbitas.
- …
- Controladíssimo… nem sabes como… muito bem, vou abreviar a conversa com ela… quero dizer, com uma pessoa, e já vou lá ter. Os meus olhos estão cheios de fome…
Ela levantou-se furiosamnete e procurou a porta com o olhar. O médico dirigiu-se-lhe e disse:
- Tenha calma. Peço-lhe encarecidamente que me desculpe… continuemos.
- Doutor… ou eu estou louca ou então… porque me deu a sensação que estava a falar de mim com essa pessoas que lhe ligou?
O olhar dela estava aterrorizado e brilhante das lágrimas que segurava a custo.
- Minha senhora… está a fazer um equívoco só superável pelo que tem na sua cabeça com o tal conto… como médico afirmo que a senhora não está em condição de sair daqui sozinha. Se não quer continuar a consulta, muito bem, podemos fazê-lo mais tarde ou noutro dia, mas agora tem que me acompanhar
O chão parecia fugir-lhe debaixo dos pés. As paredes pareciam mover-se. As suas pernas pareciam estátuas. A sua respiração desaparecera. Inclinou-se para a frente como se fosse desmaiar e quando o médico ia socorrê-la, deu-lhe um enorme empurrão que o deixou caído no chão e correu, correu, correu. Correu tanto que não teve tempo de ver que o médico se abeirou do telefone e disse:
- Ela fugiu, a cabra magoou-me e fugiu.

Bonecarussa

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