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Urban Jungle

pensamentos, divagações e tangas da selva urbana

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19
Abr05

Uma ida ao Hospital II

Cereza

Antes de ler este texto - para quem não o fez ontem - terá de ler o post anterior, já que isto é uma continuação do post anterior! Escolhi esta musica a proposito desta aventura do Fonz, já entendem pq!



Warehouse copy.jpg




Continuação: Segunda parte



"...Acordei na unidade de recobro, com uma enfermeira a fazer-me festas na cara – sabem, é difícil ser bonito como eu :P – e a dizer “Tão meu lindo como te sentes?”. Cavalheiro como sou, eu diria mesmo que sou um galã, respondi “F*d*-se mas que P*T* de dor”. Poético não acham? Até fez eco na unidade …


Depois de ser visitado pelos meus pais e irmão nessa unidade, fui levado para a Enfermaria de Cirurgia. As duas senhoras que iam a empurrar a maca não se sentiram inibidas com a minha presença e conversavam muito à vontade. Mesmo estando completamente pedrado, consegui ouvir o resumo da novela daquela noite e ainda ficar a saber que não sem bem quem, penso que uma colega delas, tinha um marido viciado no jogo clandestino e que a filha tinha medo do pai e mais umas quantas tragédias naquela família. As coisas que uma pessoa descobre numa viagem entre a sala de operações e uma enfermaria. Ao menos vi que apesar de operado, eu podia estar pior …


E estava pior do que pensava ... Fui para o bloco a pensar que era uma apendicite mas pela conversa das duas senhoras percebi que não. Uma perguntou à outra "Que teve este jovem?" ao que a outra respondeu "Pensava-se que era apendicite, mas na verdade foi uma hemo-peritonite (tive 5 dias para aprender a dizer isto LOLOL)". Uma suposta bebedeira, transformada em apendicite, na verdade tratava-se de uma hemorragia interna no abdómen, em que perdi cerca de 2 litros de sangue ..."


Passei a primeira noite num quarto com mais 7 pessoas, todas elas recém operadas e que precisavam de cuidados redobrados. Claro é que acordava de meia em meia hora pois a minha vizinha carregava no botão de chamar as enfermeiras sempre que precisava de coçar o nariz … O que vale é que adormecia facilmente devido aos efeitos da anestesia...


Na segunda noite, já estava num quarto só com 3 senhores. Dois para serem operados à vesícula e um aos intestinos. Este ultimo, tinha ataques de sinusite por isso acho que dá para imaginarem o motor de arranque que aquele homem parecia a ressonar. Para ajudar à festa, outro senhor só tinha 25% de visão. Com isto, não conseguia ver bem as horas no telemóvel e acordava-nos de hora a hora a perguntar as horas! Às tantas eu já lhe respondia “É mais uma hora do que a ultima vez que perguntou…” ou mesmo “São quinze minutos para daqui a um quarto de hora!”. Felizmente, ainda se sentiam os efeitos da anestesia e eu conseguia voltar a dormir …


No dia seguinte, foi o pânico! O hospital tinha estado em obras. Ia lá o Primeiro-Ministro fazer a inauguração do edifício – que já tava em funcionamento há 4 meses – então estavam a transferir doentes de um lado para o outro. A mudar de piso, enfermaria, etc … As visitas, andavam todas trocadas. Iam aos quartos onde as pessoas estavam no dia anterior e já não estava lá ninguém … A anestesia já não resultava. Os 44 agrafos que tinha na barriga já se faziam sentir. Para animar a festa, não podia dormir de lado como estou habituado que aquilo doía à parva. Como se isto não chegasse, apercebi-me que as camas tinham perto de 1,85m enquanto eu tenho 1,90m. E já como se diz, um azar nunca vem só. Quando eu felizmente conseguia adormecer ou acordava com as empregadas do hospital a falarem de receitas ou da novela (ARGH!!!!) ou era o meu companheiro de quarto com o “motor de arranque” a bombar a toda a velocidade!!


Grande senhor Zé, o meu colega de quarto.. Um senhor nos seus 60 ou 70 anos. Fanático pelo Benfica. Imaginem o que era quando eu, sócio do Sporting desde que nasci, e o Sr. Zé começávamos a discutir quando estávamos a ouvir um relato de futebol. Vinham logo as enfermeiras acalmar-nos … A melhor foi quando ele adormeceu durante o jogo do Sporting e o Sporting marcou um golo no final do jogo quando ele já tinha adormecido. Assim que a enfermeira pergunta o resultado, foi logo a divergência. Sr. Zé “Empatou 0-0” enfermeiras “Ai que bom!!! EHEH!” Eu “Nada disso, ganhou 1-0” E pronto foi logo a discussão …


Outra situação desagradável verificava-se quando precisava de verter águas. Elas insistiam que nos levantássemos e nos habituássemos a ir ao WC. Acontece que debilitado fisicamente é um bocado difícil uma pessoa levantar-se. Nesta situação, o bacio torna-se um utensílio extremamente útil. Mas como não há bela sem senão, numa das noites a empregada deixou-me o bacio num local inacessível para mim que não conseguia mexer-me devido aos agrafos na barriga. Fiquei numa posição mesmo desconfortável. Eram 4 da manhã, não queria acordar toda a gente com a buzina irritante. Que iria eu fazer? Lá ganhei coragem, acabei uma garrafa de água que lá linha e lá me desenrasquei! Curioso foi quando a minha mãe chegou na manhã seguinte. “Oh Hugo, quem é que te trouxe chá?”…


Já estava a desesperar … Só tinha alta quando me funcionassem os intestinos. O que era uma desilusão já que eu tinha o meu momento All Bran às 17h30 e há 4/5 dias que ele estava a falhar … Estava há 5 dias no hospital. Já tinha lido revistas de trás para a frente e frente para trás. Acordava às 6 da manhã e metia-me a mandar mensagens aos meus amigos a dizer que aquilo estava cheio de enfermeiras novas e com calças brancas – Ahh as calças brancas … Cheguei ao degredo de ter passado o dia a contar o número de vezes que a RFM passava a “My Immortall” dos Evanescence – 7 num só dia entre as 7h e as 23h :x


Ironia dos destinos, logo quando já estava a ganhar a atenção de uma das enfermeiras que tinha os seus 22/23 aninhos, até já tinha pedido ao meu pai para me levar a Gilette uma vez que a barba de 6 dias fazia-me perder a minha visibilidade e mesmo as hipóteses com a enfermeira :P, acontece que os intestinos funcionaram após 5 dias no hospital!! Foi uma sensação de alívio enorme, de tal forma que até gritei “TOMA LÁ! ”. Tinha ganho a minha saída do hospital, mas lá se foram as hipóteses com a enfermeira …"



Fonz



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