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Urban Jungle

pensamentos, divagações e tangas da selva urbana

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22
Dez05

Dedicado ao meu Pai!

Cereza
Dia 25 de Dezembro, perto da meia, há 13 anos atras.
O meu pai entrou pelo seu pé no Hospital de Faro.
Sentia falta de ar.
Um médico aproximou-se e perguntou-lhe o que sentia, ofegante explicou.
O médico disse-lhe para esperar, que já voltava.
Instalou-se a revolta e a confusão.
O meu irmão agarrou o médico pelos colarinhos, encostou-o á parede e exigiu que o meu pai fosse atendido de imediato.
Levaram-no lá para dentro. O que se passou depois não sabemos.
Esperamos horas e horas sozinhos na sala de espera.
Não nos passava pela cabeça o que se ía passar a seguir.
Apenas esperavamos ver o meu pai sair pela porta.
Nada.
Não sei quanto tempo depois uma enfermeira entregava o fio de ouro que o meu pai usava à minha mãe.
A minha mãe pressentu algo, mas não disse nada, e continuamos a esperar por ele.
Passado umas horas chamaram-nos. Uma médica disse-nos que ele tinha morrido.
Um ataque cardíaco fulminante.
A minha mãe começou aos gritos e desmaiou.
O meu irmão procurava pelos quartos do hospital ver se o encontrava.
Eu agarrada á minha mãe chorava.

O pilar da familia desapareceu.
A minha mãe nunca mais foi a mesma.
Eu e o meu irmão tentamos tomar o lugar dele, mas nada será como dantes.
Tombou tudo.
E nada parece fazer sentido.
Explica-se assim por frases curtas porque detesto o Natal.</p>

"Meu querido papá,
amar-te-ei o resto da minha vida, e estás sempre comigo.
Quando me sinto triste, falo contigo e peço-te ajuda, porque sei que nunca mais vais abandonar. Não consigo conter as lágrimas quando penso em ti, mesmo depois de tantos anos. Foste o amor da minha vida, a minha força, foste tudo. Trabalhaste uma vida para me dar o que tenho hoje... mas trocaria TUDO neste instante, para te ter de volta.
És eterno, e amo-te tanto, que até doi."



O ano passado ofereceram-me este poema. Diz tudo o que sinto no Natal, por isso o guardei para hoje prestar uma homenagem ao homem que mais adorei na vida.



Ficou vazio o teu lugar à mesa.
Alguém veio dizer-nos que não regressarias,
que ninguém regressa de tão longe.
E, desde então, as nossas feridas têm a espessura
do teu silêncio, as visitas são desejadas apenas
a outras mesas. Sob a tua cadeira, o tapete
continua engelhado, como à tua ida.
Provavelmente ficará assim para sempre.


No outro Natal, quando a casa se encheu por causa
das crianças e um de nós ocupou a cabeceira,
não cheguei a saber
se era para tornar a festa menos dolorosa,
se para voltar a sentir o quente do teu colo.


Maria do Rosário Pedreira
"A Casa e o Cheiro dos Livros"


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Até segunda




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