De abel a 30 de Setembro de 2006 às 21:03
Nicolau Maquiavel (3/5/1469 – 21/6/1527) nasceu e está sepultado em Florença na Igreja de Santa Croce, local que tive o prazer de conhecer.
Foi um pensador multifacetado cuja obra legada enriqueceu a humanidade. “O príncipe” é o livro mais lido pela actualidade do seu pensamento. É autor de muitas máximas e a do post é de facto uma das muitas constatações descritas de forma clara e simples que o caracterizaram. “Maquiavel proporcionou a ruptura entre Deus (Religião) e o Homem e acreditou na subordinação da Religião ao Estado” (O Príncipe, Nota Biográfica, p 12, Publicações Europa-América).

“A sua moral política, conhecida por Maquiavelismo, embora o sentido corrente esteja afastado do seu pensamento real”, apregoa que “o fim justifica os meios. É inútil manipular os homens, que são, por definição, maus e que se dividem em imbecis submissos e em hábeis predestinados para governar” (O príncipe, Nota Biográfica).

Mas o que está em causa no texto é o amor e o temor, que implica com o património. Disse ele que “os homens esquecem mais depressa a morte do pai do que a perda do seu património”. Por isso, o povo teme o príncipe e este tem duas armas para se impor: “pelas leis e pela força. A primeira é própria dos Homens; a segunda é própria dos animais e o príncipe precisa de saber ser homem e animal (crueldade por insuficiência ou incapacidade das leis)”. É impossível aos príncipes conseguirem que todos o amem (o esforço em cativar o amor dos mais poderosos, em especial, é constante). Na história Universal tivemos algumas figuras medonhas que os povos temeram (Stalin, Hitler, Bocassa e tantos outros) e que ainda hoje psicologicamente o medo se mantém.

A propósito da máxima citada, vou apenas fazer referência a um discurso do Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (Kofi Annan). Este demonstra a impossibilidade prática de criar leis que protejam o futuro do nosso Mundo porque é praticamente impossível obrigar, pela força, os mais poderosos e os grupos rebeldes a enterrarem as armas de destruição maciça, a evitar a poluição e outros factores que contribuem para a nossa morte não tão lenta como se julgava até aqui. Por ser questão que transferiro para mais tarde, termino com uma citação que envolve o temor de muitos e a teimosia de poucos habitantes deste Planeta. “Deixarás de temer quando deixares de ter esperança” (Séneca)


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