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Urban Jungle

pensamentos, divagações e tangas da selva urbana

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13
Jan06

Interpretações

Cereza

Eu achei uma piada enorme a este texto... talvez porque trata de situações que nos acontecem frequentemente no dia a dia.

O toque de uma perna num desconhecido, e ficamos logo incomodados a pensar em mil coisas!

O texto é de um novo paineleiro Paulo Tiago





Num dos meus constantes exercícios de pensamento, perguntei a mim mesmo como interpretam as pessoas as atitudes de outrem... Um olhar, um gesto, uma simples expressão são motivos para eu imaginar o que a pessoa estará a pensar, se está a tentar transmitir-nos alguma mensagem, se está a tentar chamar a atenção de alguém ou se simplesmente está a viver despreocupadamente.

Como exemplo tenho a viagem de autocarro na sexta-feira para casa.
Depois de por o saco na bagageira, comprei o bilhete e entrei no autocarro. Havia já bastante gente, e por isso tive que me sentar ao lado alguém, coisa que evito quando posso (como a maioria das pessoas) para ter mais espaço e à-vontade. Sentei-me ao lado de uma rapariga, uma pessoa como qualquer outra ali dentro.

Passado algum tempo do autocarro arrancar sinto que a perna dela vai encostada á minha, ou a minha á dela. Tento não pensar durante 10 segundos, apenas ver o que acontece. Não aconteceu nada, as pernas continuaram juntas. Se já alguma vez acontecera nunca tinha dado conta, mas penso que a maioria das pessoas se remetem ao seu minúsculo espaço no banco, evitando tocar na pessoa do lado, até porque nem sequer se conhece (ou pelo menos é a ideia que eu tenho).

Nas curvas as pernas balanceiam e sempre a tocarem-se. Eu mexo-me, ela desencosta a perna, mas de imediato a volta a colocar suavemente na posição em que estava. Não estão mais para o meu lado nem mais para o lado dela, vão exactamente no meio, mas parece-me que o corpo dela tem uma certa inclinação de maneira que as pernas dela se encostem ás minhas. Isto durante praticamente todo o caminho até Viseu, onde tínhamos que trocar de autocarro.

Quando ia já a sair olhei para trás e senti que ela me olhou, ainda do lugar onde estava, de uma maneira especial, fosse qual fosse essa maneira. Enquanto esperávamos pelo autocarro que fazia a ligação procurei-a com o olhar e encontrei-a a olhar-me.

Não terão sido as minhas interpretações mais que mera imaginação perante uma situação casual na qual a rapariga nunca pensou, quando fazia a viagem a olhar pela janela? Ou será que a perna dela estava encostada á minha intencionalmente? Será que ela estava a olhar para mim, ou estava apenas a olhar para o mundo onde por acaso eu estava naquele momento?

Foi a interpretação que fiz do momento, todos os gestos, atitudes e olhares poderiam ter sido interpretados de outras maneiras…



Paulo Tiago aka [M]orcego
in:Caderno de Apontamentos





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