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Urban Jungle

pensamentos, divagações e tangas da selva urbana

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02
Fev05

"Quem salva uma vida, salva o mundo"

Cereza

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(Dr.Aristídes de Sousa Mendes)



Peço especial atenção e debate para este texto, sobretudo pelo facto de sentir um orgulho enorme, de ter a participação do neto de um Heroi Nacional:Aristides Sousa Mendes!
Infelizmente um heroi que poucos conhecem, mas que hoje vamos tentar informar mais algumas pessoas! É urgente dar o devido valor e este homem do Mundo!
Contamos com o Franciso Sousa Mendes para fazer uma homenagem ao avô! Acreditem, estou muito orgulhosa em tê-lo neste blog.


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(Dr.Aristídes e a esposa)



A história de Aristides de Sousa Mendes


Só para terem uma ideia mais prática, Aristides de Sousa Mendes foi considerado o Shindler português. O percurso durante o Holocausto foi muito diferente, mas ambos tiveram uma coisa em comum, salvaram a vida de milhares de judeus.


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(Dr.Aristídes de Sousa Mendes e Oscar Shindler)



Quando os Nazis invadiram a França em 1940, Aristides de Sousa Mendes, o cônsul português em Bordéus, contrariando as ordens de Salazar, assinou vistas para fugitivos. Assim conseguiu salvar milhares de vidas, antes de ser afastado do cargo pelo ditador.

Em 1940, dado o avanço das tropas alemãs de Norte para Sul e de Leste para Oeste, só Portugal era porta de saída segura para um algures a salvo dos desígnios de Hitler. Eis porque, solicitando um visto, acorriam ao consulado português de Bordéus inúmeros refugiados, sobretudo judeus. Mas a 13 de Novembro de 1939 já Salazar proibira, por circular, todo o corpo diplomático português de conceder vistos a várias categorias de pessoas, inclusive a "judeus expulsos dos seus países de origem ou daqueles donde provêm".

Aristides começou por ignorar a circular para, depois de instado a fazê-lo, a desrespeitar totalmente. Passava vistos a quantos lho solicitassem. Quando a 8 de Julho de 1940, já sem mais hipóteses de transgressão, regressou a Portugal da fronteira de França com a Espanha, tinha salvo milhares de vidas, assinando vistos de dia e de noite, até à exaustão física.

Regressando a Portugal, Aristides foi dado como culpado no inquérito disciplinar e despromovido. Salazar reformá-lo-ia compulsivamente com uma pensão mínima. Os recursos de Aristides para os tribunais seriam em vão. Sem dinheiro, Aristides era socorrido pelo irmão e pela comunidade judia portuguesa. Do recheado solar da família, em Cabanas de Viriato (Viseu), tudo ia sendo vendido. Os filhos de Aristides iam se dispersando, a mulher morreu, e ele casou novamente.



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(Entrevista de um dos filhos do diplomata português ao Correio da Manhã)



No dia 3 de Abril de 1954, Aristides morreu de uma trombose cerebral e de uma pneumonia no Hospital da Ordem Terceira em Lisboa. Embora o epitáfio na sua lápide reconheça os méritos de Aristides com as palavras "Quem salva uma vida, salva o mundo", a sua morte não veria qualquer comentário ou informação na imprensa portuguesa. Seria assim ignorado pelo país.

Ter-se-ia de esperar 34 anos para que Aristides fosse justamente reintegrado e louvado oficialmente em Portugal: Em 1988 na Assembleia da República, o Dr. Jaime Gama do Partido Socialista pediu a reabilitação e integração póstuma de Aristides no corpo diplomático, o que foi concedido por unanimidade pelos partidos com assento na altura. Desde 1993 Aristides é o único português que faz parte dos "Righteous Among the Nations", no Yad Vashem Memorial em Israel.



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(A numerosa familía do diplomata, com o irmão gémeo - uma foto histórica)



O Testemunho de Francisco Sousa Mendes - (neto)



Há dias descobri um blog que me interessou particularmente- falava de Auschwitz e dos 60 anos da libertação dos prisioneiros(ou do que restava deles...) daquele campo de morte. Pus-me logo em sentido, não é para menos! Li àvidamente, embora não fosse, para mim, nada de novo. Como não podia deixar de ser, deixei um comentário ao artigo, que me prendeu tanto a atenção, e, passado um pouco, estava a falar com a autora, a Cereza, através do MSN.
Tivemos uma conversa recheada de interesse e falámos sobre o meu avô- encantou-me o entusiasmo dela, fascinou-me a sua personalidade, que aprofundei nos seus escritos. Pediu-me que fizesse um texto, para fazer parte do seu blog...vou tentar com aquilo que tenho na cabeça e com a satisfação que me dá.



Nos dias de hoje não se dá o valor de outrora a questões morais e éticas, dá-se mais importância ao material e ao supérfluo. Não há princípios, como havia antigamente e louva-se as faltas desses valores. Houve uma transformação radical na nossa sociedade, e parece-me que não foi para melhor. O meu avô pertencia a uma família tradicional que tinha muito alto os valores morais e os princípios do altruísmo. Não hesitou quando sentiu que podia fazer alguma coisa por gente que estava a beira de deixar de o ser, pessoas que fugiam em pânico de alguma coisa que sabiam que era terrível, que apenas queriam (sobre)viver. Era fácil invocar pretextos e desculpas para passar ao lado, para não se deixar envolver numa situação que implicava sérios riscos, mas, felizmente, houve alguém no lugar certo, na hora certa...e, esse, foi o meu avô! Como todos os outros, tinha ordens estritas para não passar vistos a refugiados de guerra, mas os tais valores impediram-no de virar a cara para o lado.



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(Dr. Aristídes e um dos vistos que ele passou)



A sua casa abriu-se para centenas de pessoas que durante dias não arredaram pé, pois no íntimo, sabiam que dali viria a salvação. Não distinguiu credos nem raças, eram pessoas como ele e passaram a ser a sua própria família. Foram, talvez 30.000, ficou exausto e sem nada; os filhos, para sobreviver, tiveram que emigrar para terras distantes e não mais viram o seu pai. Ele enriqueceu com o seu acto de coragem, ficou bem com a sua consciência e morreu na miséria total, mas feliz...chegou ao fim no Hospital da Ordem Terceira, embrulhado num hábito de monge franciscano, cedido pelo hospital(franciscano), por não ter sequer vestes suas para descer à terra que o viu nascer.
Era um cidadão do Mundo e deixou uma herança aos seus descendentes, direi, a toda a Humanidade.
Bem hajam.
Francisco de Sousa Mendes



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(Homenagem: “no deserto de Negev, Israel feita por mim - plantaram um bosque com 10 000 árvores, uma por cada judeu que ele salvou” – Francisco)




Um bem haja para ti, Francisco de Sousa Mendes, neto e admirador deste um Heroi Nacional


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