Segunda-feira, 23 de Outubro de 2006

" Portugal vale a pena" de Nicolau Santos

Enviado pela Tex :) 

Eu conheço um país que tem uma das mais baixas taxas de mortalidade de recém-nascidos do mundo, melhor que a média da União Europeia.
Eu conheço um país onde tem sede uma empresa que é líder mundial de tecnologia de transformadores.


Mas onde outra é líder mundial na produção de feltros para chapéus. Eu conheço um país que tem uma empresa que inventa jogos para telemóveis e os vende para mais de meia centena de mercados.
E que tem também outra empresa que concebeu um sistema através do qual você pode escolher, pelo seu telemóvel, a sala de cinema onde quer ir, o filme que quer ver e a cadeira onde se quer sentar.


Eu conheço um país que inventou um sistema biométrico de pagamentos nas bombas de gasolina e uma bilha de gás muito leve que já ganhou vários prémios internacionais.
E que tem um dos melhores sistemas de Multibanco a nível mundial, onde se fazem operações que não é possível fazer na Alemanha, Inglaterra ou Estados Unidos. Que fez mesmo uma revolução no sistema financeiro e tem as melhores agências bancárias da Europa (três bancos nos cinco primeiros).

 

 

Eu conheço um país que está avançadíssimo na investigação da produção de energia através das ondas do mar. E que tem uma empresa que analisa o ADN de plantas e animais e envia os resultados para os clientes de toda a Europa por via informática.
Eu conheço um país que tem um conjunto de empresas que desenvolveram sistemas de gestão inovadores de clientes e de stocks, dirigidos a pequenas e  médias empresas.
Eu conheço um país que conta com várias empresas a trabalhar para a NASA ou para outros clientes internacionais com o mesmo grau de exigência. Ou que desenvolveu um sistema muito cómodo de passar nas portagens das auto-estradas. Ou que vai lançar um medicamento anti-epiléptico no mercado.


mundial. Ou que é líder mundial na produção de rolhas de cortiça. Ou que produz um vinho que "bateu" em duas provas vários dos melhores vinhos espanhóis.
E que conta já com um núcleo de várias empresas a trabalhar para a Agência Espacial Europeia. Ou que inventou e desenvolveu o melhor sistema mundial de pagamentos de cartões pré-pagos para telemóveis. E que está a construir ou já construiu um conjunto de projectos hoteleiros de excelente qualidade um
pouco por todo o mundo.


O leitor, possivelmente, não reconhece neste País aquele em que vive - Portugal.
Mas é verdade. Tudo o que leu acima foi feito por empresas fundadas por portugueses, desenvolvidas por portugueses, dirigidas por portugueses, com sede em Portugal, que funcionam com técnicos e trabalhadores portugueses.


Chamam-se, por ordem, Efacec, Fepsa, Ydreams, Mobycomp, GALP, SIBS, BPI, BCP, Totta, BES, CGD, Stab Vida, Altitude Software, Primavera Software, Critical Software, Out Systems, WeDo, Brisa, Bial, Grupo Amorim, Quinta do Monte d'Oiro, Activespace Technologies, Deimos Engenharia, Lusospace,
Skysoft, Space Services. E, obviamente, Portugal Telecom Inovação. Mas também dos grupos Pestana, Vila Galé, Porto Bay, BES Turismo e Amorim Turismo.
E depois há ainda grandes empresas multinacionais instaladas no País, mas dirigidas por portugueses, trabalhando com técnicos portugueses, que há anos e anos obtêm  grande sucesso junto das casas mãe, como a Siemens Portugal, Bosch, Vulcano, Alcatel, BP Portugal, McDonalds (que desenvolveu em Portugal um sistema em tempo real que permite saber quantas refeições e de que tipo são vendidas em cada estabelecimento da cadeia norte-americana).

 


É este o País em que também vivemos.
É este o País de sucesso que convive com o País estatisticamente sempre na cauda da Europa, sempre com péssimos índices na educação, e com problemas na saúde, no ambiente, etc.
Mas nós só falamos do País que está mal. Daquele que não acompanhou o progresso. Do que se atrasou em relação à média europeia.


Está na altura de olharmos para o que de muito bom temos feito. De nos orgulharmos disso. De mostrarmos ao mundo os nossos sucessos - e não invariavelmente o que não corre bem, acompanhado por uma fotografia de uma velhinha vestida de preto, puxando pela arreata um burro que, por sua vez, puxa uma carroça cheia de palha. E ao mostrarmos ao mundo os nossos sucessos, não só futebolísticos, colocamo-nos também na situação de levar muitos outros portugueses a tentarem replicar o que de bom se tem feito.
Porque, na verdade, se os maus exemplos são imitados, porque não hão-de os bons serem também seguidos?

Nicolau Santos, Director - adjunto do Jornal Expresso In Revista Exportar


Impressão Digital Cereza às 01:30
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24 comentários:
De Tex a 25 de Outubro de 2006 às 11:43
OH gente de pouca fé!


De marta a 25 de Outubro de 2006 às 12:24
Mas eu em ti tenho fé,ora!!!
;)
Sai um tapé para as bandas do Porto...
:p


De Tex a 25 de Outubro de 2006 às 17:19
Martinha, agradeço emocionada o tapé nas costas!lol


De flyman a 25 de Outubro de 2006 às 15:38
Mas ò Texazinha!... Queres povo de maior fé, do que aquele que tem no seu país um dos maiores centros de romagem de peregrinos?!...

Eu cá por mim, fico-me com a nossa história cíclica e repetitiva: Desde que Portugal é Portugal, que existem uns períodos breves de prosperidade, seguidos por longos períodos de austeridade. Claro que como país com uma longa faixa costeira, quando o mar está bravo e bate na rocha, quem se lixa é o mexilhão. Os peixões de águas profundas nem sentem o embalo das ondas. Não é preciso ler muitos livros, nem fazer grandes pesquisas. No ano passado a minha filha estava no 6º ano e eu gosto de a ajudar nos estudos... Dá-me para aí!... A matéria do livro de história do 6º ano abarcava toda a história de Portugal. Um elemento de pesquisa barato, conciso e bastante elucidativo daquilo que molda a nossa mentalidade colectiva.

Sempre que as coisas começavam a correr melhor neste país, apareceu sempre alguém que estragava tudo. Ou porque era um despesista ostensivo, ou porque fazia acordos económicos absolutamente desastrosos, ou até porque tinha um bocadinho de medo do futuro (falta daquilo com que se faz salada encarnada).

Por outro lado, quase sempre que ousamos enfrentar o desconhecido, nos demos bem. Digo quase sempre, porque com a história da batalha de Alcácer-Quibir, as coisas não correram nada bem. Apesar do conselho sábio de D. Fernando de Noronha, para que El-Rei D. Sebastião desistisse da ideia de investir contra os mouros, na terra deles, para mais sabendo que 110 mil deles estavam à espera, não lhe foram dados ouvidos. Ficou Portugal assim sem rei e sem a alta nobreza. D. Sebastião não deixou herdeiro, já que para ele "...nenhuma mulher é melhor do que o amor à pátria!" Devia gostar de filmes de cobóis, sua alteza... O lucro foi só um: de 1580 a 1640 Portugal e Espanha eram governados pelos mesmos, o Tratado de Tordesilhas não tinha razão de ser, e o Brasil ficou com a dimensão que tem hoje...

O que é certo, é que mais uma vez Portugal ganhou mais uma valente cicatriz, da qual nunca mais nos livramos, bem como aquela que 177 anos mais tarde destruiu Lisboa e grande parte do território.

São estes factos da história que vão moldando aquilo que somos hoje, e o que me aflige, é que não há meio de aprendermos com o passado. Nem com os sucessos, nem com os erros. Ainda há pouco tempo vi uma reportagem na SIC sobre os cérebros geniais portugueses subaproveitados. Gente com mestrados nas mais importantes universidades americanas e inglesas, que acabam por decidir ficar cá pelo amor ás raizes e à família. Resultado?... Uns dão aulas, outros fazem investigação em condições ridículas. Têm ordenados absolutamente comuns. Não são reconhecidos.

Eu graças a Deus, não me posso queixar da vida que levo em Portugal, e até me considero para além de privilegiado quando olho à minha volta, um optimista! Mas se as coisas para mim não fossem assim, já me tinha pirado daqui para fora.

Enoja-me por exemplo, que hajam uns parasitas na EPUL que são ADMINISTRADORES VITALÍCIOS e que haja quem lhe baste uns poucos anos como gestor de uma qualquer empresa pública para ter uma choruda reforma. E não se confunda isto com inveja. Acho isto absolutamente imoral, quando pedem ao povão para trabalhar mais anos e receber menos quando tiver direito à sua reforma.

Quando se pedem sacrifícios a quem trabalha, o exemplo tem de vir de cima. Sempre de cima para baixo e isso nunca aconteceu, não acontece e infelizmente nunca acontecerá. Pelo menos. enquanto a consciência política do comum cidadão não mudar. Parece que anda tudo anestesiado com morangos e floribelas!

Pacientemente aguardando por esse país apregoado, mando-te daqui mais um pontapé no fundo das costas.


De Tex a 25 de Outubro de 2006 às 17:21
Flycoiso, tb te agradeço das profundezas lolols


De hapito a 17 de Setembro de 2007 às 16:53
e viva a cidadania, meu. Afinal Don Sebastião existe!


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