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Urban Jungle

pensamentos, divagações e tangas da selva urbana

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17
Fev05

Viagem à Tailândia, após a tragédia!

Cereza

O testemunho da Emmanuelle, que já esteve na Tailândia por duas vezes, depois do Tsunami! Na primeira pessoa ela conta-nos o que viu por lá... As fotos foram tiradas por ela.



Tsunami 78 copy.jpg



Pois é! Andei a alimentar elefantes:) Quem diria que estas “bestas” comem 250 kg de fruta por dia, fora o bambu e os pepinos? Com a falta de turistas, não fazem os trilhos, não ganham dinheiro e os bichos estão com fome. Tive o prazer de fazer alguns quilometros (15 para cada lado) com um "cardume" de elefantes para uma cidade próxima e andar de bar em bar com saquinhos de bambu que eram vendidos a 80 cêntimos, (sou boa negociante) os quais os elefantes devoravam e agradeciam no final com uma vénia:) Um dos bebés, que já é um monstrinho e ainda nem sabe fazer a vénia, agradecia com um rugido:) Era fantástico ver a alegria deles ao saberem que iam comer apesar de tantos kms que tinham de fazer para ir e voltar já tarde. Não esquecerei estes episódios.



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Uma dor no coração ver os donos deles sem dinheiro para os poderem alimentar. Embora o dinheiro obtido não chegue para os alimentar como antes, ajuda imenso. Os tailandeses recuperam depressa, não pedem dinheiro, nunca pediram, pedem sim, utensílios para trabalhar e barcos para poderem voltar a pescar. Estive com pessoal da equipa do Rotary que estão a fazer um trabalho fantástico. Angariam fundos para comprar os barcos e abrir escolas. Neste momento já têm dinheiro para 4 barcos e vão ocupar-se de 50 crianças que ficaram sem pais nesta desgraça.



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Todos os tailandeses agradecem ao povo português pela ajuda e eu peço que, mesmo pouquinho, continuem a ajudar, eles não precisam de roupa mas sim de utensílios que esta equipa compra e mostra-nos todas as contas. Podem visitar o site: www.rotarypattayamarina.org Phuket já está habitável para turistas mas em muitas cidades ao lado é a miséria completa. Não têm nada, nem uma frigideira para cozinhar. Phuket, claro que teve de ser reconstruída a toda a velocidade por causa dos turistas, (a ainda muita miséria está tapada com painéis e toldos) e como houve eleições, obviamente que as promessas foram muitas. Agora cumprir é o pior. O eleito ajudou mas esqueceu-se dos arredores, dos pobres pescadores, pessoas sem casa, sem filhos, sem nada para comer...As crianças pedem ursos de peluche para se agarrarem a eles - seguramente para compensar o sentimento de perda dos pais - os adultos pedem que os ajudem de forma a poderem voltar ao trabalho. Nenhum deles pede dinheiro. Todo o que foi enviado pelo mundo inteiro, serviu para reconstruir Phuket para que os turistas voltem depressa. E pergunto eu: os restantes não merecem também uma ajuda, por mais pequena que seja? Até custa a crer que em determinados terrenos, alguns agora já terraplanados, existiam até há bem pouco casas, ainda que modestas, onde os locais descansavam após a sua labuta diária. Agora nem isso!



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Uma mãe, nesse dia 26, foi meter gasolina no carro, os 2 filhos queriam ir com ela mas esta disse-lhes que ia só à bomba e voltaria para irem todos à praia. Quando voltou, nem casa, nem marido, nem filhos. Ficou sem nada. A expressão da sua face, que se pode constatar na foto, é mais elucidativa que mil palavras.



untitled copy.jpg




E, como esta, existem muitas outras...Imensas. Proponho que visitem esse site e qualquer ajuda, mesmo pouquinha, será super bem recebida pela equipa do Rotary que se empenhou a ajudar este povo. Em Ban Nam Kem, só 40 das 1650 habitações se salvaram bem como apenas 6 embarcações de uma frota de 200 barcos. Esta equipa já conseguiu até agora 10.000 euros que são para comprar barcos e veículos motorizados para transportar alimentos vitais... Tudo que eu possa dizer, não espelha o que na realidade se vê por lá e, mesmo assim, sorriem para nós, agradecidos por estarmos lá. Mas quando viramos as costas, o rosto deles muda para uma tristeza que não dá para narrar. Estou a escrever isto, queria contar tudo, mas não sou capaz...Impossível não chorar...As crianças mais pequenas sorriem, não sabem bem o que aconteceu. “Talvez os pais voltem”, devem pensar aquelas cabecinhas que fazem desenhos de uma onda gigante a devorar os barcos dos pais.



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As mais crescidas, sabem e choram. Que vai ser deles num país já tão pobre e agora orfãos? Ao menos esta equipa vai ajudar até acabarem os estudos...Que Deus ilumine e abençoe estes homens que ajudam este povo sem qualquer outro interesse que não seja o de minimizar esta infortúnio...



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