De flyman a 24 de Outubro de 2006 às 17:22
Mas este post da Tex, não trata do nosso fadinho, triste destino, e sim de observar que no fim de contas nem tudo é assim tão mau - exercício difícil afinal, para qualquer português dos sete costados. Nós somos mesmo bons, mesmo bons é nos lamentos.

Portugal é em si, como espaço geográfico, único. A sua localização, fazendo uma ponte entre a Europa, África e América. No seu território continental, apesar de relativamente pequeno, quando comparado com outros países, uma diversidade de paisagens ímpar. Qual é o país no mundo, com a dimensão de Portugal, que consiga ter o verde do Minho, as varandas do Douro, a agressividade de Trás-os-Montes, montanhas lindas como a Serra da Estrela, Caramulo, Buçaco, Sintra, S. Mamede, Monchique, as Beiras, elas próprias diferentes entre e dentro de si, a suavidade das colinas alentejanas, a nossa belíssima costa, tão variada de Norte a Sul, a riqueza e tradições culturais (...em vias de extinção?...)... O clima!!! O clima!!!!

Acabei de ler há poucos dias, um livro escrito por uma jornalista brasileira, Ângela Dutra de Menezes, chamado "O Português que nos Pariu". Trata-se de um exercício de resumo da história de Portugal, que visa explicar porque são os portugueses e os brasileiros como são... Por ter comprado o livro no Brasil - não sei se tem edição portuguesa - deparei-me com uma escrita algo deficiente, carente do bom português, para além de algumas pequenas imprecisões históricas. No entanto, a perspectiva politicamente incorrecta e a análise de como os portugueses foram resolvendo os conflitos de interesses com e entre outros países ao longo dos tempos, só podia dar neste povo de desenrascados desorientados.

Já quando a Península Ibérica estava a ser romanizada, um general romano escreveu uma carta para o imperador a dar conta de um povo, que habitava a Hispânia que não se governava nem queria ser governado... quem mais poderia ser?...

Entretanto - depois de um caldeirão onde se foram misturando em lume brando, lusitanos, celtas, romanos, bárbaros onde se incluem alanos caucasianos, vândalos germânicos e escandinavos, suevos e visigodos germânicos (estes últimos dissolvidos na civilização romana), mouros de Marrocos e da Mauritânia, árabes e judeus - aparece uma filha bastarda a Afonso VI, D. Teresa, essa mesmo que acabou por levar pancada do filho. Ora, como muita gente diz, "...um país que começa com o filho a dar porrada na mãe podia dar alguma coisa de geito?!..." Pois a nossa história tem dado como resposta: NIM!

D. Afonso Henriques foi um verdadeiro génio. Teria mesmo comentado D. Afonso VI, que seria uma pena que tamanho talento fosse morar em Portugal.

Para quem não sabe, aos 13 anos, na cerimónia em que seria sagrado cavaleiro na catedral de Zamora, o pequeno grande Afonso Henriques, mandou o bispo ás urtigas e ele mesmo se sagrou. Recusou a mediação divina, enchendo o avozinho de orgulho por tamanha desfaçatez... e só séculos mais tarde surgiria outro capaz de repetir tal acto... Napoleão...

O que é certo é que o rapaz não gostou de algumas atitudes políticas da mãe, nomeadamente a anexação do reino de Portugal à Galiza e a coisa azedou. Deu-se a Batalha de S. Mamede, o filho bateu na mãe e ficou a tomar conta da quinta. Depois foi a reconquista das terras aos mouros, sempre com o intuito de alargar fronteiras a agradar ao Vaticano, enviando-lhe as riquezas conquistadas como forma de vir a obter o reconhecimento de reino independente de Leão e Castela. A resposta tardou 36 anos a chegar, desde que a pretensão tinha sido formalizada.

A partir daí a nossa história é feita de altos e baixos, com altos muito altos e baixos muito baixos. Que exemplo melhor do que a época dos descobrimentos onde após termos dado novos mundos ao mundo, muito mais destemidos do que qualquer astronauta, por não sabermos ao que íamos, as riquezas apenas passavam por Lisboa indo acabar nos cofres dos holandeses, franceses e acima de tudo dos ingleses, essas frieiras históricas. Realmente há tratados económicos e alianças políticas seculares que perduram até aos nossos dias, que vendo bem, está na cara quem tem andado a comer o bolo e quem tem ficado com as migalhas... mas lá estou eu outra vez a lamentar-me... que é que se há-de fazer?... Não tenho culpa de ser português...


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