De Abel a 26 de Outubro de 2006 às 11:28
Dou os parabéns às pessoas que ainda mantêm inabalável a fé e o orgulho neste Portugal. Eu também alinho mas não apaixonadamente, porque a justiça e equidade para todos e entre todos fica aquém do desejado, e se as discrepâncias entre nós e os povos onde nos integramos, em convénio, não se acentuassem. Mas também, quem deve, não nos inspiram grande confiança ou esperança. Talvez, muitos de nós, sejamos como o velho do Restelo que só identificou a face negativa da grande cruzada. As especiarias da Índia, o ouro do Brasil, os diamantes, o ferro, produtos tropicais trazidos de África, apenas serviram para a construção, na nossa terra, de mosteiros (Jerónimos, Mafra, etc.), igrejas e basílicas inúteis e encheram os cofres de outras. Tudo se esvaiu, tal como agora se passa com estes esporádicos sucessos que um dia deixarão de ser nossos. É uma característica que nos persegue.

Encontrei nos comentários riqueza de ideias e de críticas, com muita graça, a que alguns dos bloguistas já nos habituaram. O Flyman acaba por dizer muito nas palavras que profere: “Quando nos soubermos organizar ou tivermos quem nos organize, aí sim, vai ser sempre a abrir!...”. O desordenamento do dito ordenamento do território é um exemplo da nossa desorganização e a descoordenação ou desarticulação dos nossos ministérios, outro. Ao longo da nossa história, os pequenos e escassos períodos de boa organização estão esporadicamente desgarrados. O Marquês foi uma rara evidência. Ainda ontem (25/10/2006) o actual Presidente da República alertou para o “nosso fraco espírito de cooperação em fazer obra comum”.

Assim, a falta de organização não permite uma estratégia concertada para que os nossos produtos se imponham com força no mundo, tal como os produtos de outros países (França, Grã-Bretanha, Espanha, Alemanha, etc.), mesmo sem a força das armas. Basta dizer que qualquer pequena multinacional “borra” em nós.

O texto do post fala das pedras brilhantes quase invisíveis na nossa economia que se vão soltando aos olhos da sociedade apática e ofuscada pelo permanente empolgamento com a divulgação interna da vida dos Zés Marias ou dos pontapés na bola dos quase… analfabetos. E a comunicação social, televisiva ou escrita, contribui fortemente para a invisibilidade destes sucessos, ao atirar esses brilhantes para horas mortas, ou para páginas escondidas. Como a maioria do povo pouco lê, e quando lê é “A Bola ou a OLA…, é por isso pouco receptivo a estas boas notícias. Também por isso, isto tem nula importância nas preocupações do nosso dia-a-dia, o que faz enriquecer a nossa autoflagelação.

O sucesso revelado pelo texto, em minha opinião, sensibiliza-nos para a falta de organização porque a actuação subjacente não se enquadra numa estratégia de conjunto nacional. As nossas estratégias são de “tudo ao molho e fé em Deus…”. Citando César das Neves, ilustre economista, “tudo é feito para dar errado mas às vezes dá certo”.

“Se Deus quiser” (Flyman) e os outros deixarem… “este ainda será um grande Portugal…”


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