Domingo, 23 de Julho de 2006

A Portuguesa

"...Dos fracos não reza a história,

cantemos alto a nossa vitória..."

 

Lembrei-me hoje de uma discussão que tive já algum tempo, e que me deixou profundamente revoltada. O tema foi: O Hino Nacional – A Portuguesa (click para ouvir)
 
A discussão foi deveras acessa. A outra pessoa que já me estava a pôr os cabelos em pé dizia que deviamos mudar de Hino Nacional, porque "A Portuguesa" tinha uma letra fascista e reaccionária e que tinha a ver com a " arrogante" colonização. Uma letra ligada ao antigo regime e que nada tinha a ver com o Portugal que temos agora.Segundo ele, devia literalmente ser banida, e apagada das nossas memórias.
 
Pessoalmente achei um disparate enorme, aliás revoltou-me. Mudar o nosso hino? Mas um hino muda-se assim conforme o regime? Onde está então a tão proclamada democracia. Quantos países não estariam a esta hora a inventar um “novo” hino só porque os regimes mudaram?
 
Mas isso nem é o mais importante, considero a Portuguesa, mais patrótica que outra coisa. O fascismo quer queiram quer não faz parte da nossa história, e não se pode apagá-la como se nunca tivesse existido. Faz parte de nós!
 
Confesso que me senti ofendida com as palavras dessa pessoa. Eu, que apesar de ter pais portugueses não nasci cá, e vivi a minha infância no outro lado do mundo. Tenho dupla nacionalidade, porque os meus pais assim o decidiram. Mas considero-me portuguesa, e tenho muito, mas muito orgulho em o ser. Sou daquelas pessoas que canta o hino com a mão no peito, porque o sinto no coração e na “pele” . Vou deixar aqui a história e a letra da portuguesa ( que me deixa sempre arrepiada )
 
"A Portuguesa", que hoje é um dos símbolos nacionais de Portugal (o seu hino nacional), nasceu como uma canção de cariz patriótico em resposta ao ultimato britânico para que as tropas portuguesas abandonassem as suas posições em África, no denominado "Mapa cor-de-rosa".
Em Portugal, a reacção popular contra os ingleses e contra a monarquia, que permitia esse género de humilhação, manifestou-se de várias formas. "A Portuguesa" foi composta em 1890, com letra de Henrique Lopes de Mendonça e música de Alfredo Keil, e foi utilizada desde cedo como símbolo patriótico mas também republicano. Aliás, em 31 de Janeiro de 1891, numa tentativa falhada de golpe de Estado que pretendia implantar a república em Portugal, esta canção já aparecia como a opção dos republicanos para hino nacional, o que aconteceu, efectivamente, quando, após a instauração da República a 5 de Outubro de 1910, a Assembleia Nacional Constituinte a consagrou como símbolo nacional em 19 de Junho de 1911 (na mesma data foi também adoptada a bandeira nacional).
A Portuguesa, proibida pelo regime monárquico, que originalmente tinha uma letra um tanto ou quanto diferente (mesmo a música foi sofrendo algumas alterações) - onde hoje se diz "contra os canhões", dizia-se "contra os bretões", ou seja, os ingleses - veio substituir o Hymno da Carta, então o hino da monarquia.
Em 1956, existiam no entanto várias versões do hino, não só na linha melódica, mas também nas instrumentações, especialmente para banda, pelo que o governo nomeou uma comissão encarregada de estudar uma versão oficial de A Portuguesa. Essa comissão elaborou uma proposta que seria aprovada em Conselho de Ministros a 16 de Julho de 1957, mantendo-se o hino inalterado deste então.
Nota-se na música uma influência clara do hino nacional francês, La Marseillaise, também ele um símbolo revolucionário (ver revolução francesa).

A Portuguesa foi designada como um dos símbolos nacionais de Portugal na constituição de 1976, constando no § 2° do Artigo 11° (Símbolos nacionais e língua oficial) da Constituição da República Portuguesa

 

 

 
Data: 1890 (com alterações de 1957) Letra: Henrique Lopes de Mendonça
Música: Alfredo Keil
I
Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente e imortal
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria, sente-se a voz
Dos teus egrégios avós
Que há-de guiar-te à vitória!
Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!
II
Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o teu solo jucundo
O oceano, a rugir de amor,
E o teu Braço vencedor
Deu mundos novos ao mundo!
Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!
III
Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal de ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.
Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!
 
( Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. )
 
 
 
Abro a discussão, na vossa opinião o hino nacional deve ser alterado?



Impressão Digital Cereza às 19:45
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21 comentários:
De WG a 25 de Julho de 2006 às 11:14
Olhem que rica colecção de Velhos do Restelo que aqui temos! LOL

Vocês já repararam quantas vezes mudámos de bandeira e quantas vezes mudámos de hino? Isso diz-nos que nada é para sempre, e que devemos abraçar a mudança, sob pena de vivermos amarrados ao saudosismo, que é um dos grandes males de Portugal.
Não quero com isto banalizar estes importantíssimos símbolos, ou seja, não acho que se devam mudar por tudo e por nada, a toda a hora.
Apenas digo que por vezes fica por demasiado obsoleto que é preciso face lifts ou mesmo algo diferente.
Basta ver que este hino, que se referia aos bretões, era muito baseado no "sabor" da época, e ficou com isso enfermo até à revisão, que não mudou quase nada.

Nesta óptica, e apesar de também me arrepiar sempre que oiço o hino, porque é o nosso e porque para o bem e para o mal me sinto 100% Português, e também apesar de provavelmente não me arrepiar da mesma forma com qualquer novo hino que fizessem, por muito bom que fosse, porque este é o "meu" hino, acho que DEVIA SER MUDADO.

Sim, não se deve renegar a nossa História, até porque não temos grandes motivos de vergonha (pelo menos não numa óptica comparativa), mas um Hino não pode ser só isso. Um Hino tem que ser mais.
Tem que capturar os grandes valores e princípios subjacentes à cultura de uma Nação, aqueles que são históricos e que queremos projectar para o futuro, e sobre os quais queremos construir a visão do destino que se pretende para a Nação.
No fundo, e com as devidas distâncias, à semelhança das missões das empresas, que olham muito para a frente e q.b. para trás, para não ficarem presas no status quo que as aniquila.

Aqui o grande truque é determinar 2 coisas:
1) Quando é que uma mudança é tão grande a ponto de justificar uma mudança do Hino
2) Que princípios e valores são esses, e mais difícil, que visão / rumo é o nosso

Posto isto, ponham de lado aqueles arrepios que também eu gosto muito de sentir quando oiço o Hino, e assumam que a mensagem que passa contribui para o perpetuar do nosso saudosismo e fala de princípios que nunca foram a nossa verdadeira natureza (nunca fomos um povo de guerra, lutámos em auto-defesa e apenas o fizemos em ataque durante uma brevíssima parte da nossa história, já no sec XX, mas quem ler o Hino há-de pensar o oposto!!!).
Se o fizerem, vêem que MUDAR É IMPERIOSO, E O HINO É UM BOM COMEÇO.


De Selvagem Anónimo a 25 de Julho de 2006 às 15:24
VELHOS DO RESTELO????????
HEM!!!!!


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