Terça-feira, 12 de Setembro de 2006

Ana Lacerda

"Abre-se o pano e os holofotes iluminam a imagem longilínea de bailarina. Por detrás da figura delicada, quase etérea, de Ana Lacerda, vemos uma mulher tenaz, persistente e muito exigente consigo própria. O turbilhão de emoções que irradia dos seus olhos amendoados traduz-se mais facilmente em movimentos. E é o que leva para o palco como valor acrescentado a uma técnica mais que apurada..."

in: Máxima

Continuo a achar que a dança é o parente pobre das Artes... até culturalmente.

Ficamos fascinados por poesias e prosas... sucumbimos á música (seja clássica, rock, pop, jazz, ou qualquer outro género ) deliramos com cinema... e a dança? Nada. Pessoalmente muito me entristece... mas enfim.

Vou deixar aqui um comentário que MUITO ME TOCOU da Ana Lacerda, que como já referi neste blog, é a primeira bailarina da Companhia Nacional de Bailado.

De a. a 9 de Setembro de 2006 às 04:48

Cereza ...aqui venho eu.Sossegadamente e fora de horas. Quero muito agradecer,mas assim....já passado o tempo...e ainda sempre a tempo de um dia te deixar o prometido.
Sei que talvez esta seja uma fase complicada para falar de mim...ou de tudo o que fui vivendo até hoje dentro da Cnb,e talvez por isso não consiga escrever nada que escorra com fluidez.
Tenho falado muito de mim ultimamente...não propriamente para os meus,mas sim para "fora"...e isso faz-me sentir demasiado; Ana Lacerda/ Companhia Nacional de Bailado...e tudo aquilo que tantas vezes não encaixa ou não quero que encaixe tantas vezes.
São fases...talvez esta queira resistir já faz algum tempo,mas para tudo existe um terminar...e esse talvez esteja a chegar.

As dúvidas existem quando olho o meu futuro já aqui ao lado...mas tudo faz parte de um processo lento e de uma tomada de posição, minha , apenas minha.
Quando existirem as palavras certas por dentro de mim...é porque chegou a altura de te deixar coisas mais bonitas.
Foi muito especial o teu gesto Cereza ...nem sabia como te responder a tanta delicadeza e atenção.Não sei como posso explicar...sinto que não mereço o tanto que por aqui me vão dando...é sincero quando o digo,não consigo explicar...e que me envergonho estupidamente,e que me agarro ao medo de não conseguir dar mais e melhor...este é um peso que vou carregando.
É uma maneira de estar e de viver...quando sentimos que os outros merecem muito mais do que aquilo que damos.
Minha querida e gentil Cereza ...do fundo do meu coração,o meu Abraço mais que sincero. O meu A.braço dado.

( Quem carrega o peso, de pensar que não consegue dar mais e melhor, quando se é tão bom naquilo que se faz... só pode mesmo ser alguém muito especial. Ana, eu é que agradeço, ter-te aqui. Um beijo enorme, e toda a felicidade do mundo. Cereza )

Perfil:

Nascido em Lisboa, em 1972, Ana Lacerda iniciou os estudos de dança aos cinco anos na Escola do Centro de Formação Profissional da Companhia Nacional d e Bailado do Teatro Nacional de São Carlos, e integrou o elenco da mesma companh ia em 1988.

Os principais mestres da sua formação foram Armando Jorge, Violette Que nolle, Maria Palmeirim, João Miranda, Vladimir Petrunine, Eric e Maya Volodine, Georges Garcia, Lynn Wallis e Patrícia Neary.

Ana Lacerda foi promovida a bailarina principal da CNB em 1995 e dançou a maior parte do seu reportório, tanto clássico como moderno.

Fazem parte do seu reportório como bailarina solista as obras A Sagraçã o da Primavera (Vaslav Nijinsky), Sonho de Uma Noite de Verão (nas concepções de Gray Veredon e Armando Jorge), Romeu e Julieta (John Cranko), Les Sylphides (Mi kail Fokine), Pedro e Inês (Olga Roriz), A Bela Adormecida (Ted Bransen), Copéli a (John Auld) e A Dama das Camélias (Melmeth Bankan), entre outros.

Ana Lacerda, foi este ano agraciada pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, com a Comenda da Ordem do Mérito.


Impressão Digital Cereza às 23:03
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14 comentários:
De abel a 13 de Setembro de 2006 às 17:21
O mundo da Ana também é nosso.

Eu não magoaria tanto as outras formas de cultura… Em vez de a “mais bela”, que me perdoe o Justin, optaria antes por “a mais delicada de todas”.

“Parente pobre” talvez pela forma como as entidades domésticas olham para ela. As condições que proporcionam devem ser as habituais. Nunca há dinheiro para estas coisas… Não é futebol nem bailado estrangeiro… Cá para mim é sempre muito rico, mesmo dentro da nossa pobreza.

Os meus parabéns à Ana pelo ilustre curriculum que já exibe aos trinta. A preocupação e receio que manifesta na carta preocupa-nos também, certamente mais intensamente sentido pelos que carregam desgaste rápido. São ossos do ofício. Boa sorte para ela e que o futuro seja um manancial de sucessos.

À cereza, por trazer até nós esta lufada de ar fresco, um beijão.


De Cereza a 13 de Setembro de 2006 às 20:40
Abel: Quando falo em parente pobre, falo em milhentos aspectos.

Não só em termos govermentais, mas tb em relacção ás pessoas em geral.
O publico prefere em geral, ir ao cinema, ao teatro, a concertos... em vez de ir ver um ballet. Alias, penso que a maioria das pessoas nem deve saber "o que é um bailadado", nem que companhias existem em Portugal, nem tão pouco quem são os grandes nomes do bailado portugues.

Eu adoro ballet... dança em geral... e ir ver os bailados da CMB, foi algo que me inspirou profundamente... é algo de mágico.

ás vezes penso, será que cultura, é apenas ler e escrever bem? bolas, ás vezes escrevem-se aqui ( e noutros blogs) as maiores barbaridades, e a maioria das pessoas acha simplesmente fantástico.... e quando se posta sobre ballet? nada! Voces desculpem, mas isto é o meu mau feitio a vir ao de cima, e até pq contra mim falo.

Para mim é uma honra IMENSA, ter aqui no UJ a melhor bailarina portuguesa. á ana desejo a melhor sorte do mundo, e que todos, tenhamos a beleza e a sensibilidade que senti nas palavras dela.

Abel obrigada pelas tuas palavras, e sim, concordo contigo... foi uma lufada de ar fresco. :))) beijo


De lua_de_Avalon a 14 de Setembro de 2006 às 09:44
E com uma lufada de ar fresco
deixo aqui um grande abraço
e muita FORÇA à Ana, e tu MAria
Cereza toma lá uma beijoca :))
beijos


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