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Urban Jungle

pensamentos, divagações e tangas da selva urbana

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23
Ago05

Férias Cubanas

Cereza

Contrariamente ao Abel e á Lua Dourada, espero regressar a Cuba! Para mim é uma cidade fascinante, exactamente pelos contrastes. O povo apesar de viver na maior miséria, vive a cantar e a dançar... Havana tem uma luz muito especial, casas a cair, e casas a serem restauradas lentamente com cores garridas. Eu amei Havana! Agora o Abel conta como foram as suas ferias em Cuba... a musica que está a tocar, é lá ouvida em todo o lado... porque o verdadeiro heroi dos cubanos é Che Guevara, e não Fidel Castro.


Varadero_Beach_Cuba.jpg


Fosse tudo tão fácil!

Se apregoa por vezes.

Transmitir é difícil

O que vivemos às vezes

Das Caraíbas chegando

Ilhas do lado de lá

Neste cantinho comparando

Com gente do lado de cá

Cuba, arquipélago a estrutura

Faixa com cayos de formosura

Colombo a desencantou

Quando por ali passou

Terra estreita e comprida

Um crocodilo faz lembrar

A norte América Florida

México e Haiti no mesmo mar

Amerindios foram dizimados

Após religiosa colonização

Muitos escravos espancados

Espanha reinou com chicotão

Libertada essa escravidão

Chineses p`ró trabalhão

José Marti herói valente

Da revolução independente

cubaa copy.jpg


Cheia de gente morena

Próprio da América Latina

Convive comunidade amena

Com muita força felina

Houve um governo fantoche

Escorado pelo americanismo

Castro baniu o vil deboche

Instalou poder no comunismo

O rico contra-atacou

Tombaram muitos corpos

A contenda terminou

Foi na Baía dos Porcos

Base naval outrora instalada

Em Guantánamo permaneceu

Ficou a espinha atravessada

Força do herói não os removeu

Musicado que é património

De Guantánamo é oriundo

História da jovem em reportório

Guantanamera correu mundo

2003_havana.jpg


De surpreendentes contrastes

Cuba é encanto e fascinação

Tudo apresenta desgastes

Sobrevivem com imaginação

Onde um barbudo governa

Terra de coches corroídos

Tem uma zona moderna

Com prédios quase caídos

Há muito não mexidos

Lá na terra dos Cubanos

Onde detestam americanos

O Capitólio tem imponência

A imitar inimiga potência

fidel.jpg


Nas ruas vemos o Che

O Castro está recolhido

Nas prateleiras temos até

O produto desaparecido

Lojas de prateleiras vazias

O povo à porta conformado

Aguardando melhores dias

O funcionário parece sedado

havana_cuba_carro.jpg


Espectacular museu móvel

Ímpar na Terra turbulenta

Composto por automóvel

Modelo dos anos cinquenta

Tais máquinas cansadas

São relíquias banalizadas

Que a imaginação conservou

Ternuras que o Sam lá deixou

Tudo fazem prós turistas

A sacar são uns artistas

Até o Governo alinhou

No câmbio que inventou

Duas moedas sem peso

Quase não valem nada

Uma é a moeda do teso

A convertida é inventada

Ao Euro fica relacionado

P´ró cubano fica pesado

O turista também é aldrabado

E o Dólar ficou afastado

O profano-religioso patente

Está no canto música e dançar

A mescla no povo existente

Faz nosso corpo requebrar

Espanhola chinesa e africana

Sangue no instrumento p´ra pular

Tambor, trompete e guitarra castelhana

Estalou quente melodia popular

Histórias quotidianas das plantações

Açúcares e tabacos pesadas cruzes

Poemas que dão vida às canções

Vozes em grupo acendem luzes

2003_havana_cuba.jpg


Congar, rumbar e salsar

Conhecemos esse dançar

Merengue e cha-cha são vibração

Estilos que entontece todo salão

Cubalibre, mojito, daiquiri e cubadas

São cocktails, bebidas bem afamadas

Feitas de rum prá gente beber

Charuto e cigarrilhas pró prazer

Que o turista paga a bem valer

Havana a vida é ardente

Luta a pobreza latente

Com paus são escoradas

Suas paredes rachadas

hemingway.jpg


Pontos principais p’la gente observada

De Hemingway residência foi mostrada

Seu bar foi divulgado e sentido

Orquestra tocou, mojito foi bebido

O camone foi orgulho nacional

Hoje é ex-libris da degradada capital

Nosso Eça numa placa seu nome tem

O escritor lá foi embaixador também.

A Viúva de Lamego fez azulejaria

Para o Casco Antigo ter nome as vias

Nas ruas o Camelho do povinho

Autobus com bossas de animalzinho

De cor clara muito bem cheinho

Carrega gente p´ró trabalhinho

Musicado que é património

De Guantánamo é oriundo

História da jovem em reportório

Guantanamera correu mundo

Nas ruas seus táxis originais

Aos turistas recolhem metais

Autos, triciclos com ou sem motor

Deitando do escape tanto fedor

varadero copy.jpg


Varadero, estância balnear

Ímpar no mundo para veranear

Água límpida e quentinha

De altura pouco profundinha

Numa península muito estreitinha

Vestígios de rica arqueologia

Covil de saques de corsários

Al capone e sua gente se reunia

À CIA e ao Baptista, os salafrários

Desenvolvia prostituição e orgia

Enquanto o povo de fome morria

Hoje a estância é de privilegiado

Tem hotéis de investidor privado

Onde ao bom nativo é vedado

Por ter tudo o que lhe é negado

Dentro, o bufet tem cheirinhos

Os pratos passam atacadinhos

Adeus dietas! Irresistível, consome

Em casa logo se passa fome...

Ao longo da estrada, no mar

Vi meninos a mergulhar!

O momento parou meu peitinho

Sonhei nu lá também no centrinho

A simplicidade matreira

Pulava do penhasquinho

Como da proa da traineira

Quando era também tenrinho

Perigoso peixinho desajeitado

Loucamente despreocupado

2003_havana_cuba_velhote.jpg


Eloquente foi tal lição

Mas o preço determinado

É filosofia de exploração

Muito oprime nosso ordenado

Não quero voltar lá mais

Porque a filosofia é demais

No mundo há mais sensações

Articuladas com justificações

cubacasas.jpg


Abel Barreto Marques

Agosto de 2005


























































































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